A Entrega

Dennis Lehane · Capítulo 11 de 16

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A Entrega

11. Todos morrem

 

DEPOIS QUE TORRES FOI EMBORA, Bob ficou andando pelo parque por um tempinho, mas na verdade não conseguia se lembrar muito do passeio antes de ele e Rocco se encontrarem novamente perto do carro. Ele se sentia com a cabeça tão no ar que não tinha muita certeza de ser capaz de dirigir; ficou ao lado do carro com seu cão e olhou para o duro céu de inverno, o sol escondido atrás de uma muralha cinzenta tão grossa quanto uma peça de veludo. Dali a alguns meses, se o braço emergisse em algum lugar ao longo daquelas margens, será que Torres relacionaria as coisas? Será que ele iria atrás de Bob?

Ele já está vindo atrás de você agora.

Bob puxou o ar, prendeu-o, depois o expirou. Dessa vez não ficou tonto nem jogou o ar na frente do próprio rosto.

Falou consigo mesmo que tudo ia dar certo. Ia mesmo.

Entrou no carro, olhou-se no espelho retrovisor e disse em voz alta: “Tudo vai dar certo”.

Não que ele acreditasse naquilo, mas o que é que se ia fazer?

Rumou para a paróquia de São Domingos e para a sua casa para deixar Rocco lá. Quando eles saíram do carro, Nadia saiu da casa.

Ela disse: “Vim aqui para levar Rocco para o passeio da tarde. Eu pirei. Seu celular está ligado?”.

Bob olhou para seu celular. “Sem som, só para vibrar. Não percebi”.

“Liguei um monte de vezes.”

Na tela dele estava escrito Chamadas perdidas Nadia (6). “Agora é que estou vendo.”

Ela inclinou a cabeça. “Pensei que hoje você estava trabalhando.”

Bob disse: “Eu... Pois é. É uma longa história, não dá pra contar. Mas eu devia ter ligado para você. Desculpe”.

“Oh, não, não. Não se preocupe com isso.”

Bob subiu na varanda com Rocco, que se jogou aos pés de Nadia. Ela coçou o peito dele.

Bob disse: “Você conhece um tal de Eric Deeds?”.

Nadia manteve a cabeça abaixada e continuou a coçar o peito de Rocco. “Eu não o conheço de verdade, mas o conheço. Sabe, das redondezas.”

Bob disse: “Pelo jeito que ele falou, achei que você...”.

“Achou o quê?”

“Nada não. Não sei o que eu...”

Então ela olhou para ele. Olhou-o com algo nos olhos que ele nunca tinha visto. Algo que lhe ordenava que desse meia-volta e corresse o mais depressa possível.

“Por que você está pegando no meu pé por causa disso?”

“O quê? Eu só fiz uma pergunta.”

Ela disse: “Você estava insinuando”.

“Não, não estava.”

“Agora você está discutindo comigo só por discutir.”

“Não estou.”

Ela se pôs de pé. “Está vendo? Não preciso dessa merda, entendeu?”

Bob disse: “Espere. O que aconteceu aqui?”.

“Você acha que pode fazer de mim o que quiser, pensa que achou um saco de pancadas para bater com seu grande punho?”

“O quê?”, disse Bob. “Jesus, não.”

Ela ia passar por ele, Bob fez menção de alcançá-la, mas mudou de ideia. Tarde demais, porém.

“Não toque em mim, porra.”

Ele se afastou dela um passo. Ela apontou o dedo para seu rosto e desceu as escadas rapidamente.

Na calçada, ela levantou os olhos para ele. “Babaca”, disse ela, os olhos rasos d’água.

E foi embora.

Bob ficou ali sem ter a menor ideia de como conseguiu foder com tudo daquele jeito.

QUANDO VOLTOU PARA O BAR, Bob ficou nos fundos por uma hora, com um secador de cabelo e o dinheiro molhado. Quando ele entrou, o bar ainda estava praticamente vazio: só havia alguns fregueses antigos tomando bebida barata de centeio perto da porta. Cousin Marv e Bob ficaram na outra extremidade.

