38 Estratégias para Vencer Qualquer Debate: A Arte de Ter Razão
As 38 Estratégias
AS 38 ESTRATÉG IAS
ESTRATÉG IA 1
G eneralize as afirmações do seu oponente
CONSISTE EM LEVAR a afirm ação do oponente além de sua fronteira natural, tom á-la e interpretá-la da m aneira m ais am pla e generalista possível e exagerá-la; ou pelo contrário, tom á-la no sentido m ais restrito possível, fechá-la nos m enores lim ites possíveis, porque quanto m ais geral se torna um a afirm ação, m ais ataques ela pode receber. A defesa precisa focar na afirm ação exata dos puncti ou status controversiae.
EXEMPLO 1. Digo: “A Inglaterra é o país m ais im portante na dram aturgia”. O oponente tentou procurar um a instantia e respondeu: “Era sabido que ela não conseguia ser bem -sucedida na m úsica ou na ópera”. Eu o interrom pi com a lem brança de “que a m úsica não pode ser classificada com o arte dram ática; ela inclui apenas a tragédia e a com édia”. Ele sabia m uito bem disso e apenas tentou generalizar m inhas afirm ações, para que elas se aplicassem a todas as representações teatrais e, por consequência, à ópera e à m úsica, para ter certeza de que m e derrotaria. Por outro lado, podem -se salvar suas próprias afirm ações restringindo-as a lim ites m enores que os da nossa prim eira intenção se a form a de expressão utilizada é favorável.
EXEMPLO 2. A diz: “A paz de 1814 trouxe de volta a independência para todos os estados hanseáticos alem ães”. B retruca a instantia in contrarium de que a cidade de Danzig perdeu a independência que ganhou de Bonaparte com aquela paz. A defende-se assim : “Eu disse todas as cidades hanseáticas alem ãs: Danzig era um a cidade hanseática polonesa”. Essa estratégia j á era ensinada por Aristóteles em Tópicos VIII, 12, 11.
EXEMPLO 3. Lam arck em sua Philosophie Zoologique (vol. 1, p. 203) nega que os pólipos tenham qualquer sensibilidade, pois não têm nervos. Mas agora se sabe que eles percebem algum a coisa: quando vão em direção à luz, para a qual se direcionam ram o por ram o, e pegam suas presas. Disso se concluiu que neles a m assa neural está distribuída de m aneira hom ogênea por todo o corpo, m isturada a ele por assim dizer. Portanto, o pólipo tem percepções evidentes sem ter um órgão sensorial independente. Com o isso refuta a hipótese de Lam arck, ele argum enta de m aneira dialética: “Então todas as partes do corpo dos pólipos devem ser capazes de todo tipo de sensação, assim com o de m ovim ento, vontade, pensam entos. Assim os pólipos teriam em cada parte do corpo todos os órgãos de um anim al com pleto: cada ponto poderia ver, cheirar, sentir sabor, ouvir etc. E tam bém a capacidade de j ulgam entos: cada partícula de seu corpo seria um anim al com pleto, e o próprio pólipo seria superior ao ser hum ano, j á que cada pequena parte teria todas as habilidades que o ser hum ano só tem no todo. Além disso, não haveria nenhum m otivo para não am pliar o que se afirm a sobre os pólipos para os seres unicelulares, os seres m enos com pletos de todos, e finalm ente tam bém às plantas, que tam bém são vivas, etc.”. Por m eio da utilização de tal estratégia dialética, um escritor se trai, m ostrando que no fundo sabe que não tem razão. Porque foi dito que a criatura inteira é sensível à luz, e portanto é de natureza nervosa, ele chegou à conclusão de que o corpo inteiro é capaz de pensar.