Além da Ordem: Mais 12 Regras para a Vida
Regra 3: Não esconda na névoa o que é indesejável
REGRA 3
NÃO ESCONDA NA NÉVOA O QUE É
INDESEJÁVEL
AQUELES MALDITOS PRATOS
Eu amo meu sogro. E também o respeito. Ele é dotado de extrema
estabilidade emocional — uma daquelas pessoas duronas ou sortudas
(talvez um pouco dos dois) que enfrentam as provações e tribulações da
vida e simplesmente seguem em frente com pouca reclamação e muita
competência. Hoje, Dell Roberts tem 88 anos, já substituiu um dos joelhos e
está planejando a cirurgia do outro. Teve que colocar stents em suas artérias
coronárias e trocou uma válvula cardíaca. Sofre de pé pendente e às vezes
escorrega e cai por causa disso. Mas ainda praticava curling até um ano
atrás, empurrando a pesada pedra de granito pelo gelo com um bastão
projetado especificamente para pessoas que não conseguem mais se agachar
com a mesma facilidade de antes.
Quando sua esposa, Beth, já falecida, desenvolveu demência ainda
relativamente jovem, ele cuidou dela da maneira mais devotada e serena
que se poderia imaginar. Era impressionante. Tenho impressão de que eu
não teria conseguido lidar tão bem com a situação. Dell cuidou dela até o
ponto em que se tornou impossível para ele levantá-la de qualquer cadeira
em que fosse acomodada. Isso foi muito depois de ela ter perdido a
capacidade de falar. Mas, pela forma como seus olhos se iluminavam
quando ele entrava no recinto, era óbvio que ela ainda o amava — e o
sentimento era mútuo. Eu não o descreveria como alguém propenso a fugir
quando as coisas ficam difíceis. Pelo contrário.
Quando era muito mais jovem, durante várias décadas, Dell foi corretor de
imóveis em Fairview, Alberta — a pequena cidade onde eu cresci (nós morávamos do outro lado da rua da família Roberts, na verdade). Nessa
época, ele tinha o hábito de almoçar em casa, seguindo o costume geral.
Beth costumava preparar sopa para ele (provavelmente Campbell’s em lata,
muito popular na época) e um sanduíche. Um dia, de maneira inesperada,
ele surtou: “Por que diabos nós sempre comemos nesses pratinhos? Detesto
comer nesses pratos minúsculos!”
Ela servia os sanduíches em pratos de sobremesa, que têm em média cerca
de 15 a 18 centímetros de diâmetro, em vez de pratos grandes de 25 a 30
centímetros. Logo depois, Beth contou essa história às filhas, em leve
estado de choque. E, desde então, com muitas risadas, a história foi
recontada várias vezes em reuniões de família. Afinal, ela servia o almoço
nesses pratos havia pelo menos vinte anos quando ele finalmente disse
alguma coisa. Beth não tinha ideia de que o marido ficava irritado com seu
modo de arrumar a mesa. Ele nunca disse nada. E isso faz com que o
episódio nunca perca a graça.
É possível que Dell tenha se irritado com outra coisa naquele dia e de fato
não se importasse com os pratos. À primeira vista parece uma questão
banal. Porém, considerada de outra forma, não é nada trivial, por duas
razões. Primeira, se algo acontece diariamente, é importante, e o almoço
acontecia todos os dias. Em consequência, se algum aspecto desse evento
fosse cronicamente incômodo, mesmo em menor escala, era preciso lidar
com ele. Segunda razão, é muito comum permitir que as chamadas
irritações menores (que, como eu disse, não podem ser consideradas
insignificantes se acontecem o tempo todo) continuem por anos sem
comentários ou resolução.
Eis o problema: junte cem, ou mil, dessas pequenas irritações e sua vida
será miserável e seu casamento, arruinado. Não finja que está feliz com uma
situação se não estiver e se, em princípio, uma solução razoável pode ser
negociada. Enfrente logo a maldita batalha. Por mais desagradável que seja
no momento, é uma gota de água a menos no copo. E isso é especialmente
verdadeiro para os acontecimentos diários que todos tendem a considerar
triviais — até mesmo os pratos em que você almoça. A vida é o que se
repete, e vale a pena corrigir tudo que se repete.