Bob disse: “Só fiz uma pergunta e tudo... bem, degringolou”.

Cousin Marv disse: “Você poderia dar a elas o diamante azul da coroa, e elas reclamariam do peso”. Ele virou uma página do jornal. “Você tem certeza de que ele não viu nada?”

“Torres?”, perguntou Bob. “Tenho.” Embora não tivesse.

A porta da frente se abriu, e Chovka entrou, seguido por Anwar. Os dois passaram pelos três velhos fregueses, aproximaram-se do balcão e pegaram bancos perto de Marv e Bob. Eles se sentaram, colocaram os cotovelos no balcão e esperaram.

Os três velhos – Pokaski, Limone e Imbruglia – nem ao menos conversaram sobre aquilo antes de se levantar de seus bancos e se pôr a vagar em volta da mesa de bilhar.

Cousin Marv passou um pano no balcão junto de Chovka, ainda que o tivesse limpado um minuto antes de os dois entrarem. “Olá.”

Chovka o ignorou. Olhou para Anwar. Ambos olharam para Bob e Cousin Marv. Chovka enfiou a mão no bolso. Anwar fez o mesmo. Ambos tiraram as mãos dos respectivos casacos. Eles colocaram maços de cigarros e isqueiros no balcão.

Bob abaixou-se atrás do balcão e de lá tirou o cinzeiro que guardava ali para Millie. Ele o colocou entre os dois. Eles acenderam os cigarros.

“Quer tomar um drinque, Chovka?”, perguntou Bob.

Chovka continuou fumando. Anwar também.

Bob disse: “Marv”.

Cousin Marv perguntou: “O que é?”.

Bob disse: “Anwar bebe Stella”.

Cousin Marv foi ao refrigerador das cervejas. Bob pegou uma garrafa de uísque escocês Middleton na prateleira de cima. Ele encheu um bom copo e colocou-o diante de Chovka. Cousin Marv voltou com uma Stella Artois e colocou-a junto a Anwar. Bob pegou um descanso para copos, levantou a garrafa de cerveja e o pôs sob ela. Depois pegou um envelope de papel manilha sob a caixa registradora e colocou-o no balcão.

Bob disse: “As notas ainda estão um pouco úmidas, então as pus dentro de um saco plástico com zíper”.

Chovka disse: “Um saco plástico”.

Bob fez que sim. “Sabe, eu ia colocá-las num secador, mas como não temos nenhum aqui, fiz o possível com um secador de cabelos. Porém se você espalhar todas as notas numa mesa, amanhã de manhã estarão todas secas.”

“Pra começar, por que elas ficaram úmidas?”

“Precisávamos limpá-las”, disse Bob.

“Estavam sujas de alguma coisa?”, perguntou Chovka com uma expressão tranquila nos olhos.

“Sim”, disse Bob.

Chovka ficou olhando o drinque que Bob pusera diante dele. “Não foi isso que você me deu da última vez.”

Bob disse: “Da última vez foi Bowmore 18. Você disse que tinha gosto de conhaque. Acho que você vai gostar mais deste”.

Chovka levantou o copo contra a luz e o cheirou. Olhou para Bob, levou o copo aos lábios, tomou um gole e o colocou no balcão. “Nós morremos.”

“Como?”, disse Bob.

“Todos nós”, disse Chovka. “Nós morremos. Acontece de tantas formas diferentes. Anwar, você conheceu seu avô?”

Anwar bebeu metade de sua Stella de um só gole. “Não, ele morreu há muito tempo.”

“Bob”, disse Chovka, “seu avô ainda está vivo? Os dois?”

“Não, senhor.”

“Mas eles viveram bastante?”

“Um morreu pouco antes dos quarenta anos”, disse Bob. “O outro na casa dos sessenta.”

