Raptar um Rei

Jack Higgins · Capítulo 3 de 16

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Raptar um Rei

Dois

Com eçou em Berlim , se com eçou em algum lado, com um hom em cham ado Erich von Mannstein, que no início de 1940 era chefe do estado-m aior do general Gerd von Rundstedt.

Mannstein, que viria a tornar-se o m ais brilhante com andante saído do Exército Alem ão durante a II Guerra Mundial, era um estratega soberbo que desafiava constantem ente as opiniões dos seus superiores, particularm ente os seus planos para invadir a França e os Países Baixos.

À beira de ser dem itido, com a carreira am eaçada, a sorte levou-o a um j antar dado por Adolf Hitler em Fevereiro de 1940. Aí aproveitou a oportunidade para delinear ao Führer o seu próprio plano alternativo, um audacioso avanço de Panzers através das Ardenas até ao canal da Mancha, com o obj ectivo de separar os exércitos britânicos e franceses.

Hitler ficou tão obcecado com a ideia que, a partir de certa altura, chegou a acreditar que era sua. A 10 de Maio, foi posta em ação com resultados incríveis. Num a questão de dias, os exércitos aliados retiravam -se desordenadam ente.

A 2 de Junho, graças à decisão de Hitler de fazer parar os tanques no canal do Aa, a m aior parte da Força Expedicionária Britânica conseguiu escapar das praias de Dunquerque. No dia 22, os Franceses assinaram um arm istício na floresta de Com piègne no velho vagão-restaurante de m adeira no qual o m arechal Foch tinha decretado os term os de rendição aos Alem ães em Novem bro de 1918.

Logo na m anhã seguinte, Hitler, acom panhado por alguns com andantes escolhidos a dedo, chegou a Paris. Tinha term inado a cam panha m ais devastadora da guerra m oderna.

No caos em que se encontrava o resto da França, particularm ente o Sul, as estradas estavam am ontoadas de refugiados, que desesperadam ente abriam cam inho para os Pirenéus e para a fronteira espanhola, m uitos deles cidadãos britânicos que tinham vivido na Riviera durante anos.

Entre eles, havia um a escolta de carros encabeçados por um Buick que rebocava um atrelado carregado. Num a pequena cidade a oeste de Arles, tinha sido levantada um a barricada pelos gendarm es para im pedir m ais quaisquer refugiados de passarem . Quando o Buick parou na barricada, o hom em pequeno e de aspecto frágil que estava sentado ao lado da m ulher de cabelo escuro no banco traseiro do carro debruçou-se da j anela. Sorriu com um enorm e encanto, m as o seu ar de autoridade era indiscutível.

— Sou o príncipe de Gales — disse num francês excelente. — Deixe-m e passar, se faz favor.

A afirm ação não era rigorosam ente correta, m as para m ilhões de europeus era o título pelo qual ainda se lem bravam dele. O oficial de dia olhou para ele, reconhecendo-o, adm irado, depois cum prim entou-o e repetiu um a ordem rápida aos seus hom ens. As barricadas foram apressadam ente retiradas e o duque e a duquesa de Windsor e a sua com itiva passaram .

EM BERLIM, na sexta-feira seguinte, chovia quando Hannah Winter saiu do seu apartam ento na Königstrasse. Eram 8 e m eia, um a hora antes do prim eiro espetáculo da noite no Jardim , que era a cerca de quilôm etro e m eio de distância, perto da Unter den Linden. Estava difícil de arranj ar-se um táxi, portanto teria de se despachar. Estava um Mercedes preto estacionado no outro lado da rua.

Olhou para ele, esperançada, depois percebeu que era um carro particular e com eçou a andar.

Dois j ovens apareceram na esquina e dirigiram -se para ela. Usavam uniform e nazi, em bora ela não tivesse ideia do que eram . Pararam , bloqueando-lhe o cam inho; e as caras debaixo dos bonés de pala tinham um a expressão agressiva e cruel, prontas para lhe causarem problem as. Com preendeu que ia ter sarilhos.

