Álcool e outras drogas
9. Empoderamento e grupos de mútua ajuda
9 – Empoderamento e grupos
de mútua ajuda
Tatiana Rangel Reis
Neste capítulo, pretendemos apresentar e analisar a perspectiva de apoio oferecida pelos grupos de mútua ajuda, que representam, na atualidade, em nosso país e no mundo, alternativas viáveis e eficazes para diversas questões presentes na sociedade, em geral, situações de sofrimento psíquico geradas por comportamentos compulsivos.
O capítulo encontra-se dividido em quatro partes: na primeira, abordaremos o conceito de empoderamento, já que é à luz do mesmo que efetuaremos a análise dos referidos grupos; na segunda parte, apresentaremos a filosofia dos grupos de mútua ajuda propriamente ditos com base no modelo que constituiu a matriz de todos os demais, os Alcoólicos Anônimos (AA), seguida da exemplificação de grupos direcionados para outros objetivos; na terceira parte, analisaremos alguns dos principais ganhos e limitações existentes no interior desses grupos, sob a ótica do empoderamento.
Breves considerações sobre o
conceito de empoderamento
Segundo Vasconcelos (2003), o termo ‘empowerment’, próprio da literatura anglo-saxônica e de difícil tradução direta para o português, pode ser entendido, ao mesmo tempo, como ‘empoderamento’ (já utilizado em nosso país), ‘fortalecimento’ e ‘autonomia’. No entanto, por considerar que nenhuma das traduções seja satisfatória, o autor utiliza, por vezes, o termo em inglês, exatamente para manter o caráter complexo do conceito. Aqui, utilizaremos a tradução mais imediata que é empoderamento. Uma das denominações possíveis para esse conceito apresentada por Vasconcelos é:
Aumento do poder e autonomia pessoal e coletiva de indivíduos e grupos
sociais nas relações interpessoais e institucionais, principalmente daqueles
submetidos a relações de opressão, dominação e discriminação social.
(Vasconcelos, 2003: 20)
Em face da complexidade e do caráter multifacetado desse conceito, Vasconcelos também salienta que ele pode ser apropriado por diferentes abordagens e leituras teóricas, das mais críticas e progressistas às mais conservadoras, dependendo dos diferentes grupos e sujeitos sociais que o utilizarão. Logo, de acordo com o projeto societário assumido, o empoderamento pode gerar situações de opressão ou de autonomização e fortalecimento individual/grupal. No caso de gerar situações de opressão ou discriminação, Vasconcelos chega a mencionar a possibilidade de ocorrer um ‘desempoderamento’, ou seja, uma perda da autonomia de indivíduos e grupos sociais envolvidos.
A literatura sobre o tema e suas apropriações no campo social e da saúde pode apresentar diferentes sentidos e perspectivas ideopolíticas, assim como acontece com conceitos como os de ‘participação’, ‘conscientização’, entre outros, que também guardam um caráter dúbio (Vasconcelos, 2007). De um modo geral, a perspectiva aqui assumida de empoderamento é a de um conjunto de estratégias capazes de promover o fortalecimento do poder, da autonomia e da auto-organização de usuários e familiares de serviços de saúde e, mais especificamente, de saúde mental, em se tratando dos usuários de álcool e outras drogas, seja no plano pessoal, grupal, ou institucional (Vasconcelos, 2007).
Do mesmo modo, as abordagens de empoderamento apresentam diferentes perspectivas, seja no âmbito das instituições formais de atendimento (nas quais é o profissional quem busca estimular o empoderamento entre os usuários dos serviços), seja no âmbito da busca pelo autoempoderamento em nível individual, grupal, comunitário e na militância social (Vasconcelos, 2007). No caso dos grupos de mútua ajuda, podemos dizer, então, que estamos diante de uma estratégia autonomista de autoempoderamento individual e grupal, já que tais grupos são organizados e mantidos pelos próprios membros, sendo autônomos em relação aos profissionais, de um modo geral, especialmente os profissionais da área ‘psi’.
Para Vasconcelos (2003), as perspectivas de empoderamento encontram-se, muitas vezes, relacionadas a culturas e a formas de organização social mais autonomistas, dada a experiência do autor com os movimentos de usuários de saúde mental e seus familiares em países anglo-saxões, o que não impede a apropriação desse conceito para a realidade brasileira. No Brasil, particularmente, estamos lidando com uma cultura hegemonicamente hierárquica e patrimonialista, que sempre estimulou a dependência e os laços pessoais com o Estado, bem como com os profissionais e serviços destinados à população. Os grupos de mútua ajuda, por sua vez, colocam-se em uma perspectiva mais autônoma e terminam rompendo, em parte, com essa lógica da dependência exclusiva do
Estado e dos serviços de saúde por ele oferecidos. 1
Dentre os conceitos importantes e que espelham ao mesmo tempo diferentes estratégias de empoderamento, citamos os seguintes: ajuda mútua, suporte mútuo, defesa de direitos (advocacy), transformação do estigma e da dependência na relação com a loucura e o louco na sociedade (e por que não dizer, também, por exemplo, na relação com os indivíduos alcoolistas na sociedade), participação mais ampla no sistema de saúde/saúde mental e militância social e política.
