Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 1 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

À Guisa de Prefácio

 

Pensávam os em com o apresentar esta obra m ediúnica ao leitor, quando o Espírito do Dr. Wilson Ferreira de Mello, querido e saudoso com panheiro de lide na seara espírita e, especialm ente, de longos anos em nossa Casa, nos surpreendeu com a m ensagem “Tem plos”. Era, evidentem ente, o prefácio desej ado.

Pareceu-nos adequado tam bém figurasse nesta apresentação a página “Aconselhando o Médium ”, que Nora, a autora espiritual, escrevera anteriorm ente à recepção da obra, por inform ar o propósito da Espiritualidade Maior ao nos transm itir suas m ensagens: o da “edificação geral”, ou sej a, o aprim oram ento m oral da hum anidade.

Com a palavra desses am igos espirituais, consideram os este livro devidam ente prefaciado e de form a m uito superior ao m elhor que poderíam os fazer.

Therezinha Oliveira

Tem plos

 

Os estudos antropológicos afirm am que as sociedades m ais prim itivas j á desenvolviam o culto de adoração às divindades.

Inicialm ente, os elem entos da natureza foram divinizados; m ais tarde, tom ando o efeito pela causa, elevaram os m ensageiros espirituais, conclam ados por Deus para cooperarem com o progresso hum ano, ao grau de deuses.

Depois, edificaram tem plos para adorar as forças superiores.

Eis que no Oriente os pagodes se m ultiplicaram ; nas terras do Nilo, pilonos e túm ulos foram edificados; a Acrópole na Grécia, berço da cultura ocidental, acolhia inúm eros santuários. Delfos resplandecia com o oráculo erigido em hom enagem a Apolo; Rom a regurgitava de deuses de pedra, im portados da tradição helênica, construindo seus altares no seio das fam ílias rom anas.

Entretanto, fora no m onte Moriá que os israelitas, representando a idéia m onoteísta, um avanço para a hum anidade, fundaram o grande, fam oso e faustuoso Tem plo de Jerusalém . Idealizado por Davi e concretizado por Salom ão, representava toda grandeza espiritual daquele povo.

Nos vários pátios ecoavam orações ao grande Deus de Abraão, Isaac, Jacó. No átrio dos gentios e dos israelitas, Jesus dera inúm eros ensinam entos. Todavia, a história registra que todos esses tem plos m undialm ente conhecidos foram ou estão sendo corroídos por Cronos, flagelo indom ável que a tudo devora.

Dos oráculos e santuários gregos, restaram apenas ruínas; nas terras dos faraós, m ausoléus e esfinges aos poucos são devorados pelo tem po. O suntuoso Tem plo de Jerusalém fora destruído pelas atitudes bélicas, restando apenas o Muro das Lam entações. Todos os tem plos e construções de pedras são perecíveis, pois que estão suj eitos à transform ação da m atéria. Todavia, o Espírito m ais perfeito que Deus enviou a Terra para nos servir de guia e m odelo, Jesus, no inesquecível diálogo com a m ulher sam aritana, ensina que Deus é Espírito e im porta que o adorem os em Espírito e Verdade.

Jesus fazia do seu corpo um verdadeiro tem plo de adoração a Deus, seu santuário era a própria natureza reveladora da presença divina, seu altar, a própria consciência que se elevava, em qualquer hora e lugar, para a com unhão com o Senhor do Universo através da prece.

Vivendo num a época caracterizada por dogm as e crendices, o Cristo freqüentou as sinagogas e a grande construção no m onte Moriá sem , contudo, apegar-se às fórm ulas. Interessava-se pelas alm as e precisava ir onde o povo se reunia, a fim de pregar a sua m ensagem . Contudo, procurava a essência dos ensinos, aproveitando, naturalm ente, o espaço físico que deveria ser consagrado às atividades espirituais.

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Dezoito séculos depois, eis que o m ais alto nos traz o Consolador, a Doutrina Espírita que figura na Terra com o restauradora do Cristianism o prim itivo.

