Tite

Camila Mattoso · Capítulo 15 de 16

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Tite

13. Previsibilidade

PREVISIBILIDADE

 

A CBF procurou Tite depois de Dunga

Do primeiro minuto do dia 14 de julho até as 15 horas do dia 19 de julho de 2014, Tite viveu um dos momentos de maior ansiedade da sua vida. No início daquela madrugada de segunda-feira, Luiz Felipe Scolari anunciou a saída do comando da Seleção Brasileira, seis dias depois de sofrer a sua maior derrota – e a de todos os brasileiros –, os 7 X 1 para a Alemanha, em pleno Mineirão lotado. A Copa das Copas tinha terminado em fracasso histórico.

Foram quase 135 horas de angústia para Tite, esperando e “esperançando” por uma ligação. O telefone, dolorosamente, não tocou.

A surpresa, porém, veio depois. O treinador corintiano fez uma revelação. Foi procurado quase um ano depois, antes e depois da Copa América no Chile, que começou no dia 4 de julho de 2015.

O assunto da ligação que recebeu por um emissário que Tite não revela o nome era declarado: projeto Seleção. O chamado era simples, uma reunião em um hotel nos Jardins, bairro nobre da capital paulista, com recomendações definidas de sigilo total e absoluto.

– Solicitaram uma reunião nos Jardins e eu disse que não ia, por duas vezes – diz Tite.

Dunga tinha feito dez jogos e tinha dez vitórias. Um começo para ninguém pôr defeito, embora tivesse tido seu nome contestado quando foi anunciado.

– Meu irmão me ligou e falou o que tinha acontecido. Estava surpreso como poucas vezes. Eu não sei o que teria acontecido se ele tivesse ido ao hotel, mas ele estava decidido a não ir. Chamar para uma reunião, naquele momento? Ele falava ao telefone: “Com esses caras que estão no comando, eu não vou... não vou...” – conta Miro.

O autor da ligação dizia falar a pedido de Marco Polo Del Nero, então presidente da CBF que se licenciou do cargo em dezembro de 2015 assim que foi denunciado pela Justiça dos Estados Unidos, acusado de pedir e receber propina em negociações envolvendo competições no Brasil e na América do Sul.

– Foi depois da prisão do José Maria Marin, ex-presidente da CBF. Eu acho que a intenção era criar um fato para tentar abafar toda a crise, trocando de técnico e fazendo uma coisa que parte dos torcedores e a opinião pública elogiariam. Mas a gente só saberia se ele tivesse ido. Fiquei orgulhoso do Tite, por ter rejeitado, mesmo com tamanha curiosidade que isso deve ter criado nele – completa o irmão Miro.

José Maria Marin foi preso no dia 27 de maio de 2015, na Suíça, na antevéspera da votação para presidente da Fifa, que acabou elegendo mais uma vez Joseph Blatter. No convite para o almoço, Tite recebeu ainda algumas instruções: entrar pela porta de trás do hotel e ir direto para o primeiro andar, onde aconteceria o encontro. Licenciado, Marco Polo Del Nero me atendeu para comentar o assunto. Em sua versão, disse que nunca houve um pedido, por parte dele, para nenhum tipo de ligação ao treinador.

– Ninguém está autorizado a falar em meu nome. Ninguém. Ele fez bem de não ter ido, porque não fui eu que o chamei – afirmou.

 

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O dia em que faltou previsão

Uma das características do trabalho de Tite é cercar-se das mais diversas possibilidades em uma partida. O treinador fica atento aos mínimos detalhes. Contudo, até mesmo o mais preparado às vezes passa por uma situação inusitada e precisa improvisar.

Foi o caso da partida contra o Once Caldas, da Colômbia. Tite não teve a mesma “previsibilidade” de outros tempos. Não imaginou que logo na sua reestreia com o Corinthians na Libertadores, em fevereiro de 2015, teria de se preocupar com uma expulsão aos 25 minutos do primeiro tempo. Paolo Guerrero atingiu o rosto de um adversário com a mão, em uma disputa de cabeça, e o argentino Patricio Loustau mostrou o cartão vermelho para o atacante.

Estava 1 X 0 para o alvinegro neste momento. O gol tinha sido marcado por Emerson Sheik, logo que a bola começou a rolar. Com um a menos, o receio era de que a equipe colombiana conseguisse se recuperar.

A primeira reação do treinador não funcionou. Pediu para Emerson Sheik ocupar o lugar de centroavante, deixando o lado esquerdo do gramado, que passou a ser ocupado pelo meia Renato Augusto.

