Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 27 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Fraternidade e Vigilância

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Na Casa Espírita, o cenário, de fato, era bem diferente!

Certas atividades que antes perm aneciam desorganizadas, agora seguiam com relativa tranqüilidade, contudo, os adversários espirituais ainda insistiam em continuar o processo de envolvim ento negativo.

Castro prosseguia bastante preocupado; por m ais que desej asse m anter a calm a e o bom senso, constantem ente era irritado pelos próprios com panheiros que se deixavam envolver pelos inim igos da verdade. Dos dez espíritos perseguidores que o envolviam a m ando de Júlio César com o fito de prej udicar as atividades do Centro, som ente cinco continuavam com o processo destruidor. Os am igos do Mais Alto procuravam envolver o presidente, o quanto possível, a fim de que as influências negativas não lhe tirassem a lucidez para que o trabalho espírita não sofresse alteração. Entretanto, Castro perm anecia firm e no processo de organização da Casa, colocando, algum as vezes, a ordem e a disciplina acim a da caridade, da com preensão e do am or ao próxim o. Neste cam po, os inim igos da paz encontraram farta possibilidade de atuação, perturbando-o consideravelm ente, conseguindo, assim , afetar os trabalhadores e as tarefas do Centro Espírita.

Durante várias sem anas, o coordenador do Centro fora acom etido de um m au hum or difícil de suportar, deixara-se contam inar pelo autoritarism o, exigira perfeição das tarefas, selecionara para as atividades de benem erência som ente os portadores de certos títulos ou recursos m ateriais. Não estava em seu próprio equilíbrio, envolvera-se m entalm ente com os perseguidores. Alguns tarefeiros reclam avam da atuação do presidente, abalando intensam ente certas tarefas.

Todavia, os espíritos am igos, com preendendo as lim itações hum anas, sabedores da fragilidade de algum as criaturas diante de um processo tão delicado de invasão espiritual e, pensando, sobretudo, na obra e na m ultidão de encarnados e desencarnados que precisavam , para vencer as provas e expiações, de um trabalho espírita executado com o m ínim o de equilíbrio, colocavam -se à disposição do am paro e da com preensão. Contudo, por m ais carinho que partisse do plano espiritual superior, Castro deixava-se envolver em grave processo de m elancolia, iniciando nova onda de perturbação.

Foi neste período que Israel, aproxim ando-se do am igo, sugeriu-lhe fossem visitar Márcia Boaventura, a fim de verificarem com o estava a am iga trabalhadora do atendim ento fraterno.

Movido por sincera em oção, o presidente da Casa Espírita aceitou com presteza o convite, dirigindo-se, os dois, para a residência da am iga sofredora.

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No lar dos Boaventura, Márcia estava visivelm ente aba-tida, m as, ao ver os am igos queridos, transform ara-se subitam ente, expressando no sem blante cansado real alegria.

— Como tem passado Márcia, perguntou Israel, sinceram ente interessado.

— Estou bem, na medida do possível. Meu marido acaba de ser internado no sanatório público. Perdera completamente a razão, cabendo a mim a condição única de ampará-lo dentro das minhas limitadas possibilidades. A misericórdia divina não me tem faltado, entretanto, as dificuldades financeiras são muitas! A seita, para a qual ele doara todos os nossos recursos, nos abandonou completamente, deixando-nos entregues às dívidas!

— Calma, minha irmã, disse o presidente do Centro intim am ente com ovido, temos recursos que colocaremos à sua disposição, somos irmãos em humanidade e o que estiver ao nosso alcance será seu também.

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E retirando do bolso considerável som a em dinheiro, resultado das suas econom ias pessoais, Castro ofertou fraternalm ente à irm ã dedicada ao atendim ento fraterno. Do peito do presidente, que se apresentara sim plesm ente com o irm ão em j ornada, tom ando todo cuidado possível para não hum ilhar ou constranger a com panheira, partiam luzes de com preensão e m isericórdia. O ato, espontâneo e sincero, conduzira Márcia às m ais profundas em oções, culm inando num abraço fraterno entre os servidores do Cristo. Antes de se despedirem , reuniram -se em torno do Evangelho de Jesus, recordando o capítulo quinto do Evangelho de Mateus, em que as bem -aventuranças trouxeram estím ulo e forças para a irm ã em sofrim ento.