— Os papéis — disse um deles.

Lem brou-se da prim eira regra do tio Max: nunca m ostrar m edo.

— Sou um a cidadã am ericana — respondeu calm am ente.

— Então? — Ele estalou os dedos.

Ela tirou o passaporte da carteira e entregou-o.

— Hannah Winter, vinte e dois anos. É um a boa idade. — O seu com panheiro riu em silêncio, despindo-a com os olhos. O prim eiro devolveu-lhe o passaporte. — E o seu passe?

Tirou-o relutantem ente e entregou.

O hom em riu, deliciado.

— Ora essa. Um a j udia. — Chegou-se m ais perto. — Onde é que está a sua estrela? Sabe que é um a ofensa m uito séria andar na rua sem ela. Tem os de fazer algum a coisa acerca disso.

Estava m uito perto dela agora, obrigando-a a recuar para o beco que estava por trás dela. Ouviu-se a porta de um carro a bater e Hannah viu um hom em a sair da parte de trás do Mercedes preto e atravessar a rua em direção a eles.

— Chega — disse ele suavem ente através da chuva.

Era de estatura m édia, usava chapéu de aba larga e gabardina de couro preto. Tinha um cigarro pendurado ao canto da boca.

O interrogador de Hannah olhou, zangado, quando o outro se aproxim ou.

— Vá-se em bora. Isto é assunto da Polícia.

— Ai sim ? — perguntou o hom em calm am ente. — Fräulein Winter, não é? Meu nom e é Schellenberg. Estava sentado ali no m eu cano e ouvi a conversa. Estes hom ens estão a incom odá-la?

— Ela é j udia e anda na rua sem a Estrela de David.

— Ela é um a cidadã am ericana, se ouvi corretam ente. Não é assim , Fräulein? — O seu sorriso tinha um toque de encanto im piedoso que era acentuado por um a cicatriz num a das faces.

— Sim — disse ela.

Um a m ão agarrou o braço de Schellenberg.

— Saia daqui. A não ser que queira levar um a sova.

Schellenberg não ficou de m aneira algum a incom odado.

— Oh, m eu Deus, você é um rapazinho desagradável, não é?

Acenou casualm ente com a m ão direita. Dois hom ens de uniform e preto saíram do Mercedes e atravessaram a rua a correr. Nas m angas tinham gravadas as letras RFSS a prateado. Reichsführer der SS, a denom inação do estado-m aior particular de Heinrich Him m ler.

Schellenberg disse-lhes:

— É preciso dar aqui um a lição, acho. — Segurou na m oça pelo braço. — Fräulein.

Quando a conduzia em direção ao cano, ouviu-se o som de um a pancada, um grito de dor, m as Hannah não olhou para trás.

UNS MINUTOS m ais tarde, o Mercedes parou em frente do Jardim .

O porteiro abriu a porta do cano e Schellenberg saiu e voltou-se para aj udar Hannah.

— Então, é aqui que trabalha? — Exam inou as fotografias do m ostruário de vidro por baixo do poster. — "Hannah Winter e o Trio de Connie Jones, diretos de Nova Iorque." Tenho de cá vir um a noite.

Ela disse calm am ente:

— Sou j udia e, com o pode ver pela fotografia, Connie é negro.

Penso que dificilm ente terem os grande interesse para um m em bro da raça superior.

Ele sorriu gentilm ente.

— Vam os entrar?

— Utilizo a porta do palco.

— E eu, pelo contrário, entro sem pre pela porta principal. — Segurou-lhe de novo no braço e ela entrou sem protestar.

O seu tio estava a falar com a m oça do bengaleiro. Era um hom em astuto, m as de aspecto bondoso, com cabeleira cinzenta e óculos com aros de m etal. Contudo, conseguia parecer desarranj ado, apesar do seu sm oking.

Ao ver a sobrinha e Schellenberg, apressou-se em direção a eles.

— Hannah, m inha querida, que é que aconteceu? Estás com problem as?

— Estava, m as agora j á não, graças a Herr Schellenberg. Este é o m eu tio, Max Winter.

