Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 18 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Cedendo à Tentação

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— Daniel! Daniel!

— Estou aqui, senhor!

— Quero que você acompanhe Gonçalves até a Casa de Márcia Boaventura.

— A coordenadora do atendimento fraterno? Perguntou o servo de Mam om.

— Ela mesma, desejo saber como anda este caso.

— Se lhe interessa, senhor, inform ou Gonçalves, nosso plano deu resultado, pois Márcia já faltou duas semanas consecutivas.

— Ótimo, contudo, não dêem descanso. Daniel, este serviço é muito importante, aja sobre o sr. Boaventura com todo seu magnetismo e idéias fanáticas. A esta altura ele deverá estar comprometido financeiramente, doando suas economias para os cofres de Mamom. Precisamos eliminar Márcia do serviço cristão. Vocês terão oito semanas de atuação junto ao marido dela. Torturem-no, instruam-no durante o sono, para impedir a qualquer custo o comparecimento da esposa na Casa Espírita. Vão e não falhem!

— o —

Tom adas as devidas providências, Júlio César voltou para a cidade sinistra com obj etivo de convocar novos servidores para intensificar o processo de infiltração, deixando Elvira coordenando o restante das atividades.

— o —

A preposta de Júlio César não perdeu tem po. Acom panhando Soráia Barreto, iniciou o processo de fascinação fazendo com que, durante toda sem ana, a im agem de Sérgio Queiroz lhe invadisse a m ente, inspirando-lhe as m ais terríveis fantasias. Sob interferência de Elvira, sentia-se com pletam ente apaixonada, não conseguindo pensar em outra coisa.

Na sem ana seguinte, a m édium , durante a reunião, não apresentou condições de trabalho espiritual e, sob forte atuação da entidade inferior, trocava olhares com o dialogador que, estim ulado pela adversária, correspondia aos anseios da intérprete perturbada.

Ao iniciar a reunião, Sérgio Queiroz aproxim ou-se de Soráia Barreto, para a tarefa de atendim ento espiritual. Elvira envolveu a m édium estim ulando-a para a fraude e, no auge da inconseqüência, a intérprete fraudou um a com unicação, aproveitando para fazer um a dem orada declaração de am or ao dialogador.

Os m em bros da reunião com eçaram a notar, pois as trocas de olhares eram significativas, e, após esta triste “com unicação”, ao térm ino da reunião, as m entes desej osas em cuidar da vida alheia captaram o desej o oculto da m édium e do dialogador, espalhando ao final, por todo o Centro, os novos acontecim entos.

Encontrando-se nos corredores, certas pessoas invigilantes, estim uladas pelos servidores de Júlio César, espalhavam o vírus da fofoca.

Um a pessoa, que fazia parte da reunião onde os candidatos ao adultério laboravam , dizia em segredo a outra criatura:

— Para mim, foi puro animismo. Claro que ela deseja ter um relacionamento.

— E será que ele corresponderá? Mas não são ambos casados?

Vou me queixar ao dirigente. Eu conheço a mulher dele, coitada, ela precisa saber!

E se espalhavam pela Casa, entre as m entes invigilantes, com entários descaridosos com o estes:

— Você não sabe o que está acontecendo na minha sala!

— O quê?

— Uma senhora de nome Maria Souza acha que é médium de cura!

— Não diga!

— Já tem fila para tomar passe com ela!

— Não acredito!

— E ainda tem mais, o mentor dela se comunica dizendo que é médico e quer fazer cirurgia espiritual. Para mim, é pura fraude.

— E eu, não te conto a última. Estão todos comentando.

Conhece um tal de Sérgio Queiroz?

— Sérgio… Queiroz? Como ele é?

— Alto, forte, conversador…

— Ah, sim! Agora me lembro, às vezes ele faz diálogos na minha sala.

— Pois é, está todo mundo dizendo que ele está tendo um caso com a Soráia Barreto.

— Que horror! E seu dirigente o que diz?

— Conversei com ele em particular, mas se recusa a tomar qualquer providência, dizendo que primeiramente é preciso orar e confiar nos amigos espirituais. E que, se for preciso, conversará em particular e de forma absolutamente discreta com os envolvidos neste caso. Me pediu sigilo e eu só estou contando para você, que é a pessoa que mais prezo aqui dentro. Mas não acho seja essa a melhor solução. Eles deveriam afastar esses dois do trabalho. Onde se viu, que pouca vergonha…

Outros com entavam ainda:

— Dizem que a Márcia Boaventura, aquela coordenadora do atendimento fraterno, está tendo problemas.

— Quais?

— Parece que o marido entrou para uma seita fanática e a está proibindo de vir ao Centro.

— Hum! Logo ela que era tão certinha, não admitia conversas no corredor, sempre zelosa com o silêncio e o respeito.

Ah! É até bom. Essas pessoas muito eficientes, no fundo são recalcadas.

Quero ver, agora, como é que ela vai fazer? E o melhor, quero ver quem é que vai substituí-la?

— Bem faço eu, que não assumo nenhuma tarefa, não me estresso, não tenho de me preocupar com nada e não incomodo meus familiares. O que adianta servir no Centro e criar desarmonia em casa?

Melhor mesmo é não se envolver com nenhum serviço voluntário.