– A bola não ficava no nosso pé. Eu tinha a imagem do Emerson jogando a Libertadores de 2012 e achei que ia dar certo. Ele tinha ido bem ali. Mas as coisas não são iguais sempre. Eu chamei ele e o Renato Augusto perto de mim e falei: “Inverte, Sheik volta para o lado esquerdo e Renato vai na frente”. E ali a gente encaixou de novo – recorda o técnico.

Funcionou. Felipe, Elias e Fagner balançaram a rede depois do intervalo para carimbar uma goleada: 4 X 0 foi o placar final em Itaquera. O fantasma da fase prévia da Libertadores estava longe de assombrar o Parque São Jorge novamente. O time foi cair nas oitavas de final, para o paraguaio Guaraní.

Seis minutos depois, Sheik marcou o primeiro da goleada daquela noite de quarta-feira. Felipe, Elias e Fagner balançaram a rede depois do intervalo e 4 X 0 foi o placar final em Itaquera. O fantasma da fase prévia da Libertadores estava longe de assombrar o Parque São Jorge novamente. O time foi cair nas oitavas de final, para o paraguaio Guaraní.

 

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A bronca de Oswaldo de Oliveira

Quanto mais tem convicção de que tudo pode ser antecipado, mais Tite estuda, para não deixar nenhuma ponta descoberta. É um dos motivos por ser obcecado por imagens de jogos, ver e rever lances dos treinos e trabalhar tão intensamente com os departamentos de análises em todos os clubes por onde passa. Quando alguma coisa fica fora da estratégia, ele quase vira um bicho.

No duelo contra o Flamengo no Brasileiro de 2015, disputado na arena corintiana, era Cleber Xavier o auxiliar responsável pela preparação do duelo – um dos mais importantes na reta final da campanha. Era a 32a rodada do campeonato, o Corinthians estava com oito pontos de vantagem em relação ao Atlético Mineiro, vice-líder, e perder em casa poderia ser um abalo no ânimo da equipe.

Assim que o ônibus da delegação chegou a Itaquera, o treinador teve uma lembrança.

– Eu lembrei que o Oswaldo de Oliveira [técnico do Flamengo] havia feito muitas vezes uma mesma jogada de escanteio quando estava comandando o Palmeiras. É uma cobrança em dois tempos e eu tinha certeza que ele iria tentar de novo – recorda.

Nas reuniões de planejamento de estratégia para o confronto, o lance específico não tinha sido apresentado para os jogadores, que, portanto, não saberiam como se comportar caso Oswaldo de Oliveira tentasse repetir o que fizera com o rival alviverde.

Mobilizou toda a sua equipe, então, para que buscassem exemplos da jogada do treinador rubro-negro. Foram quase 15 minutos para conseguir baixar as imagens.

– Como é que tu não viu isso? Como é que tu não lembrou? Tem que ver as equipes, mas tem que ver o perfil do treinador também. Espera chegar as imagens e vai tu mesmo mostrar. É tu que vai, eu nem vou lá – esbravejou Tite com Cleber Xavier.

E explica:

– Eu fiquei puto com a comissão e os auxiliares por não terem visto isso. Conseguimos recuperar e foi dito e feito, eles se prepararam para fazer a jogada do Oswaldo. Mas a gente já estava ali arrumado para isso, não conseguiram. Isso é planejamento.

Foi Love quem levou a melhor no duelo com Guerrero, no reencontro do peruano com a arena corintiana. O artilheiro marcou e o alvinegro deu mais um passo na corrida pelo hexa.

 

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Silêncio em Minas

A obsessão de prever o futuro é tão grande que Tite faz planejamento até para impedir o oba-oba de quando está perto de vencer. Assim que acabou o jogo do Corinthians contra o Atlético Mineiro no estádio Independência, em Belo Horizonte, na campanha do hexacampeonato, o treinador avisou à direção que não daria coletiva de imprensa.

– Edu Gaspar, vai você hoje para a entrevista, por favor. Vai ser melhor. Se eu for, vão ficar perguntando se foi o jogo do título, vão falar que já somos campeões. Eu não tenho que participar disso, não podemos deixar ninguém achando que já está tudo ganho – afirmou o treinador no vestiário do estádio depois da vitória por 3 X 0 que deixou o clube com a mão na taça.

A distância para os mineiros, os vice-líderes do Brasileiro, aumentou naquele momento para 11 pontos, faltando cinco rodadas para a competição terminar – 15 pontos em disputa. Só um milagre tiraria o hexa do clube. Foi convencido pelo gerente de futebol a sair para se encontrar com a imprensa.

– Eu falei com ele [Edu Gaspar], ele disse que se eu não fosse podia parecer um pouco de ostentação também. Eu concordei com ele e acabei indo.

