Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 10 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Iniciando o Ataque

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Os dias correram e o trabalho no Centro Espírita prosseguia em relativa tranqüilidade. Nas zonas espirituais inferiores, porém , os adversários da verdade j á estavam prontos para o ataque.

Júlio César, qual doente m ental, gritava palavras de ordem , seguidas destas orientações:

— Camaradas! Nossa hora chegou! Já fui informado de que os emissários da luz igualmente se organizaram, falando aos responsáveis encarnados da maldita Instituição sobre os nossos planos. Já esperávamos por isso, espíritos fracos nos denunciaram; isso não vai nos impedir!

O odioso Templo permanece impregnado de fluidos amorosos. Nós, também, somos muitos e dispomos de poderosas vibrações negativas. Nosso momento chegou!

— Gonçalves!… Gonçalves! Gritou o infeliz, procurando entre a m ultidão seu capataz.

— Estou aqui, senhor, respondeu o servo diabólico.

— Já fez a verificação dos principais trabalhadores?

— Sim, aqui está o levantamento, dez dirigentes serão visitados por nós.

Temos, por exemplo, os registros da… responsável pelo… atendimento fraterno. Veja:

O nome dela é Márcia Boaventura. Identificamos, após dias de observação, que é uma mulher dedicada ao trabalho espírita. Nos últimos cinco anos, dizem os relatórios, nunca faltou nos dias de plantão. Promove periodicamente reuniões com seus cooperadores, está sempre disposta a ouvir sugestões, trata a todos com afabilidade e doçura, evita os comentários menos edificantes, está distante das fofocas, trabalhando com espantosa seriedade, guardando e recomendando absoluto sigilo sobre todos os casos de atendimento. Através dela não temos nenhum campo de ação, sem contar a proteção que angariou pelo trabalho tão bem realizado, quase não oferece brecha, limitando a 1% nossa influenciação sobre ela. Entretanto, para nossa grande alegria, é casada com um homem possuidor de densas vibrações, o que nos permitiu a aproximação e convivência em sua própria residência; avesso ao Espiritismo, o esposo freqüenta raramente os cultos de uma seita evangélica, carregando na mente a idéia de que a Doutrina Espírita é coisa do diabo.

— Isso! Interrom peu o m andante, eis aí o nosso homem! Incentive-o a continuar na igreja, acompanhe-o, ore com ele se for preciso! (risos)

— À igreja?! Perguntou o serviçal adm irado.

Sabe mesmo o que está me mandando fazer?! Insistiu o capataz com pletam ente atordoado. Explique melhor, senhor, quais são seus objetivos.

— Preste bem atenção, Gonçalves, disse o astuto Júlio César, aproxim ando-se do em pregado, abraçando-o com o se desej asse falar-lhe em secreto, guardando brilho estranho nos olhos, retirando-se, a passos lentos, para local isolado, enquanto ditava, com voz soturna, aos ouvidos do tolo servidor das trevas este triste plano:

— Vamos atormentá-la, envolveremos de tal forma o infeliz do marido que ele fará da vida dela um inferno e, a pretexto de manter a harmonia do lar, ela terá de abandonar as tarefas e aí, adeus à afabilidade e à doçura.

— Mestre, contra-argum entou Gonçalves, há, ainda, uma outra coisa, a considerar. O marido é dado à bebida, se o incentivarmos à igreja, as orientações, ainda que fanáticas, ameaçando os adeptos com o fogo do inferno, poderá levá-lo a largar o álcool, impossibilitando-nos de utilizar mais este trunfo.

— Ora, respondeu o obsessor chefe, que trunfo melhor poderíamos ter senão o medo do inferno. Nós somos os próprios “demônios”, deixe que o infeliz pare de beber; para nós o que importa é infernizá-la, irritá-la naquilo que possui de mais sagrado. Ela não agüentará os argumentos de um marido fanático e, além do mais, poderemos fazer com que toda a economia doméstica seja, mensalmente, conduzida à igreja, “contribuindo com a obra do Senhor”, perturbando-lhe ainda mais a vida financeira e a convivência familiar. Assim, ela será obrigada a procurar um emprego, a fim de suprir as necessidades básicas, afastando-se definitivamente das tarefas no Centro Espírita.

