Um Longo Regresso a Casa

Gail Caldwell · Capítulo 14 de 15

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Um Longo Regresso a Casa

.12.

Durante anos, tentara proteger-me da carga psíquica dos invernos da Nova Inglaterra mantendo-me dentro de casa com chá e aquecedores, até que arranjei um cão de trenó do Norte. Clementine fez-me sair para o mundo de muitíssimas maneiras, das quais a mais implacável tinha a ver com as estações do ano. Passeávamos durante tempestades de neve e por caminhos cobertos de gelo; caminhávamos na escuridão das seis da tarde e com temperaturas de um só dígito. Por causa dela eu aprendera a amar a luz no inverno – o dourado róseo do céu uma hora antes do anoitecer emoldurando os ramos minimalistas das árvores nuas cá em baixo. Estabeleci a minha rotina de acordo com a luz e com os desejos de Clementine. Depois da partida de Caroline jurei que faria as mesmas caminhadas, esperando encontrar algum consolo no espaço vazio a meu lado.

Assim, todos os dias quando acabava de escrever, o meu cão e eu percorríamos os poucos mas longos quarteirões até à beira de Fresh Pond, um oásis consagrado durante todo o ano mas, no inverno, povoado sobretudo por praticantes de jogging obstinados e pessoas que passeavam os seus cães. O nosso caminho habitual tinha cerca de três quilómetros no total; dávamos uma volta pelos bosques até ao campo de golfe deserto, onde Clemmie perseguia os gansos até lhe apetecer e ladrava ao rasto do escape dos aviões que cruzavam o céu.

Em finais de janeiro de 2004, numa sexta-feira à tarde, eu levara o carro e estacionara junto do campo de futebol, na extremidade do parque, a cerca de mil e seiscentos metros de casa; estavam nove graus negativos no exterior e eu queria seguir diretamente para o bosque. Os dias estavam maiores e a própria luz parecia mais brilhante, e nós caminhámos durante uma hora debaixo das nuvens que passavam rápida e suavemente, acenando ou cumprimentando os outros corajosos que passavam. Clementine tinha oito anos, estava naquele ponto da vida de um cão em que a dignidade e a vitalidade andam juntas, e raramente se afastava de mim, mesmo quando andava sem trela nos bosques. Quando fosse altura de sair do parque, tudo o que eu tinha de fazer era dizer, «Quieta», e ela parava onde quer que estivesse, de pé como um cavalo com as rédeas para baixo, enquanto eu lhe punha a trela.

Tínhamos acabado de sair dos bosques para o limite do campo de futebol quando ouvi um homem gritar: «Segure o seu cão!» Clemmie estava ao meu lado, sem trela, e ambas parámos abruptamente, em parte respondendo ao alarme da voz do homem. A cerca de nove metros de distância, ao pé das bancadas, vi um homem novo e musculado agachado no chão, tentando desesperadamente segurar dois cães de raça pit bull sem coleiras nem trelas. Um segundo depois, os cães libertaram-se das suas mãos e lançaram-se na nossa direção. O maior, um macho de um branco-acinzentado, deitou Clementine ao chão e agarrou-a pelo pescoço; o outro foi direito aos seus quartos traseiros. Clemmie pesava vinte e sete quilos e tinha a pelagem de inverno completa, o que num samoiedo representa uma camada dupla com uma altura de cerca de sete centímetros e meio, tão espessa como um tapete. Ela debatia-se violentamente, tentando abocanhar ambos, e eu berrava – «Leve os seus malditos cães!» – enquanto o homem tentava em vão controlar os pit bulls.