A ajuda mútua é um tipo de prática conhecida a partir dos grupos de AA, que trocam experiências, vivências e ajuda emocional em torno de um problema comum. Esses grupos possuem uma organização autônoma, na qual a história de cada membro é valorizada como um caminho para o outro buscar suas próprias soluções e enfrentar seus desafios. Além dos grupos, outras manifestações menos convencionais da mútua ajuda podem ocorrer por meio dos grupos de amigos com os quais podemos compartilhar constantemente dores, vitórias e derrotas, os chamados ‘amigos-irmãos’, além das páginas pessoais na Internet, blogs, salas de bate-papo, dentre outras alternativas, em que as pessoas podem compartilhar experiências de vida comuns (Vasconcelos, 2003).
Com base nos dispositivos mais padronizados de ajuda mútua, podem ser desenvolvidas atividades de iniciativas concretas de cuidado e suporte na vida das pessoas. Essas atividades podem ser das mais simples, como ajudar outro membro do grupo a realizar suas compras, cuidar da casa, sair para alguma atividade de lazer, até as mais complexas, como o desenvolvimento de projetos relacionados a questões de moradia e trabalho para os indivíduos que apresentam demandas nessas áreas, elaboração de cartilhas informativas, entre outras atividades que caracterizam o suporte mútuo. Para Weingarten (2001), o suporte mútuo implica, então, a reunião de usuários com o propósito de realizar conjuntamente uma tarefa ou um serviço.
A partir do suporte mútuo, é possível avançar ainda mais para a perspectiva de defesa de direitos (advocacy), que pode se dar em dois níveis: um primeiro nível de autodefesa, no qual um usuário ou membro de um grupo de mútua ajuda é estimulado e capacitado a defender seus direitos, em casos de algum tipo de discriminação ou violência sofrida (por exemplo, um paciente portador do vírus HIV impedido de obter trabalho); e um segundo nível mais formal de defesa de direitos, que inclui a formação de serviços com parcerias entre profissionais de saúde mental, por exemplo, e advogados para defender os direitos civis, políticos e sociais dos envolvidos. Esse nível do empoderamento inclui, ainda, a elaboração conjunta de cartas de direitos, normas de serviços, legislação que contemple os direitos dos interessados, entre outras ações que constituam a defesa de direitos.
Como última estratégia de empoderamento a ser descrita aqui, encontra-se a transformação do estigma e a militância social e política mais ampla. Embora, em seu livro, Vasconcelos (2003) as tenha mencionado separadamente, aqui, para fins didáticos, uniremos as duas perspectivas. Essa vertente engloba diversas iniciativas sociais e culturais para mudar atitudes discriminatórias em relação a quaisquer grupos oprimidos socialmente, como, por exemplo, os grupos de alcoolistas, os dependentes químicos de um modo geral, os portadores de transtorno mental, entre outros. A mudança no modo de nomear grupos minoritários (por exemplo, de ‘paciente’ com ‘doença mental’ para ‘usuário’ e ‘portador de transtorno mental ou sofrimento psíquico’) e a produção de programas para a mídia que abordem o problema da discriminação são algumas das iniciativas tomadas nessa direção.
No campo da participação política e militância social, podemos considerar a participação dos usuários em movimentos mais amplos de luta pelos seus interesses. No caso do sofrimento psíquico/transtorno mental, pode-se ressaltar a participação dos usuários no Movimento da Luta Antimanicomial (Vasconcelos, 2003).
Vistos os principais conceitos envolvidos nas estratégias de empoderamento, nos deteremos, a seguir, mais detalhadamente, na filosofia e em alguns princípios dos grupos de mútua ajuda, além de apresentarmos as diferentes modalidades de grupos existentes atualmente.
Uma análise dos grupos de mútua
ajuda baseada em sua matriz básica:
Alcoólicos Anônimos
Além da conceituação de ajuda mútua já abordada, outra definição pode ser destacada:
A ajuda mútua baseia-se no princípio de que a reunião de pessoas que
partilham uma mesma condição ajuda-os a lidar com suas situações de
dependência. O dar e receber mútuo é considerado como uma ação
terapêutica. O compartilhar de experiências, sentimentos e formas práticas no
manejo de problemas ajuda as pessoas a melhorar e lidar melhor com a vida,
através do reconhecimento de seus sentimentos, enfim, de seu mútuo
empowerment. (Tosh et al. apud Weingarten, 2001: 24)
Percebe-se, pelo exposto, que o elemento mais importante e que identifica um grupo como sendo de mútua ajuda é o problema comum que une seus membros, ou seja, o objetivo da reunião é se ajudar mutuamente, pois, todos ali, de uma forma ou de outra, possuem experiências com uma situação específica, e compartilhando-as com o grupo podem encontrar estratégias comuns de enfrentamento do problema. Ou, como acentuou Mascarenhas (1990), são pessoas que, por já terem sentido “na carne” um problema, podem ajudar melhor outras que vivem situações semelhantes. Segundo Weingarten, sete milhões e meio de norte-americanos (segundo dados até 2001) eram integrantes de cerca de quinhentos mil grupos de ajuda mútua a cada ano.
