Tite
1. Hexabilidade
HEXABILIDADE
– No ônibus eu ficava me lembrando de um jogo que a gente fez na Libertadores, molhado, difícil, que nós empatamos em 0 X 0 para depois ganhar com um gol de Paulinho aqui [em São Paulo] por 1 X 0. O tamanho da dificuldade daquele jogo foi proporcional à emoção da partida.
O Corinthians estava 11 pontos à frente do Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro. Ninguém era louco de considerar a chance desprezível de o time de Tite não ser campeão. Mas a ansiedade incomodava. No caminho entre o hotel Windsor Atlântica, em Copacabana, e São Januário, saindo da avenida Atlântica, passando pela praia de Botafogo, pelo túnel Santa Bárbara, chegando na avenida Presidente Vargas até cair na rua General Almério de Moura, a do estádio, Tite via da janela do ônibus centenas de vascaínos que ainda sonhavam com o milagre da salvação para não serem rebaixados.
Sentado na poltrona logo atrás do motorista, ao lado da janela, na frente do seu braço direito, Cleber Xavier, o treinador começava a ser tomado pela tensão. O calor de mais de 32 graus do Rio de Janeiro e a sensação térmica, que não era menor, da pré-decisão não passavam nem com o ar-condicionado do ônibus.
As lembranças de momentos difíceis e marcantes vividos contra o Vasco se confundiam na sua cabeça. Vieram à sua mente os duelos pelas quartas de final da Libertadores, três anos e quatro meses antes: um empate em São Januário e uma vitória sofrida no Pacaembu, com gol de cabeça de Paulinho aos 42 minutos do segundo tempo, que ele viu da arquibancada ao lado do gerente de futebol Edu Gaspar e de milhares de torcedores – algo inimaginável para quem conheceu a torcida corintiana ensandecida e raivosa em eliminações anteriores no torneio. Esses jogos levaram o Corinthians à semifinal do campeonato sul-americano e ficariam marcados na campanha invicta e histórica do time, que seria campeão pela primeira vez na competição.
A poucos quilômetros de encarar mais uma vez o inferno de São Januário, Tite passeava pelo passado como se estivesse imerso em um experimento científico.
– Fiquei me lembrando de um 2 X 2 que fizemos lá, um jogo do Campeonato Brasileiro, em que o Dedé fez um gol de cabeça. Fiquei pensando o quanto era difícil jogar lá. E fiquei imaginando que novamente São Januário poderia ser o palco da decisão, do título nacional.
O problema é que se o Corinthians não vencesse o Vasco, São Januário só seria palco do título nacional caso o Atlético Mineiro não ganhasse do São Paulo no Morumbi, duelo que acontecia simultaneamente. Essa matemática incomodava tanto quanto as más lembranças.
– Eu combinei com a comissão técnica de não acompanhar nenhum resultado de outros confrontos durante o nosso jogo. Eu não queria saber do Atlético Mineiro, que jogava contra o São Paulo. A gente combinou: “Vamos para o jogo e eu não quero saber nada de nenhum outro jogo”.
Ainda dentro do ônibus, no caminho para o hexa, lá foi Tite de novo dar um pulo de volta para décadas passadas e lembrou-se de quando era jogador em uma partida contra o Vasco.
– Depois de um ano de recuperação de uma lesão no joelho, eu voltei a jogar bem e o Guarani venceu o Vasco por 1 X 0, com um gol meu. Fiquei imaginando o quanto São Januário tinha sido importante para mim como atleta e como agora poderia nos dar o título também. É um misto de emoção de todas essas situações que eu vivenciei em São Januário.
Ao mesmo tempo em que divagava, Tite insistia:
– Tu tens que manter a concentração!
Enquanto tentava manter a calma, os dez ônibus que saíram de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro por volta das oito da manhã naquela quinta-feira, dia 19 de novembro, começavam a chegar. Foram com a expectativa de que seria a noite do “enfim”, afinal faltavam apenas quatro rodadas para o fim do Brasileiro de 2015, mas já havia pelo menos 11 dias que o Corinthians poderia ter sido sagrado campeão.
O árbitro Anderson Daronco autorizou, e a bola começou a rolar.
