Um Crime Adormecido

Agatha Christie · Capítulo 20 de 23

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Um Crime Adormecido

J. J. Afflick, dono da em presa…

J. J. AFFLICK

J. J. Afflick, dono da em presa de ônibus de turism o Daffodil Coaches, figurava duas vezes na lista telefônica - um endereço com ercial em Exeter e um endereço particular nos arredores dessa m esm a cidade.

Marcaram um a hora para o dia seguinte.

No m om ento em que Giles e Gwenda estavam saindo de carro a Sra. Cocker correu atrás deles, gesticulando m uito. Giles pisou no freio e parou.

- O Dr. Kennedy está no telefone, senhor.

Giles saltou do carro e correu para dentro de casa. Pegou o fone.

- Aqui fala Giles Reed.

- Bom dia. Acabo de receber um a carta m uito estranha, de um a m ulher cham ada Lily Kim ble. Quebrei a cabeça para lem brar quem é. Prim eiro pensei que fosse um a cliente, m as não é. Suponho que sej a a m oça que trabalhava aí antigam ente. Era copeira.

Tenho quase certeza de que se cham ava Lily, m as não m e lem bro do sobrenom e.

- Havia um a Lily. Gwenda se lem bra dela. Ela am arrou um a fita no pescoço do gato.

- Gwennie tem um a m em ória extraordinária!

-

Tem

m esm o.

- Bem , eu gostaria de conversar com vocês sobre esta carta, m as não pelo telefone. Posso dar um pulo aí?

- Estam os saindo para ir a Exeter. Se preferir, podem os ir à sua casa. É cam inho.

- Ótim o, estam os com binados!

Ao chegarem à casa de Kennedy o m édico explicou: - Não gosto de falar nesse assunto pelo telefone. Fico sem pre achando que as telefonistas estão ouvindo. Aqui está a carta.

Abriu o envelope e colocou a carta em cim a da m esa. Estava escrita num a folha de papel ordinário e a letra era de um a pessoa sem i-analfabeta.

Prezado

Senhor:

Ficaria grata se o senhor pudesse m e aconselhar sobre esse recorte que tirei do j ornal. Andei pensando e conversei com o Sr. Kim ble, m as não sei o que devo fazer. O

senhor acha que pode ser dinheiro ou recom pensa? porque eu queria ganhar um dinheiro m as não quero nada com a polícia nem nada disso. Pensei m uitas vezes naquela noite que a Sra. Halliday foi em bora e acho que ela não foi em bora porque as roupas estavam todas erradas. prim eiro achei que o patrão tinha m atado ela m as depois fiquei sem saber por causa do carro que vi pela j anela. um carro bacana que eu j á tinha visto antes m as não quero fazer nada sem perguntar ao senhor e não quero nada com a polícia porque nunca m e m eti com a polícia e o Sr. Kim ble não ia gostar, posso ir falar com o senhor se o senhor m e der licença na quinta-feira porque é dia de m ercado e o Sr. Kim ble não vai estar em casa, ficaria m uito grata se o senhor pudesse.

Com

todo

o

respeito

Lily Kim ble.

- Foi m andada para o m eu antigo endereço em Dillm outh, disse Kennedy, - e de lá m andaram para cá. O recorte é o anúncio de vocês.

- Que m aravilhar exclam ou Gwenda. - Essa tal de Lily, vej a só, achou que não foi m eu pai quem com eteu o crim e! Falava com j úbilo.

Kennedy olhou-a com olhos

cansados e afáveis.

- Melhor para você, Gwennie, disse ele. - Espero que você tenha ra.zão. Bem , acho que o m elhor a fazer é o seguinte. Vou responder à carta e dizer a ela que venha na quinta-feira. A conexão de trem é boa. Se ela fizer um a baldeação em Dillm outh Junction, chegará aqui pouco depois das 4.30 h. Vocês dois vêm para cá e, j untos, conversam os com ela.

- Ótim o! exclam ou Giles. Olhou para o relógio. - Vam os acrescentou, dirigindo-se a Kennedy, - com o Sr. Afflick, dono da Daffodil Coaches, e ele m e disse que é um hom em m uito ocupado.

