Aconteceu na Casa Espírita
Capítulo 15
Júlio César, afastando-se consideravelm ente, peram bulando pelas ruas, trazia os pensam entos atorm entados:
— Aqueles malditos! Pensam que acabaram comigo?! Quem eles acham que são?! Eu faço parte de extensa organização das trevas. Como não conseguimos?! Estava tudo planejado!
Gonçalves! Gonçalves! Gritou o preposto das sombras, clamando pelo servo.
E diante do silêncio que se fez, concluiu:
— O infeliz deve ter debandado! Fracos! Inúteis! O que será de mim agora? Que direi aos meus superiores?
Terão mesmo coragem de me rebaixar? Claro, não aceitam incompetência!
— o —
De posse desses pensam entos, Júlio chegou à sinistra cidade que adm inistrava. Alguns poucos espíritos que conseguiram fugir zom bavam dele, desta m aneira:
— É o seu fim, grande Júlio. Finalmente não seremos mais obrigados a lhe servir. Queimará no fogo da própria incompetência, inútil! Inútil!
Você não é mais nada, não terá nenhuma expressão na organização.
Nossos superiores já estão sendo avisados sobre a sua derrota, virão lhe buscar!
— O quê?! Perguntou o m andante traduzindo nas palavras ira e indignação. Já foram me delatar? Com qual autoridade? Víboras! Víboras! Bradava o representante das som bras em com pleto desequilíbrio. Saiam daqui! Agora!
Pouco a pouco, o silêncio se fez, e o coordenador do processo de infiltração m ergulhava em profunda depressão.
Cansado, hum ilhado e derrotado, Júlio César caiu no centro da praça de onde costum ava fazer seus discursos m alignos. Sentia-se vencido! Sabia que, brevem ente, seria deposto do cargo e conduzido às regiões inferiores onde seria preso! Todavia, o que m ais lhe incom odava eram os risos de Augusto, o j uiz perverso; sua sentença seria cruel.
Enquanto se dedicava a esses pensam entos inferiores, atraiu para si intensa névoa escura, isto é, fluidos densos e perturbadores característicos daquela região, perm anecendo m ergulhado em sentim entos de autopiedade e de rancor.
— o —
No Centro Espírita, o trabalho corria de m aneira satisfatória. Os espíritos am igos preparavam -se para encerrar as tarefas socorristas, quando um a das entidades sublim es, aproxim ando-se do m entor da Casa, solicitou que m arcasse para a m adrugada seguinte im portante reunião com todos os trabalhadores do Centro, encarnados e desencarnados, com o obj etivo de fazer um balanço da situação, além de palestra de advertência e esclarecim ento aos irm ãos de ideal.
Ressaltou, ainda, o nobre espírito, que não deveriam faltar em hipótese algum a: Castro, o presidente da Casa, Israel, o responsável pelas atividades doutrinárias, e, principalm ente, Márcia Boaventura, a com panheira responsável pelas entrevistas e vitoriosa no cam po dos testem unhos.