A mulher do viajante no tempo
Alba, uma Introdução
Quarta-feira, 16 de novembro de 2011 (Henry tem 38 anos, Clare, 40)
HENRY: Estou nas galerias dos surrealistas no Art Institute of Chicago, no futuro. Não estou com uma indumentária perfeita; o melhor que consegui foi um casacão comprido de inverno da chapelaria e calças do armário de um guarda. Deu para arranjar sapatos, que são sempre a coisa mais difícil de conseguir. Então acho que vou bater uma carteira, comprar uma camiseta na loja do museu, almoçar, ver um pouco de arte, e aí me mandar daqui para o mundo de lojas e quartos de hotel. Não sei em que tempo estou. Não é um futuro muito distante; as roupas e os cabelos não são muito diferentes de 2001. Estou empolgado e ao mesmo tempo aflito com essa pequena estada, porque, no meu presente, Clare está para ter Alba a qualquer momento, e faço questão de estar presente; por outro lado, esta é uma viagem no tempo de rara qualidade. Me sinto forte e muito presente, muito bem. Então, fico quieto numa sala escura cheia de caixas iluminadas de Joseph Cornell, vendo um grupo de colegiais seguindo uma guia e carregando banquinhos para cada um se sentar obedientemente quando a guia mandar parar.
Observo o grupo. A guia é o de sempre: uma cinquentona bem-vestida de cabelo incrivelmente louro e cara tensa. A professora, uma jovem bem-humorada de batom azul-claro, está atrás do rebanho de colegiais, pronta para conter quem tumultuar. São os colegiais que me interessam. Estão na faixa dos dez anos, na quinta série, imagino eu. Usam uniformes por serem de uma escola católica, as meninas de xadrez verde, os meninos de azul-marinho. Todos estão atentos e comportados, mas não empolgados. Que pena. Achei que Cornell seria perfeito para a garotada. A guia parece achar os colegiais mais crianças do que são; fala com eles como se fossem bebês. Há uma menina na fila de trás que parece mais interessada do que o resto. Não consigo ver seu rosto. Ela tem cabelo preto comprido e ondulado, e usa um vestido azul-pavão que a destaca dos demais. Toda vez que a guia faz uma pergunta, essa menina levanta a mão, mas a guia nunca a chama. Vejo que a menina está ficando farta.
A guia fala das caixas Aviário de Cornell. As caixas são simples, e muitas têm o interior pintado de branco, com poleiros e o tipo de buracos que uma casa de passarinho teria, e algumas têm fotografias de pássaros. Elas são as mais simples e austeras de suas peças, sem a extravagância das caixas Conjuntos de Bolhas de Sabão ou o romantismo das caixas Hotel.
— Por que acham que o Sr. Cornell fez essas caixas? — A guia examina atentamente as crianças atrás de uma resposta, sem ligar para a menina de azul-pavão, que agita a mão como se tivesse dança de São Vito. Um menino na frente diz que o artista devia gostar de pássaros. Isso é demais para a menina. Ela se levanta com a mão erguida. Com relutância, a guia diz: — Sim?
— Ele fez as caixas porque se sentia só. Não tinha ninguém para amar e fez as caixas para amá-las, e para as pessoas saberem que ele existia, e porque os pássaros são livres e as caixas são esconderijos para os pássaros, para eles se sentirem em segurança, e ele queria ser livre e estar em segurança. As caixas são para ele, para ele poder ser um pássaro. — A menina se senta.
Fico perplexo com a resposta dela. Esta é uma menina de 10 anos que se identifica com Joseph Cornell. Nem a guia nem a turma conseguem entender exatamente o que ela disse, mas a professora, que obviamente está acostumada com ela, diz:
— Obrigada, Alba, é uma interpretação muito perspicaz. — Ela se vira e sorri agradecida para a professora. Quando vejo o rosto dela, noto que olho para minha filha. Estou na galeria ao lado e me adianto um pouco para vê-la. Quando ela me vê, seu rosto se ilumina. Ela dá um pulo e derruba o banco de armar, e, quando vejo, estou dando um abraço apertado em Alba, ajoelhado à sua frente com os braços em volta dela enquanto ela fica repetindo, sem parar: — Papai.
