Aconteceu na Casa Espírita
No Auge da Crise
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Na casa dos Boaventura, Gonçalves e Daniel, os prepostos das trevas para aquele caso, dom inavam o am biente espiritual. A porta de entrada era o sr. Boaventura, que lhes atendia com facilidade às ondas de pensam entos e sentim entos inferiores.
A responsável pelo atendim ento fraterno padecia grandes dificuldades!
Sob atuação das trevas, o m arido j á havia feito grandes doações para a seita lunática, esperando Deus lhe restituir em dobro todas as suas doações.
A tarefeira j á sofria com a falta de recursos para saldar as despesas básicas da casa. Márcia dem onstrava grande testem unho de paciência e fé, suportando coraj osam ente os desequilíbrios do esposo fanatizado.
Certa noite, quando os ataques dos adversários estavam no auge e o sr. Boaventura fazia sua pregação falsa e absurda, Márcia recolheu-se para dorm ir. Após prece fervorosa, quando as em oções a conduziram às lágrim as, sentiu-se envolvida em doces fluidos e, sob ação m agnética dos espíritos am igos, adorm eceu tranqüila.
Desdobrada do corpo, no m undo espiritual, eis que lhe aparece o m entor responsável pelo Centro onde ela trabalhava dedicadam ente, endereçando-lhe em seguida estas carinhosas palavras:
— Márcia, minha irmã! Jesus te abençoe nos testemunhos!
Vendo o benfeitor resplandecente, a tarefeira desdobrada lançou-se de j oelhos, rogando a seguir:
— Louvado seja este momento!
Senhor, não o conheço, contudo meu coração o identifica como um mensageiro de Deus atendendo minhas rogativas.
Ouve por misericórdia minhas súplicas, ajudando-me a suportar meus problemas.
Não sei o que aconteceu comigo, o porquê de tanto sofrimento. Me tiraram o que possuía de mais sagrado na vida; nada me tortura tanto, quanto à proibição, por parte de meu esposo, de executar as tarefas espíritas.
Onde eu errei? Estarei sendo punida?
Bom amigo, já que Deus me concedeu a misericórdia da sua visita, compreenda o meu coração ferido, desculpe meu desespero e diga-me: o que aconteceu?
— Márcia, minha filha, disse o m entor aproxim ando-se e acariciando-lhe delicadam ente os cabelos negros, Deus não te permitiria sofrer, se não julgasse ser útil para o teu próprio adiantamento espiritual.
Teu marido está, de fato, sob poderosa obsessão. Estes adversários, na realidade, desejariam te envolver com objetivo de desestruturar o departamento de atendimento fraterno. Não encontrando brechas em ti, envolveram teu esposo invigilante, almejando atingir-te por tabela. Contudo, se o Senhor da Vida lhes permite agir assim, é porque a Terra, um mundo de provas e expiações, enseja para aqueles que reencarnam aqui experiências, testes de suportação, que farão brotar naqueles em processo de aprendizado, provas ou expiações, certas virtudes no campo da compreensão humana.
Encara teu esposo como um doente mental necessitado de nossa piedade. Infelizmente é assim que ele acabará dentro em breve. Os inimigos do bem encontraram tamanha afinidade junto a ele que sua mente começa a sofrer verdadeiro processo desequilibrante. Terás de ser forte!
Não estarias ligada a ele se não guardassem compromissos profundos. A propósito, segundo nos dizem os espíritos simpáticos que te assistem, tu firmaste compromisso, aqui no mundo espiritual, para tentar conduzi-lo no bom caminho, espiritualizá-lo um pouco mais, e temos acompanhado os teus esforços.
Mesmo diante de tantas dificuldades, segue confiante, tolerando, quanto possível, as alucinações do teu esposo. A ganância material é que vai fazer com que ele se perca completamente no caminho.
Quanto a ti, logo, logo estarás de volta às atividades do Centro, pois que este processo está chegando ao fim. Viemos trazer nossa promessa de que não serás desamparada. Se suportares resignadamente teu esposo, fazendo o que estiver ao teu alcance para conduzi-lo ao caminho do bem, te asseguramos que o básico, a fim de que continues tua caminhada, não te faltará. Quanto a ele, se não souber aproveitar da tua convivência, restará o pesar de, no mundo espiritual, descobrir que tinha um instrutor espiritual encarnado para conduzi-lo ao céu das bem-aventuranças, mas que não soube aproveitar, desperdiçando a oportunidade por orgulho, machismo e ambição. Terá de se preparar a fim de retornar ao planeta e recomeçar, sem contar, desta vez, com um guia caridoso.
Brevemente, estarás recebendo a visita de Castro e Israel. Eles, representando a caridade, haverão de te socorrer no que for necessário.
