Aconteceu na Casa Espírita

Emanuel Cristiano · Capítulo 16 de 32

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Aconteceu na Casa Espírita

Verificando os Resultados

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Peram bulando, qual m enino perdido pelos corredores do Tem plo Espírita, procurava o m estre a fim de contar o ocorrido.

Encontrou o adversário-m or em intensas tarefas de organização, diante da turba de obsessores que estagiavam na Casa Espírita, sob autorização do Alto, delegando-lhes tarefas de influenciação.

Term inada a reunião da m aldade, o discípulo contou-lhe, em linhas gerais, os acontecim entos, tirando Júlio César do sério:

— Infeliz! Quantas vezes lhe avisei?

Todo cuidado é pouco. Você é um fraco mesmo!

Se Daniel, o responsável pela seita de Mam om, não estivesse incumbido de valorosa tarefa que acabei de lhe dar, você seria substituído neste momento.

Abra o olho! Eles estão em toda parte!

Não podemos vê-los, eles, os representantes da luz, contudo, podem nos monitorar enquanto permanecemos aqui. Por isso, a vigilância deve ser redobrada!

Deixe-me ver, disse o obsessor chefe, aproxim ando-se do servo, batendo-lhe discretam ente no rosto com o se desej asse despertá-lo, permanece lúcido? Não lhe fizeram nenhuma lavagem cerebral, tortura…

— Mas, senhor… Disse o auxiliar, desej ando falar-lhe que não encontrou nada disso, m as foi interrom pido pelo perseguidor:

— Nada de mas! Se já não bastassem todas as minhas atividades, agora terei de lhe vigiar!

Preste atenção: você está proibido de se afastar sem a minha necessária autorização.

Nosso processo está chegando ao fim. Logo, logo sairemos daqui; lá fora você é muito útil para nossa organização. Esqueceu que lhe confiamos um exército? Lembra-se dos casos graves de obsessão que coordena? Vai jogar tudo isso fora, por causa de umas palavrinhas tolas e sentimentais? E sem falar na promoção que estou me empenhando em lhe conceder.

— Promoção, chefe? Perguntou o secretário, dem onstrando no sem blante ânim o e expectativa, caindo na tola encenação do sum o perseguidor.

— Sim, meu caro! Promoção!

Por isso, veja se anda na linha, mais um deslize seu e serei obrigado a cancelar todo o processo encaminhado aos nossos coordenadores, pleiteando sua ascensão em nossa equipe! Desta forma, tome muito cuidado para não desafiar a ira dos nossos superiores.

Agora eu estou verdadeiramente irritado, gritou o perverso Júlio César. Os emissários do bem atingiram o limite! Quiseram arrebatar meu secretário? Então vocês vão ver! Gritava o superior de Gonçalves, olhando para o nada com o se quisesse identificar as entidades invisíveis.

Avante, criatura infeliz, nosso trabalho deve continuar. Enquanto você era doutrinado, nossa equipe verificava os grupos mediúnicos que atenderiam nossas expectativas. Cinco deles são fortes candidatos para um processo de fascinação.

— o —

E adentrando um a das salas de trabalhos m ediúnicos, ligaram -se a dois participantes bastante receptivos aos pensam entos inferiores.

Sondando-lhes o m undo íntim o, notaram que um dialogador e um a das m édiuns trocavam pensam entos sensuais.

— Senhor, disse Daniel, o discípulo de Mam om, trago a ficha.

Soráia Barreto e Sérgio Queiroz, candidatos ao adultério, o que diz?

— Excelente, será um escândalo formidável. Para seu primeiro trabalho num grupo profissional, está ótimo.

Vamos ver, agora, quem é que pode mais! As fofocas sobre o caso da médium e do dialogador adúlteros explodirão por estes corredores feito pólvora!

Vamos! Vamos! Precisamos nos organizar, ainda temos muito o que fazer para executar este novo plano.

— o —

Soráia e Sérgio eram trabalhadores de um grupo m ediúnico. Ela, m édium não m uito educada, com parecia raram ente às reuniões de estudos doutrinários de orientação geral. Julgava-se, algum as vezes, privada das alegrias do m undo por causa do com prom isso m ediúnico. Casada com hom em digno e respeitável, não se sentia feliz diante da sagrada oportunidade do casam ento.

O dialogador, igualm ente consorciado, com dedicada esposa, digna de adm iração e am paro espiritual.

Entretanto, ignorando as orientações espíritas, colocavam -se à disposição de entidades desequilibradas, gozando a vida de m aneira irresponsável.

Am bos, os tarefeiros do socorro espiritual, abriam grandes brechas aos inim igos da verdade. Não se dedicavam à vivência m ínim a dos ensinos adquiridos, perm anecendo interessados apenas nas atividades fenom ênicas. E, porque m antinham afinidade nas intenções, ligaram -se m agneticam ente por ondas m entais.

Na reunião de intercâm bio pouco contribuíam , tornavam -se elem entos isolados pelos m entores, pois que os pensam entos não atingiam regiões superiores para aj uda na tarefa socorrista.

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Todos estes dados eram de dom ínio dos invasores das som bras.