“Mas eles viveram nesta terra. Eles treparam, lutaram e fizeram filhos. Eles achavam que a época deles era a época, a última palavra. E aí eles morreram. Porque a gente morre.” Ele tomou outro gole de uísque e repetiu: “A gente morre”, num leve sussurro. “Mas antes disso...” Ele se voltou no banco e passou o copo a Anwar. “Você precisa provar esta porra deste uísque, cara.”

Ele bateu nas costas de Anwar e riu.

Anwar tomou um gole e devolveu o copo. “É bom.”

“É bom”, disse Chovka com uma risada meio de deboche. “Você não entende das coisas mais refinadas, Anwar. Esse é o seu problema. Tome sua cerveja.” Chovka tomou o resto do copo, olhos fitos em Cousin Marv. Depois, dirigindo-se a Bob: “Você entende das coisas mais refinadas, Bob”.

“Obrigado.”

“Acho que você entende de muito mais coisas do que deixa transparecer.”

Bob ficou calado.

Chovka disse: “Você vai guardar a bolada”.

Cousin Marv perguntou: “Esta noite?”.

Chovka balançou a cabeça.

Eles esperaram.

Chovka disse: “A final do campeonato de futebol americano”.

Ele e Anwar afastaram-se do balcão, recolheram os cigarros e isqueiros, atravessaram o bar e saíram pela porta.

Bob e Cousin Marv ficaram lá, Bob ainda se sentindo tão atordoado que não se surpreenderia se recobrasse os sentidos no chão, dez minutos depois, sem se lembrar de como fora parar ali. O salão não chegava a girar, mas ficava escurecendo e se iluminando, escurecendo e se iluminando.

Marv disse: “Você notou que ele nem uma vez se dirigiu a mim nem comentou minhas atitudes? A única vez que ele olhou para mim foi como se eu fosse um pedacinho de papel higiênico que ficara em sua bunda, e ele tivesse de arrumar outro”.

“Não percebi nada disso.”

“Você não percebeu porque estava na maior intimidade com ele. ‘Aqui está seu uísque com hortelã, senhor, e desculpe-me se não tiver o gosto do conhaque de dezoito anos que lhe servi da última vez que veio vigiar os seus escravos.’ Você está brincando comigo, porra? Ele vai me matar, cacete!”

“Não, não vai. Você não está dizendo coisa com coisa.”

“Estou falando com toda lógica. Ele acha que eu e o finado Rardy planejamos isso com o Cadáver de Um Braço Só...”

“Rardy não está morto.”

“É mesmo? Você o tem visto ultimamente?” Ele apontou para a porta sussurrando: “Esse sacana desse checheno acha que eu e Rardy tramamos isso com o Cadáver de Um Braço Só. Quanto a você, ele acha que você é estúpido demais ou muito, sei lá... boa gente para roubá-lo. Mas eu... ele me lançou um olhar mortal”.

“Se ele pensasse que você estava com os cinco mil dólares dele, onde ele achou os cinco que estavam no saco?”

“O quê?”

“Os caras que vieram aqui roubaram os cinco mil. Havia cinco mil no saco...” – ele olhou em direção à mesa de bilhar, certificou-se de que os caras ainda estavam lá – “... onde estava a mão. Então ele achou o dinheiro com o cara e o mandou de volta para nós.”

“É mesmo?”

“O que significa que ele não pode achar que você está com o dinheiro, já que o mandou para nós, e nós o devolvemos a ele.”

“Ele pode achar que eu estava de conluio com os assaltantes e que eles estavam com o dinheiro enquanto eu esperava a poeira baixar. E mesmo que ele não pense isso, a coisa está na cabeça dele, agora que não passo de um merda. Não mereço confiança. E caras desse tipo não se perguntam se suas opiniões são racionais. Eles simplesmente concluem que você é uma pulga e que amanhã é o Dia de Matar Pulga.”

“Você está prestando atenção no que está dizendo?”

