A Casa do Saltimbanco

Mme. de Stolz · Capítulo 15 de 30

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A Casa do Saltimbanco

Capitulo X

Por um profundo sentimento de ternura, teve a idéa de pegar n'um bocado de carvão e de escrever na parede os nomes de todos aquelles que amava. Levantou-se com custo, e com a mão que a fraqueza e a ternura fazia tremula escreveu: Papá, mamã, Camilla; e as lagrimas saltavam-lhe a cada palavra que lhe lembrava a sua familia. Arrependia-se do fundo do seu{130} coração, não só da sua ultima desobediencia, mas de todas aquellas que tinha commettido durante annos; não só das que seus paes tinham castigado, mas tambem d'aquellas, mais numerosas, que só Deus tinha visto.

No seu arrependimento, o desgraçado pequeno, pôz-se de joelhos, e, com o coração despedaçado pelo desgosto, escreveu com grandes lettras: «Roubaram-me porque desobedeci, foi culpa minha!»

O dia acabou de todo, e Adalberto foi de novo encolher-se sobre a sua taboa com as costas para o tonel. Um silencio de morte deixava-lhe ouvir a sua respiração desigual, e até os seus menores movimentos.

Um pouco mais tarde, a chuva começou a cahir fóra e o vento fez gemer as faias que guarneciam o caminho deserto. A criança quasi desfallecida de fome, de pena e de miseria, fechou os olhos, e, julgando que se chamava morrer ao que sentia, abaixou a sua cabecinha e disse baixinho: Mamã!{131}

 

CAPITULO X