Um Crime Adormecido

Agatha Christie · Capítulo 5 de 23

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Um Crime Adormecido

Assassinato em Retrospecto

Cerca de dez dias depois Miss Marple entrou num pequeno hotel em May fair e foi entusiasticam ente recebida pelo j ovem casal Reed.

- Este é m eu m arido, Miss Marple, apresentou Gwenda. - Giles, você nem faz idéia de com o Miss Marple foi genti1com igo.

- Muito prazer em conhecê-la, Miss Marple. Ouvi dizer que por pouco Gwenda não foi internada num hospício.

Os olhos azuis de Miss Marple exam inaram Giles com ar de aprovação. Um hom em j ovem e sim pático, alto, louro, com o costum e, por tim idez, de piscar os olhos de vez em quando, de m aneira m uito atraente. Observou-lhe a conform ação da boca, a linha firm e do queixo.

- Vam os tom ar chá no escritório, que é m ais reservado, disse Gwenda. - Lá não aparece ninguém e poderem os m ostrar a Miss Marple a carta de tia Alison.

- Sim , acrescentou, ante o olhar penetrante de Miss Marple. - Já chegou e é quase exatam ente o que a senhora pensou.

Term inado o chá, a carta foi aberta e lida.

"Querida Gwenda (escrevera a Srta. Danby ):

Fiquei m uito preocupada ao saber que você passou por um a experiência tão perturbadora. Para lhe dizer a verdade, eu tinha esquecido com pletam ente que você m orou na Inglaterra durante um curto período, quando era m uito pequena.

Sua m ãe, m inha irm ã Megan, conheceu seu pai, o Maj or Halliday, quando foi à Índia e ficou hospedada em casa de am igos nossos. Eles se casaram e você nasceu lá.

Dois m eses depois de seu nascim ento, sua m ãe m orreu. Foi um grande choque para nós e escrevem os a seu pai, com quem nos correspondíam os, m as que nunca tínham os conhecido pessoalm ente, pedindo-lhe que nos deixasse tom ar conta de você, o que seria para nós um a grande alegria; além do que talvez fosse difícil para um oficial cuidar de um a criança pequena. Seu pai, no entanto, se recusou, e nos disse que ia dem itir-se do exército e trazer você com ele para a Inglaterra. Disse tam bém esperar que fôssem os visitá-lo quando estivesse m orando lá.

Durante a viagem de volta seu pai conheceu um a j ovem , ficou noivo e se casou com ela assim que chegaram à Inglaterra. Acho que o casam ento não deu certo e sei que se separaram cerca de um ano depois. Foi então que seu pai tornou a nos escrever, perguntando se ainda estávam os dispostos a cuidar de você. Nem preciso lhe dizer, querida, com o ficam os felizes com a idéia. Você chegou acom panhada por um a governanta inglesa. Na m esm a época seu pai fez um testam ento deixando tudo para você e sugeriu que você fosse legalm ente adotada por nós e passasse a usar nosso sobrenom e. Devo dizer que acham os m eio estranho, m as com preendem os que a intenção era boa ele desej ava que você se sentisse pertencendo realm ente a fam ília -

m as não aceitam os a sugestão. Cerca de um ano depois, seu pai m orreu num a clínica.

Suponho que na ocasião em que m andou você para j unto de nós ele j á soubesse que não estava bem de saúde.

Sinto m uito não saber inform ar onde você m orou com seu pai enquanto esteve na Inglaterra. A carta dele naturalm ente dava o endereço, m as isso foi há dezoito anos atrás e a gente esquece esses detalhes. Sei que era no sul da Inglaterra e acho que o nom e era m esm o Dillm outh. Tinha um a vaga idéia de que era Dartm outh, m as os dois nom es são parecidos. Acho que sua m adrasta tornou a se casar, m as não m e lem bro de seu nom e, nem m esm o do seu nom e de solteira, se bem que seu pai o tivesse m encionado na carta em que nos fala de seu novo casam ento. Acho que ficam os um pouco ressentidos por ele tornar a se casar tão cedo, m as naturalm ente todos sabem que num a viagem de navio a influência da proxim idade é m uito grande - e pode ser que ele tivesse achado que seria bom para você.

Foi um a bobagem eu nunca lhe ter dito que você j á havia estado na Inglaterra, m esm o que não se lem brasse disso, m as, com o disse, eu j á tinha esquecido toda a história... Para nós, os fatos m ais im portantes foram a m orte de sua m ãe na Índia e você ter vindo, depois, m orar conosco.