O rosto de Marv estava banhado de suor. “Eles vão usar este lugar para guardar a bolada da final de campeonato de domingo. Então vão assaltar a grana, nos matar ou nos deixar viver o bastante para todos os outros chechenos pirados e georgianos desgraçados que colocarem o dinheiro em nosso cofre concluírem que nós orquestramos a coisa. E então eles vão nos torturar em algum porão por três ou quatro dias até não nos sobrarem mais olhos, nem orelhas nem bagos, e todos os nossos dentes estiverem rebentados. E aí? Duas balas na cabeça, Bob. Duas balas na cabeça.”

Ele saiu de trás do balcão.

“Marv.”

Cousin Marv fez um gesto dispensando-o e começou a andar em direção à porta.

Bob disse: “Não posso trabalhar sozinho numa noite de quinta-feira”.

“Contrate empregados temporários.”

“Marv!”

Marv levantou os braços num gesto de “Que é que eu vou fazer?” e abriu a porta. A porta se fechou atrás dele, e Bob ficou atrás do balcão, os velhos fregueses olhando para ele por sobre a mesa de bilhar, antes de voltarem aos seus drinques.

 

NO FIM DE UMA LONGA NOITE, BOB saiu para a rua e encontrou Nadia diante da varanda dele, fumando. Bob sentiu seu rosto afoguear-se como as comemorações do Quatro de Julho.

Bob disse: “Você vai congelar aqui fora”.

Ela balançou a cabeça. “Eu saí só para fumar. Eu estava com Rocco.”

Bob disse: “Não me importo se você o conhece. Não me importo. Ele mandou lembranças para você, como se quisesse dizer alguma coisa”.

“O que mais ele disse?”, perguntou Nadia.

Bob disse: “Ele falou que Rocco é dele.”

Ela jogou o cigarro na rua. Bob deixou a porta aberta para ela, e ela entrou.

Na cozinha, Bob sentou-se à mesa, tirou Rocco de sua casinha e o pôs no colo. Nadia tirou duas cervejas da geladeira e passou uma para Bob.

Por um instante, eles beberam em silêncio.

Nadia disse: “Então? Eric é legal, não é? Quer dizer, aquilo foi só uma noite. Quer dizer... toda aquela coisa de ele ter batido na cabeça do filhote, mas aí ele saiu da cidade por algum tempo e quando voltou parecia mais calmo, como se tivesse prendido seus demônios, sabe? Trancou-os. Por algum tempo ele parecia estar diferente. Então quando o malucão chegou à cidade, eu já estava por conta”.

Bob disse: “Foi por isso que ele escolheu seu latão de lixo”.

Nadia olhou para Rocco e balançou a cabeça. “Faz, digamos... um ano que não ficamos juntos.” Ela balançou a cabeça novamente tentando convencer a si mesma. Então: “Daí ele bateu em Rocco, pensou que ele estava morto e o jogou em minha lata de lixo. Daí vou fazer o quê?”.

Bob disse: “Pensar nele? Não sei”.

Nadia refletiu sobre isso. “Isso não faz o estilo de Eric. Meu Deus, desculpe.”

Bob disse: “Você não sabia”.

Nadia ajoelhou-se diante de Bob e de Rocco. Ela tomou a cabeça do cachorro nas mãos.

Nadia disse: “Rocco. Não estou por dentro de santos. Rocco é santo de quê?”.

Bob disse: “Dos cães. Ele é o protetor dos cães”.

Nadia disse: “Bom, tá”.

Bob disse: “E dos farmacêuticos, dos solteirões e dos que sofreram acusações falsas”.

Nadia disse: “O cara tem trabalho que não acaba mais”. Ela ergueu sua cerveja num brinde. “Bem, merda, este é para são Rocco.”

Eles brindaram.

Ela sentou-se novamente e passou a ponta do polegar pela própria cicatriz. “Você nunca pensa que algumas coisas que você faz não merecem... sei lá, perdão?”

Bob disse: “Perdão de quem?”.

Nadia apontou para cima. “Você sabe”.