O primeiro grupo de ajuda mútua nasceu, em 1935, em Akron, nos Estados Unidos, quando duas pessoas que passavam por graves problemas relativos ao uso abusivo de bebidas alcoólicas se reuniram e começaram a conversar sobre suas dificuldades. Estava fundada a Irmandade de Alcoólicos Anônimos (AA), organização esta que hoje conta com mais de dois milhões de membros, espalhados em cerca de 180 países. Como se explica tamanhas difusão e longevidade (o AA possui 77 anos de existência no mundo e 65 anos de vida no Brasil)?
Segundo a literatura dessa organização, e também pelo que foi constatado pela pesquisa participante efetuada durante o curso de doutorado em serviço social, o AA apresenta uma organização e uma estrutura de filiação descentralizadas e de base, sendo que os grupos constituem a célula básica. O anonimato absoluto é garantido a seus membros. Além disso, trata-se de uma organização autossuficiente, na qual seus membros não aceitam doações de fora. Assim, durante as reuniões, eles próprios dão uma contribuição em dinheiro, voluntária, visando à manutenção da irmandade. A dinâmica das reuniões, no tocante a horários e dias de funcionamento das salas, varia de acordo com os grupos. Somente no município do Rio de Janeiro existem cerca de duzentos grupos, espalhados em diversos bairros e zonas da cidade.
As reuniões têm a duração de duas horas, e cada membro possui cerca de dez minutos para falar de si mesmo, sem se remeter aos problemas dos outros participantes, ou apresentar conselhos de qualquer tipo (ou, como costumam dizer, ‘retornos’ a quem quer que seja). Para ingressar em AA, não é preciso fazer inscrição ou pagar qualquer taxa, apenas ter o ‘sincero desejo de parar de beber’. Aos novatos, é passado o Programa de Recuperação, mais conhecido como Os Doze Passos (no Anexo deste capítulo), que deverá acompanhar o membro de AA durante toda a sua vida. O primeiro e mais difícil passo é o indivíduo aceitar que ‘perdeu a batalha’ para o álcool e que, consequentemente, perdeu também o domínio de sua vida. A partir daí, é ‘sugerido’ ao membro acreditar em um ‘poder superior’ a si próprio, a quem ele deverá ‘entregar sua vida e sua vontade’, pedindo forças para lidar com a compulsão, através da ‘remoção’ de determinados ‘defeitos de caráter’, como o ‘egocentrismo, o orgulho e a vaidade’, que podem estar na base da sua ‘doença alcoólica’.
Como o AA não é uma entidade religiosa, costuma-se dizer que esse ‘poder superior’ pode ser o próprio grupo ou qualquer outra representação a ser escolhida pelo membro, além, é claro, da própria ideia de Deus, que aparece em alguns dos doze passos. Além dos passos, existem as doze tradições e os doze conceitos responsáveis pela manutenção e organização da irmandade como
um todo.2
O alcoolismo, para os membros de AA, é uma ‘doença física, mental e espiritual’. Portanto, a resolução do problema não pode se dar sem um olhar direcionado para essas instâncias, especialmente a espiritual, no importante momento em que ocorre para o membro um ‘despertar espiritual’, ou melhor dizendo, um estágio de ‘rendição’ em que o sujeito percebe não possuir mais o controle de sua existência, necessitando entregá-la ao ‘poder superior’, partilhando sempre seus momentos de angústias e conquistas nas reuniões de AA. Para o membro ingressante, por exemplo, existe o lema “90 dias, 90 reuniões”, pelo fato de os três primeiros meses serem considerados os mais difíceis na recuperação. Além desses, outros importantes lemas constituem a chave da recuperação em AA: “evite o primeiro gole”, “só por hoje”, “vá com calma”, “primeiro as coisas primeiras”, dentre outros.
Outro momento importante da reunião é quando os membros do grupo fazem em conjunto a oração ou evocação da serenidade (como preferem chamar os membros ateus ou agnósticos), a fim de
obterem forças para sua recuperação. 3 Além da oração, outros fatores que contribuem no processo de manutenção da abstinência são as mudanças dos ‘hábitos da ativa’, como o afastamento dos amigos com os quais se costumava beber, o afastamento dos locais onde se costumava beber, o acesso à literatura da irmandade, que contém, segundo enfatizam seus membros, todas as respostas para as dúvidas que um membro de AA possa ter, dentre outros.
Por serem compostos, organizados e dirigidos pelos próprios membros, os grupos apresentam uma dinâmica horizontalizada, em que um não deve se sentir superior ao outro, pois todos ali ‘estão no mesmo barco’, buscando uma saída para problemas comuns, não havendo divisão entre aquele que presta ajuda e o que a recebe. Em AA, isso fica claro durante as reuniões, quando pudemos perceber acolhimento e receptividade para todos os membros, tanto para os que estivessem chegando quanto para os participantes mais antigos.