No primeiro tempo, o Vasco ficou mais tempo trocando passes, mas os dois times atacaram praticamente com as mesmas chances reais, duas para cada lado. Enquanto em São Januário havia somente “quase”, no Morumbi a rede não parava de balançar. Mas Tite não queria saber do placar.
Foram para o intervalo, ainda em 0 X 0. Logo que subiram de volta ao campo, assim que o segundo tempo começou, o professor não aguentou de ansiedade e chamou Fabio Carille, também seu auxiliar, para saber de informações do rival.
– Vamos nos concentrar no jogo, deixa o jogo deles lá – respondeu Carille.
Aquela ansiedade tomou conta por completo aos 26 minutos depois da volta do intervalo. Julio Cesar tabelou com Nenê, invadiu a área e fez o primeiro gol no Rio de Janeiro. Frustração completa para o time paulista, euforia total em São Januário.
Seis minutos depois, Carille não se aguentou e decidiu romper o combinado. Levantou-se do banco e foi para pertinho de Tite.
– São Paulo fez um gol agora e está na frente – cochichou.
Um alívio no ouvido do treinador. Mas o nó na garganta ainda ia sair de vez. Aos 36 minutos, Edilson carregou pela direita, cruzou na área e Lucca cabeceou com um passe para Vagner Love tocar para dentro, também de cabeça. A confirmação do sexto título do Corinthians veio do jogador mais criticado durante toda a temporada, de quem tirou forças do choro de sua mulher para voltar a jogar bem. Um final feliz.
– Vou cumprir minha promessa: mergulhar na caipira e ficar mamado.
Foi a frase do alívio de Tite, do desabafo após um ano cheio de altos e baixos, de certezas e dúvidas, de frustrações e conquistas, de derrotas marcantes e muitas vitórias, de apostas e confirmações. De felicidade. Uma felicidade que não cabia em São Januário nem no Maracanã que fosse.
OceanofPDF.com
Os passos para o hexa
Noite de recorde de público em Itaquera, quase 40 mil pessoas lamentavam juntas a chance perdida e fazendo ecoar, ao mesmo tempo, o inconfundível som de quase gol. Cinco minutos do primeiro tempo: Fábio Santos arranca pela lateral esquerda, cruza nos pés de Jadson, que dá um chute forte que para no goleiro.
Aos nove minutos, Paolo Guerrero recebe pela direita, carrega até perto da entrada da área, faz outro bom cruzamento, Malcom pega de primeira com a esquerda, não consegue mandar para o gol, mas a bola passa rente à segunda trave, onde estava Elias, que por milímetros não conseguiu empurrar para dentro. Mas ainda restava esperança – só dava Corinthians.
Com a vantagem de ter marcado 2 X 0 no jogo de ida das oitavas de final no estádio Defensores del Chaco, em casa, o clube paraguaio Guaraní cravou as pernas dos 11 jogadores na defesa e de lá não saía nem por milagre. Nos primeiros 45 minutos do confronto da volta, já na casa do alvinegro, os paraguaios não conseguiram chance nem para contra-atacar, era ataque contra defesa e nada mais. Queria o destino que a bola não entrasse de jeito nenhum.
No segundo tempo, Fábio Santos e Jadson foram expulsos. Entre outras oportunidades desperdiçadas, Fernández acabou de vez com o sonho que, aos 46 minutos, já mal existia: 1 X 0 para os visitantes, 3 X 0 na soma.
O canto forte que vinha das arquibancadas, “Esta noite teremos que ganhar”, trilha sonora que embalou a noite inesquecível de 4 de julho de 2012 contra o argentino Boca Juniors, no Pacaembu, não surtiu efeito desta vez. Fim da linha na Libertadores 2015.
O relógio já marcava mais de uma hora da manhã, Tite ainda estava sentado em sua sala reservada na arena, sozinho, e foi flagrado com lágrimas nos olhos pelos poucos que o viram naquele momento. Foi uma noite dolorida. Quanta coisa passava pela cabeça do gaúcho. Um ano afastado do futebol, ele escolhera voltar para o clube em que havia conquistado tudo o que podia e se via naquela situação.
