Raptar um Rei
Sete
ERAM DEZ HORAS quando Irene Neum ann acabou a excelente refeição que lhe fora servida depois do banho. A m ulher de cabelo cinzento que a aj udara havia sido bastante solícita.
— Penso que eles se enganaram , querida — dissera.
Apesar das dores provocadas pelo seu espancam ento, Irene, confortavelm ente em brulhada num roupão quente, estava a voltar à vida. Então, a porta abriu-se com um pontapé e Berg e dois hom ens das SS entraram e agarraram -na. Atiraram -na para o corredor, e Berg, agarrando-a pelos cabelos, puxou-lhe a cabeça para trás de m aneira a obrigá-la a olhar para cim a, para Hey drich.
— Oh, não, Irene — disse. — Você não. Já teve a sua parte.
Agora é a vez da pessoa da cela ao lado.
Arrastaram -na ao longo do corredor para a porta ao lado. Hey drich abriu a pequena grade de m etal de m odo a ela poder olhar lá para dentro. Um a velhota de cabelos cinzentos e de aparência frágil estava sentada na cam a.
— Frau Gerda Neum ann, sua m ãe, segundo creio. Idade: setenta e um anos — disse Hey drich. — É verdade que sofre do coração?
Dez m inutos depois, Irene estava sentada defronte da secretária no gabinete de Hey drich a contar tudo o que sabia.
PASSAVA pouco da m eia-noite quando Haupt, o j ovem operador de rádio, voltou ao arm azém dos Irm ãos Hoffer com as peças sobresselentes necessárias. Max Winter tinha regressado da Com panhia de Vinhos Águia há três horas.
— Meu Deus, tanto tem po — disse quando Haupt entrou no escritório.
— E tive m uita sorte em ter encontrado tudo aquilo que queria. — disse-lhe Haupt.
Max foi até à j anela e espreitou através da cortina. De repente, parou, consciente de um m ovim ento lá em baixo entre as pedras.
— Otto — disse para Hoffer —, acho que tem os com panhia.
— Vou verificar a porta da frente — disse Hoffer. Abriu um arm ário, tirou um a m etralhadora Schm eisser e desceu as escadas traseiras até ao arm azém principal. Dirigiu-se na escuridão a um a grande porta dupla. Depois, ouviu-se na noite o barulho de um m otor e as portas despedaçaram -se quando um veículo blindado entrou repentinam ente.
A roda da frente do lado direito atingiu Hoffer, atirando-o contra a parede.
Ele apertou furiosam ente o gatilho da Schm eisser e pelo m enos m eia dúzia de arm as dispararam em resposta, despedaçando-o.
Max, ao cim o das escadas, sabia que tudo tinha term inado. Ficou ali à espera deles, com a Walther na m ão. Com eçou a rezar alto a últim a oração que um j udeu profere no seu leito de m orte: — Ouve, ó Israel; o Senhor Nosso Deus, o Senhor é apenas um .
Disparou contra o prim eiro soldado que apareceu. Depois, alguém surgiu no canto com um a Schm eisser e disparou um a longa raj ada, atingindo-o várias vezes e fazendo-o cair pelas escadas abaixo.
O resto do pelotão de ataque passou por cim a do seu corpo e subiu para o escritório, seguido pelo m aj or Berg. Passado um m om ento, regressaram , arrastando Haupt.
Hey drich estava ao fundo das escadas a olhar para Max Winter.
— Está m orto, o que é um a pena — disse a Berg. — Que trazem aí?
— Um operador de rádio. Estava a tentar reparar um aparelho.
— Então, transm itiu algum a m ensagem hoj e? — perguntou Hey drich.
Haupt estava aterrorizado e m ostrava-o.
— Não, nenhum a.
— Apareceu aqui hoj e à noite algum a m ulher j ovem ?
Haupt pareceu adm irado.
— Um a m ulher? Não, ninguém parecido.
— Está bem , Berg. Leva-o para a Prinz Albrechtstrasse e vê o que consegues arrancar dele. Vou ver o que conseguim os descobrir na outra m orada que a Neum ann nos deu.
Mas a Com panhia de Vinhos Águia estava às escuras e não havia sinais de Herr Scherber, o proprietário, no seu apartam ento ali próxim o.