Outra característica positiva de grupos de mútua ajuda como o AA é a acessibilidade. Esses grupos estão presentes em todo o mundo, com salas abertas nos mais diferentes horários, representando alternativas eficazes aos serviços usualmente fornecidos à população. Em nossa pesquisa no AA do Rio de Janeiro, por exemplo, tomamos conhecimento da existência de um grupo no ponto mais alto do Complexo do Alemão, uma comunidade conhecida pelos altos índices de violência. Nesse local perigoso e de difícil acesso, não se tem conhecimento da existência de um serviço de atendimento estatal, voltado para pessoas com problemas de alcoolismo, mas há, no entanto, um grupo de AA.
Outros grupos de AA também abrem suas salas em períodos considerados preocupantes para o alcoolista, como as festas de fim de ano e o carnaval, quando o apelo ao consumo de bebidas alcoólicas torna-se ainda maior. Existem até grupos nos quais os membros, se quiserem, podem passar a noite de Natal em reunião com outros ‘companheiros’, durante a qual terão a oportunidade de fazer, em grupo, uma pequena ceia.
Por não haver requisitos para o ingresso, apenas o fato de o indivíduo estar tendo problemas com o álcool (no caso de AA), tais grupos são acessíveis também para pessoas de diferentes classes sociais, não havendo exigência de escolaridade. O que costuma acontecer é que os membros acabam escolhendo certos grupos em que se sentem mais à vontade, e tal escolha geralmente obedece a critérios de classe, de poder aquisitivo, proximidade de sua moradia, entre outros fatores. Isto é, as pessoas acabam buscando os grupos não apenas por uma identificação quanto ao alcoolismo, mas também no tocante a outras variáveis.
Embora não seja uma terapia de grupo (que requereria níveis mais aprofundados de mergulho nas questões psicológicas, e isso não é o que acontece nessas reuniões), os estudiosos consideram que os grupos de mútua ajuda proporcionam uma ação terapêutica ou, ainda, que existem, nesses grupos, certos fins terapêuticos, a partir do momento que determinados ganhos podem ser observados entre seus participantes. Com base em sua experiência com grupos de ajuda mútua nos Estados Unidos, Weingarten afirma que, apesar de não haver muitos estudos estatísticos sobre a efetividade desses grupos, existem alguns benefícios que podem ser considerados, como: melhor relacionamento dos membros com os outros; maior responsabilidade; melhor vínculo com os companheiros do grupo; mais assertividade; capacidade para tomar suas próprias decisões; estilo de vida mais independente; melhor capacidade em escutar; melhora na solução de problemas; aumento da autoestima; mais esperança no futuro; e uma sensação de bem-estar (Weingarten, 2001).
Muito embora, conforme já mencionamos, o AA e os demais grupos de mútua ajuda mantenham uma independência em relação aos profissionais e serviços em geral, em especial os profissionais da área da saúde e saúde mental, seus membros, em particular, não rejeitam ou descartam o uso pessoal e privado de tratamentos profissionais, como, por exemplo, as psicoterapias individuais realizadas paralelamente à frequência aos grupos. Além disso, é comum existirem atividades de cooperação entre o AA e os demais grupos de mútua ajuda com esses profissionais, já que grande parte dos médicos, psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais têm indicado os grupos de mútua ajuda para os usuários de seus
serviços.4
O AA apresenta algumas ramificações como o Al-Anon, voltado para familiares de alcoolistas (esposas, irmãos etc), e o Al-Ateen, voltado para filhos adolescentes de alcoolistas, uma vez que o alcoolismo é considerado uma ‘doença da família’, em que todos os membros necessitam de ajuda.
Baseadas nos grupos de AA, outras organizações de mútua ajuda surgiram nos Estados Unidos, com ramificações em vários países, dentre eles, o Brasil, seguindo a mesma lógica de funcionamento e princípios fundamentais do AA, adequando seus conteúdos segundo a problemática de fundo. A seguir, apresentaremos, de forma resumida, alguns desses grupos de mútua ajuda existentes no
Brasil.5
NEURÓTICOS ANÔNIMOS (N.A.): “é uma irmandade formada por homens e mulheres que compartilham suas experiências, fortaleza e esperança para resolverem seus problemas emocionais comuns e dessa forma se reabilitarem da doença mental e emocional. Para ser membro desta irmandade basta considerar-se uma pessoa
neurótica, ou seja, com perturbações emocionais”.6
NARCÓTICOS ANÔNIMOS (N.A.): representam os grupos mais próximos do AA, por lidarem com questões referentes à adicção às drogas ilícitas, como cocaína, maconha, LSD, entre outras. Diz-se que são os mais próximos de AA, pois muitos dependentes químicos utilizam essas drogas associadas ao álcool, daí o fato de alguns membros frequentarem, ao mesmo tempo, o AA e o N.A. Possui também uma ramificação destinada aos familiares denominada Nar-Anon.