Eu ainda não sabia se Clemmie estava muito ferida, ou se o homem era um tipo duro ou um imbecil, e não havia mais ninguém em volta para ajudar. O homem conseguiu finalmente pôr um braço à volta do pescoço de cada cão e eu agarrei a coleira de Clementine e gritei: «Por favor, deixe-nos ir para o carro.» O campo era delimitado por uma vedação de arame que o separava da rua; eu sabia que tínhamos de chegar àquele portão. O homem lutava para manter os cães sob controlo e fez sinal que sim com a cabeça, sem fôlego. «Vão!», gritou. «Eu seguro-os.» Clemmie choramingava, arfando para se libertar, e eu segurei-a e começámos a correr através do campo.

Tínhamos chegado a meio caminho – menos de trinta metros – quando ouvi o homem gritar atrás de nós: «Cuidado!» Senti os pelos da nuca eriçarem-se. Voltei-me e avistei os dois cães precipitando-se na nossa direção a toda a velocidade. Então, vi um clarão cinzento voando pelo ar rumo a mim. A seguir, já só me recordo de estar no chão apoiada nas mãos e nos joelhos. O míssil cinzento era o macho maior, que pesava cerca de quarenta e cinco quilos; a fêmea fora atrás de Clementine. Quando me consegui pôr de pé, vi Clemmie no chão, a quase dois metros de distância, com os dois cães em cima dela. Um agarrava-a pela garganta e o outro tinha os dentes cravados na sua barriga. Não tinham emitido um único som.

A minha bexiga esvaziou-se como um balão de água. Vestia calças de ganga e percebi, com uma indiferença quase tranquila, que ficaram ensopadas. Estava naquele estado de vivacidade impregnada de adrenalina em que os olhos veem com nitidez mas a visão periférica é restrita e sentimos que conseguimos fazer seja o que for. O que eu sentia não era tanto medo mas uma espécie de horror selvagem e tive um flash de que lutar numa batalha devia ser assim: o sistema nervoso simpático mobiliza o corpo, que se livra de tudo o que não precisa. Sem qualquer esforço consciente da minha parte, eu entrara em modo de combate automático.

Juntei-me à luta e comecei a bater nas costas dos cães. Vestida para um tempo glacial, usava um pesado impermeável de penas e luvas sem dedos forradas com lã e toda a futilidade daquele momento foi capturada por essas luvas: lembro-me de olhar para baixo enquanto golpeava os cães e de pensar que as minhas mãos pareciam as de uma criança. Então o pit bull fêmea agarrou-me pelo antebraço, quase com indiferença, como para remover um obstáculo para longe da sua presa. A parte mais assustadora deste breve momento não foi a violência manifestada pelo cão mas o controlo – o meu braço bem podia ser um ramo, tão pouco era o interesse que lhe despertava. Geralmente, é possível avaliar a gravidade de um ataque perpetrado por um cão pelo barulho e pelo autodomínio – quanto mais silencioso é o ataque, mais mortífera é a intenção –, e eu soubera desde o início que esta situação era mortal. Os pit bulls estavam atrás de Clementine, não de mim. O facto de a fêmea me ter agarrado pelo braço deu a Clementine a oportunidade de lutar com o outro cão, afastando-o, e ela saiu furiosa, à velocidade de um cão de trenó, em direção aos bosques.

Por esta altura, o homem alcançara os cães e tentava controlá-los. Saí a correr atrás de Clemmie, ignorando a gravidade dos seus ferimentos ou para onde teria fugido em pânico. Comecei a chamar pelo seu nome e apercebi-me que, de tanto gritar, quase não tinha voz. Passava das cinco da tarde e começava a escurecer, e eu tropeçava através da neve num bosque a preto e branco. Não havia ninguém à vista. Recordo-me de pensar, numa lógica absurda, que provavelmente podia continuar à procura dela até às duas da manhã – que era esse o tempo que tinha antes de sentir a falta de água ou de comida ou antes de ficar fisicamente esgotada.

