Saúde e Longevidade na Mesa: Dez Passos para a Escolha Diária dos Alimentos com a Dietoterapia Chinesa

Passo 7 | Escolha os Alimentos Adequados

Introdução

No Passo 1 – Alimente-se, foi abordada a importância da boa alimentação para manter a vida a partir das substâncias fundamentais e das funções orgânicas. Desse mesmo modo, os chineses também entendem que a má alimentação pode ocorrer de várias maneiras, envolvendo:

• Alimentação desequilibrada (yin shi shio tiao) • Ingestão anormal de alimentos (ji bao shi chang) • Alimentação sem higiene (yin shi bu jie) • Alimentação preferencial – somente um tipo de alimento (yin shi pian

shi).

A alimentação inadequada altera o fluxo do qi ou possibilita a formação

de mucosidade (tan yin) e resíduos, que levam às condições de excesso, tornando o organismo lento e desencadeando doenças. Já a alimentação imprópria (yin shi bu jie) está entre os fatores mistos dentro da diagnose chinesa, junto com o excesso de atividades, as lesões externas, os parasitas, a mucosidade, a estase de sangue, a insuficiência congênita e o tratamento inapropriado. Essas situações podem desencadear desequilíbrios em curto ou longo prazo, de acordo com o indivíduo.

 

Pirâmide alimentar asiática

Um modo de classificar os alimentos conforme sua importância e facilitar a compreensão do público é inseri-los em uma pirâmide alimentar. Atualmente, existem diversas pirâmides alimentares, que variam conforme a proposta alimentícia dos diferentes sistemas de nutrição, como a pirâmide alimentar vegetariana, a vegana, a mediterrânea, entre outras.

Há milênios, quando a dietoterapia chinesa surgiu, não existiam as

pirâmides alimentares. Elas só foram desenvolvidas há alguns anos, a partir de um estudo da Organização Americana Oldways, que deu origem à

pirâmide alimentar asiática (Figura 7.1), considerando a alimentação predominante e atual dos principais países da Ásia: Bangladesh, Camboja, China, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Malásia, Mongólia, Myanmar, Nepal, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas, Cingapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã.

Figura 7.1 Pirâmide alimentar asiática.

O grau de importância de um ou mais alimentos deve ser entendido em

caráter vertical e de baixo para cima, ou seja, os alimentos que devem predominar na alimentação (diária) são os grãos integrais, enquanto, no topo, estão os alimentos cujo consumo é reduzido ou em ações específicas. Em caráter diário, estão os vegetais, constituídos por legumes, frutas, grãos integrais, verduras, brotos, sementes e castanhas, associados ao uso regular de bons óleos vegetais. Em seguida, dá-se importância ao consumo de peixes e frutos do mar, além da opção de laticínios.

Os chineses não investem no consumo de laticínios por conta da

formação de mucosidade que esses alimentos podem gerar. No entanto, os laticínios são muito utilizados na culinária indiana e, por isso, estão presentes na pirâmide.

Por fim, podem ser consumidos moderadamente ovos, aves e doces e,

em eventos e comemorações, carnes.

 

Grãos e cereais integrais

A base da alimentação está nos grãos integrais, e seu consumo deve ser diário. É importante dizer que os grãos são carboidratos complexos e que contribuem para a nutrição plena do ser humano. Seu consumo está relacionado ao fortalecimento dos órgãos internos e da constituição física, pois são grande fonte de fibras, produzem sensação de saciedade e facilitam a formação de substâncias fundamentais.

Com o avanço da indústria alimentícia, os alimentos integrais perderam

os nutrientes e a qualidade, para que o custo de produção fosse mais baixo e pudesse atender à população. Com a busca por uma vida melhor e mais saudável, atualmente é possível encontrar boas opções, não somente à base de trigo, mas também de arroz, milho e outros grãos.

O consumo de grãos é indispensável no dia a dia, e cada um deles tem

ações específicas no organismo, apresentadas a seguir. Já os cereais são grãos moídos ou triturados e seu consumo também pode ser frequente, porém seu valor nutricional é menor que o dos grãos integrais.

 

Amaranto

O amaranto tem sabor neutro, tonifica o yin geral do corpo e fortalece os ossos, prevenindo o envelhecimento e nutrindo as estruturas. Por ser muito nutritivo, deve ser consumido principalmente por pessoas de constituição fraca, crianças e gestantes. No fígado (gan), o amaranto nutre e limpa o sangue (xue), diminuindo o colesterol ruim. É muito saudável e uma excelente opção para quem tem intolerância ao glúten ou ao leite ou para aqueles que adotam uma alimentação vegetariana, pois também é rico em cálcio.

Como usar . Os flocos de amaranto são consumidos em sucos, sopas, bolos, pratos com grãos e também como farinha, podendo ser associados à farinha integral.

Indicações . Vegetarianos, crianças, idosos, gestantes e pessoas com deficiências no fígado ou no baço.

 

Arroz integral

O arroz integral tem sabor doce e é um dos alimentos mais ricos da atualidade. Além de tonificar a energia, ele nutre os cinco órgãos vitais (zang) e favorece as funções dos rins (shèn), promovendo vitalidade para o corpo, a mente (shén), o cérebro e a medula (sui) e melhorando as doenças degenerativas. O arroz integral também favorece a produção de sangue (xue) e tonifica o coração (xin), sendo indicado para casos de convalescença ou de depressão pós-parto.

Como usar . Cozido, nas mais diversas receitas. Indicações . Depressão, diarreia, náuseas, diabetes, verminose, obesidade, anemia e desintoxicação.

 

Aveia

A aveia tem sabor doce e natureza morna. É um grande tônico de qi e xue, que atua principalmente em estados de fraqueza, tranquiliza o sistema nervoso, age no sistema reprodutivo e dispersa a umidade. Também beneficia o metabolismo e suas fibras estimulam os intestinos, prevenindo a constipação intestinal.

Como usar. Os flocos secos, triturados ou não, podem ser acrescentados em frutas, sopas, sucos, mingau, sobremesas e sopas. Indicações. Debilidades em geral, constipação intestinal, arteriosclerose e obesidade.

 

Centeio

O centeio tem sabor amargo e natureza neutra, sendo um grande aliado em condições de umidade patogênica. Contribui para a limpeza do organismo, favorecendo as funções do fígado (em situações de estase do qi), e limpa as artérias. É o componente do pão preto, uma boa opção para quem quer se sentir nutrido.

Como usar. Os grãos podem ser consumidos em sucos, frutas, pasta de vegetais e nos mais variados pratos.

Indicações. Debilidades, obesidade, fraqueza dos ossos e nas unhas e arteriosclerose.

 

Cevada

A cevada tem sabor doce e natureza fresca. A cevada integral é bastante nutritiva e grande aliada no fortalecimento do organismo, pois favorece a formação de sangue, promove fluidos em estados de secura (pele e boca seca) e estimula as funções do baço e do estômago.

Como usar. Cozida, nos mais variados pratos (quentes ou frios). Indicações. Retenção urinária, sudorese, inflamações e condições de debilidade e secura.

 

Milho-verde O milho-verde tem sabor doce e natureza neutra. Tonifica o qi, beneficia o baço (pi) e a bexiga (pang guang), abre o apetite e reduz inchaços e edemas, sendo ideal para condições de umidade ou deficiência de yang.

Como usar. Cozido ou na forma de chá. Indicações. Hipertensão, obesidade, edemas e cálculos renais e biliares.

 

Painço

O painço tem sabor neutro e natureza fresca. É um grão pouco usado na culinária brasileira, mas muito útil, principalmente nas condições de calor interno. Sua natureza fresca favorece a desintoxicação, equilibrando as condições de acidez, comuns no consumo frequente de alimentos industrializados. Além disso, o painço hidrata a secura, comum em estados de queimação e menopausa.

Como usar. Cozido, como arroz integral ou mingau, podendo ser associado a diversas receitas e sementes oleaginosas.

Indicações. Hipertensão, obesidade, indigestão, diabetes, diarreia, desintoxicação e qualquer condição de calor interno.

 

Quinoa

A quinoa tem sabor neutro e natureza morna. Desempenha ação anti-inflamatória e antioxidante, tonifica as funções (yang) dos rins e é ótima opção para vegetarianos, pois é rica em nutrientes e tem mais cálcio que o leite. Diminui os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) e as crises de enxaqueca. Pesquisas recentes relatam que a quinoa regula a glicemia.

Como usar. Como cereal, devendo ser cozida al dente. Pode ser associada aos mais diversos pratos.

Indicações. Vegetarianos, atletas e pessoas com osteoporose e deficiências de yin ou yang.

Trigo

O trigo pode ter sabor doce, salgado e amargo. Como grão, fortalece os rins (shèn) e acalma a mente e o coração, sendo utilizado para instabilidade emocional, palpitações e insônia. Embora seja um alimento nutritivo, deve ser consumido em pequenas porções e com cautela, para não provocar reações alérgicas. Assim como a proteína texturizada de soja, o trigo que dá origem à farinha branca sofre muita alteração no processo industrial e, por isso, deve ser mantido integral.

Como usar. É comumente encontrado na forma de farinha e em diversos produtos, como bolos e pães.

Indicações. Depressão, insônia e palpitações.

 

Leguminosas

As leguminosas fazem parte da nutrição integral do ser humano e, na pirâmide alimentar asiática, encontram-se bem perto da base, podendo ser consumidas diariamente.

As leguminosas são ricas em proteínas e podem substituir o consumo de

carnes (que estão no topo da pirâmide), quando consumidas com frequência. Além de nutritivas, elas saciam a fome, favorecem as funções cognitivas, como a memória, e contribuem para o bom funcionamento dos rins (shèn). São aliadas na eliminação de líquidos residuais, favorecem as pessoas com sobrepeso e fortalecem a deficiência de yang.

 

Ervilha

A ervilha tem sabor doce e natureza neutra. Age no baço (pi) e no estômago (wei), harmoniza a digestão e tem efeito diurético. Sua natureza fresca melhora a diarreia e o mal-estar causado pelo calor interno. Deve-se evitar as opções de ervilha enlatada, que contêm muito sódio, dando preferência à ervilha encontrada a granel ou congelada, que é mais fresca.

Como usar. Cozida nos mais diversos pratos. Indicações. Indigestão, edemas, diarreia e gastrite.

 

Feijões

Existem diversos tipos de feijão, e muitas pessoas não os digerem bem, o que pode ser evitado com o preparo adequado de cada um. É importante deixar os feijões de molho da noite para o dia e eliminar a água em que eles foram mergulhados, para que não gerem gases ou alergias. Pessoas que sofrem dessas condições também podem dar preferência ao feijão-azuqui ou às lentilhas, que são mais fáceis de digerir do que os demais feijões, como a soja. Ainda assim, basicamente todos tonificam o qi e fortalecem diretamente o baço (pi), o estômago (wei) e os rins (shèn).

Como usar. Cozido, associado aos mais diversos pratos. Indicações. Os feijões eliminam estagnações, melhoram o cansaço, removem o calor, estimulam os movimentos peristálticos e promovem a diurese, eliminando inchaços. O feijão-azuqui, em especial, auxilia na desintoxicação do organismo e é benéfico para quem sofre de má circulação, cólicas menstruais ou qualquer tipo de estase de sangue (xue).

 

Feijão-azuqui

O feijão-azuqui tem sabor doce e natureza neutra. Deve ser utilizado em momentos de desintoxicação, pois elimina calor, torna o corpo alcalino, dispersa a estagnação de sangue e é diurético.

Como usar. Cozido, associado aos mais variados pratos. Indicações. Edemas, intoxicação, sobrepeso, diarreia, leucorreia, candidíase e dores provenientes de acúmulos (condição de excesso).

 

Feijão-preto O feijão-preto tem sabor doce e natureza morna. Favorece o sangue e as funções renais e reprodutivas e promove os fluidos.

Como usar. Cozido, associado aos mais variados pratos. Indicações. Edemas, menopausa, fraqueza na coluna, infertilidade, cansaço e debilidades em geral.

 

Fava

A fava tem sabor doce e natureza neutra. Assim como os demais feijões, também é benéfica aos rins (shèn) e favorece a eliminação de líquidos, melhorando o edema.

Como usar. Cozida nos mais diversos pratos. Indicações. Edema, diarreia e nefrite.

 

Grão-de-bico

O grão-de-bico tem sabor doce e natureza neutra. Muito utilizado na culinária do Oriente Médio, é boa fonte de ferro e favorece os rins, o pâncreas, o coração e o fígado.

