Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 6 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Capítulo 2

Avaliando a Am eaça

 

Na sem ana seguinte, quando o Centro, na sua parte física, perm anecia fechado, os benfeitores espirituais aproveitavam a m adrugada para efetuar alertadora conferência sobre o desej o de dom inação das entidades inferiores.

Feita a prece de abertura, o m entor proferiu estas orientações:

— Irmãos!

O Senhor da Vida nos concedeu esta Casa Espírita como oficina de trabalho junto às criaturas humanas dos dois planos.

Temos encontrado, neste Centro, a alegria do estudo, do socorro e do labor espíritas, possibilitando-nos abençoada oportunidade de serviço cristão, em companhia dos confrades encarnados envolvidos com o mesmo idealismo.

Contudo, nós, que permanecemos do lado de cá, temos o dever de ampará-los e conduzi-los por caminhos retos, respeitando-lhes, obviamente, a faculdade de livre escolha.

O nosso despretensioso trabalho, na seara de Jesus, tem chamado a atenção dos adversários espirituais desejosos em aniquilar toda e qualquer disposição de ajuda cristã. No fundo, são almas enfermas, profundamente necessitadas de atenção e carinho, que se escondem usando a máscara da maldade que, mais ou menos dia, terá de cair, pois a lei é de progresso para todos.

Por isso, nossas atividades encontram-se ameaçadas!

Neste instante, vários espíritos ainda em aprendizado para o trabalho espiritual se espantaram . Alguns ficaram tem erosos, acreditando que nossos superiores não teriam disposição e recursos para defesa, o que levou o orientador espiritual a transm itir as seguintes palavras tranquilizadoras:

— Calma, meus amigos! Tudo está sob controle. É necessário que nos coloquemos à disposição para fortalecermos os nossos irmãos em jornada terrena. Para eles, será uma extraordinária possibilidade de testemunhar, na prática, tudo aquilo que teorizam acerca dos ensinos de Jesus. Que seria do aluno se a escola periodicamente não lhe aplicasse provas?

A sabedoria divina, através de suas leis, controla tudo, monitora tudo e, num mundo de provas e expiações, é natural que o mal predomine, experimentando, constantemente, os que aspiram o título de seguidores de Jesus.

Não há motivo para medo ou fraqueza moral!

Não estamos abandonados por Deus; dispomos de fartos recursos espirituais de defesa; temos ao nosso lado as entidades sublimes que nos apóiam, inspiram e garantem nossa proteção.

Permanecemos trabalhando em nome de Jesus; estamos cumprindo, o quanto possível, os desígnios divinos.

Dispomos de todos estes recursos, por isso não há motivo de pânico!

Esta será uma batalha que competirá aos encarnados vencerem, nós, porém, nos limitaremos a protegê-los, vigiando e orando fervorosamente.

É certo que alguns, pelos sentimentos que nutrem, não mereceriam sequer nosso concurso; entretanto, as tarefas que realizam promovem o bem comum e, pelo trabalho bem feito que executam, ainda que o realizem como “profissionais espíritas” e não como verdadeiros idealistas, nossa proteção se faz sentir pensando no todo da Casa. Ainda que estes “profissionais” nada recebam financeiramente, estão sempre em busca dos elogios, da notoriedade e sempre se irritam quando não são citados. Esses, infelizmente, apesar de todo o nosso empenho em protegê-los, ainda que pensando nas tarefas, serão os principais atingidos. Numa atuação isolada, temos mecanismos para evitar o assédio do mal, mas com uma falange tão bem preparada, com mentes inteligentes explorando todas as inferioridades humanas, e estes encarnados vibrando no mesmo padrão, será praticamente impossível salvá-los!

É uma pena que no Templo da Fraternidade, entre os conhecedores do Evangelho, alguns insistam em ser o exemplo daquilo que Jesus não ensinou.

Contudo, temos de compreender que estes irmãos estão em aprendizado, não despertaram ainda, e agem assim por carregarem n’alma as informações espíritas e não a vivência delas.

Mesmo assim, nós que compreendemos mais, devemos tolerá-los, inspirá-los, conduzindo-os para o caminho do bem, porque é da lei divina fazermos ao outro o que gostaríamos que nos fizessem.

Não desejamos estar entre aqueles que apontam as dificuldades criticando maledicentemente, sem apresentarem propostas de ajuda e renovação. Desejamos cooperar em silêncio, preferindo ver no semelhante as virtudes que já conquistou, encorajando-o amorosamente para vencer as próprias dificuldades morais; agradecendo, o quanto possível, àqueles que, despretensiosa, verdadeira e amorosamente, trabalham em benefício da Causa Espírita. Para isso, temos a sublime oportunidade da mediunidade, que nos possibilita irradiarmos centenas de mensagens singelas, aquelas que, mesmo sem terem condições de serem divulgadas como literatura espírita, calam fundo no coração dos participantes das reuniões de intercâmbio espiritual. Muitas vezes, através de mensagens simples é que os espíritos sublimes falam, porque preferem a simplicidade de coração, os pobres de espírito, os mansos e pacíficos para servir-lhes de intérpretes.

Por isso, não devemos desanimar na tarefa de proteção e inspiração espiritual que nos cabe.

Em contrapartida, possuímos muitos irmãos que, vivendo o Espiritismo, nos possibilitarão atuação mais direta, acalmando e tranqüilizando as mentes encarnadas, quando os adversários do Evangelho espalharem, pelas mentes despreparadas, o vírus da fofoca, da intolerância e das disputas.

Estamos acostumados a semelhantes investidas das sombras e sempre tem prevalecido a bondade divina.

Claro que esta instituição corre o risco de ser destruída, principalmente se os freqüentadores e trabalhadores se deixarem contaminar pelas influências nocivas dos espíritos perturbadores. Contudo, temos em vários departamentos da Casa companheiros que partiram daqui, da nossa esfera, com a missão de efetuar um trabalho espírita sério baseado na vivência cristã. Se os malfeitores espirituais exploram as fraquezas humanas, nós podemos estimular as virtudes da alma, afastando, com a vivência dos ensinos de Jesus, as trevas da maldade.

Será mais um período de redobrados cuidados, de incessante trabalho; permitiremos a entrada de certas entidades, para que nossos irmãos em humanidade tenham a condição de darem testemunho das suas conquistas espirituais.

É verdade que, neste processo de envolvimento espiritual negativo, muitos se envolverão a ponto de desistir do caminho, reencontrando-o, mais tarde, quando estiverem amadurecidos pela vida. Aqueles que guardam os ensinos de Jesus apenas nos lábios, os que trabalham por vaidade pura, os invejosos, melindrosos que não desejam se fortalecer, cairão nas teias dos malvados invasores, porque vibram na mesma sintonia dos inimigos da verdade. Outros, os trabalhadores discretos, respeitáveis, desejosos do bem, idealistas, poderão sentir certo envolvimento, entretanto, saberão fazer brilhar a própria luz, sintonizando com planos superiores, protegendo-se naturalmente da infiltração das sombras, contribuindo para a sobrevivência e continuidade deste Centro. Talvez estes tenham o coração ferido, a alma magoada, mas saberão compreender os companheiros desequilibrados, perdoando-os por ainda não conseguirem dar o testemunho cristão; e, à medida que suportarem as agulhadas das imperfeições humanas, haverão de progredir granjeando naturalmente a simpatia de espíritos superiores.