Tentava entender o que havia feito de errado. Seu time tinha começado a temporada fazendo exibições irretocáveis, comparado a equipes históricas do futebol brasileiro. Classificou-se em primeiro lugar e com antecedência em um grupo que contava ainda com o rival São Paulo, o San Lorenzo, da Argentina, então campeão da Libertadores, e o Danúbio, do Uruguai.
Por que então sofrera, naquele 13 de maio, sua segunda eliminação seguida?, perguntava-se o comandante. Nem trinta dias antes, seu time havia perdido por pênaltis para o Palmeiras na semifinal do Campeonato Paulista, realizada na Arena Itaquera.
Não havia resposta exata. Não era uma conta matemática que explicaria por A + B o motivo da desclassificação. O futebol é assim mesmo. Apronta dessas, sem distinção de cor da camisa, credo, número de torcedores ou classe social.
Além da desclassificação em campo, a derrota para o Guaraní ainda causou uma séria crise administrativa no Corinthians.
O diretor de futebol do clube na época do confronto, Sérgio Janikian, comemorou a definição do adversário nas oitavas de final da Libertadores e deu a seguinte declaração à Fox Sports, acompanhada por um sorriso no rosto:
– A gente teve a felicidade de ter o Guaraní [do Paraguai] como adversário. Não vamos negar. A gente foi presenteado por Deus, vamos dizer assim, de começar estas oitavas com um jogo que não é tão complicado. Não é nenhum time brasileiro. Não é nenhum grande expoente da Argentina.
Sérgio Janikian tentou negar essas declarações, mas não teve jeito; ele deixou a diretoria de futebol nove dias após a desclassificação do Corinthians no torneio sul-americano.
A partir da queda para o Guaraní paraguaio, o time do Parque São Jorge viveu três momentos que marcaram a corrida pelo hexacampeonato, determinantes para a conquista do título.
OceanofPDF.com
Vai bater campeão
Alguns dias depois, no saguão de entrada da porta principal do Centro de Treinamento (CT) do Corinthians, que dá acesso à academia e ao refeitório, estavam todos reunidos: jogadores, comissão técnica, diretoria, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, roupeiros, pessoal da limpeza, do refeitório, da segurança. Já era terça-feira, um pouco antes de o treino começar. Esse encontro Tite costuma fazer para falar sobre o último jogo realizado e, pelo menos a cada 15 dias, conta com a presença de todos os que trabalham pelo time.
Assim que encerrou a parte da análise técnica, o treinador iniciou um discurso:
– Eu entendo que todo mundo aqui possa estar de luto. Tem de ficar assim mesmo. Mas não pode entrar desconfiança aqui dentro. Não pode entrar questionamento sobre o trabalho que estamos fazendo. Tem que confiar que estamos no caminho certo. E eu vou dizer uma coisa, eu não tenho nenhuma dúvida disso: a gente vai bater campeão lá na frente, a gente vai. Nós estamos trabalhando muito e estamos fazendo por merecer. Vai ser inevitável, a gente vai bater campeão.
Este seria um exercício de motivação, quiçá de fé, mas foi mesmo de presságio, premonição, intuição, pressentimento. A frase, não esquecida, foi lembrada por quase todos os atletas, especialmente na reta final do Campeonato Brasileiro, quando o hexa já batia à porta e invadia o Parque São Jorge.
– Não era só motivação. Era verdade. O trabalho que a gente estava fazendo estava dando certo. Não havia motivo para desconfiança. Se a gente continuasse daquele jeito, era inevitável que fossemos campeões no fim do ano. Mas, sinceramente, eu não esperava que seria no Brasileiro. Eu achava que poderia vir uma Copa do Brasil. O Brasileiro foi uma surpresa para mim – lembrou Tite em nossa conversa.
OceanofPDF.com
É hora de mudar o tom
A eliminação no Paulista, e especialmente na Libertadores, deixou uma lacuna a ser preenchida: o que estava sendo feito de errado? A busca por essa resposta foi o ponto-chave da conquista no fim do ano. Era verdade que o trabalho feito até aquele momento era irrepreensível, mas algo não funcionava bem.