JOGADORES ANÔNIMOS (J.A.): irmandade destinada aos indivíduos compulsivos por quaisquer tipos de jogos. O jogo compulsivo é considerado “uma doença progressiva, que não se pode curar,
porém pode ser detida”.7 Existe ainda uma ramificação para os familiares, parentes e amigos próximos que são também afetados pelo problema do jogo, o Jog-Anom.
DEVEDORES ANÔNIMOS (D.A.): irmandade fundada nos Estados Unidos, em 1967, e, no Brasil, em 1997, para ajudar pessoas na recuperação do endividamento compulsivo. Trata-se de um programa “para auxiliar pessoas que sofrem da oneomania (do verbo onerar, pessoa que gera muitos gastos). O D.A. tem o propósito de ensinar seus membros a reaprender a lidar com o dinheiro e, para isso, realizam cálculos das despesas domésticas e
os relacionam com os ganhos mensais da pessoa”.8
FUMANTES ANÔNIMOS (F. A.): “é uma irmandade de pessoas que sentiram o poder da adicção à nicotina (...). Nosso propósito primordial é ajudarmos outras pessoas e nós mesmos a viver sem
fumar”. 9
COMEDORES COMPULSIVOS ANÔNIMOS (C. C. A.): fundada nos
Estados Unidos em 1960,10 o CCA, reconhecendo a incapacidade de alguns indivíduos para controlar o comer compulsivo, oferece ao recém-chegado apoio para lidar com os sintomas físicos e emocionais desse comportamento.
MULHERES QUE AMAM DEMAIS ANÔNIMAS (Mada): fundada no Brasil em 1994, “Mada é uma irmandade de mulheres que compartilham sua experiência, força e esperança, para resolver problemas comuns e ajudar outras mulheres a se recuperarem de sua
dependência de pessoas”,11 em especial a dependência de relacionamentos destrutivos com homens ou com quaisquer outras pessoas (familiares, amigos, entre outras).
DEPENDENTES DE AMOR E SEXO ANÔNIMOS (Dasa): em inglês, SLAA, Sex and Love Addicts Anonymous. Fundada, em Boston (Estados Unidos), no ano de 1976, a “Dasa é uma irmandade de ajuda mútua, aberta a todas as pessoas de qualquer idade e inclinação sexual. Dentre seus membros, encontram-se tanto os que experimentaram uma necessidade compulsiva de sexo, como aqueles com um apego desesperado a uma única pessoa. Todos os membros têm um padrão comum de comportamento obsessivo/compulsivo, seja sexual como emocional (ou ambos)” e lidam com a dependência “por sexo, amor, relacionamentos românticos, emocionais e de anorexia sexual, social e emocional”.
CODEPENDENTES ANÔNIMOS (CoDA): é “um programa de recuperação para a codependência, onde cada um de nós pode compartilhar da nossa experiência, força e esperança, em nossos esforços para nos libertarmos da escravidão e confusão das nossas relações com outros e com nós mesmos (...). Constatamos que, em nossas vidas, a codependência é um comportamento compulsivo profundamente arraigado e que nasce, por vezes, em famílias com
sistemas extremamente disfuncionais e em outros casos não”.12
SOBREVIVENTES DE INCESTO ANÔNIMOS (SAI): irmandade que “ajuda homens e mulheres que foram vítimas de abuso sexual na
infância”. 13
Portanto, assim como o AA, a matriz de todos os grupos de ajuda mútua, essas irmandades organizam-se da seguinte forma: são autossuficientes, possuem uma estrutura de funcionamento que permite o acesso a qualquer pessoa, independente de raça, classe social, idade ou sexo, e também apresentam uma literatura que vem dos Estados Unidos, denotando a existência de uma verticalização na doutrina e no tipo de organização mais geral (apesar da horizontalidade nas relações entre os seus membros), o que tem garantido sua rápida disseminação em vários países do mundo, com um grau relativamente simples de funcionamento.
A seguir, destacaremos mais alguns benefícios propiciados por esses grupos de mútua ajuda e apresentaremos, também, algumas das principais limitações que, no nosso entendimento, envolvem essas organizações.
Possibilidades e limites dos grupos
de mútua ajuda
Autores como Vasconcelos (2003), Mota (2004) e Reinarman (apud Vasconcelos, 2003), entre outros, tratam do tema da Irmandade de AA (e estamos propondo aqui associar suas análises a outras, que enfocam os demais grupos de ajuda mútua), buscando evidenciar determinados aspectos ‘positivos’, do ponto de vista de sua eficácia na recuperação do alcoolismo, e também certos aspectos críticos à irmandade, do ponto de vista da autonomização do sujeito e, também, da viabilidade ou não, no interior dessa organização, de uma visão social e política mais ampla do fenômeno do alcoolismo, menos vinculada ao registro médico, entre outras ressalvas.