— Outra coisa que estão comentando, continuou a língua afiada, é sobre certas mudanças nas atividades mediúnicas e doutrinárias. Penso que Castro e Israel já estão ultrapassados, precisamos mesmo de idéias novas, de sangue novo. O pessoal fica nesse marasmo, não se agitam. Queremos novos estudos científicos, a ciência é que deve ser, na minha opinião, exaltada, afinal estamos rumando para o futuro, precisamos de mentes eruditas, de pessoas intelectuais para dirigir nossa instituição…

— o —

E os com entários eram realizados indiscrim inadam ente. Elvira divertia-se e a Casa Espírita, aos poucos, era tom ada pela m aledicência.

— o —

Os am igos espirituais, prevendo o pior, prom overam conversa edificante no plano espiritual, aproveitando o desdobram ento, por ocasião do sono, de Soráia e Sérgio.

Diante de respeitável entidade os dois sentiam -se envergonhados.

O espírito am igo, porém , com preendendo-os intensam ente, iniciou a orientação:

— Caríssimos irmãos, compreendemos que na Terra temos de enfrentar dificuldades e problemas, dores e angústias, entretanto, não nos faltam os momentos de alegrias e aprendizado que significam bênçãos no caminho.

Vocês são felizes por poderem compartilhar da tarefa de uma respeitável Casa Espírita. Passaram pelos cursos de conhecimentos básicos e, por isso, não desconhecem o processo de obsessão.

Por não vigiar os próprios sentimentos estão sendo vítimas de graves adversários espirituais.

— Mas ainda não aconteceu nada, disse Sérgio.

— É por isso que estamos dialogando a tempo, solicitando a vocês que evitem a qualquer custo se envolverem.

Ambos trazem compromissos sérios na área do casamento e vão se perder por se renderem aos instintos desequilibrados?

A união matrimonial representa um avanço para a humanidade, além de ser, na grande maioria, o resultado de programação realizada na vida do infinito.

Ao se entregarem à delinqüência das forças sexuais, haverão de se comprometer muito espiritualmente, e vocês conhecem a Doutrina Espírita que nos esclarece bem a respeito.

Além disso, estão sendo estimulados por adversários, que os estão explorando a fim de atingirem nossa Casa Espírita!

Por isso, meus amigos, pensando na felicidade de vocês, atendam às lições evangélicas, digam não ao adultério.

Soráia, minha filha, valorize seu esposo!

Sérgio, meu filho, pratique a fidelidade junto ao anjo que o Senhor lhe concedeu na condição de esposa!

Se desejam vencer no caminho, convém lutar contra as más tendências. Contem com nosso apoio, busquem-nos através da prece.

Lembrem-se de que seremos responsáveis por todo mal que poderíamos evitar e não evitamos!

Retornem, agora, na certeza de que Deus é por nós, sempre!

— o —

Pela m anhã, Sérgio Queiroz acordou lem brando-se parcialm ente da advertência.

Os adversários, contudo, não lhe davam tréguas, explorando suas tendências, fascinando-o dia a dia, colocando-o em grande período de provação.

— o —

Na sem ana seguinte, quando o grupo fazia pequena confraternização, deixando-se vencer pela influência dos adversários, Soráia e Queiroz declararam -se um ao outro, decidindo, naquele m om ento, fugir para verdadeira aventura, perdendo-se com pletam ente no cam inho, abandonando as tarefas espíritas, com prom etendo-se m uito espiritualm ente.

E, porque não foram nem um pouco cuidadosos nos com entários, certas criaturas descaridosas ouviram e, após a saída dos com panheiros m oralm ente enferm os, a notícia se espalhou qual relâm pago destruidor.

— o —

Durante dias, um a onda de fofoca e reclam ações invadiu a Casa, vários departam entos apresentavam problem inhas, a intolerância estagiava entre m uitos dirigentes.

— o —

Os am igos espirituais, entendendo que era o m om ento correto para agir, preparavam -se para interferir o quanto possível.

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Os departam entos doutrinários j á desenvolviam falhas significativas. O atendim ento fraterno, por exem plo, sem a presença organizadora de Márcia Boaventura, prosseguia de m aneira m uito deficiente. Outros cooperadores dedicados faziam o possível para acolher, com a m esm a com petência, os que chegavam pela prim eira vez na instituição ou àqueles desej osos de um a palavra am iga, seguida da orientação espírita.

Não faltavam , porém , os invigilantes perturbando o serviço. Sequiosos por cargo, disputavam a organização das entrevistas, quais representantes do orgulho em um a em presa do m undo. Esqueceram de que os candidatos a com andar o trabalho do bem devem , prim eiram ente, se esforçar por com andarem a si m esm os.

Castro com eçava a se preocupar. Para ele, o trabalho das entrevistas era m uito im portante, porque representa as boas-vindas da Casa Espírita aos que estão chegando, desej osos em conhecer o Espiritism o ou necessitados de orientação espiritual.

Todos os dias recebia reclam ações, notava a fascinação instalada em certos grupos m ediúnicos. O caso Maria Souza lhe atorm entava a consciência, além das perturbações geradas por Sérgio e Soráia.

Israel igualm ente recebia dezenas de queixas acerca dos grupos e dos trabalhadores em desequilíbrio. E m ergulhando em profundas reflexões, sob inspiração superior, deduziu ser preciso providências urgentes a fim de esclarecer os com panheiros em j ornada. Para isso, aplicaria um estudo exaltando, no Centro, o que é um a Casa Espírita, seus valores, obj etivos e finalidades, além da pureza doutrinária, bem com o as funções dos trabalhadores, relem brando os preceitos do hom em de bem .