Passados alguns anos, a maior parte das memórias visuais daquela tarde têm uma nitidez cinematográfica – lembro-me do que tinha vestido, do sítio onde estava, de como sentia os braços e o rosto e a voz enquanto esquadrinhava os bosques que escureciam à procura de um cão branco. Houve alguns pequenos momentos que desapareceram – lembro-me de ouvir a voz do meu amigo Peter na caixa de correio do seu telemóvel, mas não me lembro de lhe ligar ou de pensar em fazê-lo, apenas o som da sua mensagem gravada. Ele vivia a quatro casas de distância da minha e sabia mais sobre cães do que qualquer outra pessoa que eu já conhecera, e ao ouvir a sua gravação consegui dizer algo como: «Fomos atacadas por pit bulls e Clemmie está ferida e perdida nos bosques.» Disse-me mais tarde que, quando ouviu a mensagem, quase não reconheceu a minha voz. A seguir liguei para Avery, que vivia na esquina perto do lago, e ela dirigiu-se imediatamente na minha direção. Quando chegou ao pé de mim, dez minutos depois, a primeira onda de adrenalina passara e eu percebera que Clementine estava perdida, e tremia dos pés à cabeça, finalmente apavorada. Como estava sem voz, Avery continuou a chamar por Clemmie, e então o meu telemóvel tocou e eu ouvi Peter, sem fôlego, dizer: «Vou já a correr ter contigo.»

Em todas as situações da nossa vida em que nos sentimos em queda livre, há momentos que se destacam como se uma mão se estendesse sobre o abismo, e este, para mim, foi um deles. Sem pensar, disse: «Não, vai primeiro a minha casa» – ele vivia mais abaixo na nossa rua, na direção do lago, que uma avenida principal separava das nossas casas. Daí a dois minutos o telefone voltou a tocar, tão depressa que eu sabia que tinham de ser boas ou más notícias. Então, ouvi-o gritar, «Já a tenho!», e os meus joelhos foram-se abaixo. Avery levou-me até ao meu carro e guiou até casa.

Sempre desejei que tivesse havido alguma testemunha daquele dia, alguém que me pudesse contar qual o caminho que Clementine havia percorrido. Assim que fugira dos cães, ela correra para os bosques junto ao parque, e tivera de atravessar um campo do outro lado dos bosques e depois uma via com quatro faixas, durante a hora de ponta do final da tarde. Em seguida, atravessara mais duas ruas até ao quarteirão em que vivíamos, uma viagem de mais de um quilómetro no meio do trânsito da cidade. Peter descobrira-a tremendo na minha varanda da frente. Estava a sangrar, coberta de saliva dos pit bulls, e tinha encontrado o caminho para casa.

Quatro horas depois, o veterinário e a sua assistente tinham rapado metade do pelo de Clemmie e começado a fechar as feridas abertas no dorso e nos lados. Peter, cujo pai fora treinador de cavalos e que sabia como controlar um animal que se debate violentamente, segurou Clemmie enquanto a anestesiavam. As pessoas no consultório do veterinário conheciam-nos desde que ela era um cachorrinho: Beth, a minha veterinária, ficara em silêncio quando eu telefonara a descrever o ataque e as duas pessoas que ainda estavam na clínica tinham ficado até mais tarde para esperar por nós quando souberam o que acontecera. Eram quase dez horas da noite e ninguém comia há horas, embora eu me tivesse lembrado de agarrar um pão quando ia a sair de casa; sabia que ia ser uma longa noite. Depois de terem anestesiado Clemmie, deixei-me finalmente cair no chão da sala de operações com Cleo ao meu lado, o pastor belga de Peter. Clemmie estava coberta de feridas perfurantes nos quadris e no abdómen e tinha golpes profundos ao longo do dorso; a sua camada de pelo dupla e espessa tinha-lhe provavelmente salvo a vida. Quando, por fim, fecharam as feridas e ela começou a acordar da anestesia, agachei-me junto da mesa de operações para ela me poder ver e cheirar quando acordasse. Maggie, que estivera a ajudar o veterinário e a segurar Clementine enquanto ela estava anestesiada, sorriu-me do outro lado da mesa. «Sabe», disse-me, «está a aguentar-se muito melhor do que eu pensei.»

