Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 30 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

O Bem Vitorioso

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As horas correram trazendo a m adrugada seguinte…

No Centro, tudo j á estava pronto para a reunião. Os am igos espirituais traziam n’alm a alegria profunda. As entidades superiores cantavam felizes!

Enfim , a Casa Espírita voltara a respirar ares de fraternidade e união.

Os tarefeiros encarnados puderam trabalhar, naquele dia, sem o indesej ável processo de infiltração.

Em tudo pairava um a relativa tranqüilidade.

Os convocados aos poucos se apresentavam . Médiuns em grande quantidade adentraram o salão principal, entrevistadores, passistas, expositores, dirigentes, dialogadores, elem entos de apoio, evangelizadores, m ocidade, os com panheiros do departam ento de apoio à fam ília, os responsáveis pelas obras sociais, bem com o seus cooperadores, os aj u-dantes do bazar, os grupos de apoio às gestantes, as com panheiras da costura, o grupo de teatro, o coral, a diretoria do Centro e m uitos outros.

Os presentes guardavam certa expectativa, espiritualm ente registravam certas inform ações sobre o processo de infiltração e, verificando a transform ação fluídica do am biente, davam graças a Deus pelo reequilíbrio adquirido.

A grande sala resplandecia em luzes que partiam do coração de m uitas entidades am igas.

O relógio m arcava três horas da m adrugada. A equipe socorrista term inava de atender os casos de am paro.

Antônio apresentou-se no salão pontualm ente, ladeado por Márcia Boaventura que assum iu lugar à m esa j unto ao benfeitor, assim com o Castro e Israel. Alguns dos encarnados presentes ficaram espantados de ver a posição que a tão falada entrevistadora chefe ocupava espiritualm ente.

Trazendo na alm a hum ildade plena, Antônio perpassou o olhar am oroso pela valorosa assem bléia com o que registrando no coração a figura de cada um dos presentes. Elevou os olhos lúcidos para o Mais Alto com o se buscasse com unhão com esferas superiores, transm itindo, em seguida, estas am oráveis palavras:

— Caros irmãos em Jesus, que a paz do Mestre nazareno esteja conosco!

Nossa Casa de fato passou por momentos tortuosos, situações difíceis e perturbadoras, todavia o Senhor da Vida não nos desamparou.

Júlio César investiu contra nós e, com a graça de Deus, conseguimos resistir bravamente.

É verdade que sofremos alguns prejuízos, nosso trabalho fora acometido de severa perturbação, mas o importante é que mais uma vez vencemos sob as bênçãos de Deus.

Esta nossa reunião é, também, uma oportunidade de refletirmos e aprendermos sobre os acontecimentos ocorridos em nossa Casa.

Neste processo de infiltração muitas almas tiveram o coração transpassado pelos cravos da maledicência, pelos espinhos da perseguição moral, da inveja, do orgulho, da intolerância etc.

Desta forma temos o seguinte saldo:

— cerca de cinqüenta pessoas abandonaram nosso núcleo cristão, entre elas a que mais nos preocupa é Maria Souza, que edificou um pequeno grupo que se diz espírita, para a realização de cirurgias espirituais sob o comando de entidades fascinadoras, trevosas e zombeteiras;

— aproximadamente doze expositores deixaram as tarefas impelidos pelos invasores;

— quinze companheiros experientes no passe deixaram de cooperar na fluidoterapia, mais de trezentos cooperadores, nos mais variados setores da Casa, deixaram-se envolver nas obsessões simples tornando-se intermitentes nas tarefas;

— nas obras sociais, o abandono foi de vinte trabalhadores;

— cinco dirigentes de grupos mediúnicos, igualmente, pediram afastamento.

Resta ainda uma multiplicidade de casos em tratamento; de nossa parte, estaremos ajudando-os a se libertarem dos processos obsessivos, causados pela incúria no comportamento humano.

Estes, deixaram-se contaminar pelo processo de infiltração de maneira lamentável e muitos estão se perdendo, não passaram nas provas!

Quanto a nós, continuaremos oferecendo a eles o socorro necessário, respeitando-lhes obviamente o livre-arbítrio.

Os que souberam aproveitar este processo para testemunhar o Evangelho de Jesus certamente cresceram em espírito.

Estaremos orando por aqueles que faliram neste processo, a fim de que retornem para o caminho da verdade.

