Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 12 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Estimulando a Vaidade

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Estim ulando a Vaidade

 

O plano de Júlio César fora m uito bem executado! Clodoaldo conseguira convencer Boaventura, que perm anecia inebriado pelas novas inform ações recebidas.

Os adversários da paz com em oravam !

Júlio César, conversando anim adam ente com o capataz, inform ou:

— Pronto! Só nos resta aguardar, a semente foi lançada e a terra é muito boa. Boaventura, de retorno ao lar, haverá de infernizar nossa “querida” Márcia, efetuando a discórdia, retirando, naturalmente, a esposa do equilíbrio. O marido fanático haverá de massacrá-la, destruindo-lhe, pouco a pouco, a disposição para trabalhos espíritas. A tarefa do atendimento fraterno perderá uma de suas melhores cooperadoras!

— E agora, mestre? Perguntou Gonçalves, desej ando saber dos planos íntim os do m entor das som bras para a continuidade do processo de infiltração.

— Agora, meu caro, cabe-nos verificar os grupos de assistência espiritual!

— Mas, vamos abandonar o caso Márcia Boaventura? Questionou o servo da m aldade.

— Não abandonaremos este processo, simplesmente precisaremos dar tempo ao tempo para que a semente do fanatismo, plantada na mente de Boaventura, germine; mais tarde retornaremos à residência da coordenadora do atendimento fraterno para as devidas verificações. Esta operação, meu querido, requer muita paciência. Todo cuidado é pouco, a organização e a cautela são a alma deste empreendimento. Toda infiltração começa pequena, quase imperceptível, para, depois, ganhar volume causando dor, destruição ou, pelo menos, inúmeros prejuízos!

Cam inhando lentam ente ao lado do com parsa, com um a das m ãos tocando a fronte, com o que recapitulando os próprios pensam entos, Júlio César inform ou:

— Nossas atenções, doravante, estarão voltadas para os grupos de fluidoterapia. Deveremos fazer surgir entre eles a concorrência e a disputa!

— Mas, senhor, perguntou o secretário da m aldade, como é que conseguiremos penetrar no Centro Espírita? Não dispomos de autorização. Como iremos romper as barreiras protetoras do Centro? Como faremos para despistar os mensageiros da luz…

— Chega! Chega! Gritou o m andante. Não vê que me perturba com tantos questionamentos?

Ora! Como vamos entrar?! Aproveitaremos os desequilíbrios humanos, as brechas, como o orgulho, a mesquinhez, o desejo de mando, a vaidade etc., etc., etc.

Enquanto você marca os passos, eu já recebi valoroso relatório dos nossos comandados que permanecem junto de muitos tarefeiros encarnados. Eles têm livre acesso na Instituição, por serem acompanhantes usuais dos tarefeiros do Centro que não vivem a mensagem cristã, que fazem parte dos grupos de fofoca, dos que são sempre do contra, daqueles que desejam reformar tudo e nunca estão satisfeitos com nada!

Identificamos, em três grupos, passistas que nutrem desejo ardente em desenvolver a faculdade de cura. Acreditam ser especiais, embora suas tendências para o fanatismo permaneçam controladas pela organização e o estudo doutrinário esclarecedor, contendo certas idéias. Não possuem, nem de longe, a raríssima faculdade de curar instantaneamente as enfermidades.

— Mas e aí? Perguntou Gonçalves.

— Aí, meu amigo, nós vamos dar a eles a faculdade de cura!

— Como assim?!

— Simples! Aproveitando a brecha de inúmeros tarefeiros, penetraremos na instituição. Dos assistidos que adentrarem a sala de passe e estiverem sob um processo obsessivo, e ainda, se esses obsessores fizerem parte de nossa extensa falange, solicitaremos que se afastem momentaneamente, causando uma cura, instantânea, aparente. O resto, se eu conheço bem a criatura humana, acontecerá naturalmente.

— Não entendi, disse Gonçalves. O senhor pode explicar melhor?

