A Entrega
15. Hora de fechar
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OS HOMENS DA GRANA ENTRARAM E SAÍRAM, entraram e saíram a noite inteira. Bob enfiou tanto dinheiro pela fenda que teve certeza de que ouviria aquele som em seus sonhos durante muitos dias.
Três entraram no bar ao longo de todo o jogo; ele observou um súbito vazio na multidão logo depois do primeiro tempo e viu Eric Deeds sentado à mesa vacilante sob o espelho com o anúncio de cerveja Narragansett. Deeds estava com o braço estendido sobre a mesa, e Bob o acompanhou e viu que o braço dele tocava o braço de outra pessoa. Bob teve de se deslocar ao longo do balcão para ter um melhor ângulo de visão, em meio a um bando de bêbados, e imediatamente desejou não ter feito isso. Desejou não ter ido trabalhar. Desejou não ter se levantado da cama em nenhum dia desde o Natal. Desejou poder voltar o relógio de toda a sua vida, só para ajustá-lo ao dia anterior àquele em que foi andando pelo quarteirão e achou Rocco na frente da casa dela.
A casa de Nadia.
Era o braço de Nadia que Deeds tocava. O rosto de Nadia voltado para Eric, impenetrável.
Bob, enchendo um copo com gelo, sentiu como se estivesse enfiando os cubos dentro do próprio peito, empurrando-os no próprio estômago e contra a base da própria espinha. O que ele sabia de Nadia, afinal de contas? Ele sabia que tinha encontrado um cachorro semimorto no lixo diante da casa dela. Sabia que ela tinha um caso – ou algo parecido – com Eric Deeds e que Eric Deeds só entrou na vida dele depois que Bob a conheceu. Ele sabia que até aquela altura seu nome do meio poderia ser Mentiras de Omissão. Talvez a cicatriz em sua garganta não tivesse sido feita por sua mão, talvez se devesse ao último cara que a maltratara.
Quando tinha vinte e oito anos, Bob entrou no quarto de sua mãe para acordá-la para a missa de domingo. Ele sacudiu-lhe o corpo, mas ela não bateu em sua mão como de costume. Então ele voltou o corpo dela em sua direção e viu que seu rosto e seus olhos estavam muito contraídos, a pele estava acinzentada. A certa altura da noite, depois dos programas The Commish e Eleven O’Clock News, ela fora para a cama e acordara com o punho de Deus apertando-lhe o coração. Provavelmente não lhe sobrara ar nos pulmões para gritar. Sozinha no escuro, agarrando os lençóis, o punho fechado, o rosto contraído, os olhos contraídos, ante a consciência nascente de que, mesmo para você, e naquele exato momento, tudo acaba.
Debruçado sobre ela naquela manhã, imaginando o último palpitar de seu coração, o último desejo que sua mente fora capaz de conceber, Bob sentiu uma perda como nenhuma outra que futuramente viesse a sentir.
Até esta noite. Até agora. Até que ele entendeu o que o olhar de Nadia significava.
POR VOLTA DO TERCEIRO QUARTO DO PERÍODO, Bob aproximou-se de um grupo de sujeitos que estavam no balcão. Um deles estava de costas para ele, e na parte de trás de sua cabeça havia alguma coisa que lhe pareceu familiar. Bob ia pôr o dedo nela quando Rardy se voltou e lhe deu um largo sorriso.
Rardy disse: “Como vão as coisas aqui, meu garoto Bobby?”.
“Nós, nós...”, disse Bob, “... nós estávamos preocupados com você.”
Rardy fez aquela sua cômica cara enfezada. “Vocês, vocês, vocês estavam? A propósito, vamos tomar sete cervejas e sete doses de Cuervo.”
Bob disse: “A gente estava achando que você tinha morrido”.
Rardy disse: “Por que haveria de ter morrido? Eu simplesmente não estava a fim de trabalhar num lugar em que quase me mataram. Diga a Marv que ele vai ter notícias de meu advogado”.
