Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 32 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Socorrendo o Vencido

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Na cidade sinistra, o silêncio era absoluto, de fato os tarefeiros do Mais Alto haviam recolhido grande parte das m entes perturbadas. E, vencendo a névoa espessa que envolvia a região inferior, a excursão da bondade dirigiu-se silenciosam ente para o centro do largo.

Podiam -se ouvir os soluços sufocados do choro do m inistro da m aldade. Solitário, desprezado e am argurado, m ergulhara-se em dolorosas lem branças referentes à sua últim a encarnação.

A equipe socorrista colocou-se respeitosam ente ao lado do sofredor, sem ser percebida por ele, por estarem vibrando em outra sintonia.

Foi nesse m om ento que Antônio, o m entor do Centro Espírita, com padecendo-se do sofrim ento do irm ão desviado do cam inho, baixou seu padrão vibratório fazendo ecoar sua voz nestes term os:

— Júlio César, meu irmão!

— Quem está aí? Perguntou o infeliz sem poder enxergar o am igo espiritual.

É mais alguém que veio zombar de mim? Já não basta minha derrota?! Saiam todos! Eu ainda sou o dono desta cidade.

E levantando-se cam baleante qual em briagado, tateando ao redor, com o a agarrar o vento, procurava o portador da voz caridosa, com obj etivo de violentá-lo.

— Apareça! Vamos! Não vou admitir que ninguém mais me achincalhe! Chega! Chega! Eu não agüento mais! Chega! Gritava o infeliz, urrando de pavor diante dos acontecim entos.

De j oelhos curvados ao solo, punhos cerrados e face desfigurada, o adm inistrador da cidade iníqua caiu em choro incontrolável.

— Não, meu amigo, não viemos zombar de ti, respondeu o m entor. Sabes que te amamos.

— Me amam? Perguntou o perturbado, refletindo. Será possível… São os espíritos da luz?! Fora todos vocês, não vou permitir que venham aqui rir da minha desgraça, afastem-se de mim! Fora! Fora!

— Não, irmão! Não nos mande sair, viemos para socorrer-te.

— Desprezo seu socorro, minh’alma não precisa da sua piedade.

— Todos carecemos da compreensão divina! Júlio, estamos a serviço do Pai Criador, Ele se interessa muito por ti!

Júlio César, surpreendido pelas próprias lem branças, perguntou adm irado:

— Pai?! Foi por causa do meu pai biológico que eu me envolvi neste processo, a culpa é dele!

Se me conhece, sabe que o fundador da Casa da qual você é o tutor espiritual foi meu progenitor. Toda a atenção dele era para a doutrina maldita. Me irritava a excessiva preocupação dele com as criaturas humanas, era a mim que deveria endereçar todas as atenções. Perdemos anos de convivência. Por isso tomei aversão pelo Cristo, por isso me matriculei nesta organização inferior, prometendo a mim mesmo acabar com essa tolice de Espiritismo que o perverteu.

Odeio o meu pai, maldito seja! A culpa é dele!

— o —

Nesse instante os céus se abriram , as nuvens espessas foram transpassadas por j atos intensos de luzes, o am biente ao redor de Júlio se ilum inou por com pleto. E, do Mais Alto, entidade respeitável se apresentou. O ser ilum inado, de sem blante calm o, aproxim ou-se em ocionado, dirigindo o olhar terno em direção ao desafortunado, que gritou surpreso ao reconhecê-lo:

— Pai! Afaste-se de mim! Não tem o direito! Veio se comprazer, também, da minha derrota?

— Não, filho meu. Nunca! Vim para dizer-te do meu amor.

Tu sabes, Julinho, que nunca te faltou o afago amigo, as orientações paternas! Quantas vezes te incentivamos à prática do bem, a compartilhar conosco do ideal espírita, mas a tua rebeldia não te permitia ingressar nas tarefas superiores. E por tua própria imprudência, envolvendo-te com marginais, com o simples pretexto de chamar a nossa atenção, foi o que te tirou da nossa convivência quando tinhas apenas dezoito anos. Ah, filho meu! Quanto esperei por esta hora! Neste quase um século em que te dedicas à prática do mal, meu espírito permanece atormentado. Vim para dizer-te que a tua felicidade é a minha também e que compartilho igualmente das tuas dores. Meu coração só encontrará paz no dia em que puder unir-se ao teu, a fim de vivermos juntos a mensagem do Cristo.