Segue corajosa e confiante, na certeza de que este teu testemunho de agora te lançará a planos espirituais superiores. Todo sacrifício útil em benefício de alguém é merecedor de recompensas e o Senhor não te faltará.
Márcia, sentindo-se consolada, abraçou longam ente o m entor da Instituição, acom panhando-o a esferas m aiores para o executar de tarefas superiores.
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Enquanto essa conversa acontecia num clim a sublim e, no plano espiritual inferior, Daniel e Gonçalves envolviam Boaventura em proj etos infelizes:
— Boaventura, disse o cam arada im ediato de Júlio César, continue doando os seus recursos financeiros aos ministros de Deus; permaneça impedindo, a qualquer custo, sua esposa de trabalhar no terrível Centro Espírita, a fim de que você alcance graças e glórias junto à providência divina. Deus quer ver até aonde vai a sua coragem. Depois, quando você tiver doado tudo, aí, sim, virá a recompensa!
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O obsidiado estava esgotado, espiritualm ente sentia-se fatigado, as entidades inferiores perturbavam -lhe profundam ente o intelecto. Todas as noites, em desdobram ento, recebia a visita dos adversários que o contam inavam com suas idéias falsas. Em vigília, faziam -no cair no ridículo, levando-o, onde quer que estivesse, a “orar”, em voz alta. Os am igos se afastaram e, aos poucos, os parentes abandonaram -no à própria sorte.
E porque não pensava em outra coisa, senão ficar rico com as bênçãos de Deus, os adversários tinham largo acesso a ele, conseguindo, de certa form a, atrapalhar o trabalho de Márcia Boaventura na instituição espírita.
Diante deste processo obsessivo, Boaventura com eçava a ter pequenos lapsos de m em ória, com prom etendo-lhe a atuação na fábrica, onde laborava com o operário. Dia após dia, Boaventura caía no desvario sob atuação dos inim igos da verdade. Constantem ente prom ovia discursos fanáticos a fim de angariar prosélitos para a seita da qual participava. Além disso, proibira term inantem ente sua com panheira de participar dos trabalhos espíritas.
Márcia Boaventura, contudo, continuava firm e nos testem unhos, tolerando e suportando coraj osam ente o m arido perturbado.
Todavia, na fábrica em que o esposo trabalhava, os colegas j á não o conseguiam tolerar, pelos discursos insistentes em torno da “religião” com o desej o de convertê-los. Essas atitudes prom oviam debates acalorados, discussões im produtivas e m uitas vezes brigas desnecessárias.
A situação de Boaventura com plicou-se dem asiadam ente, a ponto de ser dem itido do em prego por sua postura perturbadora, indelicada, além de ter decaído assustadoram ente na produção profissional.
Agora, desem pregado, de volta ao lar, deu a notícia, abalando sensivelm ente a esposa dedicada que, em bora estivesse confiante na providência divina, não conseguiu se livrar das angústias e dificuldades em ocionais naturais deste processo. Entretanto, desej ando tirar o bem do m al, Márcia pensou que a som a em dinheiro referente à rescisão do contrato e com os benefícios trabalhistas, poderiam aliviar as despesas atrasadas e conseguiriam m anter-se até que o esposo encontrasse um novo em prego.
Mas Boaventura, de posse do valor considerável referente ao acerto de contas com a em presa, decidiu fazer doação dos seus últim os recursos à seita “religiosa”.
Márcia, quando soube, quase desm aiou, contudo não adiantaria conversar com o esposo. Era visível seu desequilíbrio. Já estavam praticam ente falidos!
Nesse período, Daniel, dirigindo-se a Gonçalves, disse-lhe:
— Acho que nossa missão está cumprida. Márcia está arrasada e não poderá retomar mais as tarefas do Centro, obrigatoriamente precisará encontrar um emprego a fim de suprir as necessidades básicas da casa.
Devemos voltar à Instituição para darmos as boas notícias ao nosso chefe, recolhendo-lhe as congratulações pelo nosso excelente trabalho.
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De retorno ao Centro Espírita, os adversários foram recepcionados por Elvira, que os colocou a par dos acontecim entos. Todos eles com em oraram !
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A Casa de fato passava por graves tum ultos. A saída de Maria Souza, carregando consigo cerca de trinta pessoas, gerou fartos com entários.
Os dirigentes, contudo, perm aneciam reflexivos, orando e trabalhando com adm irável discrição, controlando os focos de com entários im produtivos com notável autoridade m oral.
Durante esta agitação, Israel efetuou um sem inário a respeito da Casa Espírita, seu funcionam ento, trabalho e trabalhadores, tal com o havia sido sugerido e incentivado pelos am igos espirituais.