— o —

Os instrutores do Mais Alto, igualm ente, sabiam deste possível envolvim ento entre os cooperadores citados. Contudo, não podiam privá-los do convívio entre os com panheiros encarnados, j unto à Casa Espírita.

Entretanto, orientações espirituais gerais exaltando a m oral, o nobre obj etivo do casam ento, o esforço para dom ar as m ás tendências com o ponto a identificar o verdadeiro espírita, foram transm itidas através de vários m edianeiros, m as nenhum a delas foi acatada pelos dois tarefeiros envolvidos, o que oferecia largo cam po de atuação para Júlio César e sua falange.

— o —

O inim igo da harm onia reuniu rapidam ente os servidores à sua disposição, iniciando m ais esta tram a diabólica:

— Camaradas, eis que estamos avançando de maneira muito satisfatória. Agora haveremos de usar, mais uma vez, uma arma bastante delicada, a fascinação.

— E o campo de atuação será de novo a mediunidade? Perguntou um dos presentes.

— Não e sim, respondeu o m aquiavélico.

Não exploraremos a mediunidade em si, mas desejaremos atingir muitos médiuns.

A fascinação, prosseguiu o perverso arquiteto, será no campo da sensualidade, dos instintos humanos. Um trabalho pouco difícil, pois aqueles que envolveremos já vibram em nossa sintonia, autorizando-nos a ação.

Simplesmente teremos de estimular um pouco mais as suas tendências inferiores. Precisamos fazer com que estes tarefeiros invigilantes e imprudentes se desequilibrem, comprometendo o bom andamento da reunião, abrindo-nos o campo para atingirmos o grupo todo.

— E os amigos superiores? Perguntou outro, m uito preocupado. Não vão nos impedir? E se formos pegos como aconteceu com Gonçalves? Não tentarão nos afastar de nossos propósitos?

— Se caírem nas mãos dos responsáveis espirituais por esta Casa, preveniu o perseguidor cruel, finjam terem se transformado para livrarem-se da imantação mediúnica; inventem, se necessário, histórias mirabolantes ou permaneçam mudos.

Eles, os mensageiros do Cristo, prosseguiu o preceptor das trevas, não podem nos expulsar. Trabalham pela tolice do amor. Isso representa um ponto positivo a nosso favor, porque preferem esperar pela nossa transformação moral em vez de nos destruírem. Enquanto aguardam nossa metamorfose no campo dos valores espirituais, que para nós é impossível, nosso plano avança.

— Estou com muito medo, continuou o cam arada prudente, levando outros a concordarem. Não será melhor desistirmos? Estamos na toca do inimigo. E se os emissários da luz estiverem com a verdade?

Estas palavras finais mexeram intensamente com Júlio César, fazendo-o perder a razão:

— Como ousa querer desistir?

E aproximando-se do obsessor temeroso, fitou-o de maneira profunda, agarrando-o fortemente pelos andrajos em atitude agressiva, e, chacoalhando-o violentamente por várias vezes, acrescentou irado:

— Experimente abandonar esta missão! Tente render-se aos falsários do amor!

Deseje por um único minuto levantar um movimento contra meus propósitos e verá o que lhe acontecerá!

Se eu souber de uma tentativa sequer, de sua parte ou de alguém da minha equipe para mudar de lado, será sumariamente confinado nas prisões de nossa cidade por tempo indeterminado.

E além do mais, continuou o m alvado perseguidor aterrorizando e am eaçando os obsessores, sei que muitos de vocês ainda têm entes queridos encarnados; experimentem abandonar nossos propósitos e verão o que acontecerá aos seus.

Não despertem minha ira, muito menos a dos nossos superiores!

E, continuando, disse-lhes:

— Prestem atenção: os espíritos bondosos não poderão nos impedir, pois que estaremos ligados aos pensamentos e emoções de Soráia e Sérgio. Por isso, coragem. Pessoas fracas não convivem comigo!

— o —

Gonçalves com eçava a observar o chefe com outros olhos, sentia-se um tanto diferente e pela prim eira vez analisava as colocações de seu superior, distinguindo-as do atendim ento respeitoso que recebera dos am igos espirituais. Era o início de um a im portante reflexão.

— o —

Elvira! Elvira! Gritou o m andante. Onde está você?

— o —

E, da turba, entidade fem inina, usando esfarrapada fantasia, im itando as dançarinas espanholas, rasgou a pequena m ultidão estalando desaj eitada castanhola, enquanto dançava sensualm ente, arrancando dos com parsas assobios, palm as e adm iração.

— o —

— Parem com isso! Ordenou o porta-voz das som bras, fazendo surgir o silêncio.

Entregaremos este caso a você, Elvira. Sei que questões de envolvimentos no âmbito das emoções é a sua especialidade.

Quero que destrua o casamento dos dois, que impeça o autocontrole das emoções, deixando-os fascinados um pelo outro a ponto de perderem a razão e a compostura, embrenhando-se no campo do sexo desequilibrado, a fim de perturbarem, mais ainda, os trabalhos espíritas e tornarem-se um grande escândalo na Instituição.