— Herr Winter — disse am igavelm ente Schellenberg, e voltou-se para Hannah.

Ela era um a m oça pequena, de ancas bem delineadas e belas pernas; o seu cabelo preto com prido em oldurava um a cara m ais graciosa do que bonita, com ossos m alares elevados e olhos escuros.

Schellenberg pegou na sua m ão direita, segurando-a por um m om ento.

— E agora, Fräulein, depois de a ter visto com um a luz m elhor, estou m ais determ inado do que nunca a assistir à sua atuação. Mas não esta noite, lam ento.

Levou a m ão até aos seus lábios e ela sentiu um profundo excitam ento na boca do estôm ago. Ele saiu, e quando Hannah olhou para o tio, reparou que estava bastante pálido.

— Tio Max, que é que aconteceu?

— Aquele hom em — m urm urou. — Não sabes quem é? É Walter Schellenberg, Brigadeführer das SS, general da Polícia. O braço direito de Hey drich.

ERA 1920, quando Hannah Winter tinha dois anos, o seu pai trouxera a m ulher e a filha de Berlim para Nova Iorque e abrira um pequeno restaurante na Rua 42. Durante a Proibição, transform ara o estabelecim ento num fam oso clube noturno. Mas a sua saúde nunca tinha sido boa devido a ferim entos no peito sofridos com o soldado de infantaria no Som m e, e m orrera em Julho de 1929.

O clube, depois do fim da Proibição, voltara de novo a ser um restaurante e prosperava sob a batuta inteligente de sua m ulher.

Hannah fora criada para ser um a m enina-bonita j udia que um dia faria um bom casam ento, teria filhos, faria tudo o que deveria ser feito.

Podia ter resultado, se não fosse um ponto im portante. Hannah Winter tinha sido dotada de um a extraordinária voz de canto. Descobrira o seu talento por acaso, ao cantar com um a banda de j azz de alunos no liceu. A partir daí, nunca m ais pensara seriam ente noutro m odo de vida.

Aos dezessete anos, havia atuado em Holly wood com Benny Goodm an. Viaj ara com Artie Shaw e Tom m y Dorsey com o cantora de banda. Mas estava no seu m elhor no m undo fechado dos clubes e cabarés, de preferência acom panhada por um bom trio. Ali, conseguia transm itir um a intensidade ao seu espetáculo de m úsicas populares que talvez fosse com parável ao que Bessie Sm ith tinha feito com os blues.

E agora estaria em Holly wood a fazer um film e com Bing Crosby se não fosse o tio Max, o irm ão m ais novo de seu pai. Em bora estivesse naturalizado am ericano há vinte e cinco anos, em 1937 aterrorizara a fam ília ao voltar para a sua cidade natal para abrir um clube noturno.

Essa era a razão por que Hannah estava ali. Para o convencer de que tinha chegado a altura de sair da Alem anha. Mas os acontecim entos tinham -na ultrapassado com um a rapidez assustadora. Os nazis estavam agora a postos nas m argens do canal da Mancha, a Inglaterra seria a sua nova paragem e parecia não haver nada no seu cam inho.

HANNAH estava a m aquilar-se quando o tio entrou no cam arim . Puxou um a cadeira e olhou atentam ente para ela.

— Ora bem , que é que aconteceu? — perguntou.

Ela contou-lhe rapidam ente, depois foi para trás do biom bo para m udar de roupa.

— Não é nada bom — disse ele. — Talvez eu devesse explicar-te algum as coisas. Na Alem anha, hoj e em dia, as SS são todo-poderosas, m as dentro da organização têm o seu próprio departam ento de serviços secretos, o SD. Reinhard Hey drich é o diretor-geral, em bora ainda sob a autoridade de Him m ler.

— E Schellenberg?

— É o responsável pelo departam ento de contra-espionagem , m as, m ais im portante, é o favorito de Hey drich. — Ela não disse nada, fazendo deslizar um vestido preto com prido sobre a cabeça.