Quando te tínhamos junto ao coração, traçávamos planos pensando o quanto poderias fazer na seara, que levarias adiante o ideal de Jesus. Entretanto, retornaste inesperadamente para a vida do infinito, criando uma lacuna em nossas almas, ferindo-nos quase que mortalmente. Tua mãe não suportava a dor, sendo consolada apenas com a certeza de que continuavas vivo. Orávamos por ti dia e noite, chorávamos de saudades. E quando, em estado avançado de idade, retornamos para cá, continuamos pedindo a Jesus nos concedesse a dádiva de te despertar. Ouve, filho meu, se não por ti, por nós, pelo privilégio da tua companhia, por ter sido o maior presente que o céu nos concedeu, por muito te amar pedimos: Desperta, meu querido!

Lembra-te dos dias felizes da tua infância, quando insistias em cooperar conosco na construção da Casa Espírita, dos teus tropeços nos materiais de construção, as vezes em que trazias as mãos vermelhas pela insistência de transportar os tijolos, para serem assentados pela argamassa produzida amorosamente pelos cooperadores anônimos.

Tu também guardas história com aquela Casa!

Sempre é tempo de recomeçar, desperta, meu filho, amo-te! Já é hora de retomar o trabalho.

— Minha mãe, onde está? Perguntou o quase convertido.

— Aqui, Julinho, respondeu um a voz doce e m eiga, fazendo-se visível ao lado do filho am ado.

— Ouve teu pai, meu querido, pois que minh’alma já não agüenta mais de tanta dor. Não nos negue o privilégio de amar-te, rende-te, liberta-te, o futuro te espera…

— o —

Júlio César, diante de vibrações superiores, da em oção do m om ento, da paz irradiada pelos progenitores, qual criança arrependida entregou-se ao abraço fam iliar, chorando de arrependim ento.

— o —

As entidades bondosas que, devido ao trabalho redentor na Terra, alcançaram o direito de viverem em planos m ais elevados, choraram de alegria pelo arrependim ento do filho.

— o —

— Chora, meu querido, é justo. Que Deus abençoe teu arrependimento.

— Pai, disse Júlio, quanta vergonha, quanto tempo perdido! Quero consertar as coisas erradas, quero ser digno do seu amor!

— Terás condições Julinho, haverás de retornar à Terra, recompondo com o bem o mal que fizeste à humanidade. Confia no Criador.

Haverás de ter Elvira como esposa e, mais tarde, Gonçalves e Daniel como filhos, a fim de os reconduzires ao caminho do bem, restituindo-lhes afeto e amor. Terás, também, a bênção da mediunidade e o Espiritismo haverá de coroar os teus dias na Terra.

Tuas faculdades espirituais serão de socorro, terás natural afinidade fluídica com os espíritos obsessores para que possas servir àqueles que um dia te foram servos.

— Sozinho, meu pai, não conseguirei!

— Jamais estarás sozinho, eu mesmo serei teu espírito protetor para guiar-te pelos caminhos retos. A providência divina não me permitiu retornar, ainda, à Terra, pois que guardo tarefas maiores aqui na vida do infinito, contudo acompanhar-te-ei os passos e estaremos ligados pelos laços do pensamento.

E quando estiveres com cinqüenta anos aproximadamente, se tudo correr bem, amadurecido pela vida, calejado pelas perseguições espirituais, experiente na mediunidade que certamente te conclamará ao trabalho reparador nos primeiros anos da tua juventude, quando a pobreza te tiver ensinado a trabalhar e valorizar o pouco, haverás de ser o presidente do Centro Espírita ao qual perturbaste, a fim de empregar tua inteligência milenar e capacidade administrativa, iniciando, nesta encarnação, a restituição com teu trabalho e esforço aos desequilíbrios que ministraste nos dias infelizes de tua vida.

Teus adversários certamente te procurarão, desejando acabar com os teus propósitos superiores. Será a lei de causa e efeito solicitando reajuste. Natural, não achas?! Desviaste tantas almas, escravizaste tantas criaturas!… Agora, tua vivência Evangélica deverá dar demonstrações concretas de arrependimento, transformação e reparação; assim, terás a grata satisfação de libertares as almas que, no passado, aprisionaste no ideal das sombras.

— o —

O am biente espiritual estava dom inado pela em oção, o ex-m andante das trevas, de olhos m arej ados, abraçou fortem ente o pai, entregando-se ao am or que liberta; e porque estivesse exausto, Júlio César adorm eceu nos braços paternos, sob as lágrim as dos anj os em que se convertem as m ães, conduzindo-o am bos para outro local, com obj etivo de preparar-lhe a reencarnação.

Antes de partir, os pais de Júlio César, reconhecidos ao am or divino, agradeceram intensam ente a dedicação do m entor do Centro Espírita com estas colocações:

— Antônio, meu irmão! Disse o pai de Júlio.

Sabes que serei eternamente grato, pelo teu esforço e dedicação para com o meu Julinho. Granjeaste um amigo para toda a imortalidade, onde quer que estejas, meu coração te renderá gratidão.

