Um Crime Adormecido
J. J. Afflick, dono da em presa…
J. J. AFFLICK
J. J. Afflick, dono da em presa de ônibus de turism o Daffodil Coaches, figurava duas vezes na lista telefônica - um endereço com ercial em Exeter e um endereço particular nos arredores dessa m esm a cidade.
Marcaram um a hora para o dia seguinte.
No m om ento em que Giles e Gwenda estavam saindo de carro a Sra. Cocker correu atrás deles, gesticulando m uito. Giles pisou no freio e parou.
- O Dr. Kennedy está no telefone, senhor.
Giles saltou do carro e correu para dentro de casa. Pegou o fone.
- Aqui fala Giles Reed.
- Bom dia. Acabo de receber um a carta m uito estranha, de um a m ulher cham ada Lily Kim ble. Quebrei a cabeça para lem brar quem é. Prim eiro pensei que fosse um a cliente, m as não é. Suponho que sej a a m oça que trabalhava aí antigam ente. Era copeira.
Tenho quase certeza de que se cham ava Lily, m as não m e lem bro do sobrenom e.
- Havia um a Lily. Gwenda se lem bra dela. Ela am arrou um a fita no pescoço do gato.
- Gwennie tem um a m em ória extraordinária!
-
Tem
m esm o.
- Bem , eu gostaria de conversar com vocês sobre esta carta, m as não pelo telefone. Posso dar um pulo aí?
- Estam os saindo para ir a Exeter. Se preferir, podem os ir à sua casa. É cam inho.
- Ótim o, estam os com binados!
Ao chegarem à casa de Kennedy o m édico explicou: - Não gosto de falar nesse assunto pelo telefone. Fico sem pre achando que as telefonistas estão ouvindo. Aqui está a carta.
Abriu o envelope e colocou a carta em cim a da m esa. Estava escrita num a folha de papel ordinário e a letra era de um a pessoa sem i-analfabeta.
Prezado
Senhor:
Ficaria grata se o senhor pudesse m e aconselhar sobre esse recorte que tirei do j ornal. Andei pensando e conversei com o Sr. Kim ble, m as não sei o que devo fazer. O
senhor acha que pode ser dinheiro ou recom pensa? porque eu queria ganhar um dinheiro m as não quero nada com a polícia nem nada disso. Pensei m uitas vezes naquela noite que a Sra. Halliday foi em bora e acho que ela não foi em bora porque as roupas estavam todas erradas. prim eiro achei que o patrão tinha m atado ela m as depois fiquei sem saber por causa do carro que vi pela j anela. um carro bacana que eu j á tinha visto antes m as não quero fazer nada sem perguntar ao senhor e não quero nada com a polícia porque nunca m e m eti com a polícia e o Sr. Kim ble não ia gostar, posso ir falar com o senhor se o senhor m e der licença na quinta-feira porque é dia de m ercado e o Sr. Kim ble não vai estar em casa, ficaria m uito grata se o senhor pudesse.
Com
todo
o
respeito
Lily Kim ble.
- Foi m andada para o m eu antigo endereço em Dillm outh, disse Kennedy, - e de lá m andaram para cá. O recorte é o anúncio de vocês.
- Que m aravilhar exclam ou Gwenda. - Essa tal de Lily, vej a só, achou que não foi m eu pai quem com eteu o crim e! Falava com j úbilo.
Kennedy olhou-a com olhos
cansados e afáveis.
- Melhor para você, Gwennie, disse ele. - Espero que você tenha ra.zão. Bem , acho que o m elhor a fazer é o seguinte. Vou responder à carta e dizer a ela que venha na quinta-feira. A conexão de trem é boa. Se ela fizer um a baldeação em Dillm outh Junction, chegará aqui pouco depois das 4.30 h. Vocês dois vêm para cá e, j untos, conversam os com ela.
- Ótim o! exclam ou Giles. Olhou para o relógio. - Vam os acrescentou, dirigindo-se a Kennedy, - com o Sr. Afflick, dono da Daffodil Coaches, e ele m e disse que é um hom em m uito ocupado.
