Tite

Camila Mattoso · Capítulo 8 de 16

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Tite

6. Respeitabilidade

RESPEITABILIDADE

 

As velas contra o Red Bull

“Merecer vencer” não é um estado de espírito. Não se acorda, abre a janela, olha para o céu e pensa: “Hoje eu mereço vencer”. Para Tite, é fruto do trabalho incansável, da preparação perfeita, dos mínimos detalhes, do bom ambiente e, igualmente importante, do respeito entre companheiros e adversários.

Foi no jogo contra o Red Bull, na 10a rodada do Campeonato Paulista de 2015, em Itaquera, que o professor deu seu primeiro sermão no pós-jogo, desde que havia voltado ao Corinthians. O meio de campo alvinegro não funcionou como nos outros duelos do fulminante início de temporada. Nem Paolo Guerrero, nem Emerson Sheik, nem Vagner Love, nem Malcom. Ninguém conseguiu furar a defesa da equipe da empresa de energéticos.

Acabaram os 100% de aproveitamento em casa no Paulista: 0 X 0, o primeiro empate do campeonato em Itaquera. Mas o time estava com 22 pontos, era líder da segunda chave, vivia um bom momento na Libertadores. Tinha conseguido se classificar para a fase de grupos do torneio, com uma vitória e um empate contra o Once Caldas e tinha derrotado o São Paulo e o San Lorenzo na nova etapa.

O treinador nada fez de diferente naquela tarde de 14 de março. Entrou no vestiário com sua vela e suas imagens de santas, além do terço que carrega em sua mão. Sozinho, se abaixou com um dos joelhos no chão e fez sua oração. Ele, aliás, não é o único a cumprir o ritual. Ralf, Jadson, Cássio, Gil, Edilson, entre outros, também sempre tiveram a mesma rotina.

As velas ficam no chão, acesas, durante os noventa minutos de jogo, em um cantinho fixo do vestiário, ao lado da imagem de Nossa Senhora Aparecida. São apagadas apenas depois do fim do duelo, após a reza de agradecimento. Naquela tarde, porém, Tite não se conformou com o que viu. Havia apenas três velas!

Lembrou-se que dez dias antes, na Argentina, no El Nuevo Gasómetro, em Buenos Aires, no jogo contra o San Lorenzo pela Libertadores, eram pelo menos dez velas acesas e a vitória veio por 1 X 0, com um belo gol de Elias. E não era por ser o time do papa Francisco. Com o São Paulo, na estreia do torneio sul-americano, havia sido assim. Contra o Once Caldas, antes da fase de grupos, a mesma coisa.

– Tamanho foi o grau de desmobilização. Tanto eu sei do nível de preparação, de concentração de vocês e do fortalecimento espiritual que cada um de vocês tem, que eu olhei e tinha três velas... Se fosse jogo de Libertadores, não estaria daquele jeito. O nível de envolvimento nesse jogo, contra o Red Bull, contra o Ituano, contra qualquer um, tem que ser o mesmo de todos os outros momentos – falou, no tom de voz que lhe é peculiar quando quer chamar a atenção.

Com um futebol acima da média, o Corinthians liderou o Grupo B durante todo o Campeonato Paulista. Foi para as quartas de final e conseguiu ganhar da Ponte Preta, em jogo único, com gol de Renato Augusto e uma ajudinha do bandeira Vicente Romano Neto, que deu um impedimento inexistente no gol de Renato Cajá.

Em Itaquera, a equipe comandada por Tite parou na semifinal, contra o Palmeiras, na disputa por pênaltis. Danilo e Mendoza, pelos alvinegros, e Victor Ramos e Rafael Marques marcaram no tempo normal. Elias e Petros pararam nas mãos de Fernando Prass, acabando com a chance de uma vaga na final do Paulistão.

 

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“Pato, tu tem que deixar de ser egoísta”

Na segunda passagem pelo Corinthians, entre 2010 e 2013, o treinador criou um hábito que ficou conhecido pelos jogadores como “terapia do Tite”. Às vezes, na véspera de um jogo, o treinador reunia o elenco para uma conversa mais cabeça. Nada de tática, nem técnica, nem estratégias. Queria ouvir o que cada um estava sentindo, como estava mentalmente. Fazia o encontro, normalmente, quando sentia que havia alguma coisa desencaixada.

