38 Estratégias para Vencer Qualquer Debate: A Arte de Ter Razão

35 - Mostre ao seu oponente que está lutando contra os próprios interesses

ESTRATÉG IA 35

Mostre ao seu oponente que está lutando contra os próprios interesses

 

EIS UMA ESTRATÉG IA que se for possível pôr em prática tornará todos as outras desnecessárias. Em vez de agir sobre o intelecto por m eio de argum entos, age-se sobre a vontade do oponente e dos ouvintes com o se fossem m otivos; e se o oponente e os ouvintes têm o m esm o interesse, logo serão conquistados por nossa opinião, m esm o que ela tenha sido tirada do m anicôm io; em geral, cinco gram as de vontade pesam m ais do que cinquenta quilos de conhecim ento e convicção. É verdade que isso funciona só em circunstâncias especiais. Se conseguíssem os que o oponente percebesse que a opinião dele, se com provada, arruinaria seus interesses, então ele abriria m ão dela tão rápido com o se estivesse segurando ferro quente sem querer. Por exem plo, um clérigo defende um dogm a filosófico: fazem os que ele vej a que isso contradiz indiretam ente um dogm a fundam ental de sua igrej a, e ele vai abrir m ão dele.

Um proprietário de terras ressalta a superioridade das m áquinas na Inglaterra, onde um a m áquina a vapor faz o trabalho de m uitas pessoas. Deve-se fazê-lo entender que assim que os carros forem puxados por m áquinas a vapor, o valor dos num erosos cavalos de seu haras tam bém deve cair — e verem os o que acontece. Nesses casos, todos sentem com o é duro sancionar um a lei inj usta consigo m esm o: Quam temere in nosmet legem sancimus iniquam [com que irresponsabilidade criam os um a lei inj usta conosco].

O m esm o acontece quando os ouvintes pertencem à m esm a seita, sociedade, indústria, clube etc. que nós, m as não o oponente. Não devem os nunca perm itir que a tese dele sej a verdadeira. Assim que perceberm os que ela contraria os interesses gerais dos participantes dessa sociedade ou coisa parecida, todos os ouvintes acharão que os argum entos do oponente são fracos e abom ináveis, por m ais excelentes que sej am , e os nossos, apropriados e corretos, ainda que tirados do ar. O coro se pronunciará em voz alta a nosso favor, e o oponente sairá de cam po envergonhado. Na m aioria das vezes, os ouvintes acreditarão ter votado segundo sua plena convicção. O que não é de nosso interesse parece absurdo ao intelecto na m aioria das vezes. Intellectus luminis sicci non est recipit infusionem a voluntate et affectibus. [O intelecto não é um a luz que queim a sem óleo, m as que se alim enta das paixões.] Esta estratégia poderia ser descrita com o “colher a árvore pela raiz”, m as é com um ente cham ada de argumentum ab utili.