- Afflick? Kennedy franziu as sobrancelhas. - Ah, j á sei! Dono daqueles ônibus de turism o horrorosos, pintados de am arelo! Mas conheço esse nom e de outro lugar...
- Helen... disse Gwenda.
- Meu Deus... não é aquele suj eito, é?
-
É.
- Mas ele era um pobre diabo. Quer dizer que conseguiu vencer na vida?
- Diga um a coisa, senhor, disse Giles. - O senhor interveio num envolvim ento entre ele e Helen. Foi apenas por causa de sua... posição social?
Kennedy lançou-lhe um olhar seco.
- Sou um hom em antiquado, rapaz. Hoj e em dia acham que todos os hom ens são iguais. Do ponto de vista m oral, não há dúvida. Mas acredito firm em ente que as pessoas nascem num a determ inada posição social e que serão m ais felizes se perm anecerem nela. Além disso, acrescentou, - achei que não era o cara certo. Mais tarde ele provou que eu tinha razão.
- O que foi que ele fez?
- Não m e lem bro m ais. Se não m e engano, tentou vender inform ações obtidas através do escritório de Fane, onde trabalhava. Era um assunto confidencial relativo a um cliente.
- Ele ficou m agoado por ter sido despedido?
Kennedy olhou-o com dureza e respondeu secam ente: - Ficou.
- Não havia nenhum outro m otivo para o senhor desaprovar essa am izade com sua irm ã? O senhor não achava que ele era... bem ... um pouco esquisito?
- Já que você tocou no assunto, vou ser franco. Eu fiquei com a im pressão, principalm ente depois de ele ter sido despedido, de que Jackie Afflick m ostrava certos sintom as de desequilíbrio. Tratava-se, na realidade, de um a m ania de perseguição incipiente. Mas se venceu na vida dessa m aneira, deve ter ficado bom .
- Quem o despediu? Foi Walter Fane?
- Não tenho a m enor idéia se Walter Fane estava m etido nisso. Ele foi despedido pela firm a.
- E queixou-se de que estava sendo vítim a de um a inj ustiça?
Kennedy assentiu com a cabeça.
- Com preendo... Bem , tem os que partir voando! Até quinta, senhor!
A casa era de construção recente, m uito grande, com im ensas j anelas de vidro.
Gwenda e Giles atravessaram um enorm e e luxuoso saguão e entraram num escritório em que se via um a grande m esa crom ada.
Gwenda m urm urou em tom nervoso para Giles:
- Francam ente, não sei o que seria de nós sem Mis Marple. Ela resolve tudo.
Prim eiro aqueles am igos dela em Northum berland, e agora essa excursão anual do clube dos Meninos, dirigido pela m ulher do pastor...
Giles fez sinal para que ficasse quieta ao ver a porta abrir e J. J. Afflick entrar.
Era um hom em corpulento, de m eia-idade, usando um terno xadrez. Seus olhos eram escuros e astutos, seu rosto era verm elho e tinha um ar bem -hum orado. Parecia um bookmaker bem sucedido.
- Sr. Reed? Bom dia. Prazer em conhecê-lo, disse ele. Giles apresentou Gwenda, cuj a m ão foi apertada um pouco excessivam ente.
- Em que posso aj udá-lo, Sr. Reed?
Afflick sentou-se à im ensa m esa. Ofereceu cigarros que estavam dentro de um a caixa de ônix.
Giles com eçou a falar sobre a excursão do Clube dos Meninos. Explicou que o clube era dirigido por am igos dele, e que desej ava im ensam ente organizar um passeio de alguns dias a Devon.
Afflick respondeu im ediatam ente, em tom de negócios, dando preços e fazendo sugestões. Mas sua fisionom ia m ostrava um a indefinida surpresa.
Finalm ente
acabou
dizendo:
- Bem , acho que está tudo certo, Sr. Reed, e vou lhe m andar um a carta confirm ando. Mas isso é assunto de trabalho e, pelo que m eu secretário m e disse, o senhor queria um encontro pessoal com igo, em m inha residência, não é m esm o?
- Exato, Sr. Afflick. Na realidade queria conversar sobre dois assuntos. Um deles j á está resolvido. O outro é um tanto particular. Minha m ulher desej a m uito entrar em contato com sua m adrasta, que não vê há m uitos anos, e acham os que talvez o senhor pudesse nos aj udar.