Espero que agora tudo estej a esclarecido.

Acredito que Giles poderá logo ir encontrar com você, pois é duro para os dois estarem afastados nessa fase inicial do casam ento.

Mandarei notícias m inhas em outra carta, pois esta , escrevi às pressas para responder ao seu telegram a.

Afetuosam ente, sua tia Alison Danby."

"P.S. Você não contou qual foi essa experiência tão perturbadora."

- Está vendo? perguntou Gwenda. - É quase exatam ente o que a senhora sugeriu.

Miss Marple alisou a delicada folha de papel aéreo.

- É, é verdade. A explicação dada pelo bom -senso. Já descobri que, na m aioria dos casos, é a m elhor explicação.

- Bem , sou m uito grato à senhora, disse Giles. - Coitada de Gwenda... Estava profundam ente abalada, e devo confessar que eu tam bém fiquei preocupado ao im aginar que ela fosse vidente ou que estivesse inventando coisas.

- Deve ser um a característica incôm oda num a esposa, disse Gwenda. - A m enos que sem pre você tenha levado um a vida com pletam ente exem plar...

- O que levo sem pre, retorquiu Giles.

- E a casa? Com o se sentem em relação à casa? perguntou Miss Marple.

- Oh está tudo bem . Vam os para lá am anhã. Giles está m orrendo de vontade de conhecê-la.

- Não sei se a senhora j á percebeu, Miss Marple, disse Giles, - m as o que m ais interessa agora é que nós tem os pela frente um m isterioso caso de assassinato. Bem na nossa porta, ou m elhor, no saguão de entrada da nossa casa.

- Sim , eu j á tinha pensado nisso, respondeu Miss Marple, lentam ente.

- E Giles adora contos policiais, disse Gwenda.

- Bem , é um a história policial. O corpo de um a linda m ulher estrangulada, caído no chão. Nada se sabe sobre ela, a não ser seu prim eiro nom e. Naturalm ente, sei que j a faz quase vinte anos que isso aconteceu. Não deve ter ficado nenhum a pista, depois de tanto tem po, m as pode-se pelo m enos investigar um pouco, tentar descobrir algum a coisa. Oh, acho que ninguém vai conseguir decifrar o m istério...

- Acho que é possível, interrom peu Miss Marple. - Mesm o depois de dezoito anos. Sim , acho que é possível.

- Mas de qualquer m odo, não pode haver nenhum m al em se tentar seriam ente, não é?

Giles fez um a pausa. Seu rosto se abriu em largo sorriso.

Miss Marple se m exeu nervosam ente na cadeira. Tinha o sem blante sério - quase preocupado.

- Mas isso pode causar grandes m ales, disse ela. - Eu aconselharia vocês dois -

oh, sim , aconselharia realm ente - que deixassem isso de lado.

- Deixar de lado? Nosso próprio caso de m istério, de assassinato - se é que houve um assassinato!

- Acho que houve. E é j ustam ente por isso que é m elhor deixar de lado. Um assassinato não é... não é m esm o... um a coisa com a qual se m exa despreocupadam ente.

- Mas, Miss Marple, disse Giles, - se todo m undo pensasse assim . . .

Ela

o

interrom peu.

- Oh, eu sei! Há ocasiões em que se trata de um dever um a pessoa inocente acusada - suspeitas recaindo sobre várias outras pessoas... um crim inoso à solta e que pode atacar de novo. Mas você tem que entender que esse crim e j á pertence ao passado.

Provavelm ente ninguém ficou sabendo que houve um crim e - se não você logo teria sabido pelo j ardineiro ou por algum habitante do lugar. Um crim e, por m ais antigo que sej a, sem pre é novidade. Não, devem ter-se livrado do corpo de algum a form a e nunca ninguém suspeitou de nada. Você tem certeza - certeza absoluta - de que vale a pena desencavar tudo isso?

- Miss Marple! exclam ou Gwenda. - A senhora parece estar realm ente preocupada!

- Estou, querida. Vocês são dois j ovens atraentes e encantadores, se m e perm item dizer assim . Estão recém -casados e felizes. Eu lhes peço, por favor, que não com ecem a desencavar coisas que podem ... bem , que podem ... com o explicar?... que podem vir a perturbá-los e trazer-lhes dificuldades.