— Fácil, meu querido, muitas pessoas não entendem o processo da mediunidade, não compreendem que os passistas são simples instrumentos, embora haja sempre uma parcela do magnetismo humano, e por desejarem agradecer os recursos recebidos, logo, logo o endeusamento baterá às portas das salas de fluidoterapia, fazendo com que os passistas disputem entre si, quem dispõe de maiores recursos magnéticos.

— Ah!… Mestre! O senhor é um gênio!

— Gonçalves, alertou o obsessor chefe, preste bastante atenção: uma vez dentro da Instituição todo cuidado é pouco. É provável que não veremos as entidades superiores laborando naquela Casa, provavelmente sentiremos certo desconforto psíquico, pelo contraste das nossas vibrações. Dos cooperadores espirituais que pudermos enxergar, por trabalharem intimamente ligados à nossa esfera de atuação, com objetivo de arrebatar muitos dos nossos, evite fixar-lhes o olhar, pois vibrações amorosas tentarão nos retirar do caminho. E se, porventura, lhe agarrarem, evite pensar naqueles que você amou um dia, não se contamine com a fraternidade e muito menos deixe-se tocar pelas palavras doces e afetuosas que nossos adversários certamente tentarão nos transmitir. Se uma fraqueza qualquer o envolver, chame por mim. Você, ainda que com suas dificuldades no campo do intelecto, é por demais valioso, além de guardar informações confidenciais deste nosso processo, e não desejo que o inimigo saiba de nossos planos mais íntimos. Desta maneira, vigia as emoções!

— o —

Tendo se dirigido para as portas da instituição, verificaram a proteção e a organização da Casa, aguardando que os trabalhadores encarnados com quem se afinizavam se apresentassem para o trabalho. Foi nesse período que Maria Souza, tarefeira da fluidoterapia, adentrou o Centro, autorizando, pelos seus pensam entos e sentim entos pedantes, a entrada dos representantes da m aldade no núcleo cristão. Estes, im antados à servidora vaidosa, tom avam as providências necessárias para a continuidade das infiltrações.

— o —

As entidades superiores sabiam de tudo e os acom panhavam discretam ente sem que, no Centro, os inim igos da verdade pudessem percebê-las, perm itindo, assim , a entrada “livre”, porém , m onitorada de Júlio César e Gonçalves que, para os trabalhadores da Casa Espírita, se converteriam em elem entos de provas no cam po dos ensinos de Jesus.

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Penetrando a sala cuj as atividades eram de assistência espiritual, os m alfeitores notaram a diferença fluídica, as vibrações evidenciavam respeito e tranqüilidade.

No aspecto físico, disciplina e seriedade dom inavam o coração da m aioria dos trabalhadores. Entidades am igas, quais enferm eiros espirituais, ladeavam os passistas a fim de aj udá-los na transm issão de energias refazedoras, num trabalho cristão e anônim o.

Maria Souza desenvolvia vontade sincera em aj udar, m as o sonho de ser um a grande m agnetizadora, um a extraordinária m édium de cura, atrapalhava-lhe as boas disposições, pois o pedantism o lhe anulava as m elhores intenções, im pedindo-lhe a produção de sentim entos sublim es, ficando no com um das pessoas, sobrecarregando a equipe espiritual, que, aproveitando apenas alguns poucos recursos m agnéticos, fazia todo o trabalho.

— o —

Iniciada a sessão de passes, um a senhora curvada, gravem ente envolvida por um a turba de obsessores, sentou-se com m uita dificuldade na cadeira onde Maria haveria de m inistrar a fluidoterapia. Os am igos espirituais envolveram quanto possível os obsessores, recolhendo-os am orosam ente para o socorro devido, contudo, outros, m ais endurecidos, perm aneciam ligados à enferm a por estarem profundam ente com prom etidos com o seu passado delituoso. A assistida som ente se libertaria por com pleto através do esforço íntim o, pela transform ação m oral à qual, em verdade, não se dedicava.

Júlio César, analisando as vibrações do coordenador daquele caso, notou pertencer à sua categoria espiritual e, após as conversações prelim inares, acrescentou:

— O camarada certamente me conhece, não?

— Claro, Júlio César, claro! O que quer de mim?

— Pequenos favores.

— Favores? De graça?!

