Saúde e Longevidade na Mesa: Dez Passos para a Escolha Diária dos Alimentos com a Dietoterapia Chinesa

Apresentação

 

Minha história com a alimentação é longa e intrigante; portanto, vou

resumi-la.

Desde jovem eu buscava ter saúde e nunca suportei ficar doente. Nunca

tive uma doença grave, mas bastava ficar resfriada para meu corpo desmoronar. E mesmo quando aparentemente saudável, não tinha energia para fazer os exercícios na aula de educação física. Venho de uma família mineira, que gosta de comida; meus tios e tias têm padarias e são mestres na cozinha, porém a comida não me deixava disposta. Tentei praticar exercícios na adolescência, ao menos para crescer, pois minha menarca ocorreu muito cedo e fiquei baixinha. Assim, busquei a natação, o basquete e a ginástica, mas ainda tinha um ritmo muito devagar.

Aos 15 anos fui morar sozinha e tive de aprender a cozinhar e a

experimentar os meus próprios pratos. Na casa dos meus pais, encontrei um livro sobre alimentação saudável, curiosamente testei receitas e fui percebendo os efeitos dos alimentos sobre o meu corpo. Depois disso, passei a identificar com mais clareza quando eu me sentia disposta e quando não. Na onda da alimentação saudável, tornei-me vegetariana por mais de 10 anos. Logo depois, descobri o yoga e cheguei à Medicina Tradicional Chinesa.

Depois de retirar a carne da minha alimentação, foi a vez do leite, dos

laticínios, dos ovos e do café, e até as frutas eu reduzi. Meus colegas ficaram espantados, afinal parecia que pouco sobrava para comer dentro do cardápio. Nesse caminho, fui percebendo o quanto a alimentação também é influenciada por hábitos, crenças, família e sociedade. Chegando aos 30 anos, voltei a praticar exercícios físicos diariamente e então surgiu a fome, uma fome violenta que me fez voltar a comer ovos e peixes. Nessa época, eu já atuava como acupunturista e mergulhei nos ensinamentos da dietoterapia chinesa. Foi então que me tornei forte e saudável.

Atuando com a acupuntura passei a sugerir dicas de alimentação

associadas ao tratamento com as agulhas, pois, embora a doença possa surgir de diversas maneiras, a alimentação está plenamente presente na vida dos pacientes, e a má alimentação é fator determinante para o surgimento de diversos problemas.

Desde o início achei incrível o modo como os chineses enxergam o

alimento. Primeiro, não há nenhum desperdício, e o que não se come como refeição acaba se tornando uma fórmula de fitoterapia. Depois, há os aspectos energéticos, que nos ensinam a comer algo quente quando se sente frio e algo refrescante em dias de calor. Posteriormente, é preciso fortalecer o indivíduo com os alimentos certos, para que ele possa finalmente perder peso e manter a forma.

Ao longo deste livro, o leitor perceberá que o pensamento que

fundamenta as terapias da Medicina Tradicional Chinesa é cíclico e que da mesma maneira que se pensa o indivíduo na acupuntura também se pensa na dietoterapia ou no tai ji quan, por exemplo. Para os chineses, o pensamento é integrado, holístico, e a separação existe apenas para as etapas de tratamento. Carboidratos, lipídios e proteínas não fazem parte desta proposta, mas sim frio, calor, yin, yang e todos os demais princípios chineses. A ideia é comer de maneira integral, objetiva, porém nutrindo-se em qualidade, considerando todos os níveis: físico, mental e espiritual.

Meu objetivo é tornar este pensamento claro e prático, para que você

possa utilizá-lo em todos os dias de sua vida.

Andrea Maciel Arantes

 

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