– É a oportunidade dos jogadores falarem dos anseios, das vontades, dos problemas, do que pode contribuir. Eu gosto de fomentar isso. Chamo a liderança, o garoto mais jovem... Isso ajuda dentro de campo também. Com o Pato, eu sempre tentava incentivar o espírito de equipe, tentava fazer com que ele falasse algo sobre isso. E ele enrolava muito. Eu me lembro de uma vez específica, que ele enrolou e enrolou, não conseguia desenvolver e eu cortei: “Então, Pato, o senso de equipe é importante, né? O individual é importante, mas a equipe é mais, certo?”. E passei para outro. Ele não saía do lugar.

A situação se repetiu outras vezes, fazendo com que os companheiros do grupo chegassem à conclusão de que Alexandre Pato tinha um mundo paralelo em que ele vivia, completamente desligado da realidade.

– É o jeito dele, mesmo. Saiu daqui do Brasil com muita ostentação. Sílvio Berlusconi, um dos homens mais importantes da Itália e proprietário do Milan, levava ele aqui, ó. E eu tentei mostrar que ele ia ser igual a todo mundo, que iria para o banco também e que não ia ser o centro. Que ia ralar igual a todo mundo. Talvez tenha sentido esse processo. Eu espero que ele tenha mudado. Espero que tenha amadurecido – reforça o treinador atualmente.

Mas o caso mais emblemático da passagem de Pato pelo Corinthians ainda estava por vir. As cenas são inesquecíveis na cabeça de Tite. Em outubro de 2013, segunda e decisiva partida da fase de quartas de final da Copa do Brasil, Arena do Grêmio, em Porto Alegre, Walter, goleiro reserva do Corinthians, entrou no vestiário chutando a porta, enlouquecido.

O meia Danilo desceu logo em seguida, nervoso como em poucas vezes fora visto, acompanhado do terceiro goleiro da equipe na época, seu xará, Danilo Fernandes, na mesma situação.

Alexandre Pato havia acabado de cavar sua própria cova: tentou de forma vergonhosa dar uma cavadinha na última cobrança da disputa de pênaltis contra o Grêmio. O time alvinegro estava eliminado.

Não tinha sido o único a errar. Danilo e Edenilson também pararam em Dida, mas de maneira compreensível. Tite entrou no vestiário desvairado. Andava de um lado para o outro inconformado com o que tinha passado naquela noite – o time vivia um momento de crise, o treinador havia quase pedido demissão duas semanas antes.

– Professor, eu tô construindo a minha vida, eu quero crescer e... – Danilo Fernandes se aproximou do técnico e desabafou.

– Ele não tem esse direito. Não tem. Deixa comigo, deixa comigo – interrompeu Tite, pegando na mão do goleiro.

– Calma, professor, calma. Não é hora de falar nada agora – tentou intervir o lateral Fábio Santos, um dos mais calmos naquele momento, ao lado de Ralf.

– Calma o caralho. É um egoísta... Só pensa nele! Tem de aprender a amadurecer, ter senso de equipe. Não existe isso – gritou Tite.

Pato demorou a chegar do gramado. Dava algumas entrevistas ainda no campo, tentando explicar o inexplicável. A falta de respeito com seus colegas, com Dida, com ele mesmo.

No caminho para o vestiário, foi pego por Bruno Mazziotti, fisioterapeuta da equipe, para não se encontrar direto com os outros jogadores. Era certo que se chegasse ali naquele momento haveria um confronto físico, tamanha era a fúria de seus companheiros.

O camisa 7 ficou durante um tempo deitado na maca, em uma salinha separada, onde é feito o aquecimento, em um gramado sintético, sendo filmado por Tite.

– Eu andava de um lado para o outro e não tirava os olhos dele. Até para cuidar, ver se alguém ia chegar perto. Tudo poderia acontecer naquele momento – lembra-se Tite.