Como usar. Cozido nos mais diversos pratos. O patê de grão de bico (húmus) é uma excelente substituição ao uso da margarina e do requeijão. Indicações. Anemia e fraqueza.

 

O colesterol é uma substância fabricada pelo fígado, portanto existente em animais e seres humanos. Entre suas funções, contribui para a formação de hormônios, inclusive os sexuais. O colesterol ui pela corrente sanguínea por meio da ação das lipoproteínas, chamadas de LDL, HDL e VLDL.

O LDL transporta o colesterol para os tecidos, o VLDL transporta triglicerídeos e

o HDL tira o colesterol dos tecidos e os leva ao fígado. Quando a alimentação é muito rica em gorduras, o LDL aumenta e pode se acumular nas paredes dos vasos

sanguíneos, comprometendo a circulação, o que pode gerar doenças coronárias e aterosclerose.

É importante que haja colesterol no organismo, e não há problema em

consumir produtos que contenham colesterol, como os ovos. O cuidado deve estar no consumo frequente de alimentos gordurosos que irão aumentar a produção do colesterol ruim.

Médicos e nutricionistas alegam que 75% do colesterol ruim é de origem

endógena e 25% é de origem exógena, ou seja, alimentação. O estresse, por exemplo, agita a circulação de sangue e desequilibra as funções hepáticas; por isso, o indivíduo pode ter colesterol alto mesmo comendo bem.

O colesterol alto pode ser corrigido com alimentação saudável, baseada em

alimentos integrais, ovos e peixes, e também em alimentos com ação antioxidante, que combatem os radicais livres. Os melhores aliados na redução do colesterol são as leguminosas, que têm colina, componente da lecitina, e as sementes, que, além de protegerem os neurônios, em sua maioria são ricas em ômega 3, ácido que promove a limpeza das artérias, encontrado na linhaça, na chia e na quinoa.

Vale investir também no óleo de cártamo, nos derivados da soja, nos vegetais

verdes e nas algas, como a espirulina. Exercícios físicos também são fundamentais para a circulação sanguínea, pois favorecem as funções do fígado e a uidez do qi, impedindo as estagnações, além de contribuir para a administração do estresse.

 

Lentilha

A lentilha tem sabor doce e natureza neutra. Favorece os rins (shèn) e o coração (xin), melhora a circulação e aumenta a vitalidade.

Como usar. Cozida nos mais diversos pratos. Indicações. Anemia e fraqueza.

 

Soja A soja tem sabor doce e natureza fresca, que melhora as condições de calor e desintoxica o organismo. É benéfica ao baço, aos rins e ao cérebro, e sua ação diurética favorece edemas. Seus benefícios são encontrados não somente nos grãos, mas principalmente em seus derivados, como tofu e missô. A proteína texturizada de soja (PTS) não é indicada, pois passa por um processo industrial no qual perde seus nutrientes.

Como usar. Grãos cozidos, missô em pasta e tofu. Indicações. Edema, emagrecimento, menopausa, fraqueza muscular.

 

Verduras, brotos e frutas

Os vegetais são parte essencial da dietoterapia chinesa e são facilmente encontrados em todos os lugares do Brasil, que, por ser um país tropical, oferece excelente diversidade na agricultura.

É importante dizer que a agricultura natural e orgânica vem crescendo

nos últimos anos e deve ser incentivada. Por melhor que seja um alimento natural, se ele não for cultivado de maneira saudável, também pode desencadear desequilíbrios no organismo, seja por meio de parasitas, seja pela presença de metais pesados e fertilizantes químicos, que não fazem bem ao organismo. Ao consumir produtos orgânicos, a nutrição torna-se mais segura, saudável e saborosa.

Os grãos, em especial, devem ser associados aos demais vegetais para

nutrir o indivíduo de maneira mais completa. Enquanto os grãos nutrem, os vegetais podem limpar as toxinas e renovar o sangue.

A cor verde da maioria dos vegetais deve-se à presença da clorofila,

pigmento que tem ações muito importantes, pois contribui para a remoção de toxinas e calor interno, cessa o crescimento de bactérias no interior, favorece a renovação celular, impulsiona os intestinos, favorece o funcionamento do fígado e da vesícula biliar e torna o corpo alcalino.

Uma dúvida comum é em relação ao cozimento e à necessidade de

vegetais crus. Tradicionalmente, os chineses não veem com bons olhos os alimentos crus; entretanto, eles são indicados com base em uma lógica muito simples e prática. A visão dos orientais acerca da digestão é muito importante, uma vez que o qi é o resultado do processo digestivo. O estômago é como um caldeirão que precisa receber a quantidade de calor exata para maturar os alimentos. Por isso, alimentos cozidos facilitam a maturação e transformação dos alimentos em energia, ao passo que alimentos crus demandam maior energia do organismo para serem transformados. Em longo prazo, isso pode debilitar as funções do sistema estômago-baço-pâncreas.

Em indivíduos saudáveis, a transformação dos alimentos em energia é

um processo tranquilo. A digestão é fácil, porém, em indivíduos debilitados, o metabolismo é lento, e consumir alimentos crus é uma proposta que pode enfraquecê-los. Por isso, na visão da dietoterapia chinesa, os alimentos em geral devem ser consumidos cozidos, a fim de preservar as funções energéticas dos órgãos, ideal para condições de deficiência (debilidade de algum órgão interno). Nesse estado, o organismo precisa de estímulo; assim, alimentos mornos e cozidos facilitam a digestão e são mais fáceis de serem absorvidos, dando espaço para a recuperação da saúde dos órgãos. Eles facilitam, sobretudo, o transporte de nutrientes e são úteis ao organismo.

Para não perder os nutrientes, a refeição deve ser diversificada e cozida

em tempo e modo apropriados. O alimento deve ser picado e separado cozido, conforme suas partes. Segundo Pitchford (1993), vegetais cozidos em tempo apropriado preservam 90% dos nutrientes. Cozinhar no vapor também ajuda bastante, e os alimentos aquecidos levam calor para o interior, por isso também são mais indicados para as deficiências de yang, que acompanham cansaço frequente, respiração curta, corpo e extremidades frias, palidez, diarreia e desânimo.

Já os vegetais crus são ideais para condições de excesso, como visto no

Passo 5 – Remova os Excessos. O excesso, como o nome diz, traduz uma condição em que há acúmulo, resíduos ou toxinas que impedem o fluxo suave do qi e do sangue ao longo do corpo, atrapalhando o funcionamento adequado dos órgãos e, principalmente, das vísceras. Dessa maneira, os alimentos crus são aliados na desintoxicação e eliminação de fatores patogênicos, em especial o calor e a umidade, que muitas vezes se alojam no fígado e no estômago, dando origem a diversas doenças.

É fácil observar as diferenças nas pessoas. Indivíduos com deficiência

de yin estão mais propensos ao calor e dão preferência aos alimentos crus, e indivíduos com propensão ao frio e deficiência de yang dão preferência aos alimentos cozidos.

Portanto, alimentos cozidos são melhores para estados de deficiência,

enquanto alimentos crus são bons para excesso e condições agudas, porque, em curto prazo, eles não desgastam o organismo.

Igualmente importante é escolher os vegetais da época e dar preferência

aos alimentos orgânicos de sua região. Os brotos carregam a essência dos vegetais e são de fácil digestão, entretanto, devem ser consumidos moderadamente por aqueles que sofrem de doença crônica ou frio interno, em geral os idosos, sendo ideais para pessoas com muitas atividades, como os jovens adultos.

 

Abóbora

A abóbora tem sabor doce e natureza morna. É muito benéfica ao trato digestivo e às funções do baço (pi) e do pâncreas. Também tonifica o yang dos rins, melhora a vitalidade geral do corpo e estimula a circulação sanguínea, dispersando dores. A abóbora é muito importante em quadros de obesidade e diabetes, pois ajuda a regular o açúcar no sangue. Além disso, melhora a função dos rins, favorecendo sua atuação dentro da formação do qi, e assim beneficia os que sofrem de asma.

Como usar. Cozida ou assada nas mais diversas receitas. Indicações. Asma, obesidade, diabetes, anemia, edemas e hipoglicemia.

 

Acelga

A acelga tem sabor amargo e natureza fria. Beneficia o coração (xin), levando a energia de cima para baixo, umedece e regula o intestino delgado (xiao chang) e acalma agitações típicas da deficiência de sangue (xue). Estudos recentes apontam que a acelga também beneficia o pâncreas, sendo indicada para o controle do diabetes.

Como usar. Folhas cruas ou levemente cozidas. Indicações. Diabetes, agitação e constipação intestinal.

 

Agrião

O agrião tem sabor picante, amargo e levemente doce. Atua nos pulmões (fei), refrescando o organismo e favorecendo a formação do qi, e é muito benéfico para as vias respiratórias, sendo indicado para estados de gripe acompanhados de dor de garganta e tosse. A ação umidificadora e picante do agrião reduz os efeitos tóxicos do cigarro, e seu suco pode limpar o organismo e purificar o sangue.

Como usar. Cru, em saladas ou sucos. Indicações. Desintoxicação, gripes, resfriados, tosse, condições de secura, câncer, dermatites e alergias.

 

Aipo

O aipo tem natureza fresca e sabor amargo e doce. Atua nos pulmões (fei) e no baço (pi), tonificando o qi geral do corpo, e remove a umidade e o calor em condições de inflamação e infecção urinária. É um grande aliado para secar umidade patogênica e deve ser inserido em qualquer dieta para redução de peso.

Como usar. Cru, nas condições de calor, e cozido, nas condições de umidade patogênica.

Indicações. Hipertensão, obesidade, gota, reumatismo, infecções, inflamações, acnes e dermatites.

 

Alcachofra

A alcachofra tem sabor doce e natureza neutra. Beneficia os pulmões (fei) e o sistema baço-pâncreas, estimulando a produção de insulina, sendo indicada para diabetes.

Como usar. Cozida, nos mais diversos pratos. Indicações. Diabetes, doenças hepáticas, sobrepeso e arteriosclerose.

 

Alface

A alface tem sabor doce e amargo e natureza fresca e yin, por isso beneficia o coração (xin) e acalma a mente (shén). Também melhora inchaços, limpa o calor patogênico, trata distúrbios urinários e é diurética.

Como usar. Folhas cruas, em saladas, sucos ou chás. Indicações. Cistite e infecções urinárias, agitação e ansiedade, edemas e condições de umidade patogênica.

 

Alho

O alho tem natureza morna e sabor picante e morno. É um potente bactericida, que atua nos pulmões (fei), expulsando fatores patogênicos, utilizado especialmente nos casos de resfriados e gripes, com efeito analgésico. Sua natureza morna aquece o interior, dispersa o frio e mobiliza as estagnações do qi, ou seja, dispersa dores e acúmulos, desintoxica e limpa o organismo. Age também no tubo digestivo, harmonizando a digestão e beneficiando o estômago (wei) e o intestino grosso (da chang). O maior benefício do alho encontra-se ao consumi-lo cru.

Como usar. Descascado, podendo ser consumido cru, grelhado ou assado, em pratos ou chás.

Indicações. Eliminação de parasitas, leucorreia, gripes, resfriados, edemas e doenças de frio.

 

Alho-poró

O alho-poró tem natureza morna e sabor picante e doce. Sua ação é similar à do alho, mas ele tonifica o yin dos rins (shèn), nutrindo as estruturas e removendo o calor interno, a agitação e as debilidades ósseas, da coluna e do cérebro. O alho-poró também mobiliza o sangue (xue), e seu efeito adstringente elimina a umidade patogênica (shi).

Como usar. Cozido ou assado, nos mais diversos pratos. Indicações. Osteoporose, dores e condições de calor e umidade patogênica.

 

Aspargo

O aspargo tem sabor amargo e natureza fria. A direção descendente do aspargo auxilia a eliminação de calor e umidade patogênica, o que o torna diurético. Umedece o organismo, sendo benéfico para o fígado, os rins e o sistema cardiovascular, e favorece as mulheres que sofrem com menstruação dolorosa e irritabilidade.

Como usar. Cozido ou refogado.

Indicações. Menstruação, tensão pré-menstrual, hipertensão, mau humor, arteriosclerose e congestão pulmonar.

 

Azeitona

A azeitona tem natureza fresca e sabor doce e amargo. Hidrata os pulmões (fei), umedece o organismo e estimula a produção de fluidos, por isso seu consumo deve ser moderado, principalmente para quem está com sobrepeso e quadros de umidade patogênica. O óleo de oliva é muito mais benéfico para o organismo do que a azeitona.

Como usar. Cozida, nos mais variados pratos. Indicações. Condições de calor e secura, como pele, boca e garganta seca.