Todo mundo está nos olhando boquiaberto. A professora vem correndo. Diz:
— Alba, quem é esse? Quem é o senhor?
— Sou Henry DeTamble, o pai de Alba.
— Ele é meu pai!
A professora quase torce as mãos.
— Senhor, o pai de Alba já morreu.
Fico mudo. Mas Alba, filha minha, domina a situação.
— Ele morreu — diz ela à professora. — Mas não está sempre morto.
Recupero meu controle.
— É meio difícil de explicar...
— Ele é um IDC — diz Alba. — Como eu.
Isso faz todo o sentido do mundo para a professora, embora nada signifique para mim. A professora está meio pálida embaixo da maquiagem mas parece compreensiva. Alba aperta minha mão para que eu fale alguma coisa.
— Ah, sra...
— Cooper.
— Sra. Cooper, há alguma possibilidade de Alba e eu termos uns minutinhos para conversar aqui? A gente não se vê muito.
— Bom... Eu... nós estamos numa excursão... o grupo... Não posso deixar simplesmente que o senhor tire uma criança do grupo, e não tenho como saber se o senhor é o Sr. DeTamble, entende...
— Vamos ligar para mamãe — diz Alba. Ela vai correndo até a mochila e tira dali um telefone celular. Aperta uma tecla e ouço o telefone tocar. Vejo logo que tenho chance aqui: alguém atende do outro lado, e Alba diz: — Mamãe?... Estou no Art Institute... Não, estou bem... Mamãe, papai está aqui! Diga para a sra. Cooper que é o papai mesmo, sim?... É, tudo bem, tchau! — Ela me entrega o telefone. Hesito, pondo a cabeça no lugar.
— Clare? — Ela respira fundo. — Clare?
— Henry! Nossa, não acredito! Venha para casa!
— Vou tentar...
— De quando você está vindo?
— 2001. Justo antes do nascimento de Alba. — Sorrio para Alba, colada em mim, de mão dada.
— Talvez eu deva ir até aí?
— Seria mais rápido. Olhe, daria para você dizer a essa professora que eu sou mesmo eu?
— Claro... onde você vai estar?
— Nos leões. Venha o mais rápido possível, Clare. Não vai demorar muito.
— Te amo.
— Te amo, Clare.
Hesito e entrego o telefone à sra. Cooper. Ela e Clare têm uma conversa curta, em que Clare de alguma forma a convence a me deixar levar Alba para a entrada do museu, onde Clare vai nos encontrar. Agradeço à sra. Cooper, que foi bastante gentil numa situação esquisita, e Alba e eu vamos de mãos dadas pela ala Morton até as cerâmicas chinesas pela escada de caracol. Minha cabeça está a mil. O que perguntar primeiro?
Alba diz:
— Obrigada pelos vídeos. Mamãe me deu de aniversário. — Que vídeos? — Sei abrir as Yale e as Master, e estou trabalhando nas Walters.
Fechaduras. Ela está aprendendo a arrombar fechaduras.
— Ótimo. Continue treinando. Escute aqui, Alba.
— Sim, papai?
— O que é um IDC?
— Indivíduo Deslocado Cronologicamente.
Ficamos sentados num banco em frente ao dragão de porcelana da dinastia Tang. Alba está virada para mim, com as mãos no colo. É igualzinha a mim aos dez anos. Quase não dá para acreditar nisso. Alba ainda nem nasceu e cá está ela, Atena parida na flor da idade. Sou franco com ela.
— Sabe, essa é a primeira vez que te vejo.
Alba sorri.
— Como vai?
Nunca vi uma criança com tanto sangue-frio. Olho bem para ela: onde está Clare nesta menina?
— A gente se vê muito?
Ela pensa.
— Muito, não. A última vez já faz um ano. Vi você algumas vezes quando tinha 8 anos.
— Quantos anos você tinha quando eu morri? — Prendo o fôlego.