Os interrogadores da Prinz Albrechtstrasse estiveram com o infeliz Haupt durante quase toda a noite. Nada lhes disse, pois nada sabia.
Eram 7 horas da m anhã quando Scherber foi finalm ente localizado nuns banhos turcos perto da Kurfürstendam m . Um a vez apanhado, delatou tudo.
HAVIA quase um a m ultidão no escritório de Him m ler às 9 horas da m anhã: Hey drich, Schellenberg, Kleiber e Sinderm ann.
Him m ler falava.
— Portanto, sabem os que Winter não teve tem po de transm itir qualquer inform ação sobre o caso Windsor através do rádio e a cópia do relatório que faltava está nas nossas m ãos.
— O que significa que a outra única fonte de inform ação sobre o assunto é a m aldita m oça Winter — acrescentou Hey drich.
— Que, segundo Scherber, vai agora a cam inho de Paris na com panhia de dois franceses que negociam no m ercado negro. — disse Him m ler.
— Tem os a m orada onde eles a vão deixar — disse Hey drich. — Um café cham ado Moeda de Ouro, em Montm artre. O departam ento da Gestapo em Paris podia preparar-lhe um a recepção.
— Tenho um a ideia m elhor. — Him m ler voltou-se para Schellenberg. — Você parte esta m anhã para Espanha, com escala em Paris.
— Tinha a im pressão de que não queria que eu tivesse m ais nada a ver com Hannah Winter.
— É verdade, m as o m aj or Kleiber pode tratar do caso na Moeda de Ouro m uito satisfatoriam ente, em bora eu tenha a certeza de que apreciaria a sua presença com o observador. — Olhou para Hey drich. — Kleiber irá precisar de m ais hom ens. Trate disso com a delegação de Paris. Schellenberg, quando parte o seu avião?
— As onze horas, de Tem pelhof.
— Então, desej o-lhe boa sorte. Com o é natural, espero relatórios diários.
— Claro, Reichsführer.
— Kleiber, fique, se faz favor.
Quando Schellenberg e Hey drich saíram , Him m ler disse para Kleiber:
— No que respeita à fuga de ontem à noite da m oça Winter, o fato de estar inform ada sobre o m ensageiro da Chancelaria m ostra que teve aj uda interna.
— O general Schellenberg, Reichsführer?
— Vigie-o de perto, Kleiber, e dê-m e notícias diárias. Aqui está a necessária autorização. — Passou a Kleiber um envelope.
— Com preendo, Reichsführer.
— Esperem os que sim — disse Him m ler. — Pode ir agora.
HENRI Dubois entrou com o cam ião-cisterna para um parque ao lado de um pequeno café em Clichy, a norte de Montm artre, e parou.
— Vais telefonar ou vou eu? — perguntou ao irm ão.
— Deixa isso com igo — disse Paul, e saltou para a rua.
Dentro do café, dirigiu-se à cabina telefônica e discou o núm ero do Moeda de Ouro. Atenderam im ediatam ente.
— Sim , Moeda de Ouro. Em que posso ser-lhe útil?
Era Mm e Bonnet, a proprietária, sem dúvida, m as havia algo na sua voz. Tinha a certeza.
— Será possível reservar um a m esa para sete pessoas para hoj e à noite? — perguntou. — Galinha com paprika e um bom vinho Muscadet, se pudesse ser.
— Não, peço desculpa, m onsieur. Hoj e à noite estam os fechados.
Paul disse calm am ente:
— Muito obrigado, m inha senhora. Fica para outra altura.
NO MOEDA DE OURO, m eia dúzia de clientes estavam sentados à m esa, tentando parecer apreciar as bebidas. Três agentes da Gestapo esperavam por trás da cortina que dava para a cozinha. Walter Schellenberg, no bar, pensava em Hannah Winter e na arm adilha que a esperava. Infelizm ente, nada podia fazer desta vez — j á estava dem asiado com prom etido.
Angélique Bonnet, sentada atrás da sua secretária ao lado do bar, era um a m ulher baixa e idosa, com um vestido preto sim ples, que dirigia o estabelecim ento com m ão de ferro. Pousou o auscultador, e Kleiber, que tinha estado a escutar a conversa, acenou com a cabeça e disse: — Ótim o.