Bob viu Eric Deeds abrindo caminho por entre a multidão em direção ao outro lado do bar, e aquilo pesou muito em Bob. Era algo implacável. Ele disse a Rardy: “Talvez eu fale a Chovka de suas queixas. Assim resolvemos as coisas de forma mais simples. O que acha? Não é uma boa ideia?”.
A isso Rardy riu amargamente, tentando um ar de desprezo, mas ficando muito longe disso. Ele balançou a cabeça como a dizer que Bob não entendeu a coisa, não entendeu nada.
“Traga as cervejas e as doses de Cuervo.”
Bob se inclinou sobre o balcão, ficou perto de Rardy o bastante para sentir-lhe o bafo de tequila. “Você quer um drinque? Faça sinal para um bartender que não saiba que você é um merda.”
Rardy pestanejou, mas Bob já estava se afastando.
Ele passou por trás de dois funcionários temporários, se pôs no outro canto e ficou vendo Eric Deeds aproximar-se.
Quando Eric chegou perto dele, disse: “Vodca Stolichnaya com gelo, meu chapa. Chardonnay para a dama.”
Bob preparou o drinque. “Não o vi hoje de manhã.”
“Não? Bem...”
“Então você não quer o dinheiro.”
Eric disse: “Você o trouxe?”.
“Trouxe o quê?”
“Você trouxe. Você é bem o tipo.”
“Que tipo?”, perguntou Bob.
“O tipo que traz dinheiro consigo.”
Bob passou-lhe a vodca e pôs Chardonnay num copo. “Onde ela está?”
“Ela é minha garota. Sempre e para sempre e ponto final.”
Bob empurrou o copo para a frente de Eric. Ele se inclinou sobre o balcão. Eric fez o mesmo para aproximar-se dele.
Bob disse: “Você me dá essa folha de papel e vai embora com o dinheiro”.
“Que folha de papel?”
“A do microchip do cachorro. Você a assina e passa a licença para mim.”
“Por que eu faria isso?”
Bob disse: “Porque estou lhe pagando. Não é esse o trato?”.
Eric disse: “Esse é um trato”.
O celular de Eric tocou. Ele olhou para o aparelho, levantou o dedo para Bob, pegou os drinques e meteu-se novamente na multidão.
ACRESCENTEM PEYTON MANNING À LISTA de pessoas que foderam com Cousin Marv nesta vida. O sacana foi lá com seu braço bilionário e seu contrato bilionário e aprontou em todo o campo contra a defesa do Seahawks. Havia dois tipos de sacanagem em ação naquele momento – a que o Seattle estava fazendo com o Denver e a que o Denver estava fazendo com cada apostador naquele país que confiara neles. Marv, um dos apostadores – porque que sentido fazia continuar a abster-se dos maus hábitos se você era maluco o suficiente para roubar a máfia chechena em alguns milhões de dólares? –, ia perder cinquenta mil naquela porra de jogo. Não que ele fosse ficar por ali para pagar a dívida. E se isso emputecia Leo Coogan e seus rapazes do Upham Corner, bem, eles poderiam entrar na fila. Pegar a porra dum número.
Do telefone da cozinha, Marv telefonou para Deeds para saber quando ele planejava ir para o bar e ficou chocado e aborrecido ao ouvir que ele já estava lá havia uma hora.
“Que diabos você está fazendo?”, disse ele.
“Em que outro lugar eu haveria de estar?”, disse Deeds.
“Em casa. Assim ninguém vê você muito bem até o momento em que você vai roubar a porra do lugar.”
“Ninguém presta atenção em mim”, disse Eric. “Então, não se preocupe com isso.”
“Simplesmente não entendo”, disse Marv.
“Não entende o quê?”
“Muito simples – você aparece na hora combinada, faz o que tem de fazer e se manda. Por que ninguém mais consegue se ater a uma porra dum plano? Sua geração, todos vocês enchem o cu de drogas toda manhã antes de saírem de casa?”
Marv foi pegar outra cerveja na geladeira.
