Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 19 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Capítulo 9

Entre Mensagens e Críticas

 

No m undo dos espíritos, porém , o trabalho de auxílio aos com panheiros que estavam no cam po das provações era bastante intenso. As entidades am igas iniciaram o processo de divulgação de m ensagens edificantes através da m ediunidade.

Tarefeiros espirituais dedicados envolveram de m aneira doce e terna vários m édiuns, efetuando o sublim e intercâm bio entre as duas realidades da vida.

Centenas de m ensagens foram irradiadas, ressaltando a necessidade de m ais trabalho, discrição, zelo pela doutrina espírita e tolerância entre os cooperadores do am or.

Os m édiuns captavam as inform ações espirituais, cada qual com suas capacidades m edianím icas, vestindo as idéias dos benfeitores com o próprio m aterial m ental, m antendo-se fiéis ao fundo das inform ações superiores.

Todos os grupos receberam a visita fraterna das entidades am igas, estim ulando-os e alertando delicadam ente a respeito da necessidade de entenderem a Casa Espírita com o verdadeiro tem plo, onde o trabalho, a tolerância e a fraternidade precisam ser colocados em evidência.

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À m edida que as m ensagens foram sendo recebidas, avaliadas com rigor e divulgadas, o am biente do Centro com eçava a m udar vagarosam ente.

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Contudo, Israel, que se em penhava na organização de valoroso estudo doutrinário, era envolvido pelos adversários do bem .

Em bora suas atividades dignas, respeitosas e fervorosas nos ideais espíritas lhe conferissem notável proteção espiritual, os adversários da bondade, com obj etivo de atorm entá-lo e atrapalhar a organização da reunião de estudos alertadores, envolveram os freqüentadores invigilantes, ferindo-lhe a alm a desta form a:

— Israel, não precisamos tanto de estudo, você já está velho, seu método ultrapassado, precisamos é de capacidades novas. Por que não aposenta suas idéias antigas?

Ofereça oportunidade aos que estão chegando. Sua época já passou. Vá, faça suas viagens, suas palestras repetitivas e deixe o cargo àqueles que apresentam maior competência. Durante todos estes anos você reinou nesta Casa, agora é melhor que você descanse.

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O responsável pelas atividades doutrinárias sentiu o coração pulsar m ais depressa, m as m anteve-se firm e, pedindo a Deus o aj udasse a tolerar e esclarecer o quão im portante é a continuidade dos estudos espíritas para a m anutenção da Casa e da Causa.

Entretanto, os inim igos do bem tentavam de tudo, inclusive contra sua própria vida, no que foram , naturalm ente, im pedidos pelos benfeitores.

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Certa noite, quando as horas avançavam para a m adrugada, os espíritos do Senhor convocaram im portante assem bléia, recrutando os cooperadores encarnados de cada departam ento da Casa, incluindo as obras assistenciais, com obj etivo de apoiá-los.

Reunidos os representantes dos trabalhos do Cristo, acom panhados dos tutores espirituais responsáveis pelas respectivas tarefas, o m entor cum prim entou-os desta m aneira:

— Queridos amigos e irmãos!

Neste momento delicado é necessário nos colocarmos em guarda. Os encarnados estão sendo experimentados e precisam estar alerta nas tarefas edificantes.

Primeiramente, continuou o m entor, é necessário lembrar que a nossa Casa Espírita foi edificada por dedicados idealistas com o objetivo de viver e divulgar os ensinos da Doutrina Espírita, revivendo a mensagem cristã.

Não desconhecemos as dificuldades, não ignoramos os problemas. Confiamos, contudo, na proteção espiritual que brota do Mais Alto como chuva luminosa, inspirando e amparando todos os que trabalham com sinceridade na seara do Senhor.

Entretanto, se somos representantes do Espiritismo, não podemos esquecer de valorizarmos a pureza doutrinária, colocando-nos à disposição para estudarmos e irradiarmos as verdades codificadas por Allan Kardec.