Eu estava radiante. «Está a brincar?», retorqui. «Ela está viva.»

Passou mais de uma semana antes que Clementine conseguisse passar, sem tremer, a entrada do caminho que levava a minha casa mas, como cão de trenó que era, tinha um forte instinto social, e penso que, psicologicamente, ela recuperou mais depressa e melhor do que eu. Para além do facto de me sentir dorida e exausta, o meu único legado físico do ataque fora uma meia-lua negra no antebraço, que descobrira na tarde seguinte, uma contusão do tamanho da mandíbula do pit bull, onde a fêmea me agarrara. O cão mordera através de um espesso impermeável de penas e duas camisolas para deixar a sua marca, mas eu não a senti nem notei senão no dia seguinte, quando a adrenalina fora substituída por um cansaço esmagador. Fui-me abaixo quando estava ao telefone com Louise, que adorava cães e me adorava a mim e sabia como cuidar de ambas as espécies nas alturas mais difíceis. Enviou rosas brancas para a dor imediata e – como assistente implacável da narrativa – tinha uma solução ainda melhor para os danos de longo prazo. «Sei que isto parece insensível», disse durante a nossa primeira conversa, «mas estás a tomar notas?»

A minha intrépida mãe texana, que acabara de fazer noventa anos, mostrou um género de lealdade diferente, mais inclinada para o uso da espada do que da palavra e suficientemente feroz para me fazer rir com gratidão. Ela adorava Clementine e ficou horrorizada com o que nos acontecera. «Dá vontade de pegar numa arma, não dá?», disse-me, ao telefone, num dia em que eu estava particularmente abalada, e eu respondi, com a voz a tremer: «Sim, realmente dá.»

«Olha, querida», continuou, como se estivesse a tentar apaziguar uma criança decidida, «sabes que não podes.»

No dia seguinte ao ataque, os pit bulls tinham sido apanhados pelas autoridades e postos de quarentena. Tinha pela frente meses de deslocações ao tribunal, bem como uma longa campanha pela cidade para abater um dos cães e isolar permanentemente o outro. Para mim, haveria também flashbacks e medos e preocupações aparentemente inadequados, os restos do trauma que tendem a insinuar-se na psique só depois de o perigo ter passado. Eu já me tinha preparado instintivamente contra alguns destes resíduos através do poder simples da narrativa: a partir do momento em que telefonara a Peter, nos bosques, os acontecimentos daquele dia começaram a moldar-se numa verdade suportável. E Caroline, que durante muito tempo fora o espírito de busca-e-salvamento no meu panteão, foi tão vital como o ar no recontar da história.

Durante cerca de três semanas após o ataque, tive a certeza de que Caroline salvara Clementine naquele dia – que a tinha ajudado a fugir dos cães e conduzido, através do trânsito que circulava a grande velocidade, até ao ponto seguro. Acreditei nisto plena e categoricamente, com uma sinceridade que ajudou a proteger-me da iniquidade fortuita do sucedido. Alguns dias depois do ataque, Clementine alcançara um estatuto lendário na vizinhança, quer pelo horror da história, quer pela sua odisseia no regresso a casa, e as suas feridas e o pelo rapado atraíam tanto a atenção que até alguns desconhecidos paravam para saber de nós. Quando as pessoas que tinham conhecido Caroline nos viam no lago, eu dizia, provavelmente com olhos de demente: «Acho que Caroline a salvou!» Não era meu costume fazer declarações destas, uma vez que me inclinava mais para o empírico do que para o místico, e se as pessoas pareciam surpreendidas quando fazia esta afirmação, eram suficientemente simpáticas para me deixar em paz. Tivera um sonho meia acordada nos primeiros dias após o ataque, no qual despertava de um sono profundo e dizia a Caroline, na escuridão do meu quarto: «Meu Deus, foste tu, não foste?» E ela respondia com o seu riso suave e inteligente, divertida pela minha lentidão em reconhecer o óbvio. Vesti a minha convicção como um escudo de kriptonite enquanto precisei dos seus poderes, até voltar a conseguir estar de pé com o cão num campo sem esquadrinhar o horizonte à procura do desastre.