 

Bardana

A bardana tem natureza neutra e sabor doce e amargo. Embora não tenha gosto salgado, tem a propriedade de estimular o yin dos rins (shèn) e, assim, promove o aumento de hormônios sexuais e melhora a libido e a vitalidade. É muito nutritiva, melhora estados de fraqueza e debilidade e auxilia na limpeza do sangue, especialmente em estados de calor, como prurido, alergias, acne e furúnculos.

Como usar. Descascada, fatiada e cozida, podendo ser associada a diversos pratos.

Indicações. Todos os processos de desintoxicação, perda da libido, debilidades, osteoporose, dermatites, acne e alergias.

 

Batata

A batata tem sabor doce e natureza levemente fria. Atua no baço (pi) e no estômago (wei) e, por ser de natureza yin, auxilia na aquietação da mente e do espírito. A batata assada tonifica o qi, dispersa o calor e desintoxica, sendo indicada nos casos de úlceras e inflamações.

A batata pertence à família das solanáceas e tem propriedades

levemente tóxicas, que só são neutralizadas com o cozimento, mantendo a casca. Batatas fritas devem ser evitadas.

Um bom substituto para a batata é o inhame, que deve ser usado por

pessoas em condição de umidade patogênica e obesidade.

Como usar. Cozida ou assada, preferencialmente com a casca, nos mais variados pratos.

Indicações. Inflamações e todas as condições de calor. Deve ser evitada em condições de umidade patogênica.

 

Batata-doce

A batata-doce tem sabor doce e natureza fresca. Age no baço (pi), nos intestinos e nos rins (shèn). Diferente da batata comum (inglesa), a batata-doce é ainda melhor para o organismo, pois sua natureza yin promove a nutrição geral do corpo, fortalece o qi e o sangue (xue), melhora a digestão e fortalece a pessoa em períodos de fraqueza ou magreza, sendo muito utilizada por atletas. É um alimento essencial nas condições de diabetes e tonifica as funções do baço (pi) e do pâncreas.

Como usar. Cozida ou assada.

Indicações. Atletas, lactantes e pessoas com anorexia, debilidade, diabetes, obesidade ou atrofia muscular.

 

Berinjela

A berinjela tem natureza fresca e sabor doce e amargo. Atua no estômago (wei), no fígado (gan) e no coração (xin). Sua natureza fresca dispersa o calor e refresca o sangue e reduz os sangramentos e acúmulos. Além disso, a berinjela mobiliza a energia para baixo, acalmando a mente (shén) e diminuindo as frustrações acumuladas no fígado (gan).

Como usar. Cozida ou assada, nos mais diversos pratos. Indicações. Hemorragias, transpiração noturna, hiperidrose e cólicas menstruais.

 

Beterraba A beterraba tem sabor doce e natureza neutra. Tonifica o baço (pi), beneficia a digestão, favorece a formação de qi e de sangue (xue), lubrifica os intestinos, aquieta o espírito, melhora o cansaço e dispersa a umidade patogênica (shi).

Como usar. Crua ou cozida, em sucos ou salada. Indicações. Menstruação, amenorreia, menopausa, constipação intestinal, anemia e fraqueza.

 

Brócolis

Os brócolis têm sabor doce e amargo e natureza fresca, atuando no baço (pi) e na bexiga (pang guang). Sua natureza ligeiramente amarga tem ação descendente, o que auxilia na dispersão de calor e é ideal para melhorar ansiedade, agitação, cistites, alergias e todos os estados de inflamação.

Como usar. Cozido, nos mais variados pratos. Indicações. Condições de calor e secura, principalmente as que acometem a pele.

 

Brotos

Os brotos, como alfafa, bambu, feijão e soja, têm sabor doce e amargo, conservam a essência da planta e são de natureza fresca. Nesse sentido, dispersam o calor e a mucosidade, devendo ser usados em condições de excesso. São muito nutritivos e tonificam o yin dos rins (shèn) e do coração (xin).

Como usar. Brotos ao natural ou cozidos em sopas e caldos. Indicações. Condições de excesso, como calor e secura, principalmente após a menopausa.

 

Cará

O cará tem sabor doce e ácido. É um tubérculo muito nutritivo para o organismo, que fortalece as funções do baço (pi), beneficia a digestão e tonifica o qi e o sangue (xue). Também ajuda na melhora do cansaço, da letargia, da fadiga crônica e de quadros pós-hemorragia. Além disso, fortalece a essência nos rins (shèn), nutrindo o yin e o yang do corpo.

Como usar. Cozido, em caldos e ensopados. Indicações. Debilidades, cansaço e pós-operatório.

 

Cebola

A cebola tem natureza morna e sabor picante e levemente doce. Age nos pulmões (fei), auxiliando na melhora das debilidades respiratórias, nutre o sangue (xue), beneficia o fígado (gan) e os olhos e melhora cefaleias. A natureza morna da cebola estimula a circulação sanguínea e beneficia o coração (xin) e os vasos (xue maì). É muito indicada para dores articulares e reumatismo por invasão de vento frio e umidade patogênica.

Como usar. Crua em saladas ou para temperar pratos quentes. Indicações. Reumatismo, gripes, resfriados, cefaleias, mucosidade e distúrbios visuais.

 

Cebolinha

A cebolinha tem sabor levemente picante e natureza morna. Auxilia pessoas que sofrem de deficiência de yang e age principalmente nos pulmões (fei), favorecendo a abertura dos poros em estados de gripe, para regular o organismo.

Como usar. Picada em sopas ou como ingrediente de pratos quentes. Indicações. Doenças respiratórias e renais, cansaço e edemas.

 

Cenoura A cenoura tem sabor doce e natureza neutra. Fortalece o baço (pi), tratando de todas as disfunções que o envolvem, como indigestão, disenteria, anorexia e fraqueza. Também contribui para a nutrição e a limpeza do sangue (xue), sendo uma grande aliada do corpo. Além disso, a cenoura fortalece as funções dos pulmões (fei), aumentando a defesa e a resistência do organismo, tem ações anti-inflamatória e antialérgica e beneficia a pele.

Como usar. Crua ou cozida nos mais variados pratos. Também pode ser consumida crua, em condições de excesso, para a desintoxicação e a purificação do sangue.

Indicações. A cenoura deve ser cozida quando se deseja atuar em tonificação, favorecendo as funções do baço (pi), mas, para limpeza e desintoxicação, deve ser consumida crua.

 

Chicória

A chicória tem sabor amargo e natureza fresca. Atua no coração (xin) e promove sensação de bem-estar e tranquilidade, acalmando a mente (shén). Também dispersa o calor, refresca a sede, remove toxinas e estimula o trânsito intestinal.

Como usar. As folhas são comumente refogadas. Indicações. Constipação intestinal, redução de peso e ansiedade.

 

Chuchu

O chuchu tem natureza fresca e sabor doce. Sua natureza melhora a sede e a secura. Age no baço (pi), tonificando o qi, beneficia o fígado (gan) e umedece, contribuindo para o bom movimento das articulações e dos tendões. É utilizado principalmente para tratamento de deficiência do yin, a qual provoca artrite e artrose.

Como usar. Cozido ou assado, nos mais diversos pratos. Indicações. Artrite, artrose e condições de secura com deficiência de yin.

 

Cogumelos

Os cogumelos têm sabor doce e levemente ácido. Há muitos tipos de cogumelos e todos atuam no fígado (gan), melhorando as estagnações de sangue (xue) e o colesterol e prevenindo arteriosclerose. São indicados também para reduzir o calor tóxico provocado pelo consumo excessivo de carne. Os cogumelos conservam muita energia; portanto, fortalecem o sangue (xue) e os rins (shèn), nutrindo o yin e o yang geral do corpo, que são a base para a nutrição de todos os órgãos internos.

O shitake, em especial, é indicado para artrite reumatoide, melhora

estados de fraqueza oriundos da quimioterapia e impulsiona o sistema imunológico contra o câncer.

Como usar. Ferver por 3 min e, em seguida, refogar rapidamente. Indicações. Câncer, arteriosclerose, desintoxicação.

 

Couve

A couve tem natureza morna e sabor doce e levemente ácido. Favorece o fígado (gan), tem ação desintoxicante e é muito usada como ingrediente em sucos, para limpeza do sangue e do organismo. Também beneficia o estômago (wei) e os pulmões (fei) e estimula o metabolismo, levando a energia para baixo, o que favorece o trânsito intestinal.

Como usar. Deve ser usada crua em saladas, como suco em condições de excesso, para a limpeza do organismo, ou refogada, para fortalecer e tonificar o estômago.

Indicações. Gastrite, constipação intestinal, úlceras, congestão e má digestão.

 

Couve-flor A couve-flor tem natureza neutra e sabor amargo e doce. Atua no coração (xin), levando a energia do centro para fora, tem ação umectante e sua natureza fresca diminui a sede.

Como usar. Cozida, podendo ser associada aos mais diversos pratos. Indicações. Desintoxicação e condições de secura.

 

Espinafre

O espinafre tem natureza neutra e sabor doce e ácido. Beneficia os cinco órgãos (zang), nutre o sangue (xue) e elimina o calor, favorecendo o fígado (gan). Também estimula os intestinos e umedece a secura, sendo utilizado em sensações de calor.

Como usar. Cru ou refogado, associado aos mais variados pratos. Indicações. Constipação intestinal, pós-menopausa, olhos e pele seca, doenças de pele e alergias, desintoxicação, diabetes e edemas.

 

Gengibre

O gengibre tem natureza morna e sabor picante. Atua nos pulmões (fei), no baço (pi) e no estômago (wei) e beneficia quem sofre de cólicas menstruais ou infertilidade por frio no útero. O gengibre seco melhora o enjoo e os vômitos decorrentes do frio no estômago. A natureza quente do gengibre é boa para estados de frio, de acúmulo e de estagnações de sangue (xue), provocadas por frio patogênico, situação comum de quem sofre de reumatismo. O gengibre também atua de maneira muito benéfica no metabolismo lento, pois fortalece e tonifica o yang, favorecendo e acelerando a digestão. Nesse caso, é importante utilizá-lo fresco.

Quando há hiperatividade, o consumo da erva é indicado para acalmar a

ansiedade. Em estados de gripe, deve ser ingerido em forma de chá e associado ao mel, para beneficiar o corpo e eliminar o calor pela transpiração. Entretanto, seu uso não é indicado em casos de hipertensão, gastrite e alergias, pois agrava o calor interno comum nesses estados.

Como usar. Seco, associado a chás ou ensopados, para as condições de frio; ou fresco, para acelerar a digestão e eliminar resíduos. Indicações. Indigestão, enjoos, vômitos, indisposição, obesidade e lassitude.

 

Goji berry

O goji berry tem natureza neutra e sabor doce. É um fruto que vem ganhando espaço nas lojas de produtos naturais em todo o mundo, pois é um grande tônico e muito benéfico. Nutre o yin dos rins (shèn), fortalecendo toda a estrutura corporal, e tonifica o yang, melhorando estados de cansaço, indisposição e impotência. Além disso, o goji berry atua no fígado (gan), melhora a visão e a sensação de vertigem, tem propriedades anti-idade e impulsiona o sistema imune.

Como usar. Esse fruto é vendido em sua forma seca, devendo ser adicionado a chás e sucos ou consumido como lanche.

Indicações. Distúrbios visuais, cansaço, indisposição, impotência e baixa imunidade. Para tanto, é importante consumir ao menos dez sementes ao dia.

 

Hortelã

A hortelã tem sabor picante e natureza fresca. Atua nos pulmões (fei) e no intestino grosso (da chang). Sua ação refrescante beneficia as vias respiratórias, dispersa edemas, melhora espasmos e favorece a eliminação de resíduos, sendo indicada para todos os estados de calor.

Como usar. As folhas podem ser usadas frescas, em saladas ou sucos, ou secas, em chás ou no preparo de refeições.

Indicações. Menopausa, tensão pré-menstrual, mau hálito, infecções, aftas, herpes, eczemas, furúnculos, gripes, cefaleias, flatulências e pruridos em geral.

 

Inhame

O inhame tem sabor doce e natureza fresca e é muito benéfico para o organismo. Age no baço (pi), fortalecendo o aquecedor médio (zhong jiao), estimula a imunidade e fortalece os indivíduos que sofrem de constituição fraca. Também elimina a umidade, favorece a lactação, limpa e revigora o sangue (xue), desintoxica o organismo, interrompe a diarreia e melhora o cansaço, podendo ser consumido regularmente em estados de grande estresse.

Como usar. Descascado, cozido ou assado. Indicações. Anemia, fraqueza, obesidade, estresse, lactação e debilidades em geral.