Durante a prece final, entidades respeitáveis foram atraídas, unindo-se a eles em vibrações am orosas, renovando o am biente fluídico da residência da confreira sofredora. As vibrações sublim es espalhadas pelo am biente tocaram igualm ente os adversários do bem que, verificando tam anho carinho e atenção, sentiram -se envolvidos pelas benesses do Evangelho em ação, rendendo-se aos espíritos da verdade, abandonando as ordens do m andante das trevas.

Os cinco perseguidores do trabalho de Castro, diante do ato de nobreza, da caridade verdadeira, libertaram -no e libertaram -se, sendo abraçados pelos em issários do bem que, em silêncio, retiraram -se am parando os recém -libertos de m aneira em ocionada, rendendo glórias a Deus.

Dali, os cooperadores encarnados saíram , dirigindo-se para o sanatório m unicipal com desej o de visitar o esposo de Márcia.

No quarto coletivo, Boaventura perm anecia sedado. Tornara-se tão violento que m édicos e enferm eiras encontravam dificuldades para tratá-lo.

Os respeitáveis visitantes, acom panhados por valorosos cooperadores espirituais, com eçaram a orar fervorosam ente, aplicando, ao doente m ental, a fluidoterapia. Notava-se, claram ente, certa m elhora, pois a agitação que o constrangia, m esm o sob forte sedativo, aos poucos foi se desfazendo. Durante o passe, os am igos do Mais Alto realizaram verdadeira sessão de desobsessão, afastando do doente grande turba de perseguidores. Entretanto, Boaventura perm anecia com pletam ente entregue à alucinação provocada pelos inim igos do am or; contudo, o carinho e a atenção de Márcia eram fundam entais para o tratam ento que sim plesm ente com eçara.

Eram os frutos da ganância de Boaventura. Procurara na “religião” fanática bens m ateriais, não buscara verdades eternas, entrando naturalm ente na faixa de ação dos espíritos zom beteiros, m istificadores e aproveitadores. Iludido pela riqueza fácil, fanatizado pelas prom essas “celestes” de um reino de glória e fortuna na Terra, perturbara-se m entalm ente sob influência espiritual negativa. Som ente se restabeleceria cinco anos depois, graças aos esforços am orosos da esposa, aliados à assistência espiritual com a fluidoterapia; e a libertação com pleta som ente viria quando, reconhecendo o am or extrem o da com panheira, verificando seu trabalho de aj uda ao próxim o, observando a lógica do Espiritism o, aceitando resignadam ente a situação social e, finalm ente, vendo outros m ais necessitados, sentiu a alm a vibrar, m atriculando-se, com incentivo da m ulher dedicada, nas obras de benem erência à infância, encontrando neste trabalho caridoso, tem pos depois, a razão da sua existência. É a m isericórdia divina tirando do m al um bem , perm itindo que coisas aparentem ente dolorosas aconteçam a fim de despertar as criaturas. Todavia, tudo é aprendizado para o espírito im ortal.

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Já de saída, às portas do hospital, os tarefeiros se despediram e, agora, com a enferm idade do esposo, enquanto estivesse hospitalizado, no lento processo de reabilitação, Márcia poderia retornar às atividades do núcleo espírita.

Finda a visita, de retorno ao Centro, os responsáveis pelas tarefas espíritas do núcleo em questão conversavam entre si:

— Israel, meu amigo, disse Castro, dirigindo-se ao confrade, abrindo o coração, acredito esteja nossa Casa passando por testemunhos! Tenho notado o quanto o Centro fora abalado. Confesso que, vez por outra, sinto-me completamente envolvido, irritado, por idéias que não me pertencem.

— Também penso assim, companheiro, mas acredito que a fase pior já passou, mas muitas coisas precisamos fazer. Lembra-se quando você me narrou um sonho, em que nossa Casa aparecia envolvida por grandes rachaduras?

— É mesmo! Respondeu Castro, adm irado. Mandei fazer as verificações físicas do Centro e nada encontrei de errado, mas diante destes acontecimentos o simbolismo é perfeito, estamos de fato diante de um processo de infiltração! Claro! Vejamos:

1º – Márcia Boaventura e o serviço de entrevistas;

2º – Maria Souza e a tarefa do passe;

3º – a evasão de vários cooperadores;

4º – o envolvimento amoroso da médium com o dialogador, gerando escândalo e fofocas;

5º – nossas obras sociais com dificuldades de administrar o material humano;

6º – as ondas de novidades, de modismos doutrinários;

7º – meu mau humor! Meu Deus! Nem me dei conta!