Tite se incomodou ao ver os jogadores dando entrevistas exclusivas aos montes no CT e vetou. Essas entrevistas só voltaram a acontecer depois da conquista do título contra o Vasco da Gama, em São Januário. O próprio Tite também não aceitou nenhum convite naquele período.

– Disse para o meu assessor que não ia fazer. Evitar deixar todo mundo no clima de já ganhou, e eu também não posso entrar – diz.

Aliás, na preparação para esse jogo, Tite achou que os dois mais novos do grupo, Guilherme Arana e Malcom, poderiam ter problemas jogando no estádio mineiro, onde nunca tinham atuado antes.

Uma arena que ferve durante a partida, com presença certa da torcida, que canta nos noventa minutos sem parar, com pressão de caldeirão. Para antecipar problemas, na véspera decidiu levar a dupla ao local.

– Dois jovens. O jogo tinha muita grandeza, expectativa enorme. Eles tinham que ter a noção do lugar. Fomos nós três e o Edu Gaspar. Foi engraçado ver o comportamento deles. O Malcom não saiu nem um minuto do meu lado. Eu virava, ele virava. Eu parava, ele parava. O Guilherme Arana não. Em dois minutos, tava indo para o lado oposto, foi sozinho – lembra o treinador, admirado com a postura do lateral.

O gaúcho tinha também interesses particulares em fazer a turnê um dia antes da “decisão” do Brasileiro. Queria ver o estado do gramado, se teria problemas. Tentava também se lembrar da proximidade do campo e das arquibancadas e saber se, enfim, tinham colocado alguma proteção perto do banco de reservas que evitasse a “interação” dos atleticanos com os técnicos rivais – nesse caso, ele.

Viu que nada tinha mudado desde a última vez que estivera por lá em 2013, havendo mesmo previsão de chuva (entenda-se de cusparadas). Amado pela torcida da equipe paulista, o gaúcho não tem o mesmo prestígio entre os mineiros por causa da passagem pelo clube em 2005, quando brigou para não cair para a segunda divisão e deixou o comando pela campanha ruim que fazia. Sabendo disso, teve tempo de se preparar e entrou em campo no dia seguinte com jaqueta e gorro (enquanto fazia um calor de mais de 33 graus e o sol queimava) para ver Malcom abrir o placar da decisão aos 22 minutos: 3 X 0 para o Corinthians, ponto-final no Brasileiro de 2015.

 

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Festa de despedida

Do lado pessoal, a engrenagem dos pensamentos tenta trabalhar da mesma forma. Um pouco mais vulnerável, é verdade. Tite voltou do Guarani de Campinas, São Paulo, passou por mais uma cirurgia, mas ainda tentou alguns meses no Esportivo de Bento Gonçalves, na primeira divisão do Gaúcho.

– No Esportivo eu tinha acabado de me recuperar, e veio um cara por trás de mim com um carrinho. Senti que ele tinha me machucado. Eu fui atrás do cara no meio do campo. Eu o chamei de tudo que era possível. Era contra o Santa Cruz, no Gaúcho. E o árbitro ficava pedindo calma. Eu queria bater nele, até que me substituíram. Ali foi a outra artroscopia.

Foi parar no Guarany de Garibaldi como último respiro, em 1990, acumulando a vida de atleta com a de preparador físico – o clube disputava a segunda divisão. Tinha acabado de fazer mais uma cirurgia, ainda conseguiu marcar seu último gol, mas viu o joelho inchar novamente.

Quando decidira interromper a carreira, prestou um concurso público no Rio Grande do Sul. Formado em educação física em Campinas, em 1989, passou em terceiro lugar no estado e estava pronto para ser chamado para começar a dar aulas na rede pública. Foi pego de surpresa quando recebeu um convite para se tornar treinador.

– Celso Freitas era o técnico, mas estava saindo. Gilberto Piva, que cuidava do futebol do Guarany de Garibaldi, me falou: “Você não quer ficar no comando nesses últimos cinco jogos?”. E eu topei. A gente ganhou quatro e perdeu só a última. Quase subimos. Ele me convidou para continuar no ano seguinte e eu não pude dar aulas.

Nesses anos em que ficou pingando de clube em clube, especialmente entre 2003 e 2010, já longe da sua cidade natal, a vida era ainda mais imprevisível. O segundo convite para os Emirados Árabes, para comandar o Al Wahda, frustrou planos – na ida e na volta – no segundo semestre de 2010.

