Um Lugar Bem Longe Daqui

Delia Owens · Capítulo 20 de 58

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Um Lugar Bem Longe Daqui

19. Fazendo alguma coisa

19.

 

Fazendo alguma coisa

 

1969

Na manhã depois de ler o segundo parecer do laboratório, oito dias após encontrar o corpo de Chase Andrews no pântano, o delegado Purdue empurrou com o pé a porta do escritório do xerife para abri-la e entrou. Trazia dois copos de papel com café e um saco de donuts quentinhos, recém-saídos da fritadeira.

— Ai, nossa, o cheiro da Parker’s — comentou Ed enquanto Joe colocava a comida em cima da mesa.

Cada um pegou do saco de papel pardo um donut imenso encharcado de óleo. Estalaram os lábios bem alto e lamberam o açúcar dos dedos.

Falando um por cima do outro, ambos anunciaram ao mesmo tempo:

— Bom, encontrei uma coisa.

— Pode falar — disse Ed.

— Eu soube de várias fontes que Chase andava fazendo alguma coisa lá no brejo.

— Fazendo alguma coisa? Como assim?

— Não tenho certeza, mas segundo uns caras na Dog-Gone há uns quatro anos ele passou a ir ao brejo com frequência, sozinho, e fazia segredo disso. Continuava indo pescar ou passear de barco com os amigos, mas saía muito sozinho. Eu estava pensando que talvez ele tenha se envolvido com alguns maconheiros ou coisa pior. Que talvez tenha se metido com algum traficante perigoso. Quem dorme com cachorros acorda com pulga. Ou, nesse caso, nem acorda.

— Não sei. Ele era atleta... Difícil imaginar um cara desses metido com drogas — falou o xerife.

— Ex-atleta. E, de toda forma, muitos atletas se metem com drogas. Quando os dias grandiosos de herói acabam, eles precisam procurar emoção em outro lugar. Ou quem sabe ele tinha uma mulher por lá.

— Mas não conheço nenhuma mulher que fizesse o tipo dele. Chase só frequentava a elite de Barkley, por assim dizer. Não se metia com lixo.

— Bom, talvez ele tenha sido discreto exatamente por achar que estava se rebaixando.

— Verdade — falou o xerife. — Enfim, o que quer que estivesse acontecendo por lá, isso revela uma nova faceta da vida dele que a gente não conhecia. Vamos bisbilhotar um pouco, descobrir o que ele andava fazendo.

— Você disse que tinha encontrado alguma coisa também.

— Não sei bem o que é. A mãe do Chase ligou, falou que tinha uma coisa importante para dizer sobre o caso. Algo a ver com um colar de concha que ele usava o tempo todo. Ela jura que é uma pista. Quer vir aqui contar tudo.

— Ela vem quando?

— Hoje à tarde. Daqui a pouquinho.

— Seria bom ter uma pista de verdade. Melhor do que sair por aí atrás de um cara que, além de usar suéter de lã vermelha, tenha um motivo. Temos que admitir: se foi assassinato, foi um assassinato bem inteligente. O brejo mastigou e engoliu todas as provas, se é que havia alguma. Temos tempo de almoçar antes de Patti Love chegar?

— Claro. E o especial do dia é costeleta de porco frito. Com torta de amora.