- Afflick? Kennedy franziu as sobrancelhas. - Ah, j á sei! Dono daqueles ônibus de turism o horrorosos, pintados de am arelo! Mas conheço esse nom e de outro lugar...

- Helen... disse Gwenda.

- Meu Deus... não é aquele suj eito, é?

-

É.

- Mas ele era um pobre diabo. Quer dizer que conseguiu vencer na vida?

- Diga um a coisa, senhor, disse Giles. - O senhor interveio num envolvim ento entre ele e Helen. Foi apenas por causa de sua... posição social?

Kennedy lançou-lhe um olhar seco.

- Sou um hom em antiquado, rapaz. Hoj e em dia acham que todos os hom ens são iguais. Do ponto de vista m oral, não há dúvida. Mas acredito firm em ente que as pessoas nascem num a determ inada posição social e que serão m ais felizes se perm anecerem nela. Além disso, acrescentou, - achei que não era o cara certo. Mais tarde ele provou que eu tinha razão.

- O que foi que ele fez?

- Não m e lem bro m ais. Se não m e engano, tentou vender inform ações obtidas através do escritório de Fane, onde trabalhava. Era um assunto confidencial relativo a um cliente.

- Ele ficou m agoado por ter sido despedido?

Kennedy olhou-o com dureza e respondeu secam ente: - Ficou.

- Não havia nenhum outro m otivo para o senhor desaprovar essa am izade com sua irm ã? O senhor não achava que ele era... bem ... um pouco esquisito?

- Já que você tocou no assunto, vou ser franco. Eu fiquei com a im pressão, principalm ente depois de ele ter sido despedido, de que Jackie Afflick m ostrava certos sintom as de desequilíbrio. Tratava-se, na realidade, de um a m ania de perseguição incipiente. Mas se venceu na vida dessa m aneira, deve ter ficado bom .

- Quem o despediu? Foi Walter Fane?

- Não tenho a m enor idéia se Walter Fane estava m etido nisso. Ele foi despedido pela firm a.

- E queixou-se de que estava sendo vítim a de um a inj ustiça?

Kennedy assentiu com a cabeça.

- Com preendo... Bem , tem os que partir voando! Até quinta, senhor!

A casa era de construção recente, m uito grande, com im ensas j anelas de vidro.

Gwenda e Giles atravessaram um enorm e e luxuoso saguão e entraram num escritório em que se via um a grande m esa crom ada.

Gwenda m urm urou em tom nervoso para Giles:

- Francam ente, não sei o que seria de nós sem Mis Marple. Ela resolve tudo.

Prim eiro aqueles am igos dela em Northum berland, e agora essa excursão anual do clube dos Meninos, dirigido pela m ulher do pastor...

Giles fez sinal para que ficasse quieta ao ver a porta abrir e J. J. Afflick entrar.

Era um hom em corpulento, de m eia-idade, usando um terno xadrez. Seus olhos eram escuros e astutos, seu rosto era verm elho e tinha um ar bem -hum orado. Parecia um bookmaker bem sucedido.

- Sr. Reed? Bom dia. Prazer em conhecê-lo, disse ele. Giles apresentou Gwenda, cuj a m ão foi apertada um pouco excessivam ente.

- Em que posso aj udá-lo, Sr. Reed?

Afflick sentou-se à im ensa m esa. Ofereceu cigarros que estavam dentro de um a caixa de ônix.

Giles com eçou a falar sobre a excursão do Clube dos Meninos. Explicou que o clube era dirigido por am igos dele, e que desej ava im ensam ente organizar um passeio de alguns dias a Devon.

Afflick respondeu im ediatam ente, em tom de negócios, dando preços e fazendo sugestões. Mas sua fisionom ia m ostrava um a indefinida surpresa.

Finalm ente

acabou

dizendo:

- Bem , acho que está tudo certo, Sr. Reed, e vou lhe m andar um a carta confirm ando. Mas isso é assunto de trabalho e, pelo que m eu secretário m e disse, o senhor queria um encontro pessoal com igo, em m inha residência, não é m esm o?