Não se esqueça, continuou o perverso coordenador, de verificar na instituição alguém cujas vibrações denotem desejo ardente em assumir um cargo, veja entre os próprios companheiros de Márcia se há brechas nesse campo, quem sabe um desejo escondido, uma pontinha de inveja etc. Incentive-os a cobiçar esta colocação, aproveite um daqueles dias em que os trabalhadores demonstram natural irritação, ocasionada pelas atividades frenéticas da vida moderna, fazendo com que alguns comecem a se aborrecer com as orientações da coordenadora. Faça brotar, entre eles, idéias de que a responsável pelas entrevistas gosta de mandar, aparecer, dominar! Assim, quando nossa “querida irmã” abandonar o trabalho espírita, compelida pelo marido, outros estarão à disposição, ávidos pela disputa do cargo de entrevistador-mor, e os que forem reprovados certamente se afastarão melindrados. Os que ficarem não terão a mesma eficiência de nossa vítima, será o fim do atendimento fraterno bem organizado daquela Casa.

Plano perfeito!

Vamos, ordenou o m andante perverso, não quero mais perder tempo! É preciso valorizarmos as horas, o atendimento fraterno precisa ser desestruturado a qualquer preço!

— Mas, senhor, disse o secretário das som bras, não deveríamos visitar primeiramente, como estava programado, o presidente da Casa juntamente com o diretor doutrinário? Não deveriam ser as primeiras vítimas de nossa perseguição?

— Já estão sendo, respondeu o organizador astuto, à medida que os departamentos forem atingidos por nossa influenciação, quando o funcionamento das tarefas começarem a se comprometer, haverão de se preocupar e muito provavelmente se irritarão pouco a pouco, abrindo-nos o canal de influenciação. Preciso fazer com que a organização esteja acima da fraternidade, aí, ficará mais fácil nossa infiltração. Brechas serão abertas por todos os lados, e nossas idéias serão captadas com mais facilidade.

Organizaremos o restante dos perseguidores para visitarem os outros dirigentes. Quero cuidar do caso Márcia Boaventura com especial atenção.

— o —

Os obsessores deixaram a cidade das trevas em direção à residência do casal Boaventura.

Márcia, tarefeira no cam po das entrevistas, perm anecia j unto às atividades dom ésticas. O m arido, criatura azeda e difícil, desenvolvia ondas de im paciência e indignação pelo trabalho da esposa no Centro Espírita, argum entando:

— Mulher, você tem que parar com essas coisas de Espiritismo, é preciso pensarmos um pouco mais em nossa vida financeira. Quanto você recebe do seu Centro pelas horas que empenha a serviço do Espiritismo?

— Recebo a consciência tranqüila de ter realizado algo de bom em benefício dos semelhantes.

— Basta! Disse o m arido visivelm ente irritado.

Diga, quem é que põe comida nesta casa? Quem é que paga as despesas domésticas, e além do mais, quem financia o transporte coletivo que lhe conduz ao Centro?

— É você, meu bem, respondeu a esposa, procurando tolerá-lo. E contra-argum entou:

Mas, veja, tenho cumprido com os meus afazeres, a casa permanece em ordem, nada lhe falta, faço todas as suas vontades. Do que é que você se queixa? Só porque me dedico, algumas horas por semana, aos trabalhos voluntários promovendo o bem?

O hom em rude, de vibrações densas, vencido por palavras calm as, lúcidas e apoiadas na autoridade m oral, calou-se pensativo. Foi nesse ínterim que os adversários da verdade o envolveram com estes pensam entos:

— À igreja, vá para a igreja, mostre a ela que você é mais caridoso. Se ela vai ao Centro, você também pode ir aos cultos evangélicos. Deus precisa de você!

E sendo envolvido por pensam entos exteriores e porque desej asse sair de casa, desenvolveu as idéias que lhe chegavam vagarosas.

Horas m ais tarde, Boaventura, ladeado por Júlio César e Gonçalves, os intérpretes das trevas, adentrava luxuoso “tem plo”, desej ando ouvir argum entos para libertar a esposa do Espiritism o.