— Cinco. — Nossa, isso é muito para a minha cabeça.
— Desculpe! Será que eu não devia ter dito isso? — Alba está arrependida. Dou um abraço nela.
— Tudo bem, eu perguntei, não? — Respiro fundo. — Como vai Clare?
— Bem. Triste.
Sinto um aperto no coração. Vejo que não quero saber mais nada.
— E você? Como vai a escola? O que está aprendendo?
Alba dá um sorriso forçado.
— Não estou aprendendo muito na escola, mas leio tudo sobre instrumentos antigos, e Egito, e mamãe e eu estamos lendo O Senhor dos Anéis, e estou aprendendo um tango de Astor Piazzolla.
Com dez anos? Caramba.
— Violino? Quem é seu professor?
— Vovô.
Por um instante, penso que ela quis dizer meu avô, depois me dou conta de que é o meu pai. Que maravilha. Se papai está dedicando seu tempo a Alba, ela deve ser boa mesmo.
— Você é boa? — Que pergunta grosseira.
— Sou. Muito boa. — Graças a Deus.
— Eu nunca dei para música.
— É o que vovô diz. — Ela dá um risinho. — Mas você gosta de música.
— Eu adoro música. Só não sei tocar nada.
— Ouvi vovó Annette cantar! Ela era maravilhosa.
— Que disco?
— Eu vi de verdade. No Lyric. Ela estava cantando Aída.
Ela é um IDC, como eu. Merda.
— Você viaja no tempo.
— Claro. — Alba ri satisfeita. — Mamãe diz que você e eu somos iguaizinhos. O dr. Kendrick diz que eu sou um prodígio.
— Como assim?
— Às vezes, consigo ir aonde e ao tempo que eu quero.
Alba parece contente consigo mesma; que inveja!
— Você consegue não ir se não quiser?
— Bom, não. — Ela fica envergonhada. — Mas eu gosto. Sabe, às vezes não é conveniente, mas... é interessante, sabe?
Sim, eu sei.
— Venha me visitar, se pode estar no tempo que quiser.
— Eu tentei. Uma vez vi você na rua; você estava com uma loura. Mas parecia que talvez estivesse ocupado.
Alba enrubesce, e, de repente, parece Clare me espiando rapidamente, por uma pequena fração de segundo.
— Era a Ingrid. Eu saía com ela antes de conhecer sua mãe. — Me pergunto o que Ing e eu estávamos fazendo que deixou Alba tão constrangida; fico com remorso por ter causado má impressão nesta menina séria e adorável. — Por falar na sua mãe, a gente devia ir lá fora para esperar por ela.
O zumbido agudo começou, e só torço para que Clare chegue antes de eu ter sumido. Alba e eu nos levantamos e vamos depressa para a escadaria da frente. É fim de outono, e, como Alba está sem casaco, uso o meu para agasalhar a nós dois. Estou encostado na base de granito que apoia um dos leões, virado para sul, e Alba está encostada em mim, fechada no meu casaco, colada ao meu tronco nu, só com o rosto de fora na altura do meu peito. É um dia chuvoso. O tráfego desliza pela Michigan Avenue. Estou embriagado do amor avassalador que sinto por essa criança incrível, que se cola em mim como se fosse minha, como se nunca fosse se separar, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Agarro com força este momento, lutando contra o cansaço e a força de atração do meu próprio tempo. Deixe-me ficar, imploro a meu corpo, a Deus, ao Pai Tempo, ao Papai Noel, a qualquer pessoa que esteja ouvindo. Deixe-me ver Clare e irei em paz.
— Lá está mamãe — diz Alba. Um carro branco, que eu não conheço, vem a toda em nossa direção. Para no cruzamento e Clare salta, deixando o carro ali mesmo, interrompendo o tráfego.
— Henry!
Tento correr para ela, que também está correndo, e caio na escada estendendo os braços para Clare: Alba me segura e grita alguma coisa. Clare está só a poucos passos de mim. Uso minhas últimas reservas para olhar para Clare, que parece muito distante, e digo com o máximo de clareza que consigo:
— Te amo — e desapareço. Droga. Droga.