Deeds disse: “Não se preocupe com isso. Ele está sob controle”.
“Ele quem?”
“Bob.”
“Se esse cara estivesse sob controle, você estaria gritando, e você não está gritando.” Marv abriu a cerveja. Ele amenizou um pouco o tom. Melhor ter um parceiro calmo que um que pense que você está puto com ele. “Ouça, sei o que ele parece, mas não engano você, não foda com esse cara. Deixe-o em paz e não chame atenção para você.”
“Oh”, disse Eric. “Então o que devo fazer nas próximas duas horas?”
“Você está num bar. Não beba demais, fique frio, e eu vou me encontrar com você às duas na viela. O que você acha?”
O riso de Eric soou forçado e ao mesmo tempo feminil, como se ele estivesse rindo de uma piada que ninguém pudesse ouvir e que ninguém mais fosse entender se ouvisse.
“Parece uma boa ideia”, disse ele, e desligou.
Marv olhou para seu telefone. A moçada de hoje. Era como se naquele dia na escola em que a lição era sobre responsabilidade pessoal, todos eles tivessem matado a aula alegando doença.
QUANDO O JOGO ACABOU, a multidão diminuiu bastante, embora os que permaneceram estivessem mais barulhentos, mais bêbados, e sujando mais o banheiro.
Depois de algum tempo, até esses começaram a ir embora. Rardy passou pela mesa de bilhar, e seus amigos o puxaram de lá, um deles lançando olhares de desculpas a Bob o tempo todo.
De vez em quando Bob olhava para Eric e para Nadia, ainda sentados à mesma mesa do bar, conversando. Toda vez que o fazia, Bob se sentia mais diminuído. Se tivesse olhado para lá muitas vezes, teria desmaiado.
Depois de quatro vodcas, Eric finalmente foi ao banheiro, e Nadia aproximou-se do balcão.
Bob debruçou-se sobre o balcão. “Você está com ele?”
Nadia disse: “O quê?”.
Bob disse: “Está? Só quero que você me diga”.
Nadia: “Pelo amor de Deus, o quê? Não. Não, não estou com ele. Não, não, não. Bob, cheguei em casa esta tarde, e ele estava esperando por mim na cozinha com uma arma na cintura como se tratasse de Silverado. Disse que eu tinha de vir com ele para encontrar você”.
Bob queria acreditar nela. Queria tanto acreditar nela que seus dentes poderiam começar a bater, saltar da boca, espalhar-se por todo o bar. Finalmente, ele olhou bem nos olhos dela e viu algo que não conseguia distinguir por completo – mas com certeza não era excitação, presunção ou o sorriso amargo de um vencedor. Talvez algo pior do que tudo isso... desespero.
Bob disse: “Acho que posso fazer isso sozinho”.
“Fazer o quê?”, disse Nadia.
Bob disse: “É difícil demais, sabe? Fiquei martelando... essa frase durante dez anos – a cada puto dia – porque eu achava que, de alguma maneira, iria me justificar quando eu chegasse do outro lado, entende? Que eu iria ver minha mãe e meu pai, ou coisa assim? Porém, acho que não vou ser perdoado. Nem acho que devia ser. Mas, mas quer dizer que estou condenado a ficar sozinho do outro lado e deste também?”.
“Ninguém está condenado a ser sozinho. Bob”, disse ela pondo a mão na dele. “Ninguém.”
Eric saiu do banheiro e abriu caminho até o balcão. Ele apontou um polegar para Nadia. “Seja legal e tire nossos drinques da mesa, tá bom?”
Bob se afastou para fechar a conta de um freguês.
À UMA E QUARENTA E CINCO, A MULTIDÃO SE FORA. Apenas Eric, Nadia e Millie, que iria para sua casa de repouso em Edison Green à uma e cinquenta em ponto. Millie pediu seu cinzeiro, Bob fê-lo deslizar até ela, e ela ficou curtindo seu drinque e seu cigarro na mesma medida, a cinza curvando-se na ponta do cigarro como uma garra.