A “igrej a” m antinha espaço am plo e m oderno, centenas de lugares à disposição da m assa de necessitados. Fisicam ente inspirava respeito, espiritualm ente, porém , era o refúgio de entidades m aléficas, interesseiras, sensuais e exploradoras. Um a m ultidão de espíritos desequilibrados aguardava a turba de encarnados. Músicas envolventes eram com postas, nessa psicosfera espiritual, a fim de serem inspiradas aos com positores encarnados daquele agrupam ento, com o obj etivo de hipnotizar e envolver as m entes m enos preparadas.

O “tem plo” erguido em hom enagem a Mam om , era adm inistrado espiritualm ente por Daniel, entidade que em sua últim a encarnação fundou inúm eras seitas fanáticas que exaltavam o dinheiro.

Sentado em cadeira especial, representando um trono celeste ao centro do palco, o coordenador inferior, controlava todo o m ovim ento das entidades m alvadas.

Daniel, notando a chegada de Júlio César, de sobressalto dirigiu-se ao seu encontro e, em posição de subserviência, declinou esta reverência:

— Salve, ó grande Júlio César!

— Você me conhece?! Perguntou o grande perseguidor adm irado.

— Quem já não ouviu falar de figura tão ilustre? Claro, que o conheço.

Sei que o senhor é um dos obsessores imediatos da falange da qual faço parte. Sei, também, que administra respeitável cidade dedicada às obsessões. Tenho comigo as informações básicas do seu currículo, entre elas conheço a sua especialização em destruir centros espíritas!

Eu o admiro sinceramente! Não é fácil perseguir aqueles que têm conhecimento de como as coisas espirituais funcionam. Aqui, por exemplo, vez por outra os espíritos da luz se apresentam arrebatando muitos dos nossos, mas os encarnados, trabalhadores deste núcleo, não dispõem do intercâmbio mediúnico ostensivo, da fé raciocinada, da caridade pura, o que facilita muito o meu trabalho. Mas, quanto ao senhor trabalhando tão de perto e tão corajosamente junto aos tarefeiros dos centros espíritas?! Ah! Isso não é para qualquer um!

Seja bem-vindo em minha casa, quero que saiba: sou Daniel, desde agora seu servo.

O m andante das trevas quase explodiu de tanta satisfação! Recom pondo-se dos elogios do colega, falou-lhe desta form a:

— Estou agradecido, Daniel, pela sua hospitalidade, isso facilitará muito o meu trabalho. Será recompensado por isso, falarei aos meus superiores da sua boa vontade em ajudar, da sua colaboração e certamente será promovido.

— Não, senhor, replicou a entidade alucinada, não desejo promoção, sei o quanto as vagas na sua equipe são concorridas. Uma oportunidade ao seu lado, para mim já estará excelente, desejo mesmo aprimorar minhas condições de influenciação negativa.

— Ótimo, disse Júlio César, ficará conosco sob as ordens de meu secretário. Sua presença nos será útil.

Já que demonstra tamanha atenção para conosco, quero lhe falar dos nossos planos: preciso de sua ajuda para influenciar alguém em especial. Está vendo aquele senhor na terceira fila à direita?

— Sim, respondeu Daniel.

— Precisamos fazer com que fique completamente fascinado pelas idéias que você divulga aqui. A esposa dele, por realizar um trabalho que nos incomoda, é quem desejamos atingir. Ela é uma rocha moral, espiritualizada e dedicada ao próximo. Não temos condições de atingi-la por vibrar em outras faixas, sintonizando constantemente com os mensageiros da luz. Por isso, estamos sendo obrigados a desenvolver verdadeira manobra, ocupando-nos um tempo precioso, mas valerá a pena!

Gostaria apenas que nos concedesse a palavra, que nos permitisse envolvermos o “pastor”, no momento do culto, para que nossas colocações possam atingir Boaventura em cheio.

— Ah! quanto a isso o senhor não terá problema. Clodoaldo, nosso valoroso “pregador” encarnado, atende às nossas ondas mentais com muita facilidade; é também ligado aos nossos interesses.

Muito bem, concluiu Daniel, está autorizado! Entretanto, precisamos nos apressar, o “culto” vai começar em instantes.