Bob disse: “Sim, tem dias que acho que alguns pecados a gente não pode desfazer. Seja lá o bem que se faça depois, o diabo está só esperando o corpo, porque a alma já é dele. Ou talvez não exista diabo, mas você morre, e Deus diz: “Lamento que você não possa entrar. Você fez algo imperdoável, agora vai ter de ficar sozinho. Para sempre”.

Nadia disse: “Eu optaria pelo diabo”.

“É mesmo?”, disse Bob. “Em certas épocas acho que o problema não é Deus. O problema somos nós, sabe?”

Ela balançou a cabeça.

Bob disse: “Nós não nos permitimos sair de nossas próprias jaulas”.

Ele agitou a pata de Rocco em direção a ela. Ela sorriu, tomou a cerveja.

“Ouvi dizer que Cousin Marv não é dono do bar. Os donos são uns sujeitos durões. Mas você não é um cara durão. Então, por que você trabalha lá?”

Bob disse: “Eu e Cousin Marv nos conhecemos há muito tempo. Na verdade, ele é meu primo. Ele e sua irmã, Dottie. Minha mãe e o pai deles eram irmãs”.

Nadia riu. “Eles partilhavam a maquiagem?”

“O que é mesmo que falei? Não, quer dizer, eu sei o que quis dizer.” Ele riu. Foi um riso de verdade, e ele não se lembrava da última vez que rira daquela maneira. “Por que você fica encarnando em mim o tempo todo?”

“É engraçado”, ela respondeu.

O silêncio foi agradável.

Finalmente Bob o quebrou. “Marv pensava que eu era um sujeito durão. Por algum tempo, ele liderou um bando, e nós ganhamos algum dinheiro, sabe?”

Nadia disse: “Mas agora vocês não têm um bando?”.

Bob disse: “A gente tem de ser ruim. Durão não basta. E começaram a aparecer esses bandos ruins no pedaço. E nós percebemos”.

Nadia disse: “Mas você continua nessa vida”.

Bob negou com um gesto de cabeça. “Eu só cuido do bar.”

Ela olhou atentamente para ele por cima de sua cerveja, deixando-o perceber que na verdade não acreditava nele, mas que não iria insistir.

Ela disse: “Você acha que ele simplesmente vai embora?”.

“Eric?”, perguntou ele. “Ele não me parece ser desse tipo.”

“Ele não é. Ele matou um cara chamado Glory Days. Bem, esse não era bem seu nome...”

Bob disse: “Richie Whelan, sei”.

Nadia fez que sim. “Eric o matou.”

“Por quê?”, Bob perguntou.

“Não sei. Eric não gosta muito de ‘por quê’.” Ela se levantou. “Outra cerveja?”

Bob hesitou.

“Ora, Bob, fique à vontade, relaxe.”

Bob se animou. “Por que não?”

Nadia pôs mais uma cerveja diante dele. Ela passou a mão na cabeça de Rocco, sentou-se, e eles beberam.

* * *

BOB ACOMPANHOU NADIA até a varanda da casa dela. “Boa noite.”

“Boa noite, Bob. Obrigada.”

“Por quê?”

Ela deu de ombros, pôs a mão no ombro dele e lhe deu um beijinho na face. Depois foi embora.

 

BOB FOI ANDANDO PARA CASA. As ruas estavam silenciosas. Ele chegou a um grande trecho de gelo na calçada. Em vez de desviar, deslizou sobre ele, levantando os braços para se equilibrar. Como um menino. Quando chegou ao fim do gelo, sorriu para as estrelas.

 

DE VOLTA A CASA, ELE retirou as latas de cerveja da mesa, lavou-as e as pôs num saco plástico pendurado num puxador de gaveta. Ele sorriu para Rocco, que estava encolhido e dormindo no canto de sua casinha, e apagou a lâmpada da cozinha.

Bob acendeu a lâmpada da cozinha novamente e abriu a casinha. Rocco abriu os olhos e olhou para ele. Bob viu o que havia a mais na casinha de Rocco.

O guarda-chuva que Eric Deeds levou de sua casa.

Bob o retirou da casinha e o ficou segurando por um bom tempo.