- Exato, Sr. Afflick. Na realidade queria conversar sobre dois assuntos. Um deles j á está resolvido. O outro é um tanto particular. Minha m ulher desej a m uito entrar em contato com sua m adrasta, que não vê há m uitos anos, e acham os que talvez o senhor pudesse nos aj udar.

- Bem , digam -m e com o é o nom e dessa senhora... Suponho que eu a conheço, não é?

-O senhor a conheceu há m uito tem po. Ela se cham a Helen Halliday, e antes de casar se cham ava Helen Kennedy.

Afflick perm aneceu im óvel durante alguns instantes. Arregalou os olhos e lentam ente inclinou a cadeira para trás.

- Helen Halliday... Não m e lem bro... Helen Kennedy... - De Dillm outh, disse Giles.

A cadeira de Afflick voltou bruscam ente à posição norm al.

- Já sei! exclam ou ele. - É claro! Seu rosto redondo estava ilum inado por um largo sorriso. - A pequena Helen Kennedy ! Sim , lem bro-m e dela. Mas isso faz m uito tem po! Deve fazer uns vinte anos.

-

Dezoito.

- É m esm o? O tem po voa... Mas acho que vou desapontá-la, Sra. Reed. Não vej o Helen desde aquela época. Nunca m ais ouvi falar dela.

- Oh, que pena! exclam ou Gwenda. - Estou realm ente desapontada. Tinha tanta esperança no senhor!

- Qual é o problem a? Os olhos de Afflick passaram de Gwenda para Giles. -

Briga? Fugiu de casa? Questão de dinheiro?

- Ela foi em bora. . . de repente... de Dillm outh... com alguém ... há dezoito anos atrás, respondeu Gwenda.

O tom de Jackie Afflick era divertido. - E a senhora achou que talvez tivesse fugido com igo? Por quê?

- Porque soubem os que o senhor... e ela... estiveram ... bem ... gostavam um do outro... há m uito tem po.

- Eu e Helen? Oh, m as não foi coisa séria! Só um nam oro. Nenhum de nós levava a sério! E acrescentou em tom seco: - Não nos incentivavam ...

- O senhor deve estar nos achando m uito atrevidos... disse Gwenda. Mas Afflick interrom peu-a.

- O que é que tem ? Não sou susceptível. A senhora quer encontrar um a determ inada pessoa e acha que eu posso aj udar. Pergunte o que quiser. Não tenho nada a esconder.

Olhou para Gwenda, com um ar pensativo.

- Quer dizer que a senhora é a filha de Halliday ?

- Sou. Conheceu m eu pai?

Ele sacudiu a cabeça.

- Fui até lá para ver Helen, um dia em que estive em Dillm outh a negócios.

Contaram -m e que ela estava casada e m orando lá. Ela foi bastante polida... m as não m e convidou para j antar. Não, não conheci seu pai.

Não havia certo rancor no tom de Afflick ao dizer que Helen não o convidara para j antar? pensou Gwenda consigo m esm a.

- O senhor se recorda se ela... parecia feliz?

Afflick deu de om bros.

- Acho que sim . Mas isso foi há tanto tem po. Se ela estivesse com um ar infeliz eu m e lem braria.

E acrescentou com um a curiosidade absolutam ente norm al:

- Quer dizer que nunca m ais soube dela, desde há dezoito anos atrás?

-

Exato.

- Não m andou cartas?

- Mandou duas, respondeu Giles, - m as acham os que não foi ela quem as escreveu.

- Acham que não foi ela quem escreveu? Afflick parecia estar se divertindo. -

Parece um caso m eio m isterioso...

- É o que estam os achando.

- E o irm ão dela, aquele m édico? Tam bém não sabe onde ela está?

-

Não.

- Com preendo. É bem m isterioso, não? Por que não colocam um anúncio nos j ornais?

- Já colocam os.

- Talvez tenha m orrido, observou Afflick com naturalidade.

Gwenda

estrem eceu.

- Está com frio, Sra. Reed?

- Não. Estava pensando em Helen m orta. Não gosto de pensar nela m orta.

- Tem razão. Eu tam bém não. Ela era linda!

- O senhor a conheceu. Conheceu-a bem , disse Gwenda im pulsivam ente. - Eu era m uito criança. Com o é que ela era? O que é que as pessoas sentiam por ela? 0 que é que o senhor sentia por ela?

