Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 5 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Infiltração programada

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Infiltração program ada

 

Em estranha cidade do plano espiritual inferior, congregavam -se espíritos obsessores com as m ais perversas intenções.

Reunidos em som bria praça, traçavam diretrizes de perseguição e destruição de respeitável Instituição Espírita. Entidades recém -desencarnadas peram bulavam , lunáticas, pela estranha região, sem i-escravizadas por m entes m aléficas que as transform avam em verdadeiro m aterial hum ano de desequilíbrio. Estes infelizes perm aneciam j unto aos obsessores por guardarem com prom issos espirituais intensos diante daqueles que se dedicavam à prática do m al.

A psicosfera da cidade bizarra era densa, triste, angustiante e depressiva; resultado dos pensam entos de seus habitantes.

Júlio César, na condição de chefe, conclam ava do centro do largo os obsessores, que circulavam em torno do j ardim de pedras, com as seguintes argum entações:

— Avante, amigos, o trabalho nos espera!

Não podemos mais perder tempo, é necessário agirmos agora ou, então, o trabalho de anos será perdido.

— Qual é a missão? Perguntou Gonçalves, um dos com parsas im ediatos de Júlio César.

— A missão, respondeu o sinistro orador, é de infiltração espiritual! Estamos, de longa data, planejando invasão, domínio e destruição de uma grande Casa Espírita.

Quando o adversário chefe pronunciou estas palavras, extensa turba de espíritos fanáticos correu para j unto do perseguidor m estre, ouvindo-o atentam ente, enquanto a novidade corria, relam pej ante, entre os habitantes do estranho “m unicípio”.

— o —

Verdadeira falange de adversários da bondade se apresentou diante do líder perverso, anim ando-o na transm issão destas terríveis orientações:

— Tenho aqui o relatório atualizado. E, m anuseando desaj eitado m aterial, puxou longa lista com estatísticas de trabalhos espíritas, lendo, segundos depois, em voz alta, estes dados:

— Somente este ano:

— 2.500 espíritos, que estavam sob nosso comando, foram violentamente arrancados de nós e se converteram ao Nazareno, com auxílio da mediunidade falante, do diálogo enganador e da interferência dos emissários do bem;

— cerca de 3.000 encarnados, que permaneciam sob severos processos obsessivos, tiveram o equilíbrio readquirido, graças à odiosa intervenção das entidades da luz;

— multidões estão encontrando, naquela Casa maldita, tranqüilidade e conforto espiritual, que para nós são abomináveis;

— mais de 4.000 entrevistas;

— aproximadamente 20.000 vibrações;

— centenas de palestras, transmitindo a Doutrina Espírita e os ensinos de Jesus, exaltando o bem e o amor.

E ainda tem mais, continuou o expositor das trevas, im prim indo nas palavras raiva e inconform ação.

— Mais de 15.000 passes transmitidos, dos quais setenta por cento tiveram efeitos muito positivos sobre as pessoas;

— 200 enfermos, impossibilitados fisicamente de comparecer à instituição, receberam a visita fraterna e a fluidoterapia contra a nossa vontade.

E não acaba aí, insistiu o m alfeitor com pletam ente adm irado: gestantes, crianças, jovens, andarilhos etc. receberam da Casa Espírita o concurso caridoso! Isso sem contar as obras sociais que promovem largamente a criatura humana!

O Centro em questão é um dínamo de benemerência. Se, com a nossa interferência eles produzem assustadoramente, imaginem se deixássemos o caminho livre?!

Por isso, é preciso continuarmos, redobrando nossos esforços a fim de acabarmos com essa tolice de caridade, a absurda preocupação com o outro e, acima de tudo, com essa inaceitável proposta de renovação moral, trazida pelo Cristo, que exige demais dos seres humanos.

Recebemos, de nossos superiores, mais de oito mil solicitações. Tenho comigo os apontamentos. E, lançando ao vento alguns papéis, continuou irritado: Vejam: requisições de obsessão, memorando solicitando prioridades, inúmeras ordens de serviço não cumpridas e sem contar as infinitas reclamações…

Como vêem, nossa incompetência está declarada!

É preciso estarmos organizados para desestruturarmos a instituição espírita que nos atormenta. Permanecemos desacreditados junto aos nossos superiores e creio que nenhum de nós gostaria de desafiá-los ou desapontá-los. Todos sabemos da ira que nos perseguirá eternamente, se falharmos. Todo cuidado é pouco, advertiu o organizador do m al, se não formos cautelosos, espertos e inteligentes, poderemos cair nas garras dos emissários da luz, que fazem verdadeira lavagem cerebral propondo-nos um bem-estar falso, com o objetivo de escravizar-nos de novo na Terra através da reencarnação!