Na atualidade, erguem -se os Núcleos Espíritas com o tem plos verdadeiros, onde Jesus deve estar representado não por im agens de barro, altares ornam entados ou estátuas de bronze, m as pelas atitudes essencialm ente cristãs dos seus freqüentadores. Com o religião do espírito, a Doutrina dispensa toda e qualquer prática exterior, todo e qualquer sim bolism o, desenvolvendo, através do estudo doutrinário, a fé raciocinada.

Entretanto, as Casas Espíritas devem prim ar pela sim plicidade, aplicando em suas construções e interiores o básico para o estudo, divulgação e prática do Consolador, pois que não adianta usar tecnologia de ponta na construção das paredes, m óveis finos representando a aristocracia da época, obj etos de arte para ostentação, se não houver um com prom isso com aquele que, no m undo, ocupara o título de filho de carpinteiro. Se agirm os com preocupação exagerada em oferecerm os conforto que leva ao ócio, estarem os fugindo dos obj etivos propostos por Jesus, esquecendo-nos de que a verdadeira fortaleza de um a Casa Espírita, do ponto de vista da sua função na Terra, não está nos alicerces de concreto, e sim no estudo e vivência do aspecto doutrinário, esse sim deverá ser colocado em evidência, fortalecendo m oralm ente os adeptos da Terceira Revelação, contribuindo para o esclarecim ento e entendim ento do que sej a realm ente o Espiritism o, o que é o Centro Espírita, quais as suas responsabilidades e sagrada im portância com o representante do Cristo no planeta.

Nesse propósito, am igo leitor, é que te apresentam os esta obra.

Aconteceu na Casa Espírita representa a m isericórdia divina a todos nós, eternos aprendizes da arte da convivência fraterna.

Todas as inform ações encontradas neste livro foram grafadas com a pena da sim plicidade no papel da experiência, consubstanciando a vivência do Espírito de Nora durante decênios de nobres, relevantes e respeitáveis tarefas, realizadas j unto a diversas instituições dedicadas ao Espiritism o.

Seus personagens foram com postos baseando-se em experiências reais. Cada personalidade, aqui apresentada, bem com o os dram as e testem unhos, as quedas e vitórias guardam ressonância com com panheiros que viveram estas cenas no palco da vida, nas quais m uitos de nós poderem os nos encontrar. Das várias figuras que desfilaram neste cenário, m uitos j á retornaram à Terra em expiações, reparações ou abençoadas m issões.

Eis o que te ofertam os!

Esperam os que estas páginas singelas possam falar ao teu coração, despertando-te para a necessidade e responsabilidade do serviço espírita, a seriedade absoluta no executar das tarefas, a fim de que possas reconhecer que, se alm as enferm as podem tentar contra a obra do Senhor, aproveitando as fraquezas hum anas, m iríades de benfeitores espirituais, arautos dos céus, apóiam , protegem , incentivam todo aquele que cooperar de m aneira honesta e verdadeira, m as sem lhes tirar a oportunidade do aprendizado e testem unho.

Cientes das responsabilidades que abraçam os j unto a Deus nosso Pai e ao Movim ento Espírita, desej am os que todos os que executam qualquer função, nas abençoadas Casas consagradas ao Espiritism o, possam encontrar neste trabalho, singelo quanto à form a, m as profundo e im portante quanto ao fundo, esclarecim entos e estím ulos para a vigilância, a oração, o estudo e o trabalho, guardando a certeza de que: o que quer que venha a acontecer no Centro Espírita, fruto da nossa atuação boa ou m á, será sem pre de nossa inteira responsabilidade. Independentem ente do serviço que executam os, serem os sem pre convocados a com parecer ao tribunal da própria consciência, sob os olhos atentos e severos das leis divinas convertidas em grande Juiz, prestando contas de nossos atos. Sem pre que o orgulho, a vaidade, a língua viperina e a intolerância adentrarem os Tem plos Espíritas, estarem os abrindo brechas aos adversários do am or, tum ultuando a obra do Cristo.