Afflick olhou-a durante alguns instantes.

- Vou ser absolutam ente franco, Sra. Reed. Acredite se quiser, m as eu tinha pena dela.

- Pena? Gwenda olhou-o estarrecida.

- Exatam ente. Acabou os estudos e voltou para casa. Louca para se divertir, com o todas as m oças, e lá vinha aquele seu irm ão com certos preconceitos sobre o que um a m oça podia ou não podia fazer! Ela não se divertia nunca. Bem , eu saía com ela e m ostrava-lhe um pouco da vida. Não gostava realm ente dela, nem ela de m im . Gostava m esm o era da sensação de sair escondida. Depois descobriram que estávam os nos encontrando e ele acabou com tudo. Não foi culpa dele, sabe? Helen tinha um a situação m elhor que a m inha. Não chegam os a ficar noivos, nem nada disso. Eu pretendia m e casar, m as só quando fosse m ais velho. Queria subir na vida e encontrar um a m ulher que m e aj udasse a fazê-lo. Helen não tinha dinheiro e não significaria o tipo de casam ento que eu desej ava. Éram os apenas bons am igos, com um certo nam oro em tudo isso.

- Mas o senhor deve ter ficado com raiva do doutor...

Gwenda fez um a pausa e Afflick respondeu: - Não nego que fiquei aborrecido.

Não tem graça dizerem para a gente que a gente não serve, m as não adianta ser m uito sensível...

- E depois o senhor perdeu o em prego, não é? perguntou Giles.

Afflick fechou a cara.

- Fui despedido do escritório de Fane e Watchm an. E acho que sei m uito bem quem foi o responsável por isso.

- Não m e diga! exclam ou Giles.

Afflick sacudiu a cabeça.

- Não estou afirm ando nada, m as tenho cá m inhas idéias. Cai num a cilada - foi isso m esm o - e acho que sei m uito bem quem arm ou tudo. E por que m otivo! Seu rosto estava rubro. - Espionar um hom em , arm ar ciladas, inventar m entiras a seu respeito...

Trabalhinho suj o! Oh, tive inim igos, m as eles nunca conseguiram m e derrotar. Sem pre dei o troco. E j am ais esqueço!

Parou de falar. Subitam ente m odificou seu tom e voltou a ser cordial.

- De m odo que sinto m uito, m as não posso aj udá-la. Helen e eu nos divertíam os um pouco j untos - foi só isso. Nada além disso.

Gwenda olhou-o fixam ente. Era um a história bastante plausível... m as seria verdade? Algum a coisa destoava e ela subitam ente percebeu o que era.

- Mas m esm o assim , observou ela - o senhor procurou-a m ais tarde, quando foi a Dillm outh.

Afflick

riu.

- Nisso a senhora tem razão, Sra. Reed. É verdade. Talvez eu quisesse m ostrar a ela que eu não ficara por baixo apenas porque um advogado qualquer m e despediu do escritório. Meus negócios iam bem , eu guiava um carro últim o tipo e estava m uito bem de vida.

- O senhor foi vê-la m ais de um a vez, não foi?

Afflick hesitou um instante.

- Duas... talvez três vezes. Só dei um pulinho até lá. Sinto m uito não poder aj udá-la, respondeu ele, dando a entender que a conversa chegara ao fim .

Giles

levantou-se.

- Desculpe ter tom ado seu tem po, disse ele.

- Não tem im portância. É até bom falar de antigam ente, para variar.

A porta abriu, um a m ulher olhou para dentro e pediu desculpas.- Oh, sinto m uito! Não sabia que você estava com visitas...

- Entre, querida, entre! Deixe-m e apresentar você. Esta é m inha m ulher. Sr. e Sra. Reed.

A Sra. Afflick cum prim entou o casal. Era um a m ulher alta, m agra, de fisionom ia depressiva, vestida com roupas surpreendentem ente bem cortadas.

- Estivem os conversando sobre os velhos tem pos, disse o Sr. Afflick. - Antes de eu conhecer você, Dorothy.

Virou-se para o casal.