Longe de efetuarmos aqui uma leitura maniqueísta dessas irmandades, em torno do que elas apresentam de bom ou ruim, acreditamos que considerações a respeito do que a literatura tem apontado sobre os grupos de mútua ajuda (em especial o AA, que representa a matriz de todos os demais), seja de ganhos ou limitações, representam uma tarefa importante para profissionais da área de saúde e saúde mental, que lidam diretamente com as complexas situações para as quais tais grupos buscam oferecer uma estratégia de recuperação. Enfocaremos, então, o que foi problematizado sobre os grupos de AA, sem deixarmos, contudo, de ter com outras irmandades, sobre as quais não há uma avaliação mais sistematizada, uma interlocução.
Se, por um lado, alguns autores percebem a organização de AA como um importante dispositivo capaz de oferecer solidariedade e ajuda mútua para os que sofrem com a problemática do alcoolismo, por outro lado, notam, como uma de suas limitações, a forte conotação individualizante, ou seja, é o próprio indivíduo que se torna o responsável pelo sucesso ou fracasso de seu processo de recuperação, em virtude da pouca ou nenhuma consideração dos aspectos políticos, sociais e econômicos que determinam a existência do alcoolismo nas sociedades. Isto é, segundo a lógica interna do AA, o alcoolismo seria tão somente uma doença, não havendo nenhuma causa social em sua origem (Mota, 2004). Também, segundo Reinarman:
O movimento dos Doze Passos parece (...) inverter a imaginação sociológica
de C. Wright Mills: ao invés de transformar problemas privados em questões
públicas ou pelo menos ligar as duas, a ideologia dos Doze Passos tende a
desligar esse vínculo ou a transformar o que pode ser entendido como
questões públicas em problemas privados. (Reinarman apud Vasconcelos:
2003: 91)
Com base nessa citação, podemos perceber ainda mais a complexidade do tema em questão, considerando-se a polêmica e debate que tem suscitado na cena contemporânea. A seguir, apontamos uma sistematização, elaborada por Vasconcelos (2003), relativa a determinados ‘ganhos’ propiciados por AA, e os aspectos que constituem ‘limites’, na opinião desse autor, relativos à dinâmica de funcionamento e ideologia/filosofia dessa irmandade.
Assim, na perspectiva das abordagens do empoderamento, os ‘ganhos’ do tipo de ‘recuperação’, propostos em AA, seriam:
a. AA apresenta uma organização e estrutura de filiação
completamente descentralizadas e de base, sem mandato de autoridade superior sobre a autonomia dos grupos. Os grupos
de AA constituem a principal ‘mola propulsora’ desta irmandade; tudo deve passar pelo consenso coletivo do grupo;
b. em AA existe uma proibição explícita de acumulação de
dinheiro, propriedade e prestígio. Logo, os membros não são donos das salas onde acontecem as reuniões. Estas são, geralmente, alugadas ou cedidas. Os participantes também não são ‘donos’ dos grupos, ou seja, os cargos de coordenação de grupo, tesoureiro, entre outros, são sempre ocupados sob a forma de rodízio, para que as pessoas não tenham chances de se perpetuar no ‘poder’;
c. as reuniões em AA baseiam-se em um forte processo de
valorização da história pessoal de cada membro e de aprendizagem grupal. O que os une é o sentimento de que, independente da vida de cada um, todos ali estão vivenciando a luta contra uma problemática comum: o alcoolismo;
d. em AA, há uma garantia de absoluto anonimato para os
membros que frequentam as reuniões em relação ao mundo fora dos grupos;
e. em AA, no processo de recuperação, o indivíduo consegue
recompor certos laços e vínculos sociais fortemente comprometidos por causa do alcoolismo, como o vínculo familiar, social e de trabalho, entre outros.
Ainda na perspectiva do empoderamento, para Vasconcelos (2003), as principais limitações dos grupos de AA seriam:
a. seus elementos de inspiração religiosa baseados no
individualismo protestante (dada a sua origem norte-americana) terminam por colocar, no próprio indivíduo, a responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso no ‘combate’ ao alcoolismo;
b. o fato de o alcoolismo ser considerado uma doença
progressiva, incurável e fatal (mesma denominação utilizada em outros grupos de mútua ajuda no tocante às respectivas ‘doenças’ por eles trabalhadas), ao mesmo tempo que contribui para ‘não culpabilizar’ o alcoolista e sua família da culpa moral (o indivíduo é doente e não imoral), também aprisiona os problemas relacionados ao alcoolismo restritos a um registro
médico, no sentido mais convencional da medicina ocidental, não deixando espaços para o diálogo com outras áreas de conhecimento que seriam extremamente frutíferas para o entendimento desse fenômeno, como a sociologia, a psicologia, a antropologia, entre outras;
c. quaisquer abordagens no interior das reuniões que mencionem
aspectos sociais, estruturais, políticos e culturais que influenciam o ato de beber tendem a ser vistas como ‘questões externas à irmandade’ e, portanto, não merecedoras de atenção. Além disso, na maioria das vezes, tais considerações são excluídas sob a alegação de serem ‘desculpas’ ou ‘negação’ do indivíduo, que não quer tomar para si a responsabilidade sobre a prática do programa de recuperação;
d. as práticas grupais em AA, tendo em vista o seu modelo de
reunião padronizado, ao não abrirem espaço para o risco e o imprevisível, não seriam estimuladoras de processos de autonomização psicológica, criatividade e pluralismo cultural;
e. apesar de ser um dispositivo de ajuda mútua, o sujeito
permaneceria fechado na estrutura institucional, não havendo, consequentemente, espaço para iniciativas de suporte mútuo, defesa dos direitos sociais ou ações de transformação do estigma e militância social no tocante ao tema do alcoolismo na sociedade (Vasconcelos, 2003).