Não admito falhas, ouviu bem?

— Fique tranqüilo, não costumo decepcionar meus superiores, respondeu a servidora sensual, o senhor sabe da minha competência.

— Então, mãos à obra!

Gonçalves!

— Pois não, senhor!

— Qual o resumo do nosso trabalho? Como estão as tarefas dos outros camaradas?

— Vejamos as anotações, respondeu o secretário. Já atingimos:

— a responsável pelo atendimento fraterno, comprometendo as tarefas nesta área;

— um grupo de fluidoterapia, causando desconfiança e concorrência;

— este agrupamento de socorro espiritual, que está em andamento, cujo objetivo é provocar escândalos e conseqüentemente a fofoca destruidora.

Outros camaradas sob as suas ordens já realizaram:

— o afastamento de um entrevistador, coordenado por Márcia Boaventura, das tarefas das noites de segunda, terça e quarta-feira. Seguindo suas orientações, o envolvemos a fim de que julgasse fosse preciso melhorar a vida material. Fizemos com que se inscrevesse em seu terceiro curso universitário. O mundo ganhará mais um inútil acadêmico e perderá valoroso cooperador do bem.

— cinco expositores, dos mais variados cursos de Espiritismo espalhados pela Casa, tiveram promoção no emprego, sob nossa influência, tendo obrigatoriamente de abandonar as tarefas a fim de cumprirem os compromissos materiais.

— três dirigentes de grupos mediúnicos pediram licença, atendendo a caprichos familiares, fazendo longa viagem, também sob nossa atuação.

— os eruditos espíritas não foram esquecidos; com a vaidade sobreexcitada, estamos sugerindo que reformulem todos os trabalhos na Casa, toda a área doutrinária. Isso sim é que vai gerar uma grande fofoca. Desejamos fazer com que entrem em confronto com a organizada diretoria de doutrina.

— estamos, ainda, fazendo com que modismos de toda ordem apareçam por aqui, trazidos pelas pessoas eufóricas;

— trezentos processos de obsessão simples foram implantados, junto àqueles que nos oferecem brechas, a pretexto de atrapalhar os diversos trabalhos espíritas. Estes, num mecanismo em cadeia, exatamente como o senhor planejou, haverão de triplicar as irritações, abrindo nossos caminhos.

— verificamos as obras assistenciais e notamos estarem passando por várias dificuldades financeiras. Envolvemos alguns responsáveis, que entraram em nossa esfera de ação por conta do pessimismo, nervosismo exagerado, falta de fé, por terem esquecido do ideal espírita e prenderem-se simplesmente à questão de organização, agindo com frieza, distantes do amor. Com isso, pudemos desestimulá-los intensamente e, agora, estão prestes a abandonar as funções.

— nas promoções beneficentes, igualmente tivemos boa infiltração, pois que os cooperadores, verificando estarem fora das reuniões mediúnicas, da seriedade dos estudos, entregaram-se às piadas, às brincadeiras, à maledicência, à competição, à inveja e ao ciúme. Isso tem afastado vários trabalhadores matriculados nestas obras.

— no pequeno coral, inspiramo-lhes músicas mais agitadas, fazendo com que se oponham à direção da Casa em querer divulgar o Espiritismo pela canção. Sugerimo-lhes outros ritmos a fim de atordoar-lhes e confundir-lhes o pensamento. O regente, praticamente um dos nossos, tendo levado “sua” idéia à direção doutrinária e esta, obviamente, solicitando a retomada do trabalho com músicas que elevem a criatura humana, conduzindo mensagens de transformação moral, tal como é o objetivo do Espiritismo, fez com que o condutor das vozes espíritas se irritasse, quase desistindo das tarefas.

— ainda temos o grupo de teatro que certamente nos atenderá às mesmas solicitações, melindrando-se certamente quando a pureza doutrinária lhes solicitar evitar, no Centro, a propagação de obras não espíritas.

— temos procurado, diante dos agrupamentos de estudos, estimular os contestadores natos, fazendo com que estejam especialmente alterados, conseguindo, com isso, atrapalhar vários participantes.

E muitas outras reuniões estão recebendo a visita de nossa falange.

Falta, ainda, atingirmos definitivamente o presidente e o diretor doutrinário da Instituição.

Seguindo suas ordens, continuou Gonçalves, colocamos cerca de dez espíritos adversários com cada um, esperando que ofereçam brechas de atuação, mas eles desfrutam de proteção espiritual admirável, por conta do esforço que empenham na conduta reta e pelo trabalho sério que executam.

Contudo, senhor, nosso labor permanece difícil! Pois não faltam aqueles que são verdadeiras rochas morais, os que têm atraído impressionante proteção espiritual pelas atitudes cristãs. Esse processo tem exigido muito dos nossos cooperadores, já tivemos de renovar nossas turmas por cinco vezes. Nossos trabalhadores sentem-se fracos ao entrarem em contato com certos ambientes amorosos, que obrigatoriamente têm de visitar, com objetivo de atormentar e desviar os encarnados da bondade. E sobre estes, nossa influência tem sido praticamente nula.