19h20 de sexta-feira, 24 de agosto de 2001 (Clare tem 30 anos, Henry, 38)
CLARE: Estou deitada na espreguiçadeira surrada do jardim, com livros e revistas espalhados em volta e o resto de uma limonada aguada pelo gelo derretido ao lado. Começa a refrescar um pouco. Mais cedo fez 30 graus; agora há uma brisa e as cigarras cantam sua canção de fim de verão. Quinze jatos passaram lá em cima a caminho do O’Hare procedentes de locais desconhecidos. Minha barriga é uma montanha à minha frente que me impede de sair daqui. Henry está sumido desde ontem às oito horas da manhã, e começo a ficar com medo. E se eu entrar em trabalho de parto e ele não estiver aqui? E se eu tiver o bebê e ele ainda não tiver voltado? E se estiver ferido? E se tiver morrido? E se eu morrer? Essas ideias se perseguem como aquelas peles esquisitas que as senhoras de idade usavam em volta do pescoço com o rabo no próprio focinho, rodando até eu não conseguir aguentar mais um minuto dessa perseguição. Em geral, não gosto de ficar parada quando estou nervosa. Fico preocupada com Henry enquanto limpo o ateliê ou lavo nove cestas de roupa suja na máquina ou puxo três pilhas de papel. Mas agora estou aqui, encalhada com a minha barriga ao sol da tardinha em nosso jardim enquanto Henry está lá... fazendo seja lá o que for. Ai, meu Deus, traga Henry de volta. Agora.
Mas nada acontece. O sr. Panetta passa de carro no beco, e ouço a porta de sua garagem abrir e fechar. Um caminhão da Good Humor chega e sai. Os vaga-lumes começam suas farras noturnas. Mas nada de Henry.
Estou ficando com fome. Vou morrer de inanição aqui no jardim porque Henry não está aqui para fazer o jantar. Alba se mexe e penso em me levantar, ir até a cozinha preparar alguma coisa e comer. Mas depois decido fazer o que sempre faço quando não tenho Henry para me dar de comer. Fico de pé devagar, aos poucos, e vou calmamente para dentro de casa. Pego a bolsa, apago algumas luzes, saio pela porta da frente e a tranco. A sensação de me mexer é agradável. Mais uma vez fico admirada — e me admiro de estar admirada — de estar tão imensa só numa parte do corpo, como alguém cuja cirurgia plástica tenha dado errado, como uma daquelas mulheres de uma tribo africana cujo ideal de beleza exige pescoços, lábios ou lóbulos de orelha alongados. Equilibro meu peso com o de Alba, e, assim, nessa dança de irmãos siameses, seguimos para o restaurante tailandês Opart.
O restaurante está fresco e cheio de gente. Sou conduzida a uma mesa na janela da frente. Peço rolinhos primavera e pad thai com tofu, leve e inofensivo. Bebo um copo inteiro de água. Alba comprime a minha bexiga; vou ao banheiro e, quando volto, a comida está na mesa. Como. Imagino sobre o que Henry e eu estaríamos conversando se ele estivesse aqui. Me pergunto onde ele se encontra. Vasculho a memória, tentando encaixar o Henry que sumiu ontem enquanto vestia as calças em qualquer Henry que vi na minha infância. Isso é perda de tempo; simplesmente terei de esperar a história que ele vai contar. Talvez ele tenha voltado. Tenho de me segurar para não sair correndo do restaurante para conferir. A entrada chega. Espremo limão em cima do macarrão e coloco um bocado na boca. Visualizo Alba, miudinha e cor-de-rosa, encolhida dentro de mim, comendo pai thai com espetinhos delicados. Imagino Alba de longos cabelos pretos e olhos verdes. Ela sorri e diz: “Obrigada, mamãe.” Sorrio e lhe digo: “Por nada.” Ela tem um bichinho de pelúcia aqui dentro chamado Alfonzo. Alba dá um pouco de tofu a Alfonzo. Acabo de comer. Fico ali descansando um pouco. Alguém na mesa ao lado acende um cigarro. Pago e saio.