Tinha planejado uma viagem romântica com a mulher, Rose, para a Argentina. Ela já havia feito todas as reservas possíveis, seguindo a metodologia do marido. Os hotéis já estavam reservados, as entradas para as apresentações já estavam compradas e os jantares em restaurantes também estavam garantidos. Tiveram que cancelar tudo. A diretoria do Al Wahda entrou em contato com Tite uma semana antes de a viagem acontecer. O casal chegou a adiar “as férias”, mas não adiantou. A cúpula árabe exigiu que o treinador se apresentasse rapidamente e não houve outra solução.

Desembarcou em setembro para a segunda vez no país. A primeira experiência, três anos antes, foi adorada pela família, que havia se mudado junto com ele. Os filhos, aliás, foram de fundamental importância para ajudar o pai com o inglês.

Empolgada para mais um período fora do Brasil, a filha Gabriele antecipou provas, fez festa de despedida para os amigos, agilizou o visto no passaporte e já tinha data para embarcar, junto com a mãe. Nisso tocou o telefone.

– Nem arrumem as malas. O Corinthians me convidou para voltar.

 

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Uma estrela chamada Agenor

Como aquelas coisas imprevisíveis, em julho de 2009 seu Agenor Bachi foi embora, aos 74 anos. Um início de pneumonia e o mau funcionamento dos rins, que já apresentavam problemas havia algum tempo, o fizeram ficar um mês internado. Não houve como evitar. Deu tempo, porém, de fazer alguns últimos ajustes na vida. Mandou recados, deu ordens sobre o futuro, orientou a divisão de parte dos seus bens. Exigiu que a sua espingarda preferida fosse dada a Matheus, filho de Tite e o xodó do avô, um dos únicos que conseguia amolecer seu coração.

Pelo telefone, deixou escapar pela primeira vez a frase “eu te amo” ao neto, uma semana antes de falecer, felicidade que Tite não teve.

– Nunca me disse – confidencia emocionado o treinador. – Meu pai falava com os olhos. Mas nunca verbalizou que me amava. Eu demorei 35 anos para sentar ao lado dele, pegar seu rosto e dar um beijo. Nesse dia, eu olhei no olho dele e falei que o amava. Foi 13 anos antes de ele nos deixar. Eu deveria ter dito isso antes. Não é o tipo de coisa que se guarda na caderneta de poupança e que se escolhe a hora de retirar. É a principal lição que a vida me deu – recorda Tite.

Somam-se à saudade a lembrança de quem deu forças, a vontade de ter passado mais tempo junto, a culpa de ter sido distante, os remorsos dos poucos carinhos. Uma mistura que sempre faz Tite chorar.

Foi embora sem assistir às principais glórias. Não viu filho e neto levantando a primeira taça juntos. Nem Tite nem Matheus tinham ideia do que viria pela frente, não poderiam imaginar o que o futuro havia reservado depois daquele triste mês de julho. Não haveria bola de cristal que pudesse. Uma coincidência que a família não acredita.

– As coisas mais importantes aconteceram depois que meu pai foi embora. Ele foi para ajudar meu irmão, mandando luz. Uma estrelinha. Ilumina o caminho dele por todos os lados – diz Miro.

 

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Uma estrela chamada Tite

O último compromisso do Corinthians no ano de 2015 poderia ser considerado pelos leigos como uma partida sem grandes atrativos. Afinal, o time já tinha se sagrado campeão com antecedência e, qualquer que fosse o resultado, nada alteraria a tabela de colocação para a equipe paulista.

O próprio campeonato tinha poucas coisas a serem definidas. Faltava saber quais seriam três dos quatro rebaixados (o Joinville era o único com o destino definido para a Série B), e o quarto representante brasileiro na Copa Libertadores.

Mas o corintiano é um torcedor diferente e tem como um dos maiores prazeres na vida ver o seu time jogar. Por essa razão, 43.389 alvinegros, o quarto maior público na breve história do estádio em Itaquera, saíram de suas casas para a despedida do ano. Tinham ainda um outro objetivo: agradecer ao maior responsável pelo hexacampeonato brasileiro. Na entrada do time em campo, e pouco antes da execução do Hino Nacional Brasileiro, Tite foi surpreendido e emocionou-se com o que presenciava.

“Olê, olê, olê, olê, Titê, Titê”, cantavam os corintianos das arquibancadas, antes da partida de despedida do Brasileiro contra o Avaí.