Neste momento grave, prosseguiu o orientador ilum inado, pelo qual passa nossa Casa, os adversários têm se valido das imperfeições humanas para semear a discórdia, implantar a competição entre os cooperadores invigilantes, mexer com a vaidade, irritar os corações, desestimulando as realizações cristãs. Dessa forma, meus irmãos, somos todos responsáveis pela continuidade do empreendimento redentor. E, se dispomos de maiores esclarecimentos, temos o dever de testemunharmos mais. Assim, evitemos a qualquer custo desenvolvermos as fofocas destruidoras, a maledicência, as disputas etc.

Todos somos importantes e necessários nas funções que abraçamos. Lembremo-nos do Cristo:

“… Aquele que quiser ser o maior seja o menor e o servidor de todos.”

Aproveitaremos este encontro de estudos, promovido pela diretoria de doutrina sob nossa inspiração, para, durante todo o trabalho, envolvermos quanto pudermos os expositores, iluminando-lhes a consciência, esclarecendo suas idéias, ajudando-os na organização do pensamento, a fim de que as palavras orientadoras possam chegar aos corações da maneira mais clara possível, fazendo com que seja exaltado o compromisso com a discrição, a tolerância, o zelo pela doutrina espírita e a fraternidade entre os trabalhadores e freqüentadores.

Neste m om ento, o instrutor fez pequena pausa, com o se estivesse organizando as idéias, no que foi questionado por um dos cooperadores encarnados.

— Afinal, por que nossa Casa está sendo perseguida? Por que estamos sendo tão atacados desta forma? Querem, os inimigos do amor, destruir alguém em particular?

— Não, esclareceu o espírito am igo, os adversários são inimigos gratuitos da Causa e desejam destruir a obra de Jesus no planeta.

Entretanto, os trabalhadores imprudentes cooperam para aumentar o problema, à medida que oferecem brechas no caminho. Isso tudo é, de certa forma, compreensível, uma vez que são companheiros em aprendizado rumo a própria perfeição.

No entanto, os obsessores devem ser contidos e educados amorosamente. O Evangelho de Jesus é essencialmente educativo e é uma pena que seja esquecido algumas vezes; e quando isso acontece, os amigos encarnados entram em sintonia com os adversários, tornando-se seus representantes na Terra. Porém, aqueles que permanecerem firmes, valorizando pelo próprio exemplo a mensagem cristã, nos permitirão o auxílio na proporção direta do trabalho no campo do bem, contribuindo para a modificação dos adversários, fazendo com que o equilíbrio retorne naturalmente.

Do mal sempre se pode tirar o bem, e o que se poderá extrair desta situação são as provas para todos os estudantes do Espiritismo na grande escola em que se converte o Centro Espírita.

Por isso, meus amigos, perseveremos!

Uma plêiade de entidades celestes garantirá nossa proteção, desde que pratiquemos as verdades reveladas por Jesus.

Assim, valorizemos as boas atitudes, estudemos e vivamos sempre a mensagem evangélica, evitando com isso as infiltrações indesejadas.

Sendo a Casa Espírita um templo de trabalho e amor, é importante defendê-la da penetração das trevas no campo do nosso ideal.

Procuremos seguir confiantes, na certeza de que o Senhor nos abençoa.

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Ao final da preleção, Castro e Israel apresentaram -se para, m ais um a vez, solicitar do benfeitor orientação para a continuidade dos trabalhos.

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O presidente da instituição aproxim ou-se do dirigente espiritual com olhos m arej ados, dirigindo, segundos depois, este pedido de aj uda:

— Caro amigo, temos recebido o teu concurso há anos e, de fato, nos sentimos felizes e honrados pela oportunidade de serviço. Entretanto, minha alma está sofrendo! Não sei se vou agüentar mais esta vez! Meu coração está cansado. Tenho suportado intolerância e desequilíbrios! Por mais que se fale, solicitando viver os ensinos do Cristo, as criaturas permanecem renitentes, desejosas em ser o exemplo da irritação e da incompreensão.