- Bem , digam -m e com o é o nom e dessa senhora... Suponho que eu a conheço, não é?
-O senhor a conheceu há m uito tem po. Ela se cham a Helen Halliday, e antes de casar se cham ava Helen Kennedy.
Afflick perm aneceu im óvel durante alguns instantes. Arregalou os olhos e lentam ente inclinou a cadeira para trás.
- Helen Halliday... Não m e lem bro... Helen Kennedy... - De Dillm outh, disse Giles.
A cadeira de Afflick voltou bruscam ente à posição norm al.
- Já sei! exclam ou ele. - É claro! Seu rosto redondo estava ilum inado por um largo sorriso. - A pequena Helen Kennedy ! Sim , lem bro-m e dela. Mas isso faz m uito tem po! Deve fazer uns vinte anos.
-
Dezoito.
- É m esm o? O tem po voa... Mas acho que vou desapontá-la, Sra. Reed. Não vej o Helen desde aquela época. Nunca m ais ouvi falar dela.
- Oh, que pena! exclam ou Gwenda. - Estou realm ente desapontada. Tinha tanta esperança no senhor!
- Qual é o problem a? Os olhos de Afflick passaram de Gwenda para Giles. -
Briga? Fugiu de casa? Questão de dinheiro?
- Ela foi em bora. . . de repente... de Dillm outh... com alguém ... há dezoito anos atrás, respondeu Gwenda.
O tom de Jackie Afflick era divertido. - E a senhora achou que talvez tivesse fugido com igo? Por quê?
- Porque soubem os que o senhor... e ela... estiveram ... bem ... gostavam um do outro... há m uito tem po.
- Eu e Helen? Oh, m as não foi coisa séria! Só um nam oro. Nenhum de nós levava a sério! E acrescentou em tom seco: - Não nos incentivavam ...
- O senhor deve estar nos achando m uito atrevidos... disse Gwenda. Mas Afflick interrom peu-a.
- O que é que tem ? Não sou susceptível. A senhora quer encontrar um a determ inada pessoa e acha que eu posso aj udar. Pergunte o que quiser. Não tenho nada a esconder.
Olhou para Gwenda, com um ar pensativo.
- Quer dizer que a senhora é a filha de Halliday ?
- Sou. Conheceu m eu pai?
Ele sacudiu a cabeça.
- Fui até lá para ver Helen, um dia em que estive em Dillm outh a negócios.
Contaram -m e que ela estava casada e m orando lá. Ela foi bastante polida... m as não m e convidou para j antar. Não, não conheci seu pai.
Não havia certo rancor no tom de Afflick ao dizer que Helen não o convidara para j antar? pensou Gwenda consigo m esm a.
- O senhor se recorda se ela... parecia feliz?
Afflick deu de om bros.
- Acho que sim . Mas isso foi há tanto tem po. Se ela estivesse com um ar infeliz eu m e lem braria.
E acrescentou com um a curiosidade absolutam ente norm al:
- Quer dizer que nunca m ais soube dela, desde há dezoito anos atrás?
-
Exato.
- Não m andou cartas?
- Mandou duas, respondeu Giles, - m as acham os que não foi ela quem as escreveu.
- Acham que não foi ela quem escreveu? Afflick parecia estar se divertindo. -
Parece um caso m eio m isterioso...
- É o que estam os achando.
- E o irm ão dela, aquele m édico? Tam bém não sabe onde ela está?
-
Não.
- Com preendo. É bem m isterioso, não? Por que não colocam um anúncio nos j ornais?
- Já colocam os.
- Talvez tenha m orrido, observou Afflick com naturalidade.
Gwenda
estrem eceu.
- Está com frio, Sra. Reed?
- Não. Estava pensando em Helen m orta. Não gosto de pensar nela m orta.
- Tem razão. Eu tam bém não. Ela era linda!
- O senhor a conheceu. Conheceu-a bem , disse Gwenda im pulsivam ente. - Eu era m uito criança. Com o é que ela era? O que é que as pessoas sentiam por ela? 0 que é que o senhor sentia por ela?