— E como vamos agir? Perguntou um desordeiro bastante anim ado. Por acaso, vamos fazer os objetos se movimentarem? Atiraremos pedras contra os eleitos do Senhor? Assassinaremos alguém?

E da turba uma infinidade de sugestões maléficas foram proferidas, entre algazarra e uma pseudo-alegria que envolvia a legião desordeira.

— o —

O líder fanático precisou interrom per a agitação alertando:

— Não será assim!

Nosso trabalho está dentro de certos limites; leis universais regulam nossa influenciação. E a Casa Espírita, a qual desejamos invadir, dispõe de poderosa proteção espiritual, milhares de espíritos superiores em incessante trabalho no bem, além de entidades sublimes garantindo-lhes extraordinário auxílio!

Nossa atuação, prosseguiu o planej ador das som bras, será na surdina. Trabalharemos silenciosamente, ocultamente, no campo dos sentimentos, sugerindo pensamentos, estimulando as irritações, o ciúme, a fofoca, a indignação, os melindres, a disputa de cargos, funções, tarefas etc. Temos aí um vasto campo de atuação junto às inferioridades humanas. Aproveitaremos as brechas deixadas por muitos trabalhadores. Engraçado é que eles, os encarnados, dizem que, de tempos em tempos, nós, os chamados obsessores, promovemos ondas de influenciação negativa, retirando os “anjinhos” do caminho do bem. Eles é que, de tempos em tempos, abrem brechas, nós apenas aproveitamos os deslizes e descuidos dos “ilustres seguidores de Jesus”. A propósito, continuou o m alvado pregador, esse é o único modo de penetrarmos na instituição, a única forma de não sermos barrados pelas correntes protetoras, pois que os mensageiros do bem não podem violar o livre-arbítrio dos adeptos do Cristo. Os Espíritos do mais alto sempre dizem que do mal tiram o bem, que nossa entrada é permitida porque servirá de teste para muitos dos freqüentadores e trabalhadores da Casa. Contudo, enquanto elas, as entidades evoluídas, aguardam a aprovação dos seus pupilos, no campo das provas, nós apostamos na reprovação dos tutelados.

Temos de valorizar o momento, pois as dificuldades econômicas, sociais e políticas do país estão a nosso favor; muitos, envolvidos com os problemas materiais, esquecem de se vigiar, cultivando o pessimismo, a irritação, os palavrões etc., entrando naturalmente em nossa faixa vibratória, autorizando-nos o processo de influenciação; e, na maioria das vezes, para nossa satisfação, nem se lembram da oração, que poderia nos afastar completamente, rompendo os nossos propósitos.

— o —

A falange das trevas estava m agnetizada pelas palavras do m andante!

Quando Júlio César percebeu que j á havia estim ulado quantos necessitava, para a im plantação das suas idéias, entoou este grito de guerra:

— Avante!

Para aquela odiosa Casa Espírita, o momento do apocalipse, do acerto de contas, do juízo final e da destruição chegou!

Eles próprios se autodestruirão!

Term inando o discurso m aligno em tom de oratória, o obsessor fanático foi aplaudido, aclam ado e carregado pelos com parsas, enquanto a m ultidão cantava hino exótico, enaltecendo as forças das trevas, ao m esm o tem po em que gritos alucinantes de com bate corriam , sinuosos, encontrando eco no coração iludido dos obsessores.

E sob influência sonora de alucinante m archa hipnótica, que incentivava à destruição, a legião dos adversários do bem em brenhou-se pelas ruas estreitas da esquisita cidade, preparando-se para o terrível processo de infiltração.

— o —

Dias depois, na Casa Espírita, o trabalho seguia norm alm ente.

No plano espiritual, porém , os instrutores responsáveis pelo Centro recebiam a notícia:

— Vamos ter mais uma tentativa de invasão dos adversários do bem, com unicou Joana, um a das cooperadoras espirituais do Centro.

Acabamos de socorrer um espírito desequilibrado que prestava serviços a extensa turba de obsessores. Tendo-se libertado da influência negativa, narrou-nos, com riqueza de detalhes, diabólica palestra que o já conhecido Júlio César realizara em sua cidade sinistra, almejando mais uma vez destruir a obra do bem.

O m entor tratou de apaziguar os tarefeiros espirituais, solicitando m arcassem reunião com todos os cooperadores desencarnados, com obj etivo de inform á-los a respeito da possível invasão.