Já tenho feito tanto por esta Casa! Mas, agora, amigo, confesso estar esgotado. Não agüento mais tantas reclamações, nossa organização tem se demonstrado ineficiente para o executar das tarefas mais simples. Os tarefeiros apontam dificuldades para os trabalhos de rotina! Durante anos militei firme. Mas, hoje, o labor tem exigido muito de mim e, diante de tantos problemas, tenho pensado em desistir. Quem sabe esteja velho, mesmo! Talvez seja a hora de aposentar? Oferecer a vez para outros, livrando-me das perturbações?

Ouça, amigo querido, clam ou o presidente, diga-me, se puder, qual deverá ser a minha atitude?

O benfeitor am oroso aproxim ou-se um pouco m ais de Castro, envolvendo-o ternam ente j unto ao peito, falando-lhe desta m aneira:

— A tua postura, Castro, deverá ser sempre a do homem de bem.

Quem se dispõe a seguir Jesus deve estar consciente dos caminhos pedregosos, da cruz que carrega e, ao final da vida terrena, estar preparado para o sublime sacrifício do Gólgota.

O Cristo também não ficou livre da “hora das trevas” a que se refere o Evangelho, ensinando-nos ser preciso suportá-la, para que a obra não se perca. Os adversários são igualmente nossos irmãos em humanidade, permanecendo, simplesmente, enganados quanto ao caminho das verdades eternas!

Compreende-os o quanto puderes! São almas sofredoras, guardam angústias e dramas terríveis, querem se libertar dos erros, mas não encontram coragem. Trazem a consciência profundamente comprometida ante as leis universais e terão de enfrentar a inexorável lei da reparação.

E se queres saber, tu mesmo já fizeste parte das “hostes infernais”! Quem de nós, peregrinando pelos caminhos da ignorância, não contribuímos para entravar o progresso?

Agora, que já caminhamos um pouco mais, é mister compreendermos aqueles que estão na escuridão, fazendo a nossa parte para retribuir à lei divina a mesma misericórdia de que um dia desfrutamos.

Para alcançarmos o Éden da felicidade plena, é preciso sabermos nos compreender e tolerar, ajudando-nos mutuamente. O obsessor de hoje será o trabalhador do amanhã e, num futuro que depende de cada um de nós, o anjo, mensageiro do Senhor. Todos fazemos parte do rebanho de Jesus, e nenhuma alma deverá ser perdida!

Tu, meu amigo, estás rumando para o sublime sacrifício do Calvário, e as trevas, naturalmente, estão te experimentando. Fracassarás agora? Renunciarás ao trabalho? Farás como Simão Pedro? Negarás Jesus no momento mais importante? Abandonarás os irmãos em jornada à própria sorte? Para onde foi o teu ideal? Deixa-te, portanto, ser transpassado pelos cravos da maledicência, suporta as injúrias, as maldades, pois estes sofrimentos morais ainda são necessários para o teu crescimento espiritual. Muitos dos excursionistas em aprendizado pela Terra passam por provações semelhantes devido a necessidades evolutivas e não atingiram, ainda, a capacidade de sofrer e viver pela felicidade do outro, apagando-se completamente! Se achas ter feito muito por esta Casa, de fato, não entendeste o idealismo espírita! Se apresentas fadiga, busca a água viva do Evangelho, refrescando-te no oásis dos ensinos de Jesus, perante o deserto dos teus sofrimentos! Já vencemos tantos problemas juntos, nunca te negamos amparo, contudo, quando precisamos contar com tua colaboração num momento extremo, em que a lucidez e o exemplo cristão precisam caminhar lado a lado, pensas em desistir? Lembra-te: Ninguém alcança ascensão espiritual, sem vencer a si mesmo, e sem dar a vida pelo semelhante.

Bem sabemos das tuas limitações, mas te solicitamos, já que és o representante desta Casa no ambiente físico, a compreensão dos irmãos em desequilíbrio como nós os compreendemos.

Tua presença atuante, dando prosseguimento ao ideal dos fundadores deste núcleo, tem-nos possibilitado a continuidade da obra. Por isso, suporta com coragem, oferecendo o teu trabalho como sacrifício útil àqueles, como todos nós, necessitados de uma Casa bem organizada no campo administrativo e, sobretudo, no campo doutrinário e assistencial, mantendo acesa, a qualquer custo, a luz da verdade, fazendo triunfar neste Templo e nos corações humanos a chama do Evangelho.