Contudo, rogo-te um último pedido: a providência divina não me permite retornar à Terra nos próximos 250 anos, e confesso não saber quem teria coração generoso e infinita paciência a fim de receber, no planeta, meu filho…

E interrom pido pelas lágrim as a em bargar-lhe a voz, o pai de Júlio César, carregando no colo afetuoso o filho arrependido, chorou clam ando a Deus lhe concedesse alguém que pudesse receber no seio fam iliar seu precioso tesouro.

Eis que num a explosão de am or ao próxim o, Antônio se pronuncia desta form a:

— Não te preocupes, meu amigo, serei o pai que no momento não podes ser.

— Como assim? Perguntou o progenitor do ex-obsessor.

— Já estou aqui no mundo espiritual há cerca de setecentos anos e meu pedido de retorno ao educandário terrestre acaba de ser autorizado. Precisarei retornar a fim de dar novo ânimo ao nosso movimento. Nossos confrades na organização de nossa Sagrada Casa não dispõem de mais do que quarenta anos de vida útil na continuidade dos serviços espíritas, findando este prazo retornarão ao nosso plano, e o Mais Alto me permitiu continuar na Terra a obra que idealizei aqui. Será a minha vez de consagrar meus testemunhos em benefício do Evangelho. E que alegria terei se me confiares a fortuna que trazes nos braços! Assim, poderei prepará-lo no campo da moral para assumir a mediunidade e, se tudo der certo, iniciar nesta encarnação a reparação necessária à Casa Espírita.

Saberei socorrê-lo nos momentos de obsessão, orientá-lo diante das tendências viciosas, a fim de conduzi-lo por caminhos retos, o restante dependerá dele! Retornarei primeiro e daqui a 25 anos, Júlio e Elvira retornarão, encontrando-se e contraindo, mais tarde, as bênçãos do matrimônio, para que, quando estiverem com cerca de 20 primaveras, Gonçalves e Daniel retornem também.

Os pais do convertido desej aram pronunciar palavras de louvor ao em issário do bem , no que foram im ediatam ente interrom pidos desta m aneira:

— Agradeçamos a Deus a oportunidade de cooperação no reerguimento dos nossos irmãos e na continuidade do nosso progresso sob as bênçãos do Espiritismo. Servir e amar ao próximo, em qualquer plano, é privilégio para a mente iluminada pelo Cristianismo.

As entidades am igas envolveram -se num abraço em ocionado e partiram para planos m aiores, a fim de tecerem os detalhes do retorno de Antônio, deixando para trás um rastro de luz e sincera em oção.

A equipe socorrista, m ergulhada em vibrações sublim es de sincera adm iração, elevou, ali m esm o no vale sofredor, prece fervorosa clam ando a Deus abençoasse os propósitos de Antônio, vibrando para que Júlio fosse feliz nesta prim eira fase de reparação, ao m esm o tem po em que, reconhecendo a oportunidade do trabalho, renderam graças ao Senhor pelo labor em um a respeitável Casa Espírita e por terem vencido, j unto com os irm ãos encarnados, sob a m isericórdia de Deus, m ais um processo de infiltração…

 

(Mensagem psicografada pelo m édium Em anuel Cristiano, no Centro Espírita “Allan Kardec”, de Cam pinas/SP, nas reuniões de j aneiro a abril de 2000.)

“O am or a Deus e ao próxim o constituem o verdadeiro livro que precisam os escrever e editar no

coração dos hom ens.” – Nora

 

Editora Allan Kardec

Av. Theodureto de Alm eida Cam argo, 750 – Vila Nova

Cam pinas/SP – 13075-630

Fone/Fax: (19) 3242-5990

www.allankardec.org.br editora@allankardec.org.br

CÓLOFON

Título: Aconteceu na Casa Espírita

Autoria: Em anuel Cristiano (Médium ) / Nora (Espírito) Capa: Pandora Design

Revisão: Adem ar Lopes Junior

Editoração: Josué Luiz Cavalcanti Lira

Kindle Ebook: Helton M. Monteiro

Tipografia: Edwardian Script ITC (título capítulo), Goudy Old Sty le (tópico, corpo de texto) Com posição: InDesign CS6 em plataform a Windows Produção: Abril/2014

Table of Contents

À Guisa de Prefácio

Tem plos

Aconselhando o Médium

Das Reuniões e das Sociedades Espíritas

1

Infiltração program ada

2

Avaliando a Am eaça

3

Orientando os Encarnados

4

Iniciando o Ataque

5

Estim ulando a Vaidade

6

Intervenção Superior

7

Verificando os Resultados

8

Cedendo à Tentação

9

Entre Mensagens e Críticas

10

Fascinação

11

No Auge da Crise

12

Reação das Trevas

13

Fraternidade e Vigilância

14

Últim a Tentativa

15

O Bem Vitorioso

16

Socorrendo o Vencido

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