Aconteceu na Casa Espírita
Capítulo 14
Últim a Tentativa
O efeito foi im ediato, logo um clim a de união pairava no am biente físico, no Centro representante da Doutrina Espírita.
Foi nesse período que Júlio César, acom panhado pelo seu exército, apareceu às portas da Instituição consagrada ao Espiritism o. Diante disto, os am igos espirituais preparavam -se para a resistência e libertação dos espíritos infelizes.
O m entor convocou rapidam ente as equipes protetoras, traçando energicam ente estas orientações:
— Meus amigos, é preciso agirmos com presteza. Os inimigos do amor estão prestes a invadir esta Instituição. São aproximadamente quatrocentas mentes perturbadas.
Reforcemos os companheiros responsáveis pelas tarefas protetoras, não esquecendo da vigilância e da oração, a fim de que não nos falte a proteção superior.
As entidades sublimes, responsáveis por esta Casa, estão para chegar a qualquer momento.
— o —
Term inadas as orientações, o espírito responsável pela Instituição fez pequena prece. Elevou os olhos ao Mais Alto e envolvido por luzes indescritíveis, que traduziam seu im enso am or pela Causa e pela Casa, orou em benefício dos espíritos invasores desta form a:
— Pai!
Todos trazemos um passado que nos solicita reajuste e trabalho!
Quem de nós já não perambulou perdido e lunático pelo reino das sombras? Quantas vezes, entregues à cegueira de nossas paixões inferiores, transformamo-nos em verdadeiros carrascos!
Hoje, libertos desses sentimentos pelo trabalho árduo e pelos incontáveis testemunhos, estamos despertos para a consciência cristã, colocando-nos à disposição para o amparo amigo.
Contudo, Senhor, nós te suplicamos: concede-nos a força necessária a fim de que o teu amor possa vibrar nos corações iludidos, nas mentes enganadas, nas almas angustiadas!
Dá-nos a sublime oportunidade de abraçarmos aqueles que caíram no caminho, os que foram maltratados no mundo, os que se revoltaram, aqueles que deixaram o coração endurecer por não entenderem tuas sábias leis.
Concede-nos, Pai, a grata satisfação de sermos o bom samaritano da parábola de Jesus, que movido de íntima compaixão socorreu a pessoa humana em necessidade, sem se preocupar com a procedência do assaltado, se era pobre ou rico, moralista ou pecador, virtuoso ou malfeitor, socorrendo-o por ser simplesmente uma criatura humana, executando, em verdade, o maior mandamento.
Hoje, estas almas se converteram em nosso próximo, pois que nos aproximamos delas com sincero interesse! Permite, por fim, que neste encontro que se assemelha a uma guerra, possamos transformá-lo num grande despertar das consciências comprometidas com o próprio progresso, abraçando-os junto ao peito, revelando, através de nossas atitudes, o teu eterno amor.
Sê, por fim, Senhor, o sol de eterno fulgor que ilumina e aquece as almas mergulhadas nas águas glaciais da ignorância humana, para que, esclarecidas pelo Teu amor, possam encontrar o caminho que leva a Ti…
— o —
Encerrada a petição, o am igo espiritual dirigiu-se às portas da Instituição e o clim a estava bastante tenso.
De repente vozes terríveis foram ouvidas gritando em conj unto, num a espécie de j ogral das trevas:
— Derrubem as barreiras magnéticas! Fora os amigos da luz! Fora os seguidores do Cristo! A Casa é nossa! Nossa!
— o —
Já era m adrugada e a m anifestação dos inim igos da paz continuava.
Gonçalves, ao lado de Júlio César, analisando a situação, perm anecia em profundas reflexões, m as cum pria ordens organizando a m assa. Contudo, estava tristonho. No fundo, sabia que m ais um a vez seriam im pedidos de continuar, que o m andante estava profundam ente cego de ódio, além de pensar exclusivam ente em si, na sua posição. Se o chefe não conseguisse vencer, seria banido para sem pre da organização das trevas.
— o —
Do lado de dentro do Centro, Elvira e Daniel perm aneciam preocupados. Praticam ente nenhum dos espíritos inferiores que estavam sob suas ordens perm aneciam na Casa, a m aioria havia sido socorrida; os subalternos de Júlio César guardavam , diante da nova situação, angústia e indecisão.
Elvira, especialm ente, se encantara com a capacidade espiritual das entidades superiores, sentia o am or dos irm ãos m aiores vibrar no âm ago do ser, no fundo queria j untar-se a eles e desej ava fazer brilhar sua própria luz. Foi neste instante, quando estava em profundo processo de introspecção, que os am igos do Mais Alto aproxim aram -se serenam ente, dem onstrando interesse pelo coração perturbado da dançarina.