Lembra-te do número de crianças atendidas por este Centro, as gestantes carentes, os andarilhos, as entrevistas, os diálogos, as vibrações etc. Uma gama enorme de almas encarnadas e desencarnadas recebendo o concurso caridoso do Cristo, através das criaturas de boa vontade. Por todo este trabalho, precisamos continuar laborando sem esmorecer e tu, assim como nós todos, encarnados e desencarnados, fazemos parte de toda esta engrenagem movida pela misericórdia divina.

Não desconhecemos os perigos que corremos, sabemos que és portador do livre-arbítrio. Se abandonares as tuas realizações agora, falaremos como os espíritos do Mais Alto disseram a Kardec:

“… Se desistires da jornada, outro te substituirá, pois os desígnios de Deus não repousam na cabeça de um único homem.”

Contudo, para ti será a perda do coroamento moral do trabalho, ocorrido pela satisfação de vencer a luta com honestidade, dignidade, com as armas do Evangelho redentor, o qual aponta para a tolerância, a compreensão, a educação, a não-violência e a fraternidade sempre!

Recorda-te dos dias difíceis pelos quais passaram os fundadores deste hospital-escola, das horas oferecidas em favor da obra, das renúncias ao lazer, das perseguições espirituais pelas quais passaram, dos inúmeros testemunhos, do trabalho na vanguarda mostrando aos irmãos menores o caminho da salvação. Eles igualmente tiveram a alma ferida, foram vítimas da maledicência e tu sabes qual a posição espiritual ocupada por eles, hoje! Além do mais, continuou o porta-voz da benem erência, nós te alertamos a respeito de não ser esta uma invasão comum, igualmente te prevenimos sobre os sofrimentos pelos quais haverias de passar. Portanto, meu irmão, ouve a voz que vem do Alto, solicitando a nós todos o sacrifício íntimo em benefício do semelhante, continua em confiança na certeza de que, quando voltares para nossa esfera, terás a consciência tranqüila por um trabalho bem cumprido.

Continuaremos ao teu lado inspirando-te idéias corretas para não te faltar a palavra consoladora e esclarecedora. Lembra-te, contudo, que os adversários do bem só se infiltraram em nossa Casa por encontrarem brechas nos trabalhadores encarnados invigilantes, explorando as dificuldades humanas; e, para vencer este processo, bastará sintonizarem com esferas maiores!

Compreendemos a complexidade do caso, sabemos que o teu coração, às vezes, é ferido pelas incompreensões, mas recorda-te: quanto maior o sacrifício, maiores os méritos. Diante disto, ergue a fronte, confia em Deus, sê o homem de bem, e continua lutando pela caridade de maneira intrépida, pois tudo passa, só o bem permanece!

Para vencermos esta luta, será preciso esclarecer os encarnados acerca da responsabilidade do trabalho na seara espírita, a importância de sintonias superiores, evitando espalharem o vírus perverso e destruidor das fofocas, prevenindo, com a vivência do Evangelho, as terríveis infiltrações.

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Castro chorava sensibilizado. Aquelas palavras firm es e caridosas, despertaram -no para a tarefa, encheram -no de ânim o e confiança. Considerou que a função desem penhada por ele era necessária.

E, reconhecendo-se com o servo pequenino, adm inistrando um tesouro que pertence a Jesus, deixou de lado a autopiedade e decidiu-se por continuar cam inhando confiante na providência divina.

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— Israel, meu amigo, disse a entidade abraçando o respectivo tarefeiro, como estás enfrentando estas dificuldades?

E o representante das atividades de doutrina, em ocionado e m elancólico, respondeu:

— Bom amigo, bem sabemos da tua dedicação e o quanto nos tens suportado, bem sabemos o quanto as tuas inspirações nos têm salvado dos envolvimentos e ataques das sombras. As mensagens espirituais enviadas deste plano nos têm consolado, aumentando nossa confiança, permitindo-nos continuar a tarefa amparados pela tua presença, organizando a plêiade de espíritos trabalhadores do Senhor.