Contudo, o mais importante é que estamos continuando nosso trabalho.

Se, hoje, podemos estar reunidos em tranqüilidade, devemos ao labor executado em conjunto entre a realidade espiritual e a material. Graças à nossa sintonia, a inúmeros esforços, aos companheiros encarnados verdadeiramente cristãos é que podemos comemorar a vitória sobre nós mesmos no campo dos sentimentos.

Para que processos como este sejam vencidos, é mister permanecermos no Evangelho do Cristo, que assegura: “Aquele que quiser ser o maior deve ser o menor e o servidor de todos”.

Se agirmos assim, sempre, nossa santa Casa Espírita estará protegida. Se, pelo contrário, trabalharmos pelo orgulho e pela vaidade, quando o “eu” está à frente do “nós”, abriremos brechas aos inimigos do amor. Sempre que o personalismo não é evitado, decretamos nossa derrota ante a própria consciência e as leis divinas, atrapalhando o serviço do Senhor, entravando o nosso progresso.

Doravante, meus amigos, é preciso agirmos de maneira preventiva, a fim de que a nossa sagrada Casa possa continuar representando os interesses de Deus no planeta. Toda vez que nos apagamos, sempre que colocamos o ideal cristão acima de nós mesmos, estaremos naturalmente protegidos contra os ataques das trevas. É imprescindível vencermos a nós mesmos, visando ao bem comum, exaltando, através das atitudes humanas, os ensinos do Cristo. Toda vez que pudermos libertar uma alma que seja, uma criatura sequer das regiões sofredoras, já nos sentiremos felizes, cumprindo os desígnios divinos.

— o —

O Mentor am igo direcionou o olhar para Márcia Boaventura que estava nim bada de luz, notava-se claram ente a posição superior que ela ocupava em espírito. E, com pletam ente em ocionado, o am igo espiritual dirigiu-lhe as seguintes palavras:

— No mundo, poucos valorizam o momento dos testemunhos, poucos sabem aquilatar os sofrimentos. Muitos, na Terra, desconhecem o quanto a criatura humana pode crescer renunciando a si mesma em benefício do outro, ou de uma Causa.

Num planeta de provas e expiações, estas dificuldades, de certa forma, são necessárias para o amadurecimento e crescimento das criaturas humanas.

O Senhor da Vida tudo sabe, através de suas leis, e é por isso que aqueles que se sacrificam no mundo em benefício dos filhos de Deus, espiritualmente granjeiam tesouros de bênçãos e progresso espiritual.

Desta forma, não percamos tempo, valorizemos a Casa Espírita como um Templo Sagrado onde a ordem e a fraternidade precisam ser mantidas a qualquer custo.

Assim, testemunhemos o Evangelho, quando formos chamados à edificação do bem no mundo. Quanto mais nos apagarmos, quanto mais exaltarmos a bondade, mais próximos estaremos de Deus.

— o —

O am biente fora invadido por vibrações ternas que partiam do m entor. E, de m aneira afável, o dirigente da Casa, descendo da tribuna, dirigiu-se para as prim eiras fileiras, onde Daniel, Elvira e Gonçalves acom panhavam o discurso com pletam ente em ocionados.

De certo m odo sentiam -se envergonhados, m as o m entor espiritual, abrindo os braços, aconchegou-os j unto ao coração tecendo estas considerações:

— Meus irmãos, não há motivo de vergonha, não se sintam humilhados; todos nós na Terra já erramos na jornada. O momento agora é de coragem para recompor com o bem, os anos dedicados à prática da maldade.

Somente com esforço íntimo é que conquistamos a verdadeira liberdade.

Vocês terão novas oportunidades! Em breve poderão reencarnar. Nós, contudo, não os abandonaremos. Estaremos ligados por laços do pensamento. Agora, é preciso evitar a auto-compaixão, a fim de que não destrua os propósitos superiores. É preciso muita coragem e resignação para enfrentarem o próprio destino. O Senhor é conosco sempre.

E, voltando para a tribuna, o m entor am igo anunciou:

— O processo de infiltração acabou, contudo, não estamos livres de novas investidas. Num mundo de provas e expiações, o bem deverá sempre dar exemplo àqueles que ainda se demoram na ignorância. Por isso, no trabalho espírita, vigilância e caridade são as trancas para evitar a invasão das trevas.