 

Mostarda

A mostarda tem sabor picante e natureza neutra. As folhas de mostarda agem nos pulmões (fei) e descongestionam o tórax e a circulação do qi. Também são úteis para resfriados com presença de muco esbranquiçado (condição de frio).

Como usar. Crua ou refogada.

Indicações. Gripes, resfriados, doenças respiratórias, condições de frio e deficiência de yang.

 

Nabo

O nabo tem natureza fresca e sabor doce e amargo. Age no coração (xin) e acalma o yang, melhorando a condição de calor interno e fogo patogênico. Como usar. Cru, ralado ou fatiado em saladas. Indicações. Inflamações e estados de grande inquietação.

 

Nirá

O nirá tem natureza morna e sabor picante e levemente doce. Age nos pulmões (fei), nos rins (shèn) e no baço (pi). O nirá tonifica o yang geral do corpo, contribuindo para as funções renais e estimulando a digestão, as funções orgânicas e a produção de qi, o que melhora a vitalidade do corpo. Além disso, estimula o vigor sexual, inibindo a impotência e a frigidez.

Como usar. As folhas podem ser usadas cruas ou refogadas e também como tempero de diversos pratos.

Indicações. Perda ou falta de libido, fraqueza, cansaço e condições de deficiência de yang, especialmente dos rins (shèn).

 

Pepino

O pepino tem natureza fria e sabor doce. Age nos rins (shèn), no estômago (wei), no intestino delgado (da chang) e nos pulmões (fei). Sua natureza refrescante melhora estados de calor interno, inquietação e infecções, e o suco de pepino beneficia a pele em queimaduras de verão. Auxilia na limpeza dos intestinos. Ele resfria o corpo, portanto, deve ser utilizado com moderação, especialmente em casos de intoxicação.

Como usar. Cru, em saladas ou sucos. Indicações. Infecção urinária, gengivite, prurido, colite, acnes, herpes, hiperidrose, insônia, menopausa, intoxicação e desintoxicação.

 

Pimentão

O pimentão tem natureza morna e sabor doce e picante. Atua nos pulmões (fei), no baço (pi) e no estômago (wei). O pimentão é utilizado para estagnações de sangue (xue), como em casos de cólicas menstruais. Ele beneficia também a circulação sanguínea, favorecendo o coração (xin).

Como usar. Cru ou cozido, nos mais variados pratos. Indicações. Cólicas menstruais por acúmulo de frio, obesidade e falta de apetite.

 

Quiabo

O quiabo tem natureza fresca e sabor doce e amargo. Age nos pulmões (fei), no coração (xin) e nos intestinos. Sua ação refrescante ameniza o calor, levando-o para os intestinos; por isso, ele é muito indicado para eliminar muco, eventualmente encontrado nos pulmões. Assim, o quiabo expele as secreções que acompanham tosse e asma.

Como usar. Cozido, nos mais diversos pratos. Indicações. Doenças pulmonares.

 

Rabanete

O rabanete tem natureza fresca e sabor amargo. Age nos pulmões (fei), sendo benéfico para todas as doenças respiratórias, e elimina calor, sendo útil na desintoxicação.

Como usar. Cozido, nos mais diversos pratos. Indicações. Doenças pulmonares, cálculos biliares, doenças de pele com presença de calor e desintoxicação.

 

Repolho

O repolho tem natureza morna e sabor doce, ácido e levemente picante. Nutre o baço (pi), o fígado (gan) e os intestinos, favorece a digestão, umedece as mucosas e estimula os movimentos peristálticos. No fígado (gan), desintoxica o organismo se consumido cru.

Como usar. Cru, para limpeza do fígado, e refogado ou cozido, para fortalecimento.

Indicações. Doenças hepáticas, constipação intestinal, má digestão e metabolismo lento (fraqueza de baço).

 

Salsa (salsinha)

A salsa tem natureza morna e sabor picante e amargo. Age nos rins (shèn), fortalece as adrenais e estimula a diurese, principalmente em infecções urinárias.

Como usar. Crua ou como tempero de diversos pratos. Indicações. Doenças renais.

 

Tofu

O tofu, queijo de origem vegetal, tem sabor neutro e ligeiramente doce. Sua ação refrescante melhora todos os estados de calor.

Como usar. Cru e fresco, para combater o calor, e frito ou salteado junto a pratos quentes, em condições de frio e deficiência de yang. Indicações. Menopausa, insônia e condições de calor e secura.

 

Tomate

O tomate tem natureza fresca e sabor doce e ácido. Age no fígado (gan), no estômago (wei) e no baço (pi) e tem propriedades antioxidantes, o que beneficia o fígado (gan). Também promove fluidos, melhora a secura, auxilia na digestão e é benéfico para o baço (pi), pois facilita a formação de sangue.

Como usar. Preferencialmente fresco, sem pele e sem sementes. Indicações. Anorexia, má digestão, constipação intestinal, hipertensão e desin-toxicação.

Frutas

As frutas são parte essencial da alimentação e não devem ficar fora da dieta. Em geral, as frutas são de natureza refrescante, removem calor e toxinas e hidratam e favorecem a limpeza do organismo. Sua natureza yang favorece o funcionamento das vísceras, como os intestinos, estimulando os movimentos peristálticos. As frutas também têm frutose, um tipo de açúcar rapidamente absorvido pelo organismo.

O consumo das frutas é melhor do que o de sucos, mas ambos podem

aumentar o índice de açúcar no organismo se consumidos em grande quantidade, resultando em umidade patogênica e formação de edema. Por isso, o equilíbrio e o cuidado devem ser constantes, devendo ser consumidas preferencialmente entre as refeições, nos lanches da manhã ou da tarde.

 

Abacate

O abacate tem natureza fresca e sabor doce e ligeiramente ácido. Beneficia o fígado (gan) e os rins (shèn), e sua constituição yin favorece a hidratação, estimulando a nutrição das estruturas corporais, como o sangue, as vísceras, os ossos e os músculos.

Como usar. Ao natural, sem casca e sem caroço de maneiras diversas, desde saladas e molhos até pratos principais.

Indicações. Memória, constipação intestinal e condições deficiência de yin.

 

Abacaxi

O abacaxi tem natureza fria e sabor ácido e doce. Beneficia o fígado (gan) e o baço (pi) e sua natureza fresca e adstringente dispersa os acúmulos, como a mucosidade. É utilizado para desintoxicar e facilitar a digestão, além de expelir mucosidade, ser diurético e refrescar o organismo.

Como usar. Preferencialmente ao natural. Com mel, lubrifica os pulmões de fumantes.

Indicações. Edemas, condições de calor, umidade e desintoxicação.

 

Ameixa

A ameixa tem natureza fresca e sabor amargo e ácido. Sua natureza fresca age no coração (xin) e na bexiga (pang guang), acalmando o yang e limpando o calor presente no fígado (gan), como em quadros de cirrose. Além disso, facilita a digestão e a eliminação de resíduos pela urina e pelos intestinos.

Como usar. Em estado natural ou seca, em pratos diversos. Indicações. Edemas, constipação intestinal, cirrose e desordens hepáticas. Não deve ser usada por pessoas com osteoporose, por ser inibidora de cálcio.

 

Amora

A amora tem natureza fresca e sabor doce e amargo. Favorece a nutrição do yin, promove fluidos e facilita a formação de sangue (xue), beneficiando o fígado (gan) e o coração (xin).

Como usar. Em estado natural, em sucos ou chás. Indicações. Insônia, menopausa, constipação intestinal e diabetes.

 

Banana

A banana tem natureza fresca e sabor doce. Age no baço (pi), nos pulmões (fei) e nos intestinos. Sua natureza yin umedece os intestinos, sacia a sede, melhora as condições de secura interna, refresca o calor e dispersa toxinas. Também deve ser consumida por hipertensos, pois nutre o yin e ajuda na redução da pressão arterial.

Como usar. Ao natural.

Indicações. Hipertensão, constipação intestinal, cãibras e condições de secura.

 

Caqui

O caqui tem natureza fria e sabor doce. Beneficia o coração (xin), o pulmão (fei) e o fígado (gan). Sua natureza yin resfria as funções do corpo, por isso, ele combate o calor interno e externo, acalma a sede e a mente, estimula a secreção biliar e contribui para a desintoxicação, favorecendo a eliminação de catarro.

Como usar. Ao natural. É melhor que não seja assado nem cozido, para que sua propriedade refrescante não seja perdida.

Indicações. Alcoolismo, debilidades respiratórias, câncer e mucosidade.

 

Cereja

A cereja tem natureza morna e sabor doce. Atua no baço (pi), no estômago (wei), nos pulmões (fei), no coração (xin) e nos rins (shèn). É muito benéfica para o corpo, pois tonifica o qi e o sangue (xue). Além disso, sua natureza yang favorece a circulação sanguínea, melhora estados de dor, umedece o corpo e tonifica o organismo em estado de fraqueza.

Como usar. Fresca e ao natural.

Indicações. Anemia, má circulação, fraqueza e condições de deficiência de yang.

 

Damasco

O damasco tem natureza neutra e sabor doce e ácido. É extremamente nutritivo, umedece a secura e estimula a produção de fluidos. Sua natureza morna estimula o yang do corpo, tonifica o qi e melhora os movimentos peristálticos, favorecendo a eliminação dos resíduos e a perda de peso.

Como usar. Ao natural ou seca.

Indicações. Anemia, constipação intestinal, obesidade, tosse e garganta seca.

 

Figo

O figo tem natureza neutra e sabor doce e amargo. Hidrata os pulmões (fei), dispersando o calor em inflamações, favorece o baço (pi), estimulando o apetite, e tem ação desintoxicante. Sua natureza fresca produz fluidos, beneficia os intestinos e elimina a secura.

Como usar. Ao natural.

Indicações. Hemorroidas, rouquidão, vitiligo, lactação, constipação intestinal e doenças respiratórias.

 

Goiaba

A goiaba tem natureza morna e sabor doce e ácido. Estimula as funções do baço (pi), eliminando a umidade, atua no aquecedor médio, favorece a perda de peso e diminui o colesterol ruim.

Como usar. Ao natural, em diversos pratos, ou na forma de sucos. Indicações. Obesidade.

 

Laranja

A laranja tem natureza fresca e sabor ácido e doce. É benéfica para o baço (pi), para o pulmão (fei) e para os intestinos. Abre o apetite e sua ação refrescante ameniza o calor interno, contribuindo para a formação de fluidos corporais. Além disso, beneficia os intestinos, estimulando os movimentos peristálticos.

Como usar. Ao natural, em diversos pratos, ou na forma de sucos. Indicações. Náuseas, vômitos, constipação intestinal, má digestão, gripes e doenças respiratórias.

Lichia

A lichia tem natureza morna e sabor doce e ácido. Hidrata e promove os fluidos, a renovação celular e a digestão, sendo uma aliada para quem quer perder peso.

Como usar. Ao natural.

Indicações. Anemia, obesidade, inflamações, tosse e garganta seca.

 

Limão

O limão tem natureza fresca e sabor ácido. Beneficia especialmente o fígado (gan), pois sua ação adstringente dispersa estagnação do qi desse órgão, desintoxica o organismo e alivia a flatulência. Também atua nos pulmões (fei), eliminando muco, fleuma e secreções, e nas funções do baço (pi) e do estômago (wei), beneficiando a digestão. O limão ainda dispersa calor e umidade e tem propriedades bactericidas e anti-inflamatórias, favorecendo a cura de todo tipo de infecção.

Como usar. Ao natural, na forma de suco ou em chás. Indicações. Condições de mucosidade e calor, infecções, inflamações e doenças hepáticas e respiratórias.

 

Maçã

A maça tem natureza fresca e sabor doce, ácido e amargo. Beneficia especialmente o coração (xin), pois acalma o yang, leva a energia de cima para baixo e, por isso, também acalma a mente (shén) e refresca o corpo. Também abre o apetite e favorece a eliminação de cálculos biliares. É indicada para redução de medidas em virtude da pectina, que dificulta a absorção de gordura e estimula a diurese, agindo do centro para fora.

Como usar. Ao natural, seca ou assada e em sucos desintoxicantes ou chás. Para favorecer o yang, deve ser associada à canela e ao cravo. Indicações. Obesidade, hipertensão, arteriosclerose e colesterol alto.

 

Mamão

O mamão tem natureza neutra e sabor doce e amargo. Tonifica o qi, beneficia o baço (pi), favorece a digestão e retira o calor provocado por estagnações de qi e xue. O pó das sementes de mamão também é conhecido por ser um vermífugo natural e pode ser utilizado para eliminação de parasitas.