Gwenda olhava-a fixam ente. - A senhora está pensando em algum a coisa especial . . . em algum a coisa . . . Onde é que a senhora quer chegar?

- A lugar nenhum , m inha querida. Estou apenas dando um conselho, porque j á vivi m uito e sei com o a natureza hum ana E desconcertante. Estou apenas aconselhando vocês a deixarem o caso de lado. É o m eu conselho: deixem o caso de lado.

- Mas não se trata de deixar de lado, disse Giles, tendo na voz um acento m ais duro - Hillside é nossa casa, m inha e de Gwenda, e alguém foi assassinado ali, ou pelo m enos é o que im aginam os. Não vou ficar de braços cruzados, sem fazer nada, diante de um assassinato na m inha casa, m esm o que tenha sido há dezoito anos atrás!

Miss Marple suspirou. - Sinto m uito, disse ela. - Suponho que a m aioria dos j ovens inteligentes se sentiriam assim . Chego até a sim patizar com a sua atitude e a adm irar você. Mas eu gostaria - oh, com o gostaria - de que vocês não se m etessem nisso!

II

No dia seguinte toda a aldeia de St. Mary Mead sabia que Miss Marple estava de volta. Foi vista às onze horas na rua principal. Às dez para o m eio-dia foi falar com o vigário. Na m esm a tarde três bisbilhoteiras senhoras do povoado foram visitá-la para ouvir suas im pressões da festiva m etrópole e, após esse tributo à cortesia, contar todos os detalhes da grande confusão que se estava arm ando em torno da barraca de trabalhos m anuais para a próxim a festa da igrej a, e sobre a localização do salão de chá.

Mais tarde, nesse m esm o dia, Miss Marple foi vista no j ardim , com o de hábito, m as dessa vez preocupava-se m ais em arrancar as ervas daninhas do que em prestar atenção no que faziam os vizinhos. No decorrer de sua frugal refeição noturna parecia distraída, m al ouvindo o anim ado relato de Evely n, a em pregada, sobre as extravagâncias do farm acêutico local. No dia seguinte continuava com ar distraído e um a ou duas pessoas, inclusive a m ulher do vigário, repararam nisso. Nessa noite Miss Marple disse que não estava se sentindo bem e foi deitar-se. Na m anhã seguinte m andou cham ar o Dr. Hay dock.

O Dr. Hay dock era m édico, am igo e aliado de Miss Marple há m uitos anos.

Ouviu a descrição dos sintom as, exam inou-a e em seguida recostou-se na cadeira, sacudindo, em direção a ela o estetoscópio.

- Para um a pessoa de sua idade, disse ele - apesar dessa enganosa aparência frágil, a senhora está em ótim as condições de saúde.

- Estou certa de que m inha saúde está boa, retorquiu Miss Marple - m as confesso que m e sinto um pouco cansada, um pouco deprim ida.

- A senhora andou saindo m uito, fazendo noitadas em Londres.

- É verdade. Hoj e em dia acho Londres um a cidade m uito cansativa. E com um ar... tão viciado! Não há nada com o a brisa do m ar!

- 0 ar de St. Mary Mead é fresco e puro.

- Mas ás vezes é úm ido e um tanto abafado. Não é estim ulante, com preende?

Dr.

Hay dock

olhou-a

m uito

interessado.

- Vou-lhe receitar um tônico, disse ele, com am abilidade.

- 0brigada, Dr. Hay dock. Gosto m uito do xarope de Easton.

- Pelo j eito não precisa de receita m inha, retorquiu o m édico.

- Quem sabe se... um a m udança de ares...?

Miss Marple olhou para o Dr. Hay dock inocentem ente, com os seus olhos azuis.

- A senhora acaba de passar três sem anas fora.

- Eu sei. Mas em Londres, que é, com o o senhor disse, um lugar deprim ente. E

depois no norte - um a região industrial. Não tem o ar revigorante do m ar.

O Dr. Hay dock fechou a m aleta. Em seguida virou-se com um sorriso.

- Conte por que m e m andou cham ar, disse ele. - Diga-m e logo o que tem de ser e eu repito o que a senhora disser. Quer que lhe dê m inha opinião profissional de que a senhora precisa da brisa do m ar, não é?

- Sabia que o senhor com preenderia, disse Miss Marple agradecida.