Todavia, nosso trabalho de socorro espiritual apenas começa. É preciso socorrermos Júlio César.

— O quê?! Perguntavam assustados alguns com panheiros encarnados, desdobrados do corpo. Vão resgatar aquele que nos atormentou durante tanto tempo?!

Ouvindo as colocações o m entor considerou:

— A justiça caminha junto com a misericórdia divina. Esse amor infinito que emana de Deus solicita-nos ajudarmos uns aos outros. É necessário resgatá-lo das regiões sofredoras conduzindo-o à reencarnação, para que ele, também, assim como nós, tenha a oportunidade de reabilitação. Lembremo-nos de que é imperioso colocarmos o Evangelho em ação.

— o —

Term inada a exposição, o espírito superior fez prece fervorosa, escolhendo, dentre sua equipe de socorristas, os tarefeiros espirituais para o delicado socorro ao m andante das som bras.

No cam po da preparação, o m entor disse aos seus cooperadores:

— Amigos, é necessário estarmos revestidos de íntima compaixão a fim de ampararmos nosso irmão.

Haveremos de levar conosco Márcia Boaventura, Daniel, Gonçalves e Elvira que haverão de nos ajudar no campo da argumentação.

Entidades respeitáveis se interessam por ele particularmente. Do Mais Alto partem ordens: “ Nenhuma ovelha será perdida”.

— o —

Mas, antes de se dirigir para os cam pos trevosos, Antônio aproxim ou-se dos com panheiros adm inistradores do Centro no âm bito físico, dizendo-lhes:

— Castro, meu amigo, Jesus acalmou mais esta tempestade. Ninguém melhor do que tu, para saber das dificuldades na administração de uma Casa como esta. Entretanto, meu irmão, é imperioso continuares no ideal. Fraquejaste algumas vezes, deslizaste no caminho, mas são atitudes compreensíveis, diante das tuas intensas realizações.

Entretanto, companheiro, lembra-te que o exemplo deve vir do alto, as maiores renúncias e os maiores desprendimentos devem partir de ti. Sei que teu coração sofreu duramente com este processo, entretanto, vê que Márcia Boaventura, suportando pacientemente as investidas das sombras, granjeou admiração, respeito e uma posição espiritual digna daqueles que se humilham na Terra. Quem poderia imaginar as privações desta irmã, as torturas suportadas para libertar o marido? Se aceitaste a administração deste incalculável tesouro, é natural, também, que prestes contas periodicamente do lucro ou do prejuízo. Na economia de Deus, só há lucro verdadeiro quando o Evangelho salda os débitos do passado e multiplica as disposições de servir, sob os rendimentos da união e da fraternidade. O prejuízo, contudo, aparecerá sempre que não investimos nos ensinos do Cristo.

Vai, meu irmão, continua sendo bom administrador, o mordomo fiel, a fim de que esta Casa permaneça alimentando as almas famintas que Deus encaminhar.

Diante do teu trabalho, resta-nos falar-te da nossa gratidão e das nossas esperanças de que a reflexão e a auto-análise evangélica façam parte do teu manual no trato com a pessoa humana. Segue confiante! Vencemos! O Senhor é por nós!

— o —

Aproxim ando-se de Israel, continuou:

— Rendamos graças ao Criador, meu amigo, pois que nossa doutrina permanece intocável. Sei, também, o quanto isso te custou. A maledicência, a ironia e o sarcasmo das mentes enfermas recusando entender-te os propósitos.

Bem sei que tua alma foi rasgada por lâminas afiadas, mas o importante é que o coração da instituição permanece saudável. Os sacrifícios são necessários. Estás no caminho certo quando, pensando na Casa, renuncias e calas, aguardando o momento oportuno, onde tuas colocações não farão proliferar a discórdia e a desunião.

Segue confiante, na certeza de que amigos do Mais Alto te sustentam. E quando te sentires angustiado diante de situações inusitadas, quando tua alma for ferida pela incompreensão, sabe que mãos intangíveis te sustentarão, que corações amigos te compreenderão e que uma plêiade de espíritos benéficos te haverão de inspirar!

Continua, portanto, zelando pela pureza doutrinária, evitando o personalismo, estimulando os estudos simples, que abrangem a maioria, para que a simplicidade que nos caracteriza continue nos permitindo avançar cada vez mais.