— Mas é claro. Daqui a pouco não terei m ais clientes e ainda não sei o que está a passar-se.
— Um cam ião-cisterna cheio de bom vinho alem ão está para ser entregue aqui por dois irm ãos cham ados Dubois, j untam ente com um a rem essa ainda m ais interessante, eh?
O olhar de espanto de Angélique Bonnet foi extrem am ente convincente.
— Mas não conheço ninguém com esse nom e, m onsieur, e no que respeita ao vinho alem ão, bem , com o m aior respeito, não costum am os vendê-lo aqui.
Kleiber parecia duvidoso e olhou em direção a Schellenberg, que disse:
— Considerou a hipótese de os irm ãos Dubois não terem qualquer ligação com o estabelecim ento, m as sim com um dos clientes?
— Sim , ocorreu-m e, naturalm ente.
— E a polícia local. Têm detalhes sobre o cam ião?
— Um a descrição com pleta — disse firm em ente Kleiber.
— Então, não há razão para preocupações. — Schellenberg voltou-se para Angélique Bonnet. — Minha cara senhora — disse num francês fluente —, receio ter de a m açar de novo e pedir outro copo deste excelente conhaque.
Paul Dubois encostou-se ao cam ião.
— Tira-a cá para fora depressa — disse para Henri. — Passa-se algum a coisa no café.
O irm ão abriu o alçapão e puxou Hannah para fora. Parecia cansada e confusa após a longa viagem de vinte e quatro horas, com apenas um a paragem .
— Onde estam os? Em Paris?
— Sim — disse Paul. — Em Clichy. Penso que estam os em apuros. Sem pre que tem os um passageiro com o você, telefonam os para o Moeda de Ouro antes de chegarm os. Um código pré-com binado. Encom endo um a refeição especial para um determ inado núm ero de pessoas. Se as coisas estiverem a correr bem , a m ulher que dirige o café aceita a reserva.
— E agora não o fez?
— Disse que estavam fechados hoj e à noite e nunca ouvi dizer que o Moeda de Ouro fechasse.
— Então, que fazem os? — perguntou Henri.
Paul Dubois franziu as sobrancelhas e depois decidiu.
— Se as coisas correram m al em Berlim , então este cam ião pode ter-se tornado um sarilho. Vam os deixá-lo aqui e fazem os o resto do cam inho a pé. Vam os ver pelos nossos próprios olhos o que está a acontecer.
Puseram -se a cam inho de um a pequena igrej a situada num a colina acim a da praça onde ficava o Moeda de Ouro. Do cem itério j unto da igrej a conseguiam ver claram ente o café, com o toldo de riscas por cim a das m esas do passeio.
— Está um carro preto estacionado no beco — disse Henri.
O irm ão acenou com a cabeça.
— Oh, diabo! — exclam ou ao ver um hom em de casacão preto e chapéu de feltro a sair do café.
— Conhece-o? — perguntou Henri.
— Certam ente que sim . Cham a-se Ehrlich. Um m aj or da Gestapo da Rue des Saussaies. — Paul virou-se para Hannah. — Desculpa, m oça. Não sei o que correu m al, m as estão à nossa espera. Agora ficas por tua conta. — Acenou para Henri e partiram os dois, apressados.
Hannah ficou sozinha, ali no cem itério, surpreendida por um m om ento pela rapidez de tudo aquilo. Mas isso não podia acontecer e tam bém ela partiu.
Conhecia bem Paris, graças a um contrato de seis m eses num cabaré antes da guerra. Apressou-se através das ruas de Montm artre e não parou até chegar à Praça da Concórdia.
Encontrou um quiosque com m esas à volta. Pediu um café e sentou-se para fazer o balanço da situação. Falava francês razoavelm ente bem , tinha alguns francos graças à previdência do tio Max e ? ainda os dois passaportes. E havia m ais um a coisa — algo de que se tinha esquecido até agora.
Com os dedos a trem erem ligeiram ente, Hannah tirou os bilhetes de com boio do envelope. Um era de Berlim para Paris, m as o outro é que era im portante. O beliche no expresso para Madrid, que saía da Estação de Austerlitz às 6 horas da tarde.