Apesar das divergências sobre os ganhos e os limites existentes nessas irmandades, Reinarman (apud Vasconcelos, 2003) levanta uma importante hipótese para a larga difusão da cultura dos Doze Passos na atualidade: na sua concepção, tais irmandades oferecem aos seus membros uma clara cosmologia, ou seja, uma visão de mundo que lhes fornece um sentido de acolhimento e de pertencimento, difíceis de serem encontrados em sociedades fragmentadas, como são as modernas sociedades ocidentais, nas quais as identidades encontram-se descentradas, gerando instabilidade subjetiva e insegurança nas relações interpessoais. Desse modo, corroborando o pensamento desse autor, julgamos que tais grupos representam espaços concretos nos quais os indivíduos podem viver ou reviver, de algum modo, laços de comunidade, uma vez que vivenciam e partilham problemas e experiências comuns, o que leva à diminuição do sentimento de solidão e de impotência diante da vida.
Considerações finais
O próprio Vasconcelos (2003), ao elencar tais considerações sobre a irmandade de AA, foi cauteloso e respeitoso quando salientou que muitos autores e militantes da área de saúde mental não concordam com as críticas por ele levantadas, por considerarem-nas ‘irrealistas e teóricas’ para a dinâmica possível de ajuda mútua construída em AA.
De qualquer forma, partilhamos da ideia de que todo grupo social organizado, a partir do momento que passa a ser objeto de estudos e debates, mostra suas possibilidades e limites mais profundos, suas contradições e fragilidades, que na verdade são comuns em qualquer organização humana.
Com base em nossa pesquisa participante,14 realizada entre 2004 e 2007, em grupos de AA no Rio de Janeiro, podemos dizer que concordamos com os aspectos positivos e as limitações apontadas anteriormente. Concordamos também com o fato de que, sem sombra de dúvida, o AA representa, hoje, um dos dispositivos mais eficazes no tratamento do alcoolismo, considerado um grave
problema de saúde pública. 15 Sendo assim, não podemos deixar igualmente de atribuir a devida importância aos demais grupos de mútua ajuda.
Cabe a nós, então, como profissionais da saúde, lidarmos com essas irmandades do ponto de vista do que elas têm a oferecer de ajuda para milhares de pessoas. Sob a ótica de outras necessidades geradas por situações de opressão social (tais como demandas por moradia, trabalho, discriminação, falta de legislação adequada para lidar com a questão, entre outras), sabemos que, dificilmente, as respostas para essas questões serão encontradas em grupos de mútua ajuda, tal como estes se encontram estruturados hoje em dia.
Acreditamos que as saídas para essas situações conflitantes poderão ser estimuladas e procuradas em outros dispositivos associativos voluntários estruturados de modo diferenciado dos grupos de mútua ajuda tradicionais e, também, na rede de serviços oferecidos à população de um modo geral, numa perspectiva que Vasconcelos chama de ‘complementação aos grupos de ajuda mútua’. Isto é, trata-se de pensar em outras iniciativas que poderiam caminhar paralelamente às já tradicionalmente conhecidas e que estimulariam, então, estratégias mais aprofundadas de empoderamento, no tocante aos dilemas individuais, grupais e comunitários, vistos sob um enfoque ampliado (Vasconcelos, 2007).
Quanto à irmandade AA, sabemos da sua firmeza, no tocante aos pilares mais fundamentais da ajuda mútua, e da sua fragilidade, quanto aos demais dispositivos de empoderamento, como o suporte mútuo, a defesa de direitos, a transformação do estigma e a militância social. Ainda assim, consideramos que algumas iniciativas de suporte mútuo que contribuem para a transformação do estigma podem ser percebidas no interior dessa organização. São elas a ‘linha de ajuda’, as palestras de informação ao público e os programas na mídia.
A linha de ajuda é um dispositivo pelo qual os membros de AA, voluntariamente, pelo regime de plantão, colocam-se à disposição para fornecerem, por telefone, ajuda aos que precisem, disponibilizando, principalmente, endereços de grupos de AA próximos das residências dos prováveis ingressantes, bem como endereços de grupos de Al-Anon, para os familiares, ou de outros grupos de mútua ajuda (como N.A ou J.A) para pessoas com diferentes tipos de problemas.