Paulo André tinha sido chamado para fazer o teste antidoping e demorava a voltar. Quase uma hora depois, ainda sem o zagueiro, o treinador chamou o grupo para a oração, já mais calmo. Não é normalmente o momento que Tite gosta de falar, prefere a reunião do pós-jogo que acontece sempre um ou dois dias depois da partida. Mas, naquela noite, não havia opção.

Com o mesmo tom de voz do início ao fim, sem alterações, deu o que considera ter sido a bronca mais marcante da sua carreira.

– Danilo, errar é do jogo... Edenílson, é do jogo... É da vida. Faz parte. Olha pra mim, Pato, olha pra mim: tu não é da vida. O jeito que tu perdeu, não é. Tu tem que aprender a trabalhar em equipe, tu tem que deixar de ser egoísta. Tu tem que amadurecer e virar um homem – falou Tite em parte do seu discurso, de quase cinco minutos.

– Pato consentiu, aparentemente. Abaixou a cabeça – diz o treinador.

Até o próprio Dida entrou no vestiário corintiano depois do jogo.

– Pô, você jogou comigo no Milan, você sabe que eu espero o atacante bater para ir na bola. Você quer dar cavadinha comigo? – falou o goleiro que foi companheiro de Pato na Itália, palavras que ficaram marcadas na cabeça do roupeiro do alvinegro, Edízio Borges de Almeida.

– O Dida estava meio emocionado. Disse que também seria depreciativo para ele, se fosse gol. Não foi respeitoso. Foi perguntar por que ele tinha feito isso. Jogaram juntos. Não tinha motivo. Foi próprio de um garoto, imaturo, e que precisava ouvir aquilo que o Dida falou e que eu falei, para amadurecer – acrescenta Tite.

Depois daquele 23 de outubro de 2013, inesquecível, Pato ficou pouco mais no Parque São Jorge. No dia 6 de fevereiro, São Paulo e Corinthians acertaram uma transação ousada: a troca do atacante alvinegro, por empréstimo, pelo meia Jadson, do tricolor paulista, em definitivo.

 

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Centurión, o argentino polêmico

Na maior goleada ou no jogo mais brigado, Tite insiste para que seus jogadores tenham respeito pelos adversários. Só há uma exceção: “Se forem desrespeitados, o revide está liberado” – palavras do treinador. “Mas tem que ser de forma justa.”

Foi o que aconteceu na tarde do 6 X 1 contra o São Paulo, na penúltima rodada do Brasileiro de 2015. O hexa tinha sido conquistado durante a semana, em São Januário, depois do empate por 1 X 1 contra o Vasco. Era a tarde para receber a taça e, enfim, dar a volta olímpica com a presença da Fiel. Era mais um recorde em Itaquera: 44.976 torcedores estiveram presentes naquele 22 de novembro.

A preocupação crescia a cada minuto. Mesmo com o título garantido, não seria legal ter uma mancha naquela campanha brilhante que tinha sido feita até ali. Não ia mudar tudo que havia sido construído, mas podia acabar deixando uma marquinha e era exatamente o que Tite não admitiria.

O treinador optou por poupar o trio da Seleção Brasileira que tinha chegado às pressas para o jogo do meio da semana e quase não havia descansado. Gil, Elias e Renato Augusto tinham atuado nas Eliminatórias com Dunga, contra Argentina e Peru. Jogaram Edu Dracena, Bruno Henrique e Rodriguinho. Cássio, também convocado, não entrou em campo pela Seleção Brasileira e, por isso, foi escalado.

Foram 26 minutos até a angústia baixar. Bruno Henrique foi o primeiro a marcar, depois de boa defesa de Denis, em tentativa de Felipe.

Os gols não paravam de sair. De repente, o treinador viu Rodriguinho e Cristian tocando para um lado e olhando para o outro. Era o começo daquela gracinha que costuma dar problema. Ele se irritou e chamou a atenção dos dois, ainda no campo, e depois no vestiário.

A firula, no entanto, tinha justificativa: Centurión. O argentino havia provocado Elias com pedaladas no segundo jogo da fase de grupos da Libertadores, no Morumbi, seis meses antes. Naquela noite, o meio-campista corintiano não se aguentou e entrou duro no rival, recebendo cartão amarelo.