Olhou para o relógio. Eram 5h15 e Austerlitz ficava a uns bons cinco quilôm etros de distância. Pôs-se de pé e, quando se voltou, viu um a pequena carrinha de entregas. O condutor, um hom em de m eia-idade com um bigode branco pendente e fato-m acaco azul, atirou um pacote de j ornais para o passeio. Hannah correu para a carrinha e subiu para o lugar do passageiro.
— Eh, que é isto? — perguntou o condutor.
— Por favor, m onsieur, aj ude-m e. — Tirou o passaporte e m ostrou-o. — Vej a, sou um a cidadã am ericana de regresso a casa. Tenho um lugar no expresso de Madrid que parte de Austerlitz às seis horas. Estive a fazer um pouco de turism o e perdi-m e, e agora não vou conseguir chegar a horas, a não ser que m e leve lá. — Tirou um m aço de francos.
— Guarde o seu dinheiro. — O hom em sorriu. — Am ericana, é? Tenho um filho que vive em Los Angeles. Ponho-a lá num quarto de hora.
QUANDO o telefone tocou de novo, Angélique Bonnet atendeu com o anteriorm ente.
— Para si — disse a Kleiber quando ele se aproxim ou do receptor. — É da esquadra da Polícia.
A expressão da cara de Kleiber foi com o um a vacina m ilagrosa para Schellenberg. O m aj or desligou o telefone.
— Encontraram o cam ião — m urm urou. — Abandonado a cerca de um quilôm etro daqui.
— Então? — perguntou Schellenberg calm am ente. — Um a tarde perdida? As m inhas condolências. Agora tenho de visitar o quartel-general dos SD. Encontro-m e consigo no aeroporto às oito horas.
Partiu e, um pouco m ais tarde, Kleiber dirigiu-se com um ar arrogante para a praça onde Sinderm ann e Ehrlich esperavam j unto de um Citroën.
— A Polícia Francesa encontrou o cam ião — disse-lhes. — Não há sinais dos irm ãos Dubois nem da m oça.
— Nesta altura, podem estar em qualquer lado — disse Sinderm ann.
Foi Ehrlich quem sugeriu o que era óbvio.
— Sabem os que o obj ectivo dela era chegar a Espanha. Sei que há um com boio para Madrid que parte da Estação de Austerlitz às seis horas.
— Ridículo — disse Sinderm ann. — Ela não se atreveria.
Mas a cara de Kleiber brilhava de entusiasm o.
— Ela tinha um a reserva para esse com boio que o tio fez em Berlim . Um beliche. E os negros tam bém .
Ehrlich olhou para o relógio.
— Já só tem os cerca de trinta e cinco m inutos. É m elhor despacharm o-nos.
Pouco depois das cinco e m eia, o hom em dos j ornais deixou Hannah na Estação de Austerlitz. Estava m uito m ovim entada — um a m istura de civis com soldados alem ães — e parecia que havia polícia por toda a parte.
Procurou o cais certo para o expresso de Madrid e aproxim ou-se da entrada. Havia um a lista de passageiros afixada na parede ao lado do revisor. O seu nom e estava na seção da 1ª classe, num com partim ento privado com Connie e os rapazes. Mas se m ostrasse o bilhete, o revisor daria baixa dela na lista.
Afastou-se um pouco para pensar. Nesse m om ento, passaram por ela dois carregadores que puxavam um a série de carros atulhados de correio.
Abriram um a grande cancela que dava acesso ao cais e Hannah passou com eles, m antendo-se do lado esquerdo para o revisor não a ver.
Havia m uita gente no cais a entrar para o com boio. Dirigiu-se para as carruagens-cam as, passou por um funcionário que estava ocupado com outro passageiro e depois esquivou-se por um a porta situada no fim da carruagem de 1.? classe. Ali estava, apenas a um passo: o com partim ento A.
Tentou abrir, m as a porta estava fechada. Desm oralizada, bateu à porta. Ouviu-se lá dentro um a voz abafada, depois abriram .
— O que é ... — com eçou Connie Jones em francês, e depois a sua cara rasgou-se num sorriso radiante. — Hannah querida.