- A brisa do m ar é excelente para a saúde. Proponho que a senhora parta im ediatam ente para Eastbourne, se não acabará ficando doente.

- Acho Eastbourne m eio frio. Quem sabe m ais para o sul?...

- Então Bornem outh, ou a Ilha de Wight.

Miss Marple deu-lhe um a piscadela.

- Acho as cidades pequenas m uito m ais agradáveis.

Dr. Hay dock tornou a sentar-se.

- A senhora despertou-m e a curiosidade. Qual é a cidade à beira-m ar em que está pensando?

- Bem , eu estava pensando em Dillm outh.

- É um lugar sim pático. Meio parado. Mas por que Dillh?

Miss Marple ficou em silêncio por alguns instantes. Seus voltaram a indicar preocupação. Em seguida disse: - Suponham os que um dia, por acaso, o senhor descubra um fato que parece m ostrar que há m uitos anos atrás - dezenove ou vinte anos

- ocorreu um crim e. Só o senhor conhece esse fato. Ninguém j am ais suspeitou de nada.

O que faria?

- Um assassínio em retrospecto?

-

Exatam ente.

Hay dock pensou um pouco.

- Não houve falha da j ustiça? Ninguém sofreu nada com resultado do crim e?

- Que eu saiba, não.

- Ahn. . . Um assassínio em retrospecto. Um crim e adorm ecido. Bem , vou lhe dar m inha opinião. Eu deixaria esse crim e de lado, adorm ecido - sim , é isso que eu faria.

Mexer com crim es é coisa arriscada. Pode ser m esm o muito perigoso.

- É o que tem o.

- Dizem que o assassino sem pre torna a atacar. Não é verdade. Existe um tipo de assassino que com ete o crim e, consegue escapar da j ustiça e tom a todo cuidado para nunca m ais pôr a cabeça de fora. Não diria que ainda é capaz de viver feliz sem pre - não acredito que isso sej a verdade - há m uitos castigos diferentes. Mas, pelo m enos aparentem ente, tudo vai bem . Talvez tenha sido assim no caso de Madeleine Sm ith ou, tarde, no de Lizzie Borden. Nada foi provado no caso de Madeleine Sm ith, e Lizzie foi absolvida - m as m uita gente acha que am bas eram culpadas. Poderia citar outros nom es.

Nunca repetiram o crim e - um crim e lhes proporcionou o que queriam e se deram por satisfeitos. Mas suponha que algum perigo os am eaçasse. Im agino que esse seu assassino - ou assassina - sej a desse tipo. Com eteu um crim e, saiu-se bem e ninguém desconfiou. Mas j á pensou se alguém com eça a bisbilhotar, fazer perguntas, desencavar provas abrindo cam inho até conseguir, eventualm ente, atingir o alvo? O que é que o assassino vai fazer? Ficar parado, sorrindo, sentindo o cerco apertar? Não... A m enos que se trate de um a questão de princípio, eu deixaria isso de lado. E repetiu: - Deixe de lado esse crim e; acrescentando firm em ente: - Essa é a m inha ordem para a senhora.

Deixe isso de lado!

- Mas não sou eu que estou envolvida. São duas crianças encantadoras. Deixe-m e contar!

Hay dock ouviu a história toda.

- Extraordinário, observou ele quando Miss Marple term inou o relato. - Um a coincidência extraordinária. A coisa, toda é extraordinária. A senhora não desconhece as possíveis im plicações, não é?

- É claro que não! Mas acho que isso ainda não ocorreu a eles!

- Isso pode resultar em m uita infelicidade e eles vão desej ar nunca se terem m etido nisso. Os esqueletos devem ficar bem guardados. Mesm o assim , com preendo o ponto de vista do j ovem Giles. Ora, afinal de contas eu m esm o não deixaria a coisa de lado. Até j á estou ficando curioso. . .

Interrom peu-se e olhou com severidade para Miss Marple.

- Então é por isso que a senhora arranj ou tantas desculpas para ir para Dillm outh. Para se m eter num a coisa que não é da sua conta!

- Não é isso, Dr. Hay dock. Estou preocupada com aqueles dois. São m uito j ovens e inexperientes, dem asiadam ente crédulos e confiantes. Acho que devia estar presente para tom ar conta deles.

- Então é por isso que vai. Para tom ar conta deles! Será que a senhora nunca vai conseguir deixar um crim e de lado? Mesm o um crim e em retrospecto?