As palestras de informação ao público são dadas pelos membros mais experientes de AA (geralmente os que estão há mais tempo em recuperação), em escolas, empresas, hospitais, entre outras instituições, quando solicitados. Nessas palestras, além de explicar o que é o alcoolismo e como ele se manifesta, o membro de AA aproveita para, indiretamente, convidar prováveis membros para participarem da irmandade (no caso, aqueles que sintam que o que foi abordado na palestra se assemelha ao que estejam vivenciando). Acreditamos ainda que as palestras contribuam para transformar o forte estigma de que o “alcoolismo é apenas falta de força de vontade ou de vergonha na cara”, uma vez que os membros de AA levam para essas instituições, muitas delas formadoras, como as escolas, a noção de alcoolismo como doença incurável e progressiva.
Nos programas na mídia, os membros de AA são convidados a expor sobre o alcoolismo, tendo sua imagem sombreada em virtude do princípio do anonimato.
Logo, nos solidarizamos com as abordagens dos grupos de mútua ajuda e vemos neles algumas perspectivas de empoderamento, com os limites já mencionados. Nossa convicção a respeito da importância desses grupos repousa no fato de que, durante os três anos de pesquisa em que frequentamos as reuniões do AA, o que vimos de mais recorrente foram homens e mulheres que conseguiram (apesar das inúmeras contradições e ambiguidades inerentes ao processo de recuperação proposto por essa irmandade) obter esperança de vida, reconstruir laços desfeitos pelo alcoolismo e estabelecer pequenas metas para suas vidas, ainda que, segundo um dos principais lemas das irmandades anônimas, tais metas sejam estabelecidas apenas “só por hoje”.
Referências
CENTRO BRASILEIRO DE INFORMAÇÕES SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS (CEBRID). I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Psicobiologia, 2001.
DAMATTA, R. Carnavais, Malandros e Heróis. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
JUNTA NACIONAL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL (JUNAAB). Doze Conceitos para Serviços Mundiais. São Paulo: Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos, 1999.
JUNTA NACIONAL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS NO BRASIL (JUNAAB). Os Doze Passos e as Doze Tradições. São Paulo: Junta Nacional de Alcoólicos Anônimos, 2004.
MASCARENHAS, E. Alcoolismo, Drogas e Grupos Anônimos de Mútua-Ajuda. São Paulo: Siciliano, 1990.
MOTA, L. A. A Dádiva da Sobriedade: a ajuda mútua nos grupos de alcoólicos anônimos. São Paulo: Paulus, 2004.
REIS, T. R. Fazer em Grupo o que Eu Não Posso Fazer Sozinho: indivíduo, grupo e identidade social em Alcoólicos Anônimos, 2007. Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: Escola de Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
VASCONCELOS, E. M. O Poder que Brota da Dor e da Opressão: empowerment, sua história, teorias e estratégias. São Paulo: Paulus, 2003.
VASCONCELOS, E. M. Dispositivos Associativos e de Empoderamento de Usuários, Familiares e Trabalhadores em Saúde Mental no Brasil. Rio de Janeiro: Projeto Transversões, 2007. (Texto de discussão interna)
Velho, G. Individualismo e Cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea. 7. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
Weingarten, R. O Movimento de Usuários em Saúde Mental nos Estados Unidos: história, processos de ajuda e suporte mútuos e militância. Rio de Janeiro: Projeto Transversões, Instituto Franco Basaglia, 2001.
Sites de grupos de ajuda mútua
Alcoólicos Anônimos <www.aa.org.br>
Narcóticos Anônimos <www.na.org.br>
Jogadores Anônimos <www.jogadoresanonimos.org>
Neuróticos Anônimos <www.neuroticosanonimos.org.br>
Dependentes de Amor e Sexo Anônimos<www.slaa.org.br>
Comedores Compulsivos Anônimos
<http://brgeocities.com/ccabrasil>
Mulheres que Amam Demais Anônimas <www.grupomada.com.br>
Devedores Anônimos <www.devedoresanonimos.rj.cjb.net>
Fumantes Anônimos <www.fumantesanonimos.org>
Codependentes Anônimos <http//codependentes.freeyellow.com>
<www.cuidardoser.com.br>
Anexo
Os Doze Passos de AA
1º Passo: ‘Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos
perdido o domínio sobre nossas vidas’;
2º Passo: ‘Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia
devolver-nos à sanidade’;
3º Passo: ‘Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de
Deus, na forma em que O concebíamos’;
4º Passo: ‘Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos’;
5º passo: ‘Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser
humano a natureza exata de nossas falhas’;
6º passo: ‘Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos
esses defeitos de caráter’;
7º passo: ‘Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas
imperfeições’;
8º Passo: ‘Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos
prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados’;
9º Passo: ‘Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas,
sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a
outrem’;
10º Passo: ‘Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos
errados, nós o admitíamos prontamente’;
11º Passo: ‘Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso
contato consciente com Deus, na forma em que o concebíamos, rogando
apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para
realizar essa vontade’;
12º Passo: ‘Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes
passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes
princípios em todas as nossas atividades’. (Junaab, 2004: 3-7)