E agora? Duvido que alguma vez me convença, num sentido ou noutro. É uma história que ainda conto a mim mesma, emoldurada dentro do pensamento mágico próprio de uma história para crianças, onde as florestas são encantadas e os monstros podem ser vencidos e o amor e a coragem triunfam sempre sobre o perigo.

* * *

«Os mortos protegem-nos», disse à minha amiga Andrea uma noite, ao jantar, quando aquele dia sombrio no campo tinha já sido ultrapassado, muito depois de ter cessado de anunciar que o espírito de Caroline nos conduzira até casa. As palavras saíram-me da boca com a certeza de uma litania, apesar de eu não estar completamente certa do que significavam nem ter tido consciência do que pensava até as pronunciar em voz alta. Os mortos protegem-nos. Sinto isto agora com um alívio quase feroz. A morte de Caroline forçara-me a assumir uma coragem debaixo de fogo; agora ela estava dentro de mim como uma sentinela silenciosa. E quer esta ligação possa ser atribuída à memória ou a Deus, ela oferece-nos uma consolação que eu nunca conhecera. Ele está comigo. «Tiram-nos tudo», chorara eu ao telefone com Louise naquela noite, abatida pelo desespero. Afinal, descobri que não nos tiram mesmo tudo.

O ataque a Clementine fez-me aprender algo que na altura me confundiu e alarmou. Depois de tanto medo e tanta violência, aqui estava o meu cão, a salvo e com vida e, no entanto, eu preocupava-me com ele com um exagero maternal que parecia eclipsar o meu sofrimento pelos mortos. Senti-me envergonhada pela natureza inconsolável da minha inquietação; Clemmie estava viva e Caroline partira e, no entanto, a minha angústia naquele momento dirigia-se àquela que se salvara. Então, apercebi-me de uma outra coisa que não vem nos livros de instruções sobre o luto: que nós só nos afligimos com os vivos. Eu podia sofrer por causa de Caroline durante o resto da minha vida, mas já não me preocupava com ela.

Anos depois da sua morte, encontrei as dedicatórias que Caroline me redigira em dois dos seus livros – o primeiro escrito alguns meses depois de termos iniciado a nossa amizade, o segundo dois anos mais tarde. Julgo que soubemos desde o começo que esta amizade era diferente, que nos esforçaríamos por a tornar imune ao desgaste do tempo. «Para a minha querida Gail», escrevera ela no início de Pack of Two, «com mais amor e gratidão do que as palavras conseguem expressar. A tua presença – no mundo, nos bosques, neste livro – alterou a própria textura da minha vida. Obrigada por tudo o que partilhámos e que tenhamos ainda muitos anos e muitos quilómetros com as nossas lindas meninas.»

O barco de Caroline percorreu mais de três mil quilómetros desde que o levei rio acima naquele dia calmo de 2002. Agora tenho mais quinze anos do que Caroline jamais terá; remo mais devagar, mas quando hesito no início de cada época fecho os olhos e visualizo a precisão da sua remada, e então corrijo a minha. Ela ainda é a minha treinadora. Uma tarde em que acabara de remar oito quilómetros, enquanto guardava o barco, disse-lhe em voz alta: «Ficarias muito orgulhosa de mim.» O que isto significava era que eu não desistira de remar: a resistência era uma das características que admirávamos uma na outra. Mas hoje sei que me referia a algo mais para além do remo, algo comparável aos quilómetros percorridos apesar do cansaço, do desânimo e do tempo inclemente. Caroline ficaria muito orgulhosa de mim – orgulhosa de nós – porque eu também não desistira dela.

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