— Não, meu amigo, será recompensado, digamos que será troca de gentilezas.

— Pode dizer, o que é?

— Preciso que você e sua equipe abandonem esta mulher.

— O quê?! Nunca!!!

— Será momentâneo, é pela nossa causa. Conhece meus superiores! Em nome deles, estou me empenhando na destruição deste Centro e preciso de sua…

— Ah! Por que não disse antes? É para destruir esta Casa maldita? Então, tem todo meu apoio. Graças a este terrível templo de amor não consigo concluir o meu plano. Se esta criatura continua em pé, é por causa destas energias e das preces que tem recebido desta odiosa instituição. Júlio, meu caro, terá toda minha ajuda. Ficaremos longe dela… vejamos… seis meses, está bem? Nenhum dia a mais, está ouvindo?

Mas em troca, continuou o obsessor m ercenário, após o vencimento deste prazo, você me cederá vinte trabalhadores seus bem treinados, pelo tempo equivalente à minha ausência junto a esta infeliz. O que me diz?

— Negócio fechado, finalizou o arquiteto da m aldade.

Enquanto o passe era transm itido, os espíritos perseguidores daquele caso saíam silenciosam ente.

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Os am igos espirituais atentos, tam bém se retiraram discretam ente, aproveitando a trégua interesseira dos m alfeitores, para tentar libertá-los da idéia de m aldade e vingança. Mobilizaram , então, equipes socorristas, conseguindo encam inhar m uitos adversários para o intercâm bio espiritual.

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Porém , a m ulher que adentrou a sala, curvada, recuperava a postura correta com o que de im ediato, readquirindo certa vitalidade. Quando se viu liberta daquelas influências, num desej o de agradecer, agarrou a m ão da passista, beij ando-a e lançando estas palavras de gratidão:

— Deus abençoe a senhora! Sua mediunidade é fantástica, agora eu sei! Estou livre, você é uma santa! Estas atitudes da assistida rom peram as norm as de silêncio e discrição que a Casa Espírita solicitava, tum ultuando m om entaneam ente o trabalho. O dirigente encarnado aproxim ou-se contendo os excessos, im prim indo ordem e disciplina no am biente.

Júlio César acom panhou o trabalho de Maria Souza durante várias sem anas, fazendo com que casos sem elhantes a estes fossem repetidos; para isso oferecia cargos, favores e retribuições aos obsessores, provocando nela a certeza de que finalm ente havia desenvolvido a faculdade de cura.

Em pouco tem po, certos cooperadores deixaram -se envolver e contam inar pelo ciúm e, invej a e intolerância!

Maria Souza tornara-se valioso instrum ento de atuação do obsessor chefe que a envolvia nestes pensam entos:

— Você, realmente, é médium de cura e eu sou o seu médico, seu mentor!

Estamos nos colocando à disposição para um novo trabalho nesta Casa, desejamos desenvolver aqui grandes trabalhos de cirurgia espiritual, você será famosa, seu nome será divulgado largamente e todos haverão de respeitá-la.

Entretanto, muitos invejosos desejarão tirá-la da missão, por isso afaste-se daqueles que quiserem analisar as suas produções. No resto, conta conosco.

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A “m édium curadora”, contam inada pela presunção, j á espalhava aqui e acolá, suas novas “capacidades” e em pouco tem po os assistidos j á disputavam um a vaga j unto à sua cadeira para receber os passes “curadores”.

Na sala, a com petição estava instalada. Vários com panheiros invigilantes caíram na arm ação das trevas, esquecendo-se de que o trabalho em qualquer área solicita discrição e fraternidade.

Alguns perdiam -se na indignação, afirm ando que a “curadora”, na realidade, era aním ica, vaidosa, orgulhosa e deveria ser banida do grupo.

Outros form avam pequenos grupos em favor da passista fascinada. Além das fofocas que percorriam , a galope, os corredores.

Era o início de um a séria perturbação espiritual, que daria m uito trabalho à diretoria doutrinária do centro.

Espiritualm ente, Júlio César perm anecia eufórico, porque agora j á havia lançado dúvidas e problem as em dois im portantes departam entos.