Miss

Marple

sorriu.

- Mas o senhor concorda que algum as sem anas em Dillm outh seriam benéficas para a m inha saúde, não é?

- É m ais provável que acabem com ela de um a vez, respondeu o Dr. Hay dock. -

Mas a senhora não m e obedece!

III

Ao chegar ao portão da casa de seus am igos, o Coronel e a senhora Bantry, Miss Marple encontrou o Coronel andando pelo cam inho e em punhando um a espingarda, seguido pelo seu cocker-spaniel. Cum prim entou-a am avelm ente.

- Que prazer vê-la de volta! Que tal está Londres?

Miss Marple respondeu que Londres estava m uito bem . Seu sobrinho a levara para assistir a várias peças de teatro.

- Bem intelectuais, posso apostar, retorquiu ele. - Só gosto de com édias m usicais.

Miss Marple contou que assistira a um a peça russa m uito interessante, apesar de um pouco longa.

- Esses russos! explodiu o Coronel Bantry. Certa vez, quando estava num a clínica, deram -m e um rom ance de Dostoievski para ler.

Acrescentou que Miss Marple encontraria Dolly no j ardim . A senhora Bantry estava quase sem pre no j ardim . Adorava j ardinagem . Sua literatura preferida eram catálogos de bulbos e sua conversa girava em torno de prím ulas, bulbos, arbustos floridos e novidades alpinas. A prim eira visão de Miss Marple foi a de um vasto traseiro vestindo um a saia de tweed desbotada.

Ao ouvir os passos que se aproxim avam a senhora Bantry levantou-se com chiados e estrem ecim entos. De tanto cuidar de j ardim , ficara com reum atism o. Com a m ão suj a de terra, enxugou o suor da testa e cum prim entou a am iga.

- Já m e haviam dito que você estava de volta, Jane, disse ela. - Não acha que m inhas flores estão lindas? Já viu essas novas gencianas pequenas? Deram bastante trabalho, m as acho que agora vão indo hem . Precisam os é de chuva. Está tudo horrivelm ente seco. Esther m e disse que você estava de cam a, acrescentou. Esther era a cozinheira da senhora Bantry e sua inform ante oficial do que se passava na aldeia. -

Estou contente de ver que não é verdade.

- Um pouco cansada, respondeu Miss Marple. - Dr. Hay dock acha que preciso de ar m arítim o. - Ando m eio deprim ida.

- Oh, m as você não pode viaj ar agora! exclam ou a senhora Bantry. - É a m elhor época do ano para cuidado j ardim . Seus arbustos devem estar quase florindo!

- Dr. Hay dock acha aconselhável.

- Bem , Dr. Hay dock não é um bobalhão com o tantos outros m édicos, adm itiu a senhora Bantry a contragosto.

- Dolly, estava pensando naquela sua cozinheira.

- Qual cozinheira? Você está precisando de cozinheira? Não está se referindo àquela que bebia, não é?

- Não, de j eito nenhum . Estou falando daquela que fazia m assas tão m aravilhosas! A que era casada com o m ordom o.

- Ah! Você se refere à Mock Turtle* - exclam ou a senhora Bantry, num a identificação im ediata. - Um a que tinha um a voz chorosa. Parecia sem pre que estava prestes a cair em prantos. Era um a ótim a cozinheira. O m arido era um hom em gordo, m eio preguiçoso. Arthur sem pre dizia que ele botava água no uísque. Não sei. É pena que no casal haj a sem pre um que não serve. Um antigo patrão deixou-lhes um a herança e eles abriram um a pensão na costa sul.- Era exatam ente o que eu pensava. Não foram para Dillm outh?

- Isso m esm o. O endereço é: 14, Sea Parade, Dillm outh.

- Já que o Dr. Hay dock sugeriu o m ar, pensei em hospedar-m e com eles. O

sobrenom e não é Saunders?

- É. Acho um a ótim a idéia, Jane. É a m elhor coisa a fazer. A senhora Saunders vai cuidar bem de você e, com o estam os fora da estação, eles ficarão contentes em recebê-la e poderão fazer-lhe um bom desconto. Com boa alim entação e a brisa do m ar você vai se recuperar logo, logo.

- Obrigada, Dolly, respondeu Miss Marple. - Espero que sim .

*N. do T.: Um apelido, obviam ente. Tartaruga dissim ulada, ao pé da letra.

CAPÍTULO VI