Eric deu um largo sorriso a Bob enquanto falava suavemente: “Quando essa velhota entrou aqui?”.
“Há poucos minutos”, disse Bob. “Por que você a trouxe?”
Eric olhou para Nadia encurvada no banco ao lado dele. Ele se debruçou sobre o balcão. “Você devia saber o quanto sou sério, Bob.”
“Eu sei o quanto você é sério.”
“Você acha que sabe, mas não sabe. Se você foder comigo – ainda que só um pouco – não importa quanto tempo vou levar, eu vou foder com ela. E se você tiver algum plano do tipo ‘Eric não vai sair daqui’, se você tiver pensando qualquer coisa do tipo, Bob, meu parceiro no caso Richie Whelan vai cuidar de vocês dois.”
Eric tornou a se sentar enquanto Millie deixava a mesma gorjeta que deixava desde o Sputnik – vinte e cinco centavos – e levantou-se do banco. Ela dirigiu-se a Bob com uma voz que era dez por cento de cordas vocais e noventa por cento cigarros Virginia Slim Ultra Light 100s. “Pois é, vou nessa.”
“Cuidado, Millie.”
Ela fez um aceno de despedida com um “Sim, sim, sim”, e abriu a porta.
Bob a fechou atrás dela, voltou para detrás do balcão e começou a limpá-lo. Quando chegou perto dos cotovelos de Eric, disse: “Licença”.
“Limpe em volta.”
Bob passou o pano num semicírculo em volta dos cotovelos de Eric.
“Quem é seu parceiro?”, disse Bob.
“Não seria um risco se você soubesse quem foi, será que seria, Bob?”
“Mas ele ajudou você a matar Richie Whelan?”
Eric disse: “É o boato que corre, Bob”.
“Mais que um boato.” Bob limpou a parte do balcão na frente de Nadia, viu manchas vermelhas em seus pulsos, no lugar em que Eric os tinha apertado. Ele se perguntou se havia outras marcas que ele não conseguia ver.
“Bem, então é mais que um boato, Bob. E lá vem você.”
“Como assim?”
“Lá vem você”, disse Eric asperamente. “Que horas são, Bob?”
Bob agachou-se atrás do balcão e lá pegou os dez mil dólares envolvidos no saco. Ele o desembrulhou, tirou o dinheiro e pôs no balcão na frente de Eric.
Eric olhou para o dinheiro. “O que é isso?”
“Os dez mil que você queria.”
“Por conta de quê?”
“Do cachorro.”
“O cachorro. Certo, certo, certo”, sussurrou Eric. Ele levantou a vista. “Mas quanto para Nadia?”
Bob disse: “Bom, é assim”.
“É o que parece”, disse Eric. “Vamos só ficar mais alguns minutos, depois dar uma olhada no cofre às duas.”
Bob se voltou e pegou uma garrafa de vodca polonesa. Na verdade, pegou a melhor, a Orkisz, serviu um drinque para si e tomou. Pensou em Marv e se serviu novamente da vodca. Dessa vez uma dose dupla.
Ele disse a Eric Deeds: “Você sabe que Marv tinha um problema de dependência química dez anos atrás?”.
“Eu não sabia disso, Bob.”
“Você não precisa ficar me chamando pelo nome o tempo todo.”
“Vou ver o que posso fazer para resolver isso, Bob.”
“Bem, de todo modo Marv gostava demais de coca, e ela o pegou.”
“Estamos perto das duas, Bob.”
“Naquela época, ele era mais um agiota. Quer dizer, também fazia um pouco de receptação, mas era principalmente agiota. Tinha um cara, sabe? Ele devia a Marv um monte de dinheiro. E quando se tratava de cachorros e basquete, a coisa ficava desesperadora. Tipo de cara que não conseguia pagar tudo o que devia.”
“Uma e cinquenta e sete, Bob.”
“Mas sabe o que aconteceu? Esse cara descolou uma grana num jogo em Mohegan. Ganhou sete mil dólares. O que era só um pouco mais do que ele devia a Marv.”