Quando a m eretriz se sentiu envolvida por irradiações de ternura, chorou copiosam ente, entregando-se aos socorristas espirituais. Jam ais im aginou que, um dia, um a daquelas entidades ilum inadas, às quais aprendera a odiar, pudesse acolhê-la com tal desprendim ento.
Daniel, espantado diante da cena, invej oso e orgulhoso, não teve a m esm a hum ildade da ex-com parsa, por isso resolveu fugir de si m esm o em busca de seu m estre, para narrar-lhe os acontecim entos internos dos em issários do bem . Quando se dirigia para a porta de saída, os instrutores da bondade barraram -lhe a fuga. O servo das som bras esbravej ou, gritou pelo seu chefe, m as foi acalm ado pelos espíritos felizes que, dem onstrando-lhe a situação delicada em que se encontrava, apelaram para o intelecto do obsessor, evidenciando que era m ais inteligente render-se às forças do bem do que ser aprisionado pelos m andantes do m al.
Daniel, profundam ente com ovido, verificando o poder que partia dos corações am igos, fitando longam ente o rosto do cooperador bondoso, deixou verter algum as lágrim as, rendendo-se ao abraço afetuoso da verdade. Os socorristas com em oravam , em trabalho silencioso, a libertação de m ais um filho de Deus!
— o —
Enquanto a Casa Espírita, internam ente, desenvolvia organização e esperanças, Júlio César gritava, do exterior, estas palavras:
— Avante, comparsas! Antônio, apareça!
O obsessor m or clam ava pelo m entor da Instituição, desej ava um confronto!
— Antônio, esbravej ava o fanático, eu o desafio. Por sua culpa estou prestes a perder todos os meus títulos na organização em que sirvo! Maldito seja por mil anos!
Estamos prontos, vamos arrombar as portas fluídicas, estourar as barreiras protetoras, banindo-os daqui! Trabalhamos em nome das hostes infernais, das forças das trevas!
O momento é nosso! Avante, camaradas!
— o —
Antônio, representante espiritual daquele agrupam ento cristão, perm anecia im perturbável e em profunda oração, quando o exército de Júlio César, trazendo nas m ãos arm as pontiagudas a fim de im pressionar, avançaram contra os em issários do bem ; antes de atingi-los, subitam ente, atendendo às rogativas de Antônio, um a entidade sublim e se fez visível.
Diante da aparição e da intensa luz que partia do peito e da fronte do espírito superior, os adversários recuaram alguns m etros, paralisando o ataque.
Outros, igualm ente superiores, apareceram ao lado da veneranda entidade, sustentando-a, enquanto toda a Casa fora fortem ente ilum inada. Milícias celestes se apresentaram prontas para servir. Então, o ser sublim e disse ao coordenador do Centro:
— Suspenda os cordões isolantes, abra as portas fluídicas, baixe as correntes protetoras, desligue os aparelhos magnéticos e elevemos o pensamento em prece.
Todas as ordens foram cum pridas e, quando a m alta de inim igos do bem , quais sím ios desordeiros, preparava-se para invadir, os espíritos celestes os envolveram em indescritível m agnetism o, paralisando-lhes as forças. Os invasores, atônitos, cobriram o rosto diante da ofuscante lum inosidade. Um deles, em com pleto pavor, gritou instintivam ente:
— Retirada, retirada! Perdemos a guerra, eles são muitos! Muitos!
Vários, à sem elhança de um tropel, correram espantadiços.
Outros pediram aj uda e foram recolhidos pelos tarefeiros do bem .
Gonçalves, sentindo vibrar as entranhas da alm a, recordando o atendim ento am oroso que recebera, através da m ediunidade, o am or que partia das m ilícias do Senhor, aproveitando a m ovim entação e distração do chefe, entregou-se aos socorristas, desligando-se das trevas.
Quando Júlio César se percebeu sozinho no ideal infeliz, quando se sentiu envolvido por vibrações sublim es, conclam ando-o ao crescim ento, quando raios m entais penetraram -lhe o ser agitando-lhe as virtudes adorm ecidas, perturbou-se e, sem saber por quê, chorou.
Vendo a m ole debandar, quer fugindo ou arrependendo-se, igualm ente retirou-se, lançando no am biente exterior urros de cólera, prom etendo vingança.
O Centro Espírita, porém , estava m ergulhado em intensas atividades de socorro e esclarecim ento.