Como usar. Ao natural ou na forma de sucos. Indicações. Obesidade, constipação intestinal, cólicas menstruais e mucosidade.

 

Manga

A manga tem natureza fria e sabor doce. Atua no baço (pi), no estômago (wei) e nos pulmões (fei), estimula o sistema imunológico e umedece o corpo.

Como usar. Ao natural, em diversos pratos, ou na forma de sucos. Indicações. Estados de fraqueza, constipação intestinal, secura e doenças respiratórias.

 

Melancia

A melancia tem natureza fria e sabor doce. Age no coração (xin), na bexiga (pang guang) e no estômago (wei), estimulando a produção de fluidos corporais (jin ye). Também elimina estados de calor interno e estimula a diurese. A semente de melancia, assim como todas as outras, carrega a essência dos vegetais e, por isso, tonifica os rins (shèn) e estimula as funções dos órgãos reprodutores.

Como usar. Ao natural ou na forma de suco.

Indicações. Infecções urinárias, edema, hipertensão, sede e constipação intestinal.

 

Melão

O melão tem natureza fresca e sabor doce. Age no coração (xin), no baço (pi) e no estômago (wei). Sua natureza descendente ameniza o calor, favorece a diurese e dissolve cálculos formados por excesso de calor e umidade interna. Também é recomendado para secura, aftas, herpes e gastrite.

Como usar. Ao natural ou na forma de suco. Indicações. Aftas, herpes, gastrite, colite e dermatite.

 

Morango

O morango tem natureza fresca e sabor doce, ácido e amargo. Beneficia o coração (xin) e os vasos, reparando as artérias. O morango acalma o yang e a mente (shén), umedece os intestinos e estimula a diurese. É benéfico também para o fígado (gan) e o baço (pi), corrigindo a perda de apetite.

Como usar. Ao natural ou em sucos. Indicações. Falta de apetite e debilidades urinárias.

 

Pera

A pera tem natureza fresca, sabor doce e levemente ácido. Atua nos pulmões (fei) e no estômago (wei), estimula a produção de fluidos corporais (jin ye), dispersa o calor interno e umedece a secura.

Como usar. Para aproveitar suas propriedades e dispersar o calor interno, deve ser consumida fresca ou na forma de suco. Indicações. Constipação intestinal, infecção, insônia, prurido, menopausa, dor de garganta e doenças respiratórias.

Pêssego

O pêssego tem natureza fresca e sabor doce e ácido. Umidifica os pulmões (fei) e os intestinos, hidrata e promove fluidos. Sua ação adstringente é capaz de dispersar acúmulos no fígado (gan) e aliviar a pressão alta.

Como usar. Para aproveitar suas propriedades e umedecer o organismo, deve ser consumido fresco ou na forma de suco.

Indicações. Constipação intestinal com fezes ressecadas e secura na pele, na garganta e na boca.

 

Pitanga

A pitanga tem natureza fresca e sabor doce e ácido. Age no fígado (gan), no baço (pi) e nos rins (shèn) e beneficia o yin e o sangue (xue), favorecendo os ossos e os olhos. Sua natureza refrescante ajuda a dispersar o calor interno e as toxinas, podendo ser usada também para desintoxicação do organismo.

Como usar. Ao natural.

Indicações. Osteoporose, olhos secos, menopausa e desintoxicação.

 

Tâmara

A tâmara tem natureza neutra e sabor doce e nutre o yin e o fígado (gan). Tanto as tâmaras frescas quanto as secas são grandes tônicos energéticos, recomendadas para quem quer ganhar resistência.

Como usar. Ao natural, para condições de calor interno ou secura, e desidratada, nas condições de frio e deficiência de yang. Indicações. Sudorese noturna, menopausa, insônia e ansiedade.

 

Tangerina A tangerina tem sabor doce, ácido e amargo e natureza fresca, que beneficia os estados de secura. Também age nos pulmões (fei), umedece o organismo e estimula a circulação de energia (qi) ao longo do corpo.

Como usar. Ao natural.

Indicações. Dores articulares e doenças respiratórias.

 

Uva

A uva tem natureza fresca e sabor doce e ácido. Estimula as funções dos pulmões (fei), do fígado (gan), dos rins (shèn) e do intestino delgado (xiao chang) e limpa e regenera o sangue (xue).

Como usar. Ao natural, com casca e sementes, ou em suco integral, de preferência orgânico.

Indicações. Artrite, anemia, tontura, doenças cardiovasculares, menopausa, menstruação, desintoxicação, mau humor, gestação, edemas e doenças do trato urinário.

 

Sementes e castanhas

Na visão da Medicina Tradicional Chinesa, as sementes são de grande potencial energético, pois conservam a essência do vegetal e proporcionam ao ser humano muita vitalidade. Dizer que algo proporciona energia e vitalidade significa que o alimento tonifica o qi e favorece o funcionamento dos órgãos internos, o que é diferente de dizer que o indivíduo ficará desperto ou agitado.

Ricas em vitaminas e minerais, as sementes têm ácido linoleico e

protegem os neurônios. Também tonificam os rins (shèn), lubrificam os intestinos, auxiliam em estados de constipação intestinal e melhoram estados de secura, hidratando o organismo em quadros de secura nos olhos e na pele e de mulheres na pós-menopausa. É importante dar preferência para consumi-las no período da tarde, ao qual pertence o movimento água (bexiga e rins), responsável pela essência energética do ser humano, cujos horários são entre 15 e 19 h.

As sementes, em sua maioria, são oleaginosas e de difícil digestão, por

isso devem ser consumidas em pouca quantidade, até 30 g/dia. Em geral, elas combatem o cansaço e a fraqueza crônica, além de beneficiarem as articulações e os tendões. Na presença de muito muco ou edema, devem ser suspensas da dieta, até que esses sintomas cessem.

É importante comprar as sementes com a casca, pois, além de manter

sua vitalidade, ela também as protege de fungos e bactérias.

As sementes podem compor diversos pratos, nas mais variadas receitas,

e devem ser reservadas em recipientes de vidro, nunca de plástico.

Em especial, a chia, a linhaça e as nozes têm ômega 3, ácido graxo que

auxilia o sistema imunológico e harmoniza a circulação sanguínea, reduzindo o colesterol e a pressão arterial. Com exceção do pinhão e do amendoim, as demais sementes têm natureza neutra e sabor doce, o que as torna aceitas pelo paladar brasileiro.

 

Abóbora

A abóbora tem sabor doce (e salgado na casca) e natureza neutra. As sementes de abóbora agem nos intestinos e são úteis contra parasitas, atuando como vermífugos.

Como usar. Crua ou cozida, com ou sem casca. Indicações. Constipação intestinal, parasitas, doenças renais, da próstata e bexiga.

 

Amêndoas

As amêndoas têm sabor doce e natureza morna. Nutrem e hidratam os pulmões (fei), transformam a fleuma e lubrificam o intestino grosso (da chang), melhorando a constipação intestinal.

Como usar. Secas, preferencialmente sem sal. Indicações. Doenças respiratórias e secura da pele, da garganta e dos lábios.

 

Amendoim

O amendoim tem sabor doce e natureza neutra. Tonifica o baço (pi), favorece a eliminação de catarro, facilita a digestão e umedece a pele, prevenindo o envelhecimento. Também é indicado para deficiência de yang dos rins, com sinais de perda de libido e cansaço, mas seu uso deve ser moderado em condições de umidade patogênica, como edemas e sobrepeso. Sua ação morna leva calor para o corpo e, por ser uma semente, conserva muita energia.

Como usar. O consumo deve ser sem casca, preferencialmente sem sal, mas deve ser comprada com a casca.

Indicações. Lactantes, deficiência de sangue, anemia, condições de secura na pele, boca e garganta.

 

Castanhas

As castanhas têm sabor doce e agem no baço (pi), no estômago (wei) e nos rins (shèn). Como as demais sementes oleaginosas, nutrem o qi e o sangue (xue). São especialmente indicadas em casos de fraqueza e cansaço, ajudando a repor as energias. Também fortalecem a coluna, os ossos e os joelhos, além de beneficiarem as articulações e os tendões, sendo indicadas para artrite, artrose e esclerose múltipla.

Como usar. Assadas, com casca, consumidas em pequenas porções, diariamente e no final da tarde, no período destinado aos rins (das 17 às 19 h).

Indicações. Cansaço, menopausa, artrose, esclerose múltipla e reumatismos.

 

Chia As sementes de chia são milenares, mas somente agora têm ocupado espaço nos grandes supermercados. Por serem de natureza yin, nutrem a estrutura corporal e possibilitam a formação de sangue (xue).

A chia é muito nutritiva, muito recomendável para as mulheres e pode

beneficiar pessoas com osteoporose, em virtude da alta quantidade de cálcio, que nutre o yin. Além disso, ela dissolve massas e umidade patogênica, o que contribui para a perda de peso. Pode ser consumida todos os dias.

Como usar. Ao natural, associada a frutas, água ou sucos. Também é encontrada como farinha, mas seu melhor uso está no consumo in natura. Indicações. Constipação intestinal, secura, osteoporose e condições de umidade patogênica.

 

Gergelim

O gergelim tem natureza neutra e sabor doce. Pode se apresentar nas cores branca, marrom ou preta. O gergelim preto é o melhor, pois beneficia os rins (shèn), tonifica a essência (jing) e favorece os ossos, a coluna e o cérebro; por isso, é um tônico para as funções internas do organismo. Também atua no fígado (gan), nos tendões, nas articulações, na visão e no sangue (xue). Deve ser consumido todos os dias, principalmente por vegetarianos. A presença de ômega 3 auxilia na redução do nível de colesterol.

Como usar. Em saladas, molhos ou por cima da refeição. Deve ser triturado antes de comer, para facilitar sua absorção.

Indicações. Vegetarianos e pessoas com arteriosclerose, reumatismos, zumbidos ou espasmos.

 

Linhaça A linhaça tem sabor e natureza neutros. Atua no fígado (gan) e no coração (xin), contribui para regular os intestinos, favorece a absorção de nutrientes, é fonte de ômega 3, tem ação anti-inflamatória e impede a formação de umidade patogênica. Por isso, é benéfica para quem tem colesterol alto, sobrepeso e arteriosclerose.

Como usar. As sementes podem ser trituradas no liquidificador e reservadas em um pote de vidro para serem consumidas diariamente. A linhaça pode ser consumida com frutas ou sucos e em receitas de bolos ou tortas. Uma colher de sopa rasa é o suficiente para o consumo diário. Indicações. Menopausa, constipação intestinal acompanhada de secura, arteriosclerose, doenças cardíacas e diarreia.

 

Nozes

As nozes têm sabor doce e natureza morna. Atuam especialmente nos rins (shèn), tonificando a energia geral do corpo, sendo indicadas para asma e fraqueza. Auxiliam na saúde dos ossos e no controle da pressão arterial, beneficiam o cérebro e a memória, além de manterem as vitalidades corporal e sexual e aumentarem o yang do corpo. O óleo das nozes é facilmente digerido pelo corpo e melhora o colesterol, limpa o sangue (xue), fortalece o fígado (gan) e nutre os tendões e as articulações. As nozes mantêm a harmonia das emoções, função energética atribuída ao fígado, segundo a concepção oriental.

Como usar. Cruas ou tostadas, preferencialmente com a casca. Indicações. Doenças renais, perda de memória, osteoporose, doenças respiratórias, reumatismos, artrite, artrose, emissão seminal e constipação intestinal.

 

Pinhão O pinhão tem sabor doce e natureza morna. Aumenta os fluidos corporais, por isso beneficia os pulmões, que precisam estar constantemente hidratados.

Como usar. Sem casca e cozido. Deve ser consumido preferencialmente em sua época de colheita, quando ainda estão frescos e saborosos. Indicações. Secura na pele, constipação intestinal, tosse seca e doenças respiratórias.

 

Pistache

O pistache tem natureza neutra e sabor amargo e levemente ácido. Age no fígado e purifica o sangue.

Como usar. Sem casca.

Indicações. Anemia, constipação intestinal, estados de secura e fraqueza.

 

Semente de girassol

A semente de girassol tem sabor doce e natureza morna. Assim como as sementes de abóbora, as de girassol agem nos intestinos e combatem a secura.

Como usar. Sem casca, preferencialmente sem sal. Indicações. Constipação intestinal e cansaço.

 

Óleos vegetais

Os óleos e as gorduras são importantes para balancear a dieta, promover hidratação e favorecer a absorção de vitaminas. No entanto, é importante identificar suas melhores fontes.

Em dietoterapia chinesa, os alimentos podem ser divididos em qi e wei.