Afflick olhou-a durante alguns instantes.
- Vou ser absolutam ente franco, Sra. Reed. Acredite se quiser, m as eu tinha pena dela.
- Pena? Gwenda olhou-o estarrecida.
- Exatam ente. Acabou os estudos e voltou para casa. Louca para se divertir, com o todas as m oças, e lá vinha aquele seu irm ão com certos preconceitos sobre o que um a m oça podia ou não podia fazer! Ela não se divertia nunca. Bem , eu saía com ela e m ostrava-lhe um pouco da vida. Não gostava realm ente dela, nem ela de m im . Gostava m esm o era da sensação de sair escondida. Depois descobriram que estávam os nos encontrando e ele acabou com tudo. Não foi culpa dele, sabe? Helen tinha um a situação m elhor que a m inha. Não chegam os a ficar noivos, nem nada disso. Eu pretendia m e casar, m as só quando fosse m ais velho. Queria subir na vida e encontrar um a m ulher que m e aj udasse a fazê-lo. Helen não tinha dinheiro e não significaria o tipo de casam ento que eu desej ava. Éram os apenas bons am igos, com um certo nam oro em tudo isso.
- Mas o senhor deve ter ficado com raiva do doutor...
Gwenda fez um a pausa e Afflick respondeu: - Não nego que fiquei aborrecido.
Não tem graça dizerem para a gente que a gente não serve, m as não adianta ser m uito sensível...
- E depois o senhor perdeu o em prego, não é? perguntou Giles.
Afflick fechou a cara.
- Fui despedido do escritório de Fane e Watchm an. E acho que sei m uito bem quem foi o responsável por isso.
- Não m e diga! exclam ou Giles.
Afflick sacudiu a cabeça.
- Não estou afirm ando nada, m as tenho cá m inhas idéias. Cai num a cilada - foi isso m esm o - e acho que sei m uito bem quem arm ou tudo. E por que m otivo! Seu rosto estava rubro. - Espionar um hom em , arm ar ciladas, inventar m entiras a seu respeito...
Trabalhinho suj o! Oh, tive inim igos, m as eles nunca conseguiram m e derrotar. Sem pre dei o troco. E j am ais esqueço!
Parou de falar. Subitam ente m odificou seu tom e voltou a ser cordial.
- De m odo que sinto m uito, m as não posso aj udá-la. Helen e eu nos divertíam os um pouco j untos - foi só isso. Nada além disso.
Gwenda olhou-o fixam ente. Era um a história bastante plausível... m as seria verdade? Algum a coisa destoava e ela subitam ente percebeu o que era.
- Mas m esm o assim , observou ela - o senhor procurou-a m ais tarde, quando foi a Dillm outh.
Afflick
riu.
- Nisso a senhora tem razão, Sra. Reed. É verdade. Talvez eu quisesse m ostrar a ela que eu não ficara por baixo apenas porque um advogado qualquer m e despediu do escritório. Meus negócios iam bem , eu guiava um carro últim o tipo e estava m uito bem de vida.
- O senhor foi vê-la m ais de um a vez, não foi?
Afflick hesitou um instante.
- Duas... talvez três vezes. Só dei um pulinho até lá. Sinto m uito não poder aj udá-la, respondeu ele, dando a entender que a conversa chegara ao fim .
Giles
levantou-se.
- Desculpe ter tom ado seu tem po, disse ele.
- Não tem im portância. É até bom falar de antigam ente, para variar.
A porta abriu, um a m ulher olhou para dentro e pediu desculpas.- Oh, sinto m uito! Não sabia que você estava com visitas...
- Entre, querida, entre! Deixe-m e apresentar você. Esta é m inha m ulher. Sr. e Sra. Reed.
A Sra. Afflick cum prim entou o casal. Era um a m ulher alta, m agra, de fisionom ia depressiva, vestida com roupas surpreendentem ente bem cortadas.
- Estivem os conversando sobre os velhos tem pos, disse o Sr. Afflick. - Antes de eu conhecer você, Dorothy.
Virou-se para o casal.