Os jogadores estavam convivendo com direitos de imagem atrasados. Vale destacar que o direito de imagem, como o próprio nome indica, é um mecanismo legal e é o contrato que permite a exploração da imagem do jogador por parte do clube. Também é usado como uma engenharia financeira para recolher menos impostos trabalhistas para todas as partes envolvidas. O acordo é assinado entre o time e a empresa que representa o atleta, que às vezes pertence ao próprio jogador ou a pessoas de confiança, da família ou empresários.
O Corinthians argumentava que a situação financeira estava complicada e dizia estar fazendo de tudo para regularizar os pagamentos – Ralf, Elias, Renato Augusto, Emerson Sheik, Danilo e Guerrero eram os afetados pela crise no Parque São Jorge. Preocupada, horas antes daquele jogo contra o Guaraní paraguaio, a diretoria avisou aos atletas que havia conseguido dinheiro para acertar ao menos parte da dívida existente – o que não mudou o resultado na Arena Itaquera.
Também não era só esse o problema. Se fosse, como argumentavam os jogadores, não teria tido o começo arrebatador, pois já havia dívidas inclusive de premiações dos anos de 2012 e 2013.
– Atraso de pagamento muitas vezes atinge de fato o grupo. A gente viu isso ao longo da carreira, nos clubes que passamos. Não era esse o problema nesse Corinthians. Não era mesmo – afirmou Cleber Xavier, auxiliar técnico e parceiro de Tite desde o tempo do Grêmio, em 2001.
A partir dessa constatação, descartando os atrasos como mote do problema que atingia o elenco, a comissão técnica se dedicou a tentar identificar qual era afinal a pedra no sapato. Foram reflexões pessoais, debates em reuniões, até que chegaram a uma conclusão.
O time que tinham nas mãos não era o mesmo de 2012. Apesar dos muitos remanescentes, como Danilo, Sheik, Cássio, Fábio Santos e Ralf, era um novo grupo, com características diferentes daquele que foi campeão da Libertadores, do Paulista de 2013, da Recopa no mesmo ano e bicampeão do Mundial de Clubes da Fifa.
O diagnóstico estava pronto: o elenco de 2015 não respondia às preleções que estavam sendo feitas pelo treinador. O formato daquela reunião, horas antes do jogo, mantendo o estilo de três anos antes, não surtia o mesmo efeito com os jogadores do novo grupo. O tom de voz mais alto, as provocações, as palavras escolhidas, nada disso funcionava.
– A gente chegou à conclusão de que não estava funcionando. Em 2012, eu era contundente, desafiador, incentivador. Eu levava desconforto e conflito para as palestras de antes do jogo. Todos respondiam. Ralf, Leandro Castán, Chicão, Alessandro, Sheik. Funcionava. Em 2015, a gente percebeu, depois da Libertadores, que não estava dando certo. Eles eram mais sedentos de informação, de orientação, de forma linear – comentou Tite.
Acertaram em cheio. A mudança deu certo logo de cara, com bons resultados, e assim o retorno dos jogadores confirmava o diagnóstico.
OceanofPDF.com
A reunião com a diretoria
Havia, porém, algo não bem-resolvido, que trazia um clima de insegurança para o grupo. Se a comissão técnica já tinha acertado uma parte do que não andava bem no time, havia outro problema que ela não poderia resolver sozinha.
Assim que a Libertadores acabou para o Corinthians, aos poucos o time foi se desmantelando com a perda de três jogadores importantíssimos no elenco: Fábio Santos (foi para o Cruz Azul, do México), Paolo Guerrero e Emerson Sheik (ambos para o Flamengo). O trio dava adeus e deixava um ponto de interrogação sobre como seria o futuro no Parque São Jorge.
Vendo os sinais de possível desmanche, outros atletas começaram a se mexer. Renato Augusto e Elias chegaram a pensar em sair ao serem especulados pelo Flamengo. Tite percebeu o que estava acontecendo. Procurado por um grupo de jogadores, teve de tomar uma atitude:
– Os atletas me procuraram. Ficou uma insegurança muito grande. Eles queriam saber o que seria na sequência. Eu me lembro do Renato Augusto, do Cássio, do Ralf, do Gil. Eu não sabia como ia ser e também estava inseguro. Fui para minha casa nesse dia, cheguei chateado e conversei com a Rose, minha esposa. Ela me aconselhou que era hora de conversar com a diretoria – contou Tite.