Contudo, desta vez nosso coração está um pouco mais carente de ajuda, nossas almas, de fato, perdem um pouco o equilíbrio. Vendo a nossa Casa, que fora edificada com tanto carinho e dedicação, sendo invadida pelas trevas, ficamos conturbados. Também confesso que, diante de tantos problemas, não sei, às vezes, como agir.

Viemos buscar, junto ao teu coração generoso, o amparo que nos permitirá prosseguirmos um pouco mais animados.

As ondas de modismos instaladas em nossa Casa vêm me causando tormentos profundos, fico preocupado pensando, se não tomarmos cuidado com a pureza doutrinária, poderemos nos perder nestas ondas de novidades que surgem a todo momento.

Eis que te solicitamos a caridade de nos orientar, a fim de que, apoiados nas tuas palavras, possamos prosseguir fortalecidos.

— Israel, disse o benfeitor, não te deixes abater por este momento, pois o plano dos adversários é, exatamente, desestimular os responsáveis, cansá-los através dos problemas, irritá-los, para depois, quando saírem da sintonia superior, alcançada pelo trabalho alegre, pela pureza dos propósitos e pela caridade pura, afastá-los das tarefas definitivamente.

Se o desânimo te visitar, serás porta aberta aos perseguidores. Continua cuidando da nossa obra, Israel. É preciso permanecermos firmes na pureza doutrinária, caminhando, quanto possível, para que as orientações kardequianas não se percam no caminho. Entretanto, se o zelo doutrinário é importante, devemos evitar, a qualquer custo, a intolerância, os julgamentos precipitados, limitando-nos a dar demonstrações seguras das orientações de Kardec.

Diante dos modismos que se agitam, quais ondas destruidoras, é preciso nos revestirmos de íntima paciência, acompanhada de autoridade moral no campo das orientações. Evita, continuou o orientador, acima de qualquer coisa, as irritações, os conflitos provenientes destes processos, a fim de que a obra possa sobreviver. A pureza doutrinária não deve ser encarada como uma ferramenta produtora da discórdia, é, antes de tudo, capacidade normativa, reguladora das tarefas que se desenvolvem em nome da Doutrina Espírita, conjunto de princípios, santo demais para ser alterado por mentes invigilantes e distantes dos estudos doutrinários seguros.

Os ensinos de Allan Kardec, para nós, são a água viva que mata a sede dos conhecimentos filosóficos, científicos e religiosos acerca das questões fundamentais da existência humana, conduzindo-nos para a transformação moral.

Diante disto, se grupos se levantarem ameaçando o abandono da Casa, não temas! De certa forma, é bem provável que isso venha a acontecer, pois muitos tarefeiros haverão de se deixar dominar pelas mentes perversas dos subalternos de Júlio César.

Assim, procura agir com fraternidade, simplicidade e firmeza na defesa de nossa Doutrina, tolerando e evitando, o quanto possível, que estes modismos se instalem entre nós. Lembra-te: tu és o representante do aspecto doutrinário em nossa Casa, é natural esperemos de ti raciocínio claro desprovido de personalismo, livre do sentimento orgulhoso que impõe opiniões sem bases fundamentadas, ou que interprete as orientações de Kardec para defender pontos de vista pessoais, visando à manipulação dos fatos ou acontecimentos em seu próprio benefício. A verdade deve permanecer sempre! A Doutrina Espírita, representando o coração da Instituição, deve pulsar livre de qualquer impedimento, conduzindo as almas à liberdade através das realidades eternas. Por isso, é justo esperarmos de ti firmeza e não intransigência, lucidez e não fanatismo, tato fraterno e não autoritarismo, estudo e não acomodação, firmeza das intenções e não anarquia doutrinária, defendendo com o próprio exemplo os princípios sagrados da terceira revelação.

Nesta tarefa, não temas a reação dos trabalhadores, pois estamos contigo também; igualmente te prevenimos a respeito dos perseguidores espirituais e dos tormentos pelos quais haverias de passar, testemunhando o Evangelho.