Depois entrou, fecharam a porta e ele abraçou-a fortem ente.
Billy Joe e Harry riam de alegria e, por qualquer razão, ela com eçou a chorar.
OS TRÊS hom ens da Gestapo chegaram a Austerlitz precisam ente às cinco para as seis. Harry Gray estava no pequeno quiosque do cais, perto da entrada, a com prar cigarros. Reconheceu im ediatam ente Kleiber, voltou-se e apressou-se a regressar ao com partim ento.
— Tem os sarilho — disse ao fechar a porta atrás de si. — Aquele tipo que nos interrogou na Prinz Albrechtstrasse está na entrada a ver a lista de passageiros com o revisor.
— Mas eu não entrei oficialm ente — disse Hannah.
— Isso não quer dizer nada. Daqui a um segundo, estão a bater àquela porta. O problem a é onde te vam os esconder.
Havia quatro beliches, dois em cada lado, e um a pequena casa de banho. Connie abanou a cabeça.
— Hom em , aqui não consegues esconder nem um gato.
Billy Joe voltou-se para Harry com um sorriso.
— Lem bras-te da viagem que fizem os de Chicago para Holly wood? Aquele branco, gordo, pom poso, do Alabam a, que não se im portava de ficar com gente de cor desde que fosse lim pa?
— E nós correm os com ele enoj ados. — Harry era todo sorrisos ao com eçar a desabotoar a cam isa.
Billy Joe com eçou a fazer o m esm o.
— Ouviste a história, Connie. Agora m ete-a na cam a.
Hannah olhou, espantada. Connie disse: — Faz o que te dizem , m iúda, e, aconteça o que acontecer, m antém -te sem pre calm a.
Billy Joe e Harry tiraram as cam isas, enquanto Connie em purrava Hannah para um dos beliches inferiores, encostando-a contra a parede e tapando-a com um cobertor. Harry deitou-se no beliche ao lado de Hannah e Billy Joe estendeu-se em cim a dele. Um segundo depois, bateram violentam ente à porta.
— Vá, abram ! Polícia!
Connie abriu a porta, deixando a corrente posta, e espreitou para o criado da carruagem -cam a.
— Eh lá, qual é o problem a? Você j á tem os nossos bilhetes. Gostaríam os de ter um pouco de privacidade.
— Foi feita um a quarta reserva, para Hannah Winter.
— Não foi utilizada, hom em , a últim a vez que ouvi falar dela estava em Berlim .
— Mas não fazem obj ecção se quiserm os certificar-nos? — Kleiber apareceu por trás do criado.
— Oh, não — suspirou Connie. — Você outra vez, não.
— Abram a porta ou terem os que a arrom bar — disse Kleiber.
Connie soltou a corrente. Kleiber em purrou-o para trás e abriu cam inho, seguido de Sinderm ann e Ehrlich. A prim eira coisa que viu foi dois hom ens negros abraçados no beliche de baixo do lado direito.
Harry disse: — OIá, tem os com panhia.
Billy Joe voltou-se. — Pensei que a razão por que pagam os prim eira classe fosse a garantia de privacidade.
Kleiber ficou a olhar para eles, pálido. Deu um pontapé na porta da casa de banho, espreitou rapidam ente lá para dentro, depois saiu para o corredor. Os outros seguiram -no e Connie bateu a porta atrás dele.
— O com boio pode partir agora, m aj or? — perguntou o em pregado.
— Não até term os verificado todos os passageiros — disse Kleiber, repugnado com o que tinha visto.
Inspecionaram todos os com partim entos, m as finalm ente tiveram de adm itir a derrota. Quando o apito assobiou, Kleiber, que estava ao pé da cancela, viu Connie debruçar-se da j anela.
— Sem pre às ordens, m aj or. — Acenou alegrem ente, depois entrou. Harry e Billy Joe, agora com pletam ente vestidos, estavam sentados num beliche, com Hannah em frente deles. Todos os três riam perdidam ente.
— A cara do hom em — disse Harry. — Gostaria de ter tirado um a fotografia.
— Pronto, pessoal. A brincadeira acabou. — Connie sentou-se ao lado de Hannah e segurou-lhe na m ão. — Tive m ás notícias. Sobre o teu tio Max.