— Com preendes algum a coisa disto? — perguntou Max.

— Nem por isso — respondeu, aparecendo por detrás do biom bo e voltando-se de m odo que ele pudesse apertar-lhe o vestido. — É tudo m uito confuso. E os uniform es; pessoa sim , pessoa não, parece ter um . — Sentou-se a olhar para ele. — Tio Max, vam os para casa.

— Tu vais para casa — disse ele. — Está tudo tratado, bilhetes e tudo. Tu, Connie e os rapazes deixam Berlim na segunda-feira de m anhã, de com boio para Paris. Nessa m esm a noite, têm beliches no com boio noturno para Madrid, e tu tam bém .

— E quando é que isto tudo foi decidido?

— Hoj e. Os rapazes vão atuar durante um a sem ana no Clube Flam enco, em Madrid.

— Mas eu não.

— Não, tu vais diretam ente de lá para Lisboa. Há m uitos barcos para Nova Iorque. Talvez consigas m esm o um lugar no Clipper.

— E o tio?

— Tenho coisas para fazer aqui.

— Então, não vou.

— Ai, vais, sim , Hannah. — Nunca tinha ouvido antes aquele tom na sua voz. Ele fez-lhe um a festa na m ão e levantou-se. — Hoj e à noite tem os a casa cheia. É m elhor ir ver se está tudo a correr bem com a com ida.

Quando chegou à porta, ela disse:

— Tio Max, está envolvido em algum a coisa, não está? Algum a coisa séria?

Ele sorriu gentilm ente.

— Vem o-nos m ais tarde.

A porta fechou-se devagar atrás dele; ela sentou-se, a olhar para o espelho, com a cabeça em desordem . Um pouco m ais tarde, bateram à porta e Connie Jones entrou.

— Estás pronta?

Conseguiu sorrir.

— Tanto quanto j am ais estarei.

Connie era um negro alto de aspecto rude, com cerca de quarenta e cinco anos, cabelo curto grisalho. Nascido e criado em Nova Orleans, tocava piano m aravilhosam ente desde os sete anos e não sabia ler um a nota de m úsica.

— Problem as? — perguntou.

— O tio Max disse que eu partiria contigo na segunda-feira.

— Exatam ente. Doze horas para a divertida cidade de Paris, depois o expresso para Madrid, que parte da Estação de Austerlitz, e não é cedo dem ais para sairm os daqui. — Fez um a pausa. — Estás preocupada com o velhote, não estás?

— Ele diz que não vem , Connie, m as se ele fica cá ...

— Se houver um hom em que sabe o que está a fazer, é o teu tio Max, m oça. Eu deixava isso ao seu critério. — Pegou na m ão dela. — Preocupas-te dem asiado e isso não é bom , porque tem os um espetáculo para dar.

Ela respirou profundam ente, levantou-se e seguiu-o, ouvindo im ediatam ente os barulhos do clube. Pessoas a falar, os risos, a agitação. Tudo isso produzia um am biente electrizante que nunca deixava de a afectar.

Dois outros negros dirigiram -se para o pequeno palco com Connie: Billy Joe Hale, o baixo, e Harry Gray, o baterista. Hannah esperou. Então, os holofotes encheram o palco de luz branca e a voz do tio Max surgiu por detrás dele.

— E agora, o Jardim tem o prazer de apresentar, diretam ente de Nova Iorque, a incom parável Hannah Winter!

Quando Connie e os rapazes com eçaram a tocar um arranj o de Saint Louis Blues, Hannah entrou para o palco acom panhada por um im enso aplauso e com eçou a cantar com todo o coração.

O GENERAL Reinhard Hey drich, ao contrário da m aior parte dos m em bros do Partido Nazi, era oriundo das classes altas. Depois de se ter alistado nas SS, fora rapidam ente escolhido por Him m ler para seu adj unto. A sua ascensão à poderosa posição de chefe do Departam ento Principal de Segurança do Reich era um tributo não só à sua total falta de hum anidade, com o às suas qualidades de chefia e inteligência superior.

