A Casa do Saltimbanco
Capitulo II
Graças a este espirito de exactidão chamavam-lhe o relogio vivo de Valneige, e na realidade ter-se-hia bem dispensado o outro, que só sabia dar horas, como uma machina que era. Um olhar de Rosinha mandava para o trabalho os pequenos preguiçosos, que se entretinham na escada ás horas da lição; um gesto seu chamava do fim do parque os mais traquinas; emfim, nas circumstancias importantes, a sua voz imperiosa obrigava cada um a entrar no seu dever, fosse qual fosse a distracção presente.
Em vez de se dizer; o relogio vae dar horas;{12} dizia-se, Rosinha vae passar, e o regimento desfilava em boa ordem sem dar palavra. Os senhores de Valneige approvavam muito esta vigilancia que tornava mais facil a sua, e as proprias crianças, temendo um pouco os ares sérios que a velha sabia tomar, gostavam comtudo d'ella porque era justa, porque fazia os dôces, e porque era sempre ella quem da melhor vontade se prestava aos seus caprichos, comtanto que esses caprichos não se lembrassem de vir uma hora mais tarde ou mais cedo do que devia ser. O relogio primeiro do que tudo.{13}
CAPITULO II