Wei, em chinês, é sabor e caracteriza os alimentos substanciais, mais pesados e nutritivos, ao passo que alimentos ricos em qi são mais leves. As gorduras e os óleos pertencem à categoria de alimentos wei e, portanto, são densos e de natureza yin. Desse modo, contribuem para a formação e o reparo de estruturas corpóreas, como os tecidos, o sistema nervoso e as articulações.

O Dr. Pitchford (1993) faz uma importante colocação acerca dos óleos e

das gorduras sob o ponto de vista holístico:

Pelo fato de as gorduras e óleos serem de natureza yin, eles promovem chão (grounding) e segurança, é por isso que as gorduras, independentemente de sua origem (vegetal ou animal), são valiosas. As pessoas gostam de se sentir seguras, com energia e aquecidas. Não por acaso quem mais precisa delas são as pessoas com deficiência de yin, que comumente são magras, nervosas, inquietas e com corpo seco.

Os óleos vegetais são importantes para a saúde dos hormônios, da pele e

dos cabelos e para o transporte de colesterol. Sua deficiência está comumente relacionada às doenças do fígado, segundo a Medicina Tradicional Chinesa. Entretanto, em excesso, as gorduras atrapalham o sistema circulatório e levam ao acúmulo de calor interno, resultando em inflamações de todos os gêneros.

É importante escolher bons óleos para cozinhar e para o consumo

diário. Óleos poli-insaturados tornam-se rançosos rapidamente e conduzem à formação de radicais livres, que danificam e matam neurônios e células. Já óleos monossaturados, como os prensados a frio, são opções mais seguras e saudáveis ao organismo.

 

Sugestões para o consumo Deve-se evitar fritar os alimentos, para não perder seus nutrientes; entretanto, muitas receitas podem pedir frituras. Quando for o caso de fritar, dar preferência ao uso de bons óleos, como de coco ou de gergelim, e ao ghee, a manteiga clarificada. O ghee é de origem indiana e muito utilizado dentro da Medicina Ayurvédica. Além de manter os nutrientes saudáveis, ele não se deteriora em altas temperaturas e é uma boa opção para as frituras.

Muitos pratos orientais dão ênfase ao uso de óleo de gergelim, que é

muito saudável e tem sabor muito peculiar. Também é uma boa opção.

Para os demais pratos (pasta de vegetais, antepastos e saladas), o melhor

é utilizar azeite de oliva prensado a frio e em embalagem de vidro ou os óleos de linhaça, abacate e amendoim. Todos estão disponíveis no mercado e são facilmente encontrados em lojas de produtos naturais.

 

Algas marinhas

As algas marinhas são muito conhecidas na culinária asiática e vêm chamando a atenção por sua qualidade nutricional, pois são ricas em minerais e nutrientes, como cálcio, iodo e ferro. Também são abundantes em vitamina B12, tornando-se excelentes opções para vegetarianos e veganos.

Sob o ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa, as algas têm

sabor salgado e são de natureza fria. Elas beneficiam os rins (shèn) e são indicadas para desintoxicar, dispersar calor, hidratar e alcalinizar o organismo.

As microalgas, como espirulina e chlorella, são encontradas em

cápsulas e excelentes para desintoxicação, nutrição (principalmente em casos de anemia) e perda de peso. Elas produzem sensação de saciedade e são bons recursos em doenças crônicas e dietas para emagrecimento. Também podem ser utilizadas por pessoas de todas as idades.

Já as algas nori, wakame e ágar-ágar são utilizadas na culinária. Sua

característica nutricional é bastante rica, portanto, podem ser consumidas com finalidades terapêuticas. Essas algas tendem a reduzir inflamações e promover a digestão e são grandes fontes de cálcio, sendo aliadas em doenças como a osteoporose.

 

Peixes e frutos do mar

Os peixes ocupam uma parte especial na pirâmide alimentar asiática e há séculos fazem parte da culinária oriental. São boas fontes de proteína e alguns deles, como a sardinha e o salmão, são fontes de ômega 3, que contribui para a limpeza das artérias, favorecendo a circulação sanguínea.

Os peixes e os frutos do mar tonificam os rins (shèn) e a bexiga (pang

guang), uma vez que nutrem o movimento água, ao qual pertencem esses órgãos. Isso significa que melhoram a estrutura geral do corpo e as vitalidades física e sexual, além de estimularem o cérebro, a memória e a coragem. Além disso, são ideais em condições de deficiência, perda de apetite e fraqueza.

Os peixes e os ovos são as melhores fontes de proteína animal, mas, por

conta da poluição dos mares, os ovos (orgânicos) podem ser melhores para o organismo do que muitos peixes.

As propriedades energéticas dos principais peixes e frutos do mar

consumidos pela população estão descritas a seguir.

 

Camarão

O camarão tem natureza morna e sabor doce e salgado. Tonifica o yang dos rins, nutre as funções renais e aumenta a energia geral do corpo, promovendo vitalidade física e sexual. Também favorece a produção de qi e xue, dispersa o muco e combate o frio.

 

Caranguejo O caranguejo tem natureza neutra e sabor salgado. Assim como a ostra, contribui para a nutrição do yin e das estruturas e combate o calor e a secura.

 

Ostra

A ostra tem natureza fria e sabor salgado. É muito rica em minerais, por isso fortalece os ossos e o sangue e é usada em casos de osteoporose. Além disso, dissolve estagnações de sangue (xue) e de massas que provocam dores, acalma a mente (shén) e dispersa o calor interno.

 

Pescada

A pescada tem natureza neutra e sabor levemente salgado. Favorece a nutrição do qi e dá energia e vitalidade aos rins e ao baço.

 

Salmão

O salmão tem natureza neutra e sabor doce. Assim como a sardinha, é rico em proteína e ômega 3. Entretanto, o benefício do salmão, nos dias atuais, é questionável, uma vez que, no Brasil, eles são cultivados em cativeiro, perdendo muitos de seus nutrientes.

 

Sardinha

A sardinha tem natureza neutra e sabor salgado. Além de tonificar o qi geral do corpo, tem ômega 3, que favorece a limpeza das artérias.

 

Laticínios

Os laticínios, conforme demonstrado na pirâmide alimentar, aparecem em caráter opcional, assim como os peixes, mas é importante esclarecer a importância dada aos peixes em relação aos laticínios.

Tanto os peixes quanto os laticínios são fontes de proteína animal, que

favorecem a nutrição, a tonificação do yin e beneficiam as estruturas corporais, como os músculos e os ossos. No entanto, enquanto os peixes nutrem e são totalmente absorvidos pelo organismo, os laticínios podem gerar mucosidade em seu uso frequente. Justamente por isso, eles não são muito utilizados na culinária chinesa.

Entende-se por laticínios o leite e todos os seus derivados, como queijos

e iogurtes. Antigamente, esses produtos eram consumidos em caráter integral e feitos em casa, talvez com maior quantidade de gorduras, porém, mais ricos em nutrientes. Hoje, a indústria de alimentos estimula o consumo de laticínios como fonte de cálcio e proteína, mas é muito importante esclarecer que os produtos da atualidade são muito mais pobres em nutrientes do que no passado, e a natureza fria e úmida dos laticínios contribui para a formação de mucosidade.

O iogurte tornou-se um aliado para quem sofre de constipação

intestinal, pois a presença dos lactobacilos vivos estimula a flora intestinal, resolvendo o problema. A Medicina Tradicional Chinesa não vê o consumo de laticínios de maneira positiva, pois a constipação intestinal é o resultado de um conjunto de sintomas que envolvem condições de deficiência dos órgãos internos. Para quem gosta de laticínios, sugere-se o consumo de kefir no lugar dos laticínios industrializados. O kefir é um probiótico natural que contribui para o bom funcionamento dos intestinos de maneira saudável.

Indivíduos com alimentação pobre e sobrepeso comumente sofrem com

digestão fraca e metabolismo lento, como resultado da deficiência nas funções do metabolismo que envolve as funções do estômago, do baço, do pâncreas, do fígado e dos intestinos. Com o metabolismo lento, os laticínios não são bem digeridos e se acumulam como resíduo, chamado de muco. No corpo, o muco aparece na forma de secreções, leucorreia e fungos e, com o tempo, leva ao aumento de peso e à formação de massa abdominal, nódulos e tumores, comprometendo a livre circulação de energia (qi) e sangue. Na presença de muco, os órgãos precisam trabalhar mais para manter o metabolismo e, com frequência, enfraquecem.

Os laticínios até podem ser consumidos, desde que não sejam frequentes

na alimentação e, de preferência, sejam feitos em casa, como o kefir. Eles são indicados para condições de secura, pois hidratam e promovem fluidos; em condições de excesso, obviamente, não são indicados.

A manteiga, a maionese, a margarina e o cream cheese podem ser

substituídos por patês caseiros de origem vegetal, como as pastas de grão de bico e de berinjela.

 

Leite

O leite de vaca é um alimento muito nutritivo e grande fonte de proteínas, recomendado para a nutrição de bebês, crianças, gestantes e lactantes. Sua característica yin fortalece o organismo e tonifica o qi, além de seu sabor doce fortalecer o baço (pi) e o estômago (wei). No entanto, o leite de vaca, ou mesmo o de soja, tem recomendações específicas. Inicialmente, seu consumo é sugerido em estados plenos de fraqueza, como a anemia, e em estados de secura, ou seja, com sinais de calor extremos, que secam os líquidos orgânicos. Isso é bastante comum em pessoas com idade entre 60 e 70 anos. Para o restante das pessoas, o consumo regular de leite de qualquer origem não é sugerido, porque sua natureza doce provoca acúmulo de resíduos e formação de mucosidade (fator impeditivo de saúde) e pode causar processos inflamatórios e intolerância alimentar.

Outras opções como alternativa ao consumo de leite de vaca são o leite

de sementes (amêndoas, arroz), o kefir e a espirulina, nos casos de desnutrição.

 

Ovos, frango e peru

Carne de frango A carne de frango tem natureza morna, sabor doce e menos gordura que a carne bovina. Fortalece o baço (pi), o estômago (wei), o sangue e o coração (xin), tonificando o qi, diminuindo o cansaço e melhorando a disposição. Também aquece os intestinos e favorece a formação de sangue (xue) em estados de anemia.

 

Ovo de galinha

O ovo tem sabor doce e é essencialmente yin, ou seja, abriga grande quantidade de energia que seria concedida a um ser vivo. Nesse sentido, ele tonifica o corpo, devendo ser utilizado em estados de fraqueza, nutre o sangue (xue) e hidrata e fortalece todos os órgãos internos. Atua principalmente no coração (xin), acalma a mente (shén) e beneficia a voz, além de ser indicado para gestantes e idosos. A presença de colesterol no ovo também contribui para os hormônios.

Deve-se dar preferência aos ovos orgânicos e caipiras, encontrados na

maior parte do Brasil. Além de mais saudáveis, estão livres de hormônios e os animais não são agredidos.

 

Peru

O peru tem natureza morna e sabor doce. Tem as mesmas propriedades do frango, entretanto, ser consumido em sua forma natural, não como embutido (peito de peru), que leva conservantes agressivos ao organismo. A natureza fria do peito de peru também não é benéfica ao corpo e contribui para a formação de mucosidade e frio interno.

 

Doces, mel e derivados

Os doces estão entre os alimentos mais desejados pela população, e a gama de produtos industrializados carrega consigo opções sedutoras. O título “zero” vem ganhando espaço nas lojas e nos supermercados, como recurso atrativo da indústria de alimentos. No entanto, é preciso atentar-se aos adoçantes que compõem a maioria desses produtos. O principal adoçante utilizado, o aspartame, encontrado na maioria dos alimentos dietéticos, é muito tóxico ao organismo, pois aumenta a excitação e destrói células e neurônios. Com o aumento da excitação e do calor interno, aumentam também os radicais livres e o nível de cortisol, provocando estresse.

O sabor doce, na concepção chinesa, tem a função de harmonizar e,

sobretudo, acalmar o indivíduo. Dessa maneira, enquanto o adoçante dietético excita o organismo, o indivíduo sente a necessidade de algo que harmonize seu interior e buscará o alimento doce novamente, tornando esse ciclo vicioso e destrutivo.

O sabor doce é encontrado na maioria dos alimentos e age diretamente

no estômago, no baço e no pâncreas para tornar-se glicose e energia, a fim de ser utilizado nas funções orgânicas. Por isso, ele tonifica o qi e favorece o metabolismo.