- Conheci m inha m ulher durante um a viagem , disse ele. - Ela não é daqui. É

prim a de Lord Polterham .

Falava com orgulho. Sua m ulher enrubesceu.

- Viaj ar é um a coisa m uito boa, disse Giles.

- É bastante educativo, replicou Afflick. - Bem , eu não tive lá um a grande educação.

- Sem pre digo a m eu m arido que precisam os fazer um cruzeiro às ilhas gregas, disse a Sra. Afflick.

- Não tenho tem po. Sou um hom em m uito ocupado.

- Não querem os tom ar seu tem po, disse Giles. Até logo, e obrigado. Por favor, não deixe de confirm ar o preço da excursão.

Afflick acom panhou-os até à porta. Gwenda olhou para trás. A Sra. Afflick estava em pé j unto à porta do escritório. Seu olhar, fixo no m arido, dem onstrava curiosidade e apreensão.

Giles e Gwenda despediram -se novam ente e dirigiram -se para o carro.

- Esqueci m eu cachecol! exclam ou Gwenda.

- Você sem pre esquece algum a coisa, retorquiu Giles.

- Não precisa reclam ar. Eu m esm a vou buscar.

Gwenda correu de volta à casa e entrou. Através da porta aberta do escritório, ouviu Afflick reclam ando em voz alta:

- Por que é que você tem que se m eter em tudo? Isso não tem sentido!

- Sinto m uito, Jackie. Eu não sabia. Quem são essas pessoas? Por que deixaram você tão perturbado?

- Não fiquei perturbado. Eu... Interrom peu a frase ao ver Gwenda j unto à porta.

- Oh, Sr. Afflick, acho que esqueci m eu cachecol!

- Cachecol? Não, Sra. Reed. Não ficou aqui.

- Oh, então deve estar no carro! E tornou a sair.

Giles m anobrara para sair. Junto à calçada estava um a grande lim osine am arela, cheia de crom ados.

- Que carro! exclam ou Giles.

- Um carro últim o tipo, observou Gwenda. - Lem bra, Giles? Lem bra do que Edith Pagett disse quando estava falando de Lily ? Ela falou num "hom em m isterioso com um carro bacana, últim o tipo"! Você não está vendo que o hom em m isterioso do carro bacana era Jackie Afflick?

- É, respondeu Giles. - E na carta para Kennedy, Lily falou num carro últim o tipo.

Os dois olharam um para o outro.

- Ele estava lá... no local, com o diria Miss Marple, - naquela noite. Oh, Giles, m al posso esperar a quinta-feira para ouvir o que Lily Kim ble tem a contar! exclam ou Gwenda.

- E se ela m udar de idéia e não aparecer?

- Oh, ela vai aparecer! Giles, se aquele carro espalhafatoso estava lá naquela noite...

- Será que era am arelo com o esse aí?

- Estão adm irando m eu carro? A voz j ovial de Afflick lhes deu um sobressalto.

Estava apoiado na cerca-viva, bem atrás deles. - Costum o cham á-lo de "Botão de Ouro".

Sem pre gostei de carros bonitos. Esse aí dá para cham ar a atenção, não é?

- Não há dúvida, respondeu Giles.

- Gosto m uito de flores disse Afflick. - Narcisos, botões-de-ouro, calceolárias...

essas são as m inhas preferidas. Aqui está seu cachecol, Sra. Reed. Tinha caído atrás da m esa. Até logo. Prazer em conhecê-los!

- Acha que ouviu nossa conversa sobre o carro? perguntou Gwenda, depois de partirem .

Giles fez um a cara desapontada.

- Oh, acho que não! Ele foi tão am ável!

- É... m as isso não quer dizer nada... Giles, aquela m ulher. .. tem m edo dele.

Notei isso em sua expressão.

- O que? Medo daquele suj eito alegre e cordial?

- Talvez no fundo ele não sej a tão cordial assim ... Giles, acho que não gostei do Sr. Afflick ... Durante quanto tem po ele terá ouvido a nossa conversa? O que foi que dissem os exatam ente?

- Nada dem ais, respondeu Giles.

Mas, ainda assim , ele parecia pouco à vontade.

CAPÍTULO XXII