Enquanto o som da homenagem ecoava até a estação Itaquera do Metrô, um mosaico em 3D se formava do lado leste da arena, estrategicamente situado na direção do meio de campo. Era a reprodução de uma das fotos mais famosas do treinador, a da conquista do Mundial de Clubes com Tite segurando uma faixa com a frase “The favela is here. Corinthians is my life” [A favela é aqui. Corinthians é a minha vida]. Uma curiosidade sobre essa faixa é que ela foi originalmente levada por um torcedor ao Japão e foi jogada para o técnico da arquibancada. É inegável que os dizeres da faixa representam fielmente o espírito e o orgulho das origens do corintiano.

– Foi um dos momentos mais lindos do ano, mais emocionantes. Eu fiquei realmente muito feliz. Não esperava que tivesse uma surpresa para mim – entregou Tite.

Tite ainda fez questão de salientar à reportagem do SporTV a importância do grupo e que o mosaico utilizando a sua imagem representava, na verdade, o time todo:

– Você fica emocionado e não encontra palavras. É um grupo de trabalho bem-representado. É uma foto minha, mas é o grupo do Corinthians.

O treinador ainda comentou uma particularidade em relação à origem da imagem:

– Foi ideia do Guilherme Prado, assessor de imprensa da época [pegar a faixa com a emblemática frase], tenho que ser justo. É todo um trabalho que foi premiado naquela época também.

Além do mosaico, cada torcedor que chegava a seu lugar no estádio também ganhava uma faixa com a mesma mensagem para levantar com ele.

Quanta coisa passou na cabeça de Tite nesse dia.

Fez questão de falar um pouco mais do mosaico e o que ele representava na coletiva de imprensa:

– Era um sentimento meu no Mundial que a favela estava ali. Eram 50 mil corintianos, uma coisa impressionante, extraordinária. Quando vem esse carinho, eles [torcedores] têm de colocar. Pode ser eu, pode ser o Edízio [roupeiro], o Miranda [roupeiro], o Fábio Seródio [assessor de imprensa]. Fico contente, mas gosto de dividir essa alegria.

Tite ainda se lembrou das eliminações do Paulista e da Libertadores no começo de 2015, quando tudo parecia estar perdido, recordou-se do momento em que decidiu voltar ao trabalho, de quando fez a escolha corajosa de voltar ao clube em que já tinha conquistado tudo. Nem no melhor dos seus sonhos imaginava acabar o ano daquele jeito, com tanto carinho.

O barulho do canto sincero dos alvinegros foi mesmo de arrepiar. Nenhum outro jogador mereceu tanto, na opinião da Fiel. Em um time formado por jogadores de destaque, nem Jadson, o rei das assistências, nem Love, que arrebentou de marcar gols na reta final, nem Renato Augusto, o melhor do campeonato. A estrela do Corinthians no hexa brilhava com o nome de Adenor Leonardo Bachi – ou, simplesmente, Tite.

 

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Com a camisa da Portuguesa, no Canindé, Tite marca nos 4 X 1 sobre o Brasil, de Pelotas-RS, pelo Campeonato Brasileiro de 1984. O gol foi eleito o mais bonito da rodada no

 

Fantástico daquela noite.

 

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O Grêmio, comandado por Tite, derrota o Corinthians de Vanderlei Luxemburgo por 3 X 1, no Morumbi, e ganha a Copa do Brasil de 2001. O tricolor gaúcho era o time de coração de

Tite na infância.

 

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Depois de sua primeira experiência no exterior, nos Emirados Árabes, Tite treinou o Internacional, entre 2008 e 2009, e faturou três títulos.

 

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Expulso de campo, Tite foi assistir à final do jogo contra o Vasco, pela Libertadores de 2012, no meio de torcedores, nas numeradas do Pacaembu.

 

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Tite fuzila com os olhos o árbitro paraguaio Carlos Amarilla, após a atuação desastrosa na partida em que o Corinthians foi eliminado da Libertadores de 2013 pelo Boca Juniors, da

Argentina, em São Paulo.

 

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Corinthians campeão mundial de clubes, contra o inglês Chelsea, em dezembro de 2012. A faixa erguida no centro do Estádio de Yokohama virou sua marca registrada: “A favela é

aqui!”.

 

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4 de julho de 2012. A noite em que a Fiel foi libertada! Tite ergue a taça de campeão invicto da Libertadores.

 

 

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Dentro do vestiário, Tite tem seu próprio altar. E nunca podem faltar velas.

 

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Tite beija a taça de hexacampeão brasileiro no jogo em que os alvinegros golearam o rival São Paulo por 6 X 1, na Arena Corinthians, em Itaquera.

 

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A conquista do sexto título brasileiro do Corinthians foi confirmada no empate de 1 X 1 contra o Vasco, em São Januário, no Rio de Janeiro. A comemoração foi num restaurante com

 

um copo gigante de caipirinha.

 

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