— o —

Aquela seita edificara um rico tem plo em hom enagem a Mam om . Fluidos de interesses m ateriais estavam im pregnados por toda a parte, evidenciando a exploração hum ana. Entre os coordenadores encarnados, a sinceridade era inexistente, o desej o de servir despretensiosam ente ali não existia, pessoas interesseiras foram atraídas pelo com ércio da fé. A cobiça e a am bição dom inavam os sentim entos dos representantes do “tem plo”, onde a palavra de Jesus deveria ser vivida, m as assim não acontecia. Entidades terrivelm ente inferiores ensaiavam discursos para o “culto”. Pouco a pouco, a “igrej a” era ocupada por pessoas com as m ais variadas dificuldades. Muitas revestidas de fé verdadeira, de m éritos espirituais, de honestidade e am or, tam bém se apresentavam engrossando as fileiras do luxuoso “santuário”.

Próxim o do início das atividades, m archas m usicais foram tocadas, preparando o psiquism o dos presentes.

Term inado o show de m úsicas lúgubres, figura esquisita adentrou no am biente físico, era Clodoaldo, o “pastor” chefe.

De posse do livro sagrado dos cristãos, a criatura austera, de intenções som brias, contem plou dem oradam ente a extensa platéia de necessitados, preparando-se para falar, quando foi envolvido pelos dois intérpretes das trevas, que lhe inspiraram este discurso:

— Meus irmãos, os sofrimentos no mundo representam o castigo divino. Se você sofre é porque está em débito com Deus e precisa saldar esta dívida. Nós, os pastores de Deus, recebemos um dom do eterno Pai, o de aliviar e até acabar com os sofrimentos; somos os mensageiros do Senhor!

Entretanto, nada na vida é de graça, Deus espera que você faça a sua parte, dê a sua cota de sacrifício para se libertar dos problemas espirituais que lhe atormentam, e é sobre o sacrifício que vamos falar. É preciso ter coragem para agradar a Deus, ter fé para conquistar a simpatia de Deus, ser ousado nas rogativas dirigidas a Deus. Se você quer se ver livre dos problemas, doe sua parcela de sacrifício para a edificação do reino de Deus na Terra. E a igreja é a casa de Deus, que precisa da sua contribuição para consolar a multidão de desafortunados, filhos do Senhor.

Estranha força partia do “pregador”, poderosas vibrações m agnéticas prendiam a atenção do público.

Júlio César estava transfigurado, ligara-se com planos m ais inferiores, m entalizara a figura m ítica de satanás assum indo perispiritualm ente a form a m itológica, im pressionando os adversários do bem .

Daniel, contudo, dizia:

— Lindo! Que capacidade! Este é meu mestre, meu mentor. Que as trevas lhe acompanhem, Júlio César! Gritava o novo discípulo, sustentando o cam arada com pensam entos m enos edificantes.

— E todo aquele, continuou o representante da m aldade, que contribuir com Deus terá sempre o dobro. Portanto, quem mais doar, mais receberá.

— o —

Neste m om ento, gritos de aleluia foram pronunciados pelos profissionais da fé, incentivando o povo a concordar com os absurdos proferidos pelo “pastor”, que exaltava a insensatez.

Boaventura estava im pressionado, os olhos brilhavam à m aneira daqueles que estão ébrios de am bição; sentia-se atraído pelo pastor, notava ares de sim patia para com aquele hom em . Clodoaldo, influenciado por Júlio César, ligou-se a Boaventura, olhando-o incessantem ente, com o se estivessem im antados por estranho m agnetism o.

O esposo de Márcia não buscava algo espiritual verdadeiro, m as benefícios puram ente m ateriais, com o m uitos dos presentes. Pensava na reform a da casa, em aum entar a renda dom éstica e, quem sabe, enriquecer com aj uda divina. Isso facilitava m uito a atuação dos perseguidores.

— o —

Neste ponto, os adversários espirituais com eçaram a gritar instigando a m assa: Doem! Doem! Doem! Doem tudo! Tudo para o Senhor! Deus é o nosso salvador! (risos)

Estas palavras eram repetidas pelos trabalhadores encarnados. Via-se, nitidam ente, m ãos encarquilhadas ofertarem os últim os recursos, hom ens fortes ofertando o salário do m ês, m ães desesperadas doando os últim os centavos, engordando os cofres do “santuário” erguido a Mam om . O cenário era triste, vários espíritos bons, penalizados, aguardavam a hora oportuna para aj udar.

