38 Estratégias para Vencer Qualquer Debate: A Arte de Ter Razão
A base de toda dialética
A BASE DE TODA A DIALÉTICA
ANTES DE TUDO, deve-se considerar a essência de toda a discussão, o que realm ente acontece nela. O oponente apresentou um a tese (ou nós m esm os, o que dá no m esm o). Existem dois m odos para refutá-la e dois cam inhos a seguir.
Pelos m odos: a) ad rem (foco na questão), b) ad hominem (foco no oponente): quer dizer, m ostram os que a afirm ação não concorda com a natureza da coisa, isto é, com a verdade absoluta obj etiva; ou com outras afirm ações ou concessões do oponente, isto é, com a verdade relativa subj etiva. O últim o m odo é apenas um a dem onstração relativa e nada acrescenta à verdade obj etiva.
Pelos m étodos: a) direta, b) indireta. Nos prim eiros, os ataques são feitos diretam ente à tese em seus fundam entos; os indiretos a suas consequências. Os diretos m ostram que a tese não é verdadeira, os indiretos que ela não pode ser verdadeira.
Nos diretos, podem os fazer duas coisas. Ou m ostram os que os fundam entos da afirm ação são falsos (nego majorem, minorem); ou adm itim os os fundam entos, m as m ostram os que a afirm ação não leva às consequências (nego consequentiam), assim atacam os as consequências, ou a form a da conclusão. Para as refutações indiretas, utilizam os o recurso da apagogia ou da instância.
a) Apagogia: aceitam os um a afirm ação com o verdadeira, e então m ostram os o que vem a seguir quando utilizam os outra proposta reconhecida com o verdadeira. Usam os as duas com o prem issas para um m esm o desfecho, chegando a um a conclusão que é claram ente falsa, pois contradiz a natureza das coisas ou as outras afirm ações do próprio oponente; isto é, a conclusão é falsa ad rem ou ad hominem (Sócrates in Hippia maj. et alias). Portanto, a afirm ação de nosso oponente tam bém era falsa, pois prem issas verdadeiras só podem ser seguidas por conclusões verdadeiras, apesar das falsas nem sem pre serem seguidas por conclusões falsas. E, neste caso, podem os colocar a afirm ação de nosso oponente num terreno frágil.
b) A instância ou exem plo ao contrário (ενστασις, exemplum in contrarium). Isso consiste na refutação da afirm ação por m eio da referência direta a casos particulares que nela se incluem pela form a com o são expostos, m as aos quais não se aplicam e por m eio dos quais a afirm ação se m ostra necessariam ente falsa.
Esse é o esquem a fundam ental, o esqueleto de qualquer discussão, sua osteologia. Todo tipo de controvérsia pode ser reduzido a isso. A controvérsia inteira, no entanto, pode se dar da m aneira descrita, ou apenas aparentem ente se dar assim ; e ela pode ser apoiada por argum entos genuínos ou falsos. E por não ser fácil estabelecer a verdade em relação a esse assunto, os debates são tão longos e tão obstinados. Tam bém não podem os, ao solicitar o argum ento, separar a verdade real da aparente, pois m esm o os que participam da disputa não têm de antem ão certeza disso. Por isso descreverei os diversos truques ou estratégias sem observar as questões da verdade obj etiva ou da falsidade; pois essa é um a questão da qual não tem os nenhum a certeza e que não pode ser determ inada de antem ão. Além disso, em cada disputa ou discussão sobre qualquer assunto devem os concordar em um a coisa; e com isso, com o princípio, devem os estar dispostos a j ulgar o assunto em questão. Não podem os discutir com quem nega princípios: Contra neganten principia non est disputandum [Com alguém que contesta o princípio, não há o que debater].