38 Estratégias para Vencer Qualquer Debate: A Arte de Ter Razão
3 - Confunda a argumentação
ESTRATÉG IA 3
Confunda a argumentação
OUTRA ESTRATÉG IA é interpretar a afirm ação estabelecida de m aneira relativa, κατα τι, com o se tivesse sido feita de m aneira geral e absoluta, ἁπλως, ou pelo m enos em um sentido com pletam ente diferente, e então refutá-la pelo sentido que o falante não quis. O exem plo de Aristóteles é o seguinte: o m ouro é negro, entretanto os dentes são brancos; assim ele é negro e não negro ao m esm o tem po. Esse é um exem plo inventado, que ninguém levaria a sério: peguem os então um da experiência real.
EXEMPLO 1. Em um a conversa sobre filosofia assum o que defendo e prefiro o sistem a dos quietistas. Logo depois vem a conversa sobre Hegel, e eu afirm o que ele escreveu grandes besteiras, ou pelo m enos m uitos trechos de seus escritos, nos quais Hegel colocou as palavras, m as o leitor precisa dar o sentido. O oponente não tenta refutar isso ad rem, m as se satisfaz ao estabelecer o argumentum ad hominem: “Eu tinha acabado de defender os quietistas e tam bém eles escreveram m uitas besteiras”. Adm iti isso, m as corrigi ao dizer que não elogio os quietistas com o filósofos ou escritores, isto é, não por causa de suas realizações teóricas, m as som ente com o seres hum anos, por causa de seus feitos, som ente do ponto de vista prático. E que no caso de Hegel, entretanto, falávam os de teorias. Assim , esquivei-m e do ataque.
As três prim eiras estratégias estão relacionados entre si. Eles têm em com um o fato de que o oponente na verdade fala sobre um a coisa diferente do que foi afirm ado. Então seria um ignoratioelenchi [desconhecim ento das contraevidências] perm itir ser derrotado de tal m aneira. Então, em todos os exem plos apresentados, o que o oponente diz é verdade, m as parece estar em contradição com a tese de m aneira aparente e não real. Tudo o que a pessoa que está sendo atacada deve fazer é negar a validade de sua conclusão, isto é, a conclusão a que o oponente chega, e isso porque sua afirm ação é verdadeira e a nossa, falsa. Dessa m aneira, sua refutação é refutada diretam ente pela negação de sua conclusão, per negotionem consequetiae. Outra estratégia é recusar-se a adm itir prem issas verdadeiras por causa de um a consequência prevista. Existem duas m aneiras de derrotá-las e elas estão incorporadas nas estratégias 4 e 5.