Term inado o m om ento do ofertório, o “pastor” fez um a rogativa. As palavras pediam a Deus pelos necessitados, m as o coração contava as m oedas! Entretanto, centenas de pessoas oravam com fervor, inúm eras possuíam m éritos e, nesta hora, os benfeitores espirituais, que estão em toda parte, ali se apresentaram , atraídos pelos pensam entos das pessoas nobres de sentim entos, colhendo os pedidos sinceros que, m uitas vezes, num a explosão de fanatism o, eram feitos aos gritos; e, naquela algazarra, os verdadeiros espíritos do Senhor, que não eram vistos ou percebidos pelos adversários do bem , trabalhavam silenciosam ente, anonim am ente, prom ovendo passes m agnéticos nos enferm os, recolhendo obsessores, espíritos recém -desencarnados, alm as sofredoras e infelizes, num extraordinário trabalho de benem erência. Term inada a “prece”, m uitos sentiam -se aliviados, atribuindo a m elhora ou a cura aos poderes m ísticos do “pastor”.

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Eram literalm ente os falsos profetas, anunciados por Jesus. No processo de seleção em que a Terra se encontra, é natural que Deus nos perm ita agirm os com liberdade, pois que estam os sendo classificados através dos próprios atos.

Entretanto, nada foge à lei de causa e efeito. Essas expressões dolorosas terão de ser consertadas pelos próprios enganadores. Mesm o em núcleos dedicados à exploração hum ana, Deus direciona luzes, enviando os bons espíritos para socorrer quantos clam arem sinceram ente por m isericórdia.

— o —

Júlio César, ladeando o porta-voz de Mam om , fortalecia-o no discurso m entiroso:

— Eu lhe solicito, Senhor, que aqueles que contribuíram com a sua obra sejam especialmente abençoados e que os males espirituais sejam retirados, os demônios afastados. E, nesse instante, “atores” contratados caíram ao solo, sim ulando m anifestações dem oníacas, sugestionando as m entes fracas, perturbadas pelos adversários do bem , a repetirem os atos tresloucados. No plano espiritual as entidades debochavam , riam , divertiam -se da crendice popular, ao m esm o tem po em que m uitos freqüentadores encarnados ficavam tem erosos, aguardando a expulsão dos dem ônios pelo “pastor” que, pronunciando as palavras com binadas, afastou os espíritos im puros dos “atores”, enquanto os aj udantes despertavam as m entes im pressionadas, restabelecendo a “ordem ” no am biente físico. Concluída a encenação, ainda fortem ente envolvido pelos coordenadores das trevas, o “pregador” continuou:

— Vocês viram o poder do demônio? Mas o nosso poder é maior! Aleluia! Aleluia!

Todos aqueles que não têm fé, caem nas garras de satanás. Ele age de várias formas, tendo sua morada nos centros espíritas.

Neste m om ento, Júlio César retirou-se ligeiram ente do cam po de ação do expositor da m entira, aconchegando-se a Boaventura, influenciando-o, para que as inform ações o convencessem .

— O Espiritismo, continuou o orador das trevas, é a doutrina do demônio, os espíritas são adoradores da maldade, aqueles que abraçam esta doutrina têm a vida atrasada, os homens que são casados com mulheres que trabalham neste movimento podem ser contaminados, o contrário também é verdadeiro; a residência fica marcada e o diabo poderá arrebatá-los do dia para a noite. Se alguém aqui possuir parentes freqüentando ou trabalhando nestas casas, deixem os nomes para a reunião de libertação, onde afastaremos o demônio amarrando-o definitivamente, confinando-o no inferno, donde nunca deveria ter saído, livrando os lares desta indesejável companhia. Sejam fortes, não dêem trégua aos espíritas, convençam os parentes, tragam-nos ao nosso templo. Todo aquele que consegue converter um irmão à nossa fé, cresce aos olhos de Deus.