Estava sentado à secretária, nas instalações das SS na Prinz Albrechtstrasse, quando Schellenberg entrou.

— Ah, aí está você, Walter — disse Hey drich am igavelm ente.

— Teve um a noite atarefada, ouvi dizer, a brincar ao Galaaz com a Winter.

— Há algum a coisa que não saiba? — perguntou Schellenberg.

— Acabou de acontecer.

— Neste m undo velho e ruim , Walter, um a pessoa sobrevive sabendo tudo o que houver para saber sobre tudo e sobre todos. — Hey drich sorriu. — Fale-m e dela. Há quanto tem po está sob vigilância?

— Desde que chegou. Há dois m eses.

— E caiu nesta sua pequena representação desta noite?

— Penso que sim .

— Que é que espera conseguir exatam ente? Acesso à sua cam a ou inform ações?

— É o tio dela que querem os, lem bre-se — disse Schellenberg.

— O fato de ele ser um cidadão am ericano dificulta as coisas.

— Mas é alem ão de origem — disse im pacientem ente Hey drich.

— O Führer declarou que os cidadãos do Reich não tinham o direito de m udar de nacionalidade.

— Talvez os Am ericanos tenham um ponto de vista diferente sobre isso — disse Schellenberg. — E este não é o m om ento oportuno para hostilizar Washington.

— Bom , e avançam os algum a coisa neste caso Winter?

— Não. Com o pode verificar na ficha Winter, ele frequentou a Universidade de Berlim com o estudante e foi m em bro do Partido Com unista. Penso que ainda é.

— Possivelm ente um agente soviético?

— Talvez. Certam ente envolvido na resistência socialista e provavelm ente tam bém na fuga ilegal de j udeus do Reich.

— Então, de que é que está à espera? Prenda-o.

— Ainda não — disse Schellenberg. — Se esperarm os um pouco m ais, conseguirem os apanhar não só Winter com o toda a organização. E ele está sob vigilância a toda a hora.

Hey drich ficou um pouco de cenho franzido, depois acenou com a cabeça.

— Muito bem . Pode ter m ais um a sem ana. — Levantou-se. — Que é que vai fazer agora?

Schellenberg sabia o que ia acontecer.

— Vou para casa dorm ir.

— Disparate — Hey drich sorriu m aliciosam ente. — A noite ainda é j ovem . Vam os dar um a volta pelos bares. Sirva-se de um a bebida enquanto troco de roupa.

Saiu e Schellenberg suspirou, dirigiu-se ao arm ário das bebidas e serviu-se de um whisky.

Tinha nascido em Saarbrücken, em 1910, filho de um fabricante de pianos. Culto e inteligente por natureza e com um dom para as línguas, entrara para a Universidade de Bona para estudar Medicina, m as m udara para Direito dois anos depois. Habilitado m as sem dinheiro, vira um a oportunidade na ascensão do Partido Nazi em 1933 e alistara-se nas SS. Caíra nas graças de Hey drich, que o recrutara im ediatam ente para o SD, onde a sua prom oção havia sido rápida. Várias operações de espionagem bem -sucedidas tinham consolidado a sua posição e depressa fora prom ovido a Brigadeführer das SS e general da Polícia. Tinha apenas trinta anos.

Claro que Schellenberg tinha os seus inim igos, m as Hey drich gostava dele e portanto m ovim entava-se nos m elhores círculos de Berlim . Mas havia um preço a pagar, incluindo a ocasional saída à noite com Hey drich, que tinha um a predileção especial pelos cabarés da cidade.

A m aior ironia de todas era que Walter Schellenberg não se considerava um nazi. Hey drich, Him m ler, m esm o o Führer, haviam acabado por confiar im plicitam ente no seu raciocínio em questões de espionagem e, contudo, na sua m ente m antinha-se sem pre de lado, um espetador de toda a triste charada, desprezando tanto a sua pessoa com o os outros.

A chuva batia contra a j anela do gabinete de Hey drich, e Schellenberg levantou o copo, saudando o seu reflexo no vidro.