38 Estratégias para Vencer Qualquer Debate: A Arte de Ter Razão

36 - Confunda e assuste o oponente com palavras complicadas

ESTRATÉG IA 36

Confunda e assuste o oponente com palavras complicadas

 

E ISSO SE BASEIA no fato de que:

Gewöhnlich glaubt der Mensch, wenn er nur Worte hört

Es müsse sich dabei doch auch was denken lassen.

 

[Norm alm ente as pessoas só acreditam quando ouvem palavras. Ali tam bém deveria

haver algo para refletir a respeito.] Goethe, em Fausto.

 

Quando ele secretam ente tem consciência de suas fraquezas, então está acostum ado a ouvir m uitas coisas que não entende e fingir que as entende; pode-se então im pressioná-lo com besteiras que parecem profundas e eruditas, e que o destituam de sua audição, visão e pensam ento; e usar isso com o a prova m ais irrefutável do que afirm am os. É fato conhecido que alguns filósofos utilizaram esses truques com brilhante sucesso até diante de todo o público alem ão. Mas com o isso é um exem plo odioso, querem os pegar um exem plo m ais antigo de Goldsm ith, em The Vicar of Wakefield:

“Certo, Frank”, grita o senhor de terras, “eu queria sufocar com esta taça, m as um a boa m oça vale m ais que todo o sacerdócio da Criação. Todos os seus décim os e truques não passam de um a fraude planej ada, um a enganação dos diabos e posso provar.” “Eu gostaria que o senhor o fizesse”, clam a m eu filho Moisés, “e acredito”, continua, “que eu deveria estar em condições de responder ao senhor.” “Excelente, m eu senhor”, diz o senhor de terras, que sem m ais delongas solta fum aça em sua cara e pisca para o restante da com panhia, para nos preparar para um a piada: “Se vocês estão dispostos a um a discussão tranquila sobre o assunto, então estou pronto para aceitar o desafio. E prim eiro: vocês são a favor de um tratam ento analógico ou dialógico?”. “Eu sou a favor de um tratam ento racional”, diz Moisés, todo satisfeito por ter encontrado a possibilidade de discutir. “Ótim o”, disse o senhor de terras, “e antes de tudo, espero eu, o senhor não vai negar, que tudo o que é, é: se o senhor não garantir isso para m im , não posso prosseguir.” “Tudo bem ”, responde Moisés, “acho que posso garantir isso, e tirar o m elhor proveito.” “Assim tam bém espero”, replicou o outro, “o senhor vai garantir que um a parte é m enor que o todo.” “Tam bém garanto isso”, disse Moisés, “nada m ais certo e razoável.” “Eu espero”, disse o senhor de terras, “que o senhor não negue que os três ângulos de um triângulo são iguais a dois ângulos retos.” “Nada pode ser m ais claro”, replica o outro e olha em volta com seu habitual ar de im portância. “Muito bem ”, diz o senhor de terras, falando m uito rápido, “as prem issas estão então definidas, prossigo para cham ar a atenção, de que a concatenação das atuais existências, que progride em um a proporção dupla e recíproca, leva naturalm ente a um dialogism o problem ático, o que em certo grau prova que a essência da espiritualidade se aplica ao segundo predicado.” “Pare, pare”, diz o outro, “isso eu nego. O senhor acredita que posso m e subm eter de m aneira obediente a tais proposições tão heterodoxas?” “O quê?”, responde o senhor de terras com o se estivesse furioso, “não se subm eter! Responda-m e um a única pergunta clara. O senhor acredita que Aristóteles tem razão quando diz que os parentes estão relacionados?”

“Sem dúvida”, responde o outro. “Se isso é assim , então”, diz o senhor de terras, “responda exatam ente à m inha pergunta: o senhor considera m inha pesquisa analítica da prim eira parte do m eu entim em a (argum ento) insuficiente secundum quoad ou quoad minus? E m e diga os seus princípios, e agora m esm o.” “Isso eu preciso recusar”, diz Moisés, “e não com preendo direito o que a sua discussão quer provar; m as se o senhor retornar a um a única e sim ples afirm ação, posso lhe dar a resposta.” “Ah, m eu senhor”, diz o senhor de terras, “sou o seu hum ilde servo; m as percebo que o senhor quer que eu o equipe com argum entos e com preensão de lam buj a. Não, m eu senhor, eu protesto, o senhor é m uito difícil para m im .”

Isso despertou um a risada alta contra o pobre Moisés, que era a única figura infeliz dentre um grupo de rostos satisfeitos; ele tam bém não disse m ais um a sílaba durante todo o divertim ento. [Do capítulo 7.]