Desço a Western Avenue como uma pata-choca. Um carro cheio de adolescentes porto-riquenhos grita alguma coisa para mim, mas não entendo. Já na frente de casa, procuro as chaves, e Henry abre a porta para mim, dizendo:
— Graças a Deus — e joga os braços em volta do meu pescoço.
Trocamos um beijo. Estou tão aliviada de vê-lo que custo um pouco a perceber que ele também está extremamente aliviado de me ver.
— Onde você estava? — pergunta Henry.
— No Opart. E você?
— Você não deixou nenhum bilhete. Cheguei em casa, você não estava e achei que estivesse no hospital. Aí liguei, mas disseram que você não...
Começo a rir, e é difícil parar. Henry está com uma cara perplexa. Quando consigo falar alguma coisa, digo:
— Agora você sabe como é.
Ele dá um sorriso.
— Desculpe. Mas eu só... eu não sabia onde você estava e me apavorei. Achei que eu tivesse perdido Alba.
— Mas onde você estava?
Henry dá um sorriso forçado.
— Espere até ouvir isso. Um minutinho. Vamos sentar.
— Vamos deitar um pouco. Estou exausta.
— O que você fez o dia inteiro?
— Fiquei deitada.
— Coitada de você, não admira que esteja cansada. — Entro no quarto, ligo o ar-condicionado e abaixo as persianas. Henry entra na cozinha e aparece pouco depois com bebidas. Me acomodo na cama e recebo um ginger ale; Henry descalça os sapatos com os pés e se junta a mim com uma cerveja na mão.
— Conte tudo.
— Bem. — Ele levanta uma sobrancelha, abre e fecha a boca. — Não sei por onde começar.
— Desembuche.
— Tenho que começar dizendo que esta é de longe a coisa mais estranha que já me aconteceu.
— Mais estranha que nós dois?
— É. Isso até foi razoavelmente natural. Menino conhece menina...
— Mais estranho do que ficar assistindo a reprises da morte da sua mãe?
— É, eu agora já encaro isso como uma rotina horrível. É um sonho ruim que frequentemente tenho. Não, isso foi só surreal. — Ele passa a mão na minha barriga. — Avancei no tempo, e estava bem presente, sabe, uma presença forte, e encontrei com nossa filhinha, aqui.
— Ai, meu Deus. Estou com muito ciúme. Mas, puxa!
— É. Ela tinha uns 10 anos. Clare, ela é muito incrível... é inteligente e tem jeito para música e... é muito segura, e não se intimidava com nada...
— Como ela era?
— Parecida comigo. Uma versão feminina de mim. Quer dizer, ela é linda, tem os seus olhos, mas no fundo é parecida comigo: cabelo preto, clara, meio sardenta, e tem a boca menor do que a minha era, e não tem orelhas de abano. Tem o cabelo comprido e encaracolado, e as minhas mãos com os dedos compridos, e é alta... Parecia uma gatinha.
Perfeita. Perfeita.
— Acho que herdou os meus genes... Mas o temperamento era o seu. Tinha uma presença incrível... Eu vi a Alba num grupo de colegiais no Art Institute e ela falava das caixas Aviário de Joseph Cornell, e disse uma coisa comovente sobre ele... e não sei como, mas eu sabia quem ela era. E ela me reconheceu.
— Bom, era de se esperar. — Tenho que perguntar. — Ela é... ela...?
Henry hesita.
— Sim — diz afinal. — É sim. — Estamos calados. Ele faz um carinho em meu rosto. — Eu sei.
Quero chorar.
— Clare, ela parecia feliz. Eu perguntei... ela disse que gosta. — Ele sorri. — Disse que era muito interessante.
Rimos, com um pouco de tristeza a princípio, depois me dá um estalo, e rimos com vontade, até já estarmos chorando e com a cara dolorida. Porque, claro, é interessante. Muito interessante.
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