A nutrição das estruturas orgânicas, como a musculatura, também

depende da nutrição e do fortalecimento do baço (pi). O baço (pi) atua na formação de sangue, por isso os alimentos devem ser nutritivos, antes de serem light, diet ou zero. Quando a nutrição é deficiente, o baço (pi) tende a pedir nutrientes, e a consequência pode ser o desejo excessivo pelo sabor doce, que muitas vezes é entendido como desejo por doces industrializados, em suas mais diversas opções (biscoitos, sorvete, balas, chocolate). Desse modo, quanto maior o consumo de doces, mais fraco o baço (pi) tende a ficar.

Com o baço (pi) enfraquecido, o metabolismo das gorduras e do açúcar

enfraquece e as refeições não são bem digeridas pelo organismo. O resultado é o acúmulo de resíduos, predispondo o indivíduo à obesidade e a diversas outras doenças. Por isso, é importante incluir na alimentação alimentos naturais e saudáveis que agem no baço (pi), a fim de fortalecê-lo. Alimentos como inhame, batata-doce, mandioca, cenoura, abóbora e beterraba são excelentes opções, e o consumo regular de frutas também contribui para a harmonia desse órgão.

Para a perda de peso, deve-se dar preferência às frutas cítricas, como o

abacaxi, o limão e o caju, os quais têm ação desintoxicante. Outros aliados são as algas que favorecem o emagrecimento, como a espirulina e a chlorella.

É igualmente importante estimular o paladar para outros sabores, como

o picante e o amargo. O sabor picante estimula as funções do metabolismo e a circulação sanguínea. Bons exemplos são a maioria das especiarias e o gengibre. Já o sabor amargo tem ação descendente, isto é, ele concentra e desce, favorecendo a eliminação de resíduos; entre eles, dá-se preferência ao chá-verde, à maçã, à chicória e à aveia.

Atualmente, há diversas receitas livres de açúcar e lactose (o açúcar do

leite), as quais, além de nutritivas, são saborosas. Depois do almoço, como opção de sobremesa, dá-se preferência a compotas e sobremesas naturais, como pêssego em calda, em vez de sorvetes ou cupcakes. À tarde, as frutas secas, como a tâmara, são opções que saciam muito a vontade de doces. Obviamente, qualquer opção que envolva o sabor doce deve ser consumida moderadamente e em pequenas porções.

O sabor doce pertence ao movimento terra, que, na visão oriental, é

representado por estômago, baço e pâncreas. Esse é o movimento central do organismo e, no nível emocional e espiritual, atua nas transformações, no cuidado, na raiz e no sentimento de segurança do indivíduo. As deficiências que envolvem a fraqueza do movimento terra relacionam-se à carência afetiva e à dificuldade de realização.

Portanto, antes de escolher qualquer alimento, seja doce ou salgado, é

importante observar suas reais necessidades. Quando o desejo por doces é relativamente alto, além das questões fisiológicas, ele também está associado à necessidade interna de conforto, segurança e cuidado. Tais necessidades não são sanadas por alimentos, e envolvem a nutrição da mente e do espírito do indivíduo.

 

Açúcar

A ingestão frequente de açúcar contribui para a formação de umidade (shi) e muco. Por isso, é interessante dar preferência à estévia e ao açúcar de coco, muito mais saudáveis ao organismo.

 

Chocolate

Embora seja muito apreciado, o chocolate geralmente é industrializado e feito com gordura hidrogenada, o que contribui para o ganho de peso e a formação de mucosidade. Deve-se dar preferência ao consumo (moderado) de chocolates artesanais.

 

Estévia

Enquanto a maioria dos adoçantes é feita de substâncias químicas nocivas ao organismo, a estévia é uma boa opção para substituir o açúcar de maneira saudável; além de adoçar, ela também harmoniza a digestão. Pode ser encontrada em pó, a granel e na cor verde na maioria dos empórios.

 

Mel

O mel tem sabor doce, é muito nutritivo e não deve ser retirado do cardápio. Age nos pulmões (fei), no baço (pi) e no intestino grosso (da chang) e seu sabor doce harmoniza e acalma, contribuindo para a sensação de bem-estar. Além disso, o mel tonifica o qi, favorece a imunidade, estimula a regeneração dos tecidos e beneficia o trato intestinal, eliminando o muco e combatendo secura, eczemas e queimaduras.

 

Carnes Diferentemente de muitas dietas, as carnes estão no topo da pirâmide alimentar asiática, pois seu consumo deve ser moderado e específico. Enquanto os vegetais promovem limpeza e vitalidade ao organismo, as carnes podem proporcionar nutrição profunda e substancial, por serem muito nutritivas, e favorecerem a formação de substâncias, como o sangue.

É inegável que as proteínas são essenciais para o funcionamento dos

órgãos e o fortalecimento de estruturas, como a musculatura; entretanto, como constatado por diversas pesquisas científicas, as proteínas também podem ser adquiridas em fontes de origem vegetal, como algas e leguminosas. Um bom exemplo é a saúde da população chinesa e japonesa, que consome com frequência algas e vegetais e tem baixos índices de doenças degenerativas e maior índice de longevidade.

A carne, que é rica em proteínas, leva mais tempo para ser digerida e

transformada, demandando muito mais do metabolismo em relação aos vegetais. Isso explica o sucesso da dieta Dukan, muito eficiente na promoção da perda de peso. No entanto, o alto consumo de carnes, além de contribuir para a violência aos animais, torna o organismo mais propenso ao calor interno, à mucosidade e às toxinas. Uma prova disso é que o corpo se torna muito mais ácido, pois o pH das carnes varia entre 3 e 5, o que torna o estômago mais ácido, podendo provocar quadros de gastrite e lesões nos rins, pelo aumento de ácido úrico. Doenças como o câncer também apontam a presença de calor e acidez interna.

Indivíduos com a constituição fraca, debilitados e com deficiência de

yang são os mais prejudicados pelo consumo de carnes, pois elas demandam mais do metabolismo, o que envolve as funções do estômago, do baço, do pâncreas, do fígado e dos intestinos. Se esses órgãos não estiverem em plenas condições de saúde, fato bastante comum, é muito provável que a digestão se torne difícil e leve à formação de resíduos (mucosidade) e ao acúmulo de toxinas, que provocam calor interno. A formação de calor interno pode se refletir de várias maneiras, como gastrite, cálculos biliares, colite, constipação intestinal, enxaqueca, tumores e dermatites. O calor interno, oriundo do acúmulo de toxinas e da mucosidade, agride as funções do fígado (gan), órgão que contribui para a harmonia das emoções e da digestão. Ao acumular resíduos, essa harmonia é perdida, o que pode levar a uma mente agitada, intolerante e agressiva.

O desejo por carnes é um sinal de deficiência no funcionamento dos

órgãos e na qualidade do sangue, o que pode ser melhorado pelo consumo equilibrado de uma dieta rica em alimentos integrais, que nutrem de modo saudável e fortalecem as estruturas. No entanto, quando o indivíduo precisa, de fato, fortalecer sua constituição, principalmente em casos de deficiência de yin, convalescência, anemia, pós-parto e grandes debilidades, a carne pode ser útil para o rápido fortalecimento, e o consumo de sopas com músculo bovino, por exemplo, pode ser uma boa opção. No entanto, mesmo nessas situações, o consumo frequente de ovos e peixes, as melhores fontes de proteína do reino animal, é sugerido. A carne deve ser consumida em eventualidades, não diariamente.

 

Carne bovina

A carne bovina tem sabor doce e natureza yin, por isso tonifica o baço (pi), o estômago (wei) e os intestinos. Nesse sentido, é ideal para estados de fraqueza, debilidade física ou óssea, anorexia e diarreia; neste último caso, pode ser consumida como caldo. É especialmente indicada para recuperação de energia depois de grande perda de nutrientes e para deficiências de sangue e de baço (pi). Contudo, é importante não exagerar, para não intoxicar o organismo. Preferencialmente, deve-se consumir a carne bovina em pequenas quantidades e associada à ingestão frequente de vegetais e, para não provocar nenhum nível de deficiência, alternando as fontes de proteínas.

Pessoas que não conseguem se livrar do consumo frequente de carne

vermelha podem se beneficiar consumindo com frequência alimentos ricos em ômega 3, que dispersam as gorduras, geralmente de origem animal, das paredes das artérias.

 

Carne de cordeiro

A carne de cordeiro tem natureza morna e sabor doce. Tonifica o qi geral do corpo e favorece a produção de sangue, sendo benéfica para deficiências de coração e fígado. É importante verificar a procedência do alimento.

 

Carne de porco

A carne de porco tem sabor salgado e natureza fria. Nutre o yin geral do corpo, beneficia os rins (shèn), fortalece o sangue e nutre o cérebro e os ossos, além de umedecer a secura e ser benéfica para a bexiga (pang guang). Também combate a fadiga, a artrite, a artrose, a lombalgia, a osteoporose, a fraqueza nas pernas e todas as debilidades relacionadas com a deficiência do movimento água.

 

Sal, temperos e especiarias

O sal, os temperos e as especiarias são indispensáveis na culinária e podem contribuir de maneira positiva para a alimentação. Os alimentos utilizados como temperos, em geral, têm sabor picante, favorecem a circulação e atuam como termogênicos naturais, estimulando o metabolismo. Já as especiarias trazem sabores muito peculiares e harmonizam tanto o sabor dos pratos em geral quanto as funções do estômago e baço.

O uso do sal é indispensável, uma vez que contribui para as funções do

organismo. No entanto, seu consumo deve ser moderado, assim como o do açúcar.

Vários alimentos industrializados têm muito sódio, o componente do

sal, por isso é importante estar atento à escolha dos produtos. O aumento no consumo de sal lesa as funções renais, aumenta a pressão sanguínea e sobrecarrega as artérias, causando retenção de líquidos.

É importante lembrar que o sabor salgado age de fora para dentro, ou

seja, concentra-se no interior e tem natureza descendente. Por isso, o sal é apropriado para conservar a energia e seu consumo é maior no inverno.

É muito comum algumas pessoas preferirem o sal em vez do açúcar, e

isso pode ser explicado, na visão oriental, pela deficiência nas funções energéticas dos rins (shèn). A melhora dessa situação pode ocorrer com o consumo de alimentos ricos em potássio, que equilibrarão a necessidade de sódio. Alguns exemplos são os vegetais verdes, os legumes, as frutas, principalmente a banana, e os fermentados de soja, como o tofu.

 

Canela

A canela tem sabor doce e picante. Sua natureza quente beneficia o baço (pi), facilitando a digestão e dispersando os acúmulos de sangue (xue) e de umidade (shi), o que melhora dores abdominais, cólicas menstruais e casos de infertilidade, como frio no útero. Também estimula a circulação sanguínea e aquece o corpo.

 

Cardamomo

O cardamomo tem sabor picante e atua no baço (pi). Sua natureza morna ajuda na redução da umidade patogênica. Também beneficia a digestão e auxilia em todos os estados de deficiência do baço (pi), como indigestão, distensão abdominal, perda de apetite e soluço.

 

Cheiro-verde

O cheiro-verde tem sabor picante e atua especialmente nos pulmões (fei), melhorando estados gripais provocados por vento frio. A natureza morna do cheiro-verde contribui para a digestão, estimula a circulação de sangue (xue) e elimina as toxinas. Também ajuda na eliminação de resíduos, age nos rins (shèn) e estimula as funções dos órgãos genitais.

 

Coentro

O coentro tem sabor picante e natureza quente. Provoca transpiração e é utilizado para baixar a febre ou amenizar os calores da menopausa. Embora seu consumo facilite a digestão e estimule as funções do baço (pi) e dos pulmões (fei), deve ser utilizado somente para tratamento, pois é um alimento bastante forte para ser consumido diariamente.

 

Cravo

O cravo tem sabor picante. Atua nos pulmões (fei), estimula a abertura dos poros, provoca transpiração e tonifica o yang dos rins (shèn). É indicado para expelir vento frio e aquecer o interior do corpo.

 

Missô

Muito utilizado na culinária asiática, o missô é uma pasta derivada da soja fermentada e tem sabor salgado. Sua natureza excessivamente salgada impede seu consumo diário, mas seu uso moderado é saudável, podendo reduzir os efeitos do cigarro. É importante manter o missô em recipientes de vidro, pois ele absorve as toxinas de recipientes de plástico.

Como usar. Não pode ser fervido, devendo-se dilui-lo antes em água fria, para depois associá-lo às sopas. Pode ser utilizado para temperar diversos pratos, eventualmente substituindo o sal.