No dia seguinte, o técnico chegou ao CT Joaquim Grava e foi direto para uma reunião. Estavam presentes o presidente, Roberto de Andrade; Edu Gaspar, gerente de futebol; Alessandro, coordenador técnico; e Eduardo Ferreira, diretor adjunto de futebol.
– A conversa começou e o presidente logo falou que não sairia mais ninguém. Que o grupo seria aquele até o fim do ano e que a gente já podia voltar ao trabalho. E falou também que o esforço continuaria para pagar os atrasados. E eu disse que para mim aquela explicação estava ótima, mas que isso deveria ser falado para os jogadores por alguém da direção. Era o papel deles.
O pedido foi atendido. Ralf, Gil, Cássio, Renato Augusto, Edu Dracena e Elias foram chamados a uma das salas de reunião do CT, com a presença de todos aqueles dirigentes citados. Roberto de Andrade falou do planejamento que estava feito para o restante do ano, prometeu até contratações pontuais e tranquilizou o clima de instabilidade que havia sido criado.
Logo depois, antes de o treino começar, Tite achou que seria importante um encontro com todo o elenco para que a mensagem do presidente fosse passada para os demais jogadores, que também poderiam estar inseguros.
– O presidente deu a palavra. Daqui não sai mais ninguém. Vamos brigar com esse time até o final.
OceanofPDF.com
Pode comemorar
Dez ônibus saíram de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro, quinta-feira, 19 de novembro, por volta das oito da manhã. Aquela noite seria de decisão em São Januário, como é mais conhecido o estádio do Vasco da Gama. Era a noite do “enfim”. Faltavam apenas três rodadas para o fim do Brasileiro de 2015.
Na verdade, o Corinthians poderia ter se sagrado hexacampeão 11 dias antes. Na 34a rodada, depois de vencer o Coritiba de virada, ficou apenas à espera do jogo do Atlético Mineiro para poder soltar o grito. Seria do tipo sem graça, do sofá de casa, cada um em seu lugar. Mas Carlos Alberto, do Figueirense, ex-jogador da equipe paulista no período de 2005 a 2007, não colaborou. Perdeu um monte de gols e Dátolo, no finalzinho, aos 45 minutos do segundo tempo, fez o seu e manteve a chance mineira pelo título.
O clima em São Januário não poderia ser melhor. A torcida chegou em festa, sem briga na estrada. Em contrapartida, o Vasco do técnico Jorginho lutava desesperadamente contra o rebaixamento, e queria muito estragar a festa corintiana.
Quase conseguiu. Julio Cesar tabelou com Nenê, invadiu a área e fez o primeiro gol no estádio do Rio de Janeiro. Frustração completa. Em São Paulo, no Morumbi, o Atlético Mineiro jogava contra o São Paulo e, se perdesse, era também o fim do campeonato. Mas Tite não queria ser campeão assim.
Mesmo com a derrota para o Vasco, o Corinthians sagrava-se campeão, já que no fim o São Paulo venceu o Atlético Mineiro por 4 X 2. Aliás, a partida na capital paulista ainda criou uma situação curiosa no banco de reservas do clube carioca.
Quando o jogo em São Paulo ainda estava 2 X 2, resultado que mesmo assim garantia o título ao alvinegro paulista, membros da comissão técnica do Vasco, como o técnico Jorginho e seu auxiliar Zinho, ambos ex-jogadores, tentaram sensibilizar os atletas corintianos pedindo que aliviassem a partida em campo, já que o clube deles precisava dos três pontos da vitória.
Até mesmo o locutor do jogo em São Januário passou a informar apenas os gols são-paulinos, ignorando os demais jogos da rodada, na tentativa de se fazer ouvido pelos jogadores dentro de campo.
Pouco adiantou, pois o Corinthians de Tite não queria ser campeão com uma derrota. Aos 36 minutos, Vagner Love marcou o gol do empate. Era a explosão corintiana.
– Renato, Renato, vou cumprir minha promessa hoje. Vou mergulhar na minha caipira e vou ficar mamado – desabafou Tite, em frente às câmeras de televisão, assim que viu Renato Augusto passar a caminho do vestiário.
OceanofPDF.com