- Conheci m inha m ulher durante um a viagem , disse ele. - Ela não é daqui. É
prim a de Lord Polterham .
Falava com orgulho. Sua m ulher enrubesceu.
- Viaj ar é um a coisa m uito boa, disse Giles.
- É bastante educativo, replicou Afflick. - Bem , eu não tive lá um a grande educação.
- Sem pre digo a m eu m arido que precisam os fazer um cruzeiro às ilhas gregas, disse a Sra. Afflick.
- Não tenho tem po. Sou um hom em m uito ocupado.
- Não querem os tom ar seu tem po, disse Giles. Até logo, e obrigado. Por favor, não deixe de confirm ar o preço da excursão.
Afflick acom panhou-os até à porta. Gwenda olhou para trás. A Sra. Afflick estava em pé j unto à porta do escritório. Seu olhar, fixo no m arido, dem onstrava curiosidade e apreensão.
Giles e Gwenda despediram -se novam ente e dirigiram -se para o carro.
- Esqueci m eu cachecol! exclam ou Gwenda.
- Você sem pre esquece algum a coisa, retorquiu Giles.
- Não precisa reclam ar. Eu m esm a vou buscar.
Gwenda correu de volta à casa e entrou. Através da porta aberta do escritório, ouviu Afflick reclam ando em voz alta:
- Por que é que você tem que se m eter em tudo? Isso não tem sentido!
- Sinto m uito, Jackie. Eu não sabia. Quem são essas pessoas? Por que deixaram você tão perturbado?
- Não fiquei perturbado. Eu... Interrom peu a frase ao ver Gwenda j unto à porta.
- Oh, Sr. Afflick, acho que esqueci m eu cachecol!
- Cachecol? Não, Sra. Reed. Não ficou aqui.
- Oh, então deve estar no carro! E tornou a sair.
Giles m anobrara para sair. Junto à calçada estava um a grande lim osine am arela, cheia de crom ados.
- Que carro! exclam ou Giles.
- Um carro últim o tipo, observou Gwenda. - Lem bra, Giles? Lem bra do que Edith Pagett disse quando estava falando de Lily ? Ela falou num "hom em m isterioso com um carro bacana, últim o tipo"! Você não está vendo que o hom em m isterioso do carro bacana era Jackie Afflick?
- É, respondeu Giles. - E na carta para Kennedy, Lily falou num carro últim o tipo.
Os dois olharam um para o outro.
- Ele estava lá... no local, com o diria Miss Marple, - naquela noite. Oh, Giles, m al posso esperar a quinta-feira para ouvir o que Lily Kim ble tem a contar! exclam ou Gwenda.
- E se ela m udar de idéia e não aparecer?
- Oh, ela vai aparecer! Giles, se aquele carro espalhafatoso estava lá naquela noite...
- Será que era am arelo com o esse aí?
- Estão adm irando m eu carro? A voz j ovial de Afflick lhes deu um sobressalto.
Estava apoiado na cerca-viva, bem atrás deles. - Costum o cham á-lo de "Botão de Ouro".
Sem pre gostei de carros bonitos. Esse aí dá para cham ar a atenção, não é?
- Não há dúvida, respondeu Giles.
- Gosto m uito de flores disse Afflick. - Narcisos, botões-de-ouro, calceolárias...
essas são as m inhas preferidas. Aqui está seu cachecol, Sra. Reed. Tinha caído atrás da m esa. Até logo. Prazer em conhecê-los!
- Acha que ouviu nossa conversa sobre o carro? perguntou Gwenda, depois de partirem .
Giles fez um a cara desapontada.
- Oh, acho que não! Ele foi tão am ável!
- É... m as isso não quer dizer nada... Giles, aquela m ulher. .. tem m edo dele.
Notei isso em sua expressão.
- O que? Medo daquele suj eito alegre e cordial?
- Talvez no fundo ele não sej a tão cordial assim ... Giles, acho que não gostei do Sr. Afflick ... Durante quanto tem po ele terá ouvido a nossa conversa? O que foi que dissem os exatam ente?
- Nada dem ais, respondeu Giles.
Mas, ainda assim , ele parecia pouco à vontade.
CAPÍTULO XXII