 

Pimenta

A pimenta tem natureza quente e sabor picante. Em geral, os mais variados tipos de pimenta atuam nos pulmões (fei), abrindo os poros e provocando transpiração. Elas têm movimento ascendente, estimulam as funções orgânicas, abrem o apetite e eliminam fatores patogênicos. Também contribuem para promover agitação e alegria; logo, devem ser evitadas por pessoas hiperativas e com sinais de plenitude, como calor interno, secura, hipersensibilidade e irritação.

Como usar. Como tempero, nos mais variados pratos. Indicações. Condições de frio e umidade.

 

Sal

O sal atua nos rins (shèn). Sua natureza é fria e seu movimento dirige-se para baixo, por isso é utilizado para refrescar e limpar o calor, além de promover a diurese. O excesso de sal provoca a retenção de líquidos, o que causa aumento da pressão sanguínea, dificultando as funções do coração (xin), portanto, seu uso deve ser moderado. Para tonificar os rins (shèn) e melhorar a hipertensão, é melhor diminuir a ingestão de sal, praticar exercícios físicos regularmente e aumentar o consumo de peixes e algas, pois eles vêm do mar e nutrem naturalmente os rins (shèn).

Atualmente existem vários tipos de sal, como o marinho, o comum e o

do Himalaia. O sal de cor rosa, oriundo do Himalaia, é preferível. Embora mais caro, esse sal tem mais de 80 tipos de minerais, sendo muito benéfico a todas as funções orgânicas quando consumido moderadamente, como qualquer outro sal.

 

Bebidas

As bebidas são essenciais para a hidratação, e as bebidas saudáveis, como água, água de coco e chás, contribuem para a limpeza do organismo, dispersam calor e toxinas e promovem a hidratação.

A poluição presente nas grandes cidades é um fator que debilita as

funções pulmonares, e o consumo frequente de líquidos beneficia os pulmões, que precisam estar fortes para difundir os líquidos orgânicos e hidratar o organismo e a pele.

 

Água

A água é a bebida mais importante para o corpo, tendo características essencialmente yin, pois hidrata e tonifica. Em jejum, a água tem o poder de desintoxicar o organismo, estimular os intestinos e beneficiar todo o corpo e as funções cerebrais. A sugestão de consumo, na concepção chinesa, é de 6 a 8 copos de 200 mℓ/dia, considerando um adulto de 70 kg.

Deve-se habituar a não ingerir água gelada, pois ela é um elemento de

natureza yin e, associada ao frio, potencializa o yin. Assim, sua direção de energia desce, resultando no resfriamento do organismo. Como mencionado anteriormente, as atividades demandam muita energia do corpo, e a água gelada agride o organismo, que está em plena atividade interna, levando-o a perder energia. Para conquistar saúde e bem-estar, é fundamental ganhar vitalidade, o que pode ser perdido com o hábito de beber água gelada.

Segundo a concepção chinesa, a sensação permanente de boca seca e

calor no corpo está associada à deficiência de yin, ou seja, o calor interno (re)seca os fluidos corporais (jin ye), também associados ao sangue (xue). Isso pode ser melhorado não somente com o aumento do consumo de água, mas também com a ingestão de alimentos úmidos e refrescantes, que baixam o calor e umedecem o organismo.

Se o indivíduo está somente em uma fase, em um curto período com

boca seca e sensação de calor, isso significa que há presença de calor interno. Nesse caso, pode não haver deficiência de yin, mas sim invasão de calor patogênico, como em casos de inflamação, infecção, insolação e gripes. A sugestão da dietoterapia chinesa é o aumento temporário do consumo de alimentos de natureza yin e alimentos que eliminam o calor até que os sinais cessem.

Água de coco-da-baía

A água de coco-da-baía tem ação refrescante e tonificante de yin e yang. Isso significa que ela tonifica o yang, repondo rapidamente a energia perdida durante um longo período de atividades. A bebida também tem a característica yin de hidratar e refrescar o organismo, além de ação diurética, e é muito utilizada pelas mulheres que estão em busca da redução de medidas.

 

Bebida alcoólica

O álcool é um elemento extremamente tóxico para o organismo. Por ser muito yang, estimula excessivamente as funções orgânicas, desidratando o corpo e agredindo o fígado (gan), o coração (xin), o pulmão (fei) e o estômago (wei).

 

Café

O café é de natureza amarga e ácida e tem característica yang. Ele estimula as funções do coração (xin) e do fígado (gan), órgãos de natureza yang. Nesse sentido, estimula o movimento do qi e o sangue (xue) dentro dos vasos sanguíneos (xue maì), mobilizando a circulação, o que resulta na melhora das funções cognitivas. Deve-se dar preferência ao consumo de café orgânico, mas lembrar-se de que o café é inibidor de cálcio e, em longo prazo, pode não ser benéfico para a saúde.

 

Caldo de cana

O caldo de cana tem sabor doce e natureza fria. Ele refresca o organismo, diminui o calor e ajuda a fortalecer o baço (pi), podendo ser consumido em casos de anemia, anorexia e deficiências nutricionais, já que nutre o yin do organismo. Entretanto, seu consumo não deve ser diário, apenas para tratamento. Por ser um alimento doce e de natureza fria, o caldo de cana direciona a energia para baixo, o que não é recomendando em casos de diarreia, letargia e hemorragia.

 

Energéticos

Os energéticos artificiais são produtos industrializados relativamente novos no mercado e, por isso, precisam ser mais bem estudados. Contudo, é possível afirmar que eles tonificam rapidamente a energia do baço (pi) e do estômago (wei), porém sua natureza muito doce pode provocar acúmulo de umidade patogênica (shi). Seu uso não é recomendado, sendo indicados, como recurso alternativo, estimulantes naturais, como o chá-verde e o chá de ginseng.

 

Refrigerantes

A natureza ácida dos refrigerantes é extremamente tóxica para o organismo. Eles desidratam o corpo e agridem o fígado (gan) e o estômago (wei). Além disso, o açúcar existente nos refrigerantes favorece a formação de umidade patogênica (shi), o que deteriora as funções do metabolismo, tornando-o muito ácido.

 

Sucos

O consumo de sucos de frutas naturais é estimulado dentro da dietoterapia chinesa, mas não deve ultrapassar 200 mℓ/dia. Como o suco natural contém grande porção de fruta, ele é muito doce e seu consumo intenso pode contribuir para a formação de umidade patogênica (shi). A ingestão de quantidades maiores deve ser reservada para momentos de desintoxicação ou tratamentos para eliminação de vírus, bactérias e demais agentes patogênicos.

Sucos industrializados, ainda que sejam light, têm aditivos químicos que

não trazem benefícios à saúde. Além disso, têm muito menos qi e nutrientes do que sucos naturais preparados no ato do consumo; por isso, também não são recomendados. No entanto, entre os sucos e as frutas in natura, estas ainda levam vantagem e são mais benéficas ao organismo.

 

Chás, ervas e suplementos naturais

O uso de chás na alimentação é milenar e muito estimulado pela dietoterapia chinesa. Os orientais consomem chás de maneira habitual há milênios. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os “chás são considerados alimentos” (Panizza, 2010) e grandes aliados na promoção da saúde. Considera-se chá a bebida de natureza vegetal preparada pelo método de infusão ou decocção.

A fitoterapia, que promove o uso de chás na alimentação, é estimulada

para a promoção de saúde, conforme a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) proposta pelo Ministério da Saúde em 2006. Entretanto, o consumo de chás tem critérios que devem ser respeitados.

É importante esclarecer que nem todos os chás têm propriedades

medicinais, e muitos deles não devem ser consumidos regularmente, pois, em longo prazo, podem agredir o estômago ou os intestinos, como o de anis-estrelado, que tem natureza morna. Outros necessitam de prescrição médica, como é o caso do hipérico (Hypericum perforatum), utilizado em doenças como a depressão. Para o uso popular, sugere-se a utilização de chás a partir das folhas, quando disponíveis. Antes de tudo, é importante avaliar as condições e indicações da erva, sua procedência e se ela acompanha autorização de órgãos públicos nacionais.

Diversas plantas são obtidas para o consumo somente em forma de

cápsulas ou tintura, como a cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana), e são encontradas em farmácias de manipulação. As cápsulas manipuladas são feitas a partir do princípio ativo da planta, o que torna a cápsula mais forte do que o chá.

As ervas sugeridas nesta obra não exigem prescrição médica e são

aliadas na saúde, podendo ser utilizadas como alimento ou suplemento, desde que suas indicações e dosagens sejam respeitadas. Indica-se limitar o uso dos chás em caráter terapêutico, observando sempre a melhora dos sinais e sintomas, e diversificá-los. Da mesma maneira que os alimentos precisam ser diversificados, as ervas também devem ser.

Uma maneira segura de utilizar a fitoterapia dentro da alimentação

diária é consumir as ervas em forma de pó. No Brasil, existem excelentes laboratórios que trabalham com ervas como suplementos alimentares naturais, como a isoflavona (Glycine max), um estrógeno natural que favorece as mulheres na menopausa.

A Tabela 7.1 apresenta as melhores ervas para tratamento da saúde. A

posologia geral para todas é 1 colher a cada 150 m ℓ (xícara de chá) 2 vezes/dia. O uso de cápsulas pode variar, devendo-se consultar o rótulo do produto ou o farmacêutico para utilização correta.

Tabela 7.1 Indicação e modo de consumo das principais ervas para tratamento da saúde.

Erva Indicação Consumo

 

Anis-estrelado Aquece, promove o uxo de qi e As ores são utilizadas

(Illicium verum) bene cia o fígado (gan) como chá

 

Camomila Bene cia as funções do estômago As ores são utilizadas

(Matricaria (wei), favorece a digestão, como chá

recutita L.) harmoniza e tranquiliza

 

Cáscara Favorece as funções intestinais As folhas são utilizadas

sagrada como chá, pó ou em

cápsulas

(Rhamnus

purshiana)

 

Cavalinha Age nos edemas e na retenção de As folhas são utilizadas

(Equisetum líquidos, dispersa o calor e tem ação como chá ou em cápsulas

arvense) anti-in amatória

 

Centella Estimula a circulação periférica e As folhas são utilizadas

asiática melhora as condições de varizes, como chá, pó ou em

(Centella celulite e gordura localizada cápsulas

asiatica L.)

 

Chlorella Fortalece e desintoxica o As algas são utilizadas

(Chlorella organismo, produz a sensação de como pó ou em cápsulas

pyrenoidosa) saciedade, estimula a produção de

interferon e aumenta a imunidade

 

Dente-de-leão Dispersa o calor, atua como As folhas são utilizadas

(Taraxacum desintoxicante e estimula o apetite como chá

officinale)

 

Erva-doce Harmoniza a digestão e promove o As ores são utilizadas

(Foeniculum uxo do qi como chá

vulgare)

 

Erva-mate (Ilex Estimula corpo e mente, O mate tostado é utilizado

paraguariensis) favorecendo a circulação sanguínea como chá

e a digestão. Deve ser consumido

até as 17 h, para que o sono não seja

prejudicado

 

Espinheira- Auxilia os tratamentos de gastrite e As folhas são utilizadas

santa úlcera duodenal como chá, em tintura ou

(Maytenus em cápsulas

spp.)

 

Erva Indicação Consumo

 

Gingko biloba Estimula a circulação de sangue e As folhas são utilizadas

(Ginkgo biloba) melhora a memória como chá, pó ou cápsulas

 

Ginseng Tônico físico e mental que favorece As ores são utilizadas

(Panax ginseng) as funções digestivas como chá ou em cápsulas

 

Guaraná Estimulante natural que favorece o O fruto é utilizado como

(Paullinia yang suco ou em cápsulas

cupana)

 

Hibisco Age nos edemas e na retenção de As folhas são utilizadas

(Hibiscos líquidos como chá

sabdariffa L .)

 

Jasmim Favorece a digestão, harmoniza e As ores são utilizadas

(Jasminum acalma como chá

officinale)

 

Maracujá Age em quadros de ansiedade e As folhas são utilizadas

(Passi ora favorece o sono como chá ou farinha

spp.)

 

Melissa Calmante que favorece o sono e As folhas são utilizadas

(Melissa trata as cólicas abdominais como chá ou pó

officinalis)

 

Oliveira (Olea Age nos edemas e na retenção de As folhas são utilizadas

europaea) líquidos e favorece a perda de peso como chá

 

Espirulina Favorece o sistema imunológico e a As algas são utilizadas

(Spirulina desintoxicação do fígado, reduz o como pó ou em cápsulas

maxima) colesterol, nutre de ciências e

protege os rins de medicamentos

fortes

 

Valeriana É utilizada em estados de ansiedade As folhas são utilizadas

(Valeriana acompanhados de insônia como chá ou em cápsula

officinalis)

 

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