“E ele não pagou a Marv, então você e Marv pegaram pesado e aí acho que você vai me contar...”
“Não, não. Ele pagou a Marv. Pagou até o último centavo. O que o cara não sabia, porém, era que Marv andava adulterando drogas. Por causa do vício da coca, sabe? E o dinheiro daquele cara foi como maná do céu enquanto ninguém sabia que vinha do tal cara. Entende o que quero dizer?”
“Bob, falta só uma porra dum minuto para as duas.” Havia suor no lábio de Eric.
“Entende o que estou dizendo?”, perguntou Bob. “Você entende a história?”
Eric olhou para a porta para se certificar se estava trancada. “Claro. Esse cara tinha de ser descartado.”
“Ele tinha de ser morto.”
Um rápido olhar pelo canto do olho. “Certo, morto.”
“Assim, ele não podia dizer que pagara a Marv e ninguém mais também podia. Marv usa o dinheiro para tapar tudo quanto é buraco, disfarça seu ato, é como se nunca tivesse acontecido. Então foi isso que fizemos.”
“Vocês fizeram...” Eric mal se ligava na conversa, mas em sua cabeça começou a soar uma advertência. Ele desviou os olhos do relógio e voltou-se para Bob.
“Ele foi morto em meu porão”, disse Bob. “Sabe qual era o nome dele?”
“Eu não saberia, Bob.”
“Claro que sim.”
“Jesus?”, disse Eric sorrindo.
Bob não sorriu. “Richie Whelan.”
Bob pôs a mão embaixo do balcão e pegou a 9 milímetros. Ele não notou que a trava de segurança estava acionada, por isso, quando puxou o gatilho, nada aconteceu. Eric desviou a cabeça e tentou se afastar do balcão, mas Bob destravou a arma e atirou logo abaixo da garganta de Eric. O tiro soou como uma placa de alumínio sendo arrancada da parede externa de uma casa. Nadia gritou. Não um grito longo, mas agudo por causa do choque. Eric fez um barulho ao cair do banco, e quando Bob deu a volta em torno do balcão, achou que Eric já estava quase morrendo, se é que já não estava morto. O ventilador do teto lançava sombras sobre o rosto dele. Suas faces enchiam-se e esvaziavam-se como se ele estivesse querendo recuperar o fôlego e ao mesmo tempo beijar alguém.
“Sinto muito, mas vocês, crianças”, disse Bob. “Sabe? Você sai de casa vestido como se ainda estivesse em sua sala de estar. Você diz coisas terríveis sobre as mulheres. Você maltrata cães inofensivos. Estou cansado de você, cara.”
Eric olhou para ele. Estremeceu como se estivesse furioso. Ele parecia irritadíssimo. Frustrado. O olhar paralisou-se em seu rosto como se tivesse sido costurado nele, e então ele já não estava em seu corpo. Simplesmente se fora. Estava simplesmente morto.
Bob o arrastou para dentro do refrigerador.
Quando ele voltou, empurrando o pano de chão e o balde à sua frente, Nadia ainda estava sentada no banco. Sua boca estava um pouco mais distendida do que o normal, e ela não conseguia tirar os olhos do chão onde estava o sangue. Afora isso, parecia perfeitamente normal.
“Ele iria voltar sempre”, disse Bob. “Quando alguém toma alguma coisa de você, e você permite, não fica grato, simplesmente acha que você lhe deve algo mais.” Ele umedeceu o pano no balde, torceu-o um pouco e jogou-o sobre a poça de sangue maior. “Não faz sentido, certo? Mas é assim que eles sentem. Cheios dos direitos. E depois disso você nunca mais vai conseguir fazê-los mudar de ideia.”
Ela disse: “Ele... Você simplesmente o matou com a porra de um tiro. Você... Quer dizer... você entende?”.
Bob esfregou o pano sobre a poça de sangue. “Ele espancou meu cachorro.”