– Eu falei: “Pode fazer, mas faz para o jogador”. A equipe toda não merece isso, nem o clube. O Centurión estava no banco de reservas. Faz, mas aponta o dedo. A gente estava com um a menos no dia que perdemos. Ele entra e faz aquilo, no Morumbi. Eu por dentro pensava: “Vai tomar no cu, vai ter volta”. Os jogadores também guardaram. Há um código de ética entre os atletas. Eu consegui travar a maioria, mas dois jogadores eu não consegui. Se o Centurión estivesse dentro de campo, eu seria incentivador – conta Tite.

O treinador revela que da mesma forma apoiou a atitude de Jorge Henrique na conquista do pentacampeonato, em 2011, contra o Palmeiras, na última rodada da competição. O meia Valdivia já nem estava em campo, tinha sido expulso quando o tempo fechou no Pacaembu.

O atacante corintiano deu um chute no vácuo, aos 44 minutos do segundo tempo, tirando onda da marca registrada do chileno, levando a torcida ao delírio.

– Valdivia quer usar o chute no ar? Tudo bem. Mas se vocês [jogadores] quiserem fazer também, tudo bem. Ele merece. Paga com a mesma moeda. O Jorge fez no fim do jogo. Quando está ganhando é fácil, não é? Quando perde não quer? Tem que comer a massa também.

 

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Um pedido indecente dos xeques

Ser consultado nas contratações, saber dos planos da direção do clube, ter livre escolha sobre o time que entrará em campo e poder falar o que acha importante são algumas das condições mínimas exigidas pelo gaúcho para trabalhar. São pontos que demonstram a confiança, o respeito e a valorização.

Teve problemas por isso dois anos seguidos: no Palmeiras, em 2006, e no Al Ain, dos Emirados Árabes, em 2007. No clube paulista, ouviu o então diretor de futebol, Salvador Hugo Palaia, reclamar publicamente das suas declarações sobre erros da arbitragem, de forma grosseira.

– O Palmeiras jogou um futebol medíocre. Isso é o que precisamos avaliar. O Tite tem que calar a boca e parar de reclamar dos juízes. Mesmo que eles [árbitros] tenham errado, temos que jogar bola – afirmou o cartola, logo após a equipe alviverde perder para o Santa Cruz, por 3 X 2, no Arruda, Recife, em setembro.

No dia seguinte Tite se reuniu com a diretoria e pediu demissão, após apenas quatro meses. Ficou um longo período desempregado, até chegar a proposta do Al Ain, na metade de 2007. Arrumou as malas, levando até a família para os Emirados Árabes. Foram 25 jogos até o fim da passagem. Em dezembro, foi demitido.

– Ele não quis colocar um jogador que o xeque estava pedindo. Era um jogador que tinha sido chamado para a seleção nacional e o Tite tinha deixado fora dos titulares – conta Ricardo Rosa, preparador físico convidado para fazer parte da comissão.

Era por ele que os pedidos chegavam ao treinador, já que Tite não falava inglês.

– Era muita pompa. Nem sempre tinha relação direta com os xeques, mas quando eles vinham, chegavam num helicóptero que parecia um avião. Desciam trinta pessoas, que faziam a cerimônia de recepção. Normalmente, não tinham nada para falar, mas mandavam recados pelos diretores. Eram muitos pedidos. Falavam em inglês comigo, eu filtrava a maioria e passava para o Tite – explica Ricardo Rosa.

Tite foi recomeçar a vida em junho de 2008, no Internacional, mesmo com a resistência da família gremista. Depois, o time colorado ganhou o coração dos Bachi: foi o clube que lhe abriu as portas e lhe deu a chance de voltar a vencer.

– Eu fiquei decepcionado no começo. “Não vai, não vai”, eu dizia. Hoje, se tem um Grenal [Grêmio X Internacional] acontecendo, eu torço para o Inter. O clube foi muito importante para o meu irmão retomar a carreira e ele foi muito bem-recebido lá dentro. E a gente, da família, também. Coisa que nunca tivemos no Grêmio. Nunca esquecerei – diz Miro.