Entretanto, parece que agora estamos passando por um período de calmaria!

— Sem dúvida, meu amigo, considerou Israel, como somos os responsáveis pelas tarefas, precisaremos vigiar mais, dando exemplos de tolerância e fraternidade.

— Você tem razão! Toda razão, preciso mesmo ser mais tolerante!

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Na Casa Espírita, os tarefeiros colocaram -se à disposição para o trabalho am igo e fraterno, vigiando m ais. E agora, conscientes do processo de infiltração, por dedução lógica, em todas as reuniões m ediúnicas em que participavam oravam pela Instituição, conclam ando os outros grupos, j á esclarecidos pelo sem inário prom ovido por Israel, a colocar em prática as orientações cristãs, valorizando o Centro Espírita com o oficina da caridade, tolerando-se a fim de superar m ais este processo.

Além disso, tiveram a inspiração de realizarem um a reunião de intercâm bio espiritual direcionada para a Casa Espírita.

Diante destes procedim entos, o am biente pouco a pouco se m odificara. Os adversários espirituais j á não tinham tanto acesso aos tarefeiros encarnados, visto vibrarem em outra sintonia.

No plano espiritual, porém , as entidades am igas m obilizavam -se para a retaguarda necessária, preparando-se para enfrentar os adversários que certam ente haveriam de investir contra a Instituição.

Foi neste clim a que os responsáveis espirituais pelo Centro realizaram breve e instrutiva reunião, alertando os com panheiros desencarnados desta m aneira:

— Meus amigos, o momento está chegando. Júlio César e sua equipe provavelmente estarão planejando o ataque final. Não é preciso ser clarividente para deduzir que depois desta relativa tranqüilidade, após termos socorrido milhares de criaturas sofredoras e libertado tantas outras do jugo do perverso dominador, queira ele, agora, irritado ao extremo, destruir esta obra definitivamente. Contudo, carinho, respeito, amor e autoridade moral, aliados ao esclarecimento espiritual, serão nossas armas, pois que são nossos irmãos, padecentes de grave enfermidade. Muitos dos nossos confrades mergulhados na carne encontraram em si forças para autodefesa; de certa forma nosso núcleo de trabalho está fora de perigo. Agora é a nossa parte, diante da sintonia superior mantida pelos encarnados podemos agir mais intensamente, visto que fizeram por merecer. Se não houvesse essa transformação moral, a retomada do ideal espírita, não poderíamos ir além do que já realizamos, pois não podemos interferir no livre-arbítrio deles. Assim, verificando a força moral que parte de muitos cooperadores ligados ao corpo denso, a misericórdia divina nos permite agir com maior rigor, colocando nossos recursos à disposição dos companheiros imantados à matéria, evitando a invasão e dominação das sombras.

Para nós, será sagrada oportunidade de libertarmos aqueles que se encontram algemados às idéias de perversidade. Almejamos abraçar os servos de Júlio César, conduzi-los à libertação e cooperar no processo de retorno ao corpo denso.

Assim, redobremos nossa vigilância, sejam fortalecidas as equipes socorristas, porque uma multidão de entidades perturbadoras haverá de se libertar!

Nada é maior que a felicidade de ver as criaturas humanas dos dois planos reerguerem-se e caminharem para o próprio progresso!

Nossa tarefa é de cooperação sem críticas!

Castro e Israel, nossos pilares, permanecem firmes, o presidente da Casa saiu do transe de mau humor que o envolvia, recompondo-se espiritualmente.

Procuram, pelos próprios exemplos, controlar os excessos de alguns cooperadores que ainda permanecem sob forte atuação negativa.

Para nós, quando encontramos companheiros desejosos em servir despretensiosamente, são como que alavancas de progresso cooperando na transformação do planeta.

Confiança, concluiu o m entor, o Senhor é por nós, hoje e sempre.

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Term inada a breve reunião, os espíritos bondosos colocaram -se em franco trânsito de trabalho, irradiando, quanto possível, pelas faculdades m edianím icas bem educadas, m ensagens de conforto, esperança e trabalho.