 

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A saia justa com Galvão Bueno

Uma vez, Tite se sentiu mal no programa apresentado por Galvão Bueno, o Bem, amigos!, do canal SporTV. Foi em fevereiro de 2005, ainda na primeira passagem pelo Parque São Jorge. O Corinthians tinha tomado três gols do Santos (3 X 0) no Campeonato Paulista daquele ano, com uma atuação espetacular de Robinho.

A produção do canal já havia combinado a participação, mesmo antes da derrota. O treinador, que tinha sido comentarista por alguns meses, em 1998, na Rádio Caxias – FM 93,5 e AM 930 de Caxias do Sul –, sabia que seria ruim não honrar o compromisso e foi mesmo depois do massacre. Segundo lembranças do próprio técnico, quando chegou lá, a música tema da noite fazia referência à exibição brilhante do atacante da Vila Belmiro. O santista ainda participou de um link ao vivo.

– Eu não quis fugir da raia, mas passei o programa com o semblante sério, da forma que cabia para depois de uma derrota por 3 X 0. E quando o Robinho entrou ao vivo, o Galvão começou a fazer graça com a música, falando que ele estava endiabrado no jogo. O Galvão ficou olhando para o produtor, pedindo para colocar a música naquela hora – contou Tite.

A produção, no entanto, não colocou a música.

– Eu tenho certeza que o produtor leu meu semblante. Eu não estava feliz. Eu pensei na hora: “Se ele colocar essa música, eu vou embora, mas vou dizer antes no ar: ‘Tu respeita teus convidados’.”. Pô, eu estava lá, comendo a massa, chateado, mas estava cumprindo a minha palavra. Eu ia falar um monte se isso acontecesse e ia embora na mesma hora, ao vivo. Palavra.

Assim que o programa terminou, de acordo com as lembranças do gaúcho, nada foi falado e ele foi embora. Durante alguns meses depois desse episódio, Tite evitou o Galvão e rejeitou alguns convites do programa.

– Acho que depois de uns cinco convites que eu não fui, o Galvão ligou para o meu assessor de imprensa. Não sei se foi o próprio Galvão ou a produção dele. Mas ligou pedindo desculpas e tal. E ficou tudo bem, tudo voltou ao normal.

Tiveram outros vários bons momentos juntos, lembrados inclusive pela família. Nunca mais houve nenhuma chateação, garante Tite.

O apresentador, porém, não tem recordações do mal-estar contado pelo treinador. 

“Não me lembro desse episódio ou de qualquer mal-estar com o Tite. Ele já veio inúmeras vezes ao Bem, amigos! e sempre foi tratado com o respeito que merece e que, aliás, é a marca do programa. Sinceramente, estranho que o fato a ser destacado de minha ótima relação com ele seja esse!”, escreveu Galvão, em sua resposta ao livro.

“O que nunca esqueci – nem esquecerei – foi a extrema camaradagem que estabelecemos durante a gravação do programa Na estrada para o Esporte Espetacular, da TV Globo. Ali, nos rincões do Rio Grande do Sul, na Caxias de sua adolescência, conheci o verdadeiro Adenor, ídolo da família e um cara extremamente ligado às suas origens, que ele faz questão de cultivar com carinho e atenção. O futebol brasileiro seria muito melhor se houvesse mais “Tites” por aí. Vou além, acho que o Brasil seria melhor com brasileiros educados e estudiosos como ele. Nos últimos anos, Tite teve a coragem, a humildade e a competência de se colocar na posição de aprendiz e se reciclar, abrindo a cabeça para as novidades do esporte que abraçou como profissão. E vem demonstrando que, acima de tudo, é generoso ao dividir com seus comandados – e conosco, profissionais da comunicação esportiva – tudo o que aprendeu na vida e nos gramados daqui e de outras partes do mundo. Tenho grande respeito pelo Tite, respeito e admiração! Depois da catástrofe do Mundial de 2014, lamentei a escolha do novo técnico, Dunga, e fiz questão de falar, com todas as letras, que ninguém estava mais bem preparado que o Tite para ser o técnico da Seleção. E no momento em que dou este depoimento, abril de 2016, continuo pensando assim”, completou Galvão.

 

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