NÃO VALE A PENA BRIGAR
Esta é uma história do mesmo tipo, porém mais séria. Eu tive uma cliente
que me contou seus planos de montar um escritório particular após muitos
anos como contadora em uma grande empresa. Ela era muito respeitada em
sua profissão e uma pessoa competente, gentil e cuidadosa. Mas também
estava muito infeliz. Inicialmente, presumi que sua infelicidade resultava da
ansiedade em relação à transição de carreira. No entanto, ela administrou
essa mudança sem problemas durante o tempo em que fizemos nossas
sessões, enquanto outras questões ganharam importância.
Seu problema não era a mudança de carreira. Era seu casamento. Ela
descreveu o marido como egocêntrico ao extremo e, ao mesmo tempo,
excessivamente preocupado com a maneira com que os outros o viam. Era
uma combinação contraditória, de certa forma, embora seja bastante comum
ver esses traços opostos em uma personalidade: se você se inclina demais
em uma direção, algo em você se inclina igualmente em outra. Portanto,
apesar do narcisismo do marido (pelo menos do ponto de vista de sua
esposa), ele era escravo das opiniões de todos que conhecia — exceto dos
membros de sua própria família. Ele também bebia demais — um hábito
que exacerbava seus defeitos de temperamento.
Minha cliente não se sentia confortável no próprio lar. Não achava que
havia algo realmente dela no apartamento que dividia com o marido (o casal
não tinha filhos). Sua situação era um bom exemplo de como o exterior
pode refletir profundamente o interior (é por isso que sugiro às pessoas que
estão com problemas psicológicos que comecem sua recuperação limpando
— e depois embelezando, se possível — seus quartos). Toda a mobília da
casa, que ela descreveu como ostentosa, ornamentada e desconfortável, fora
escolhida pelo marido. Além disso, ele era um ávido colecionador de arte
pop dos anos 1960 e 1970, e as paredes da casa estavam repletas desses
itens, que ele passara um bom tempo garimpando em galerias e em outros
lugares ao longo de vários anos, muitas vezes enquanto ela esperava no
carro.
Minha cliente me disse que não se importava com a mobília e o excesso
de objetos decorativos, mas isso não era verdade. Na realidade, ela os
detestava. Nem a ostentação, nem os móveis, nem a abundância de obras de
arte que compunham a coleção do marido eram de seu agrado. Ela
apreciava uma estética minimalista (ou talvez essa tendência fosse
consequência dos excessos decorativos dele). Nunca ficou muito claro o que ela preferiria, e talvez isso fosse parte do problema: por não saber do
que gostava (e ser igualmente vaga sobre suas aversões), ela não estava na
melhor posição para apresentar suas próprias opiniões. É difícil ganhar uma
discussão, ou mesmo começar uma, se você não articulou cuidadosamente o
que quer (ou não) e precisa (ou não).
No entanto, ela certamente não gostava de se sentir uma estranha em sua
própria casa. Por essa razão, nunca recebia amigos, o que também não é um
problema trivial, e isso contribuía para sua sensação de isolamento. Mas os
móveis e quadros continuaram a aumentar, resultado de reiteradas viagens
de compras pelo Canadá e pelo exterior; e a cada aquisição havia menos
dela na casa e no casamento, e mais do marido. No entanto, minha cliente
nunca enfrentou a batalha. Nunca teve um acesso de raiva. Nunca deu um
soco em uma tela especialmente desagradável pendurada na parede da sala.
Em todas as décadas de sua vida de casada, ela nunca teve uma explosão de
raiva genuína; nunca confrontou de maneira direta e definitiva o fato de que
odiava sua casa e sua subordinação ao gosto do marido. Em vez disso, ela o
deixou fazer o que queria, reiteradamente, item por item, pois afirmava que
não valia a pena brigar por essas trivialidades. E, com cada derrota, o
conflito se tornava mais necessário — embora menos provável, pois minha
cliente sabia que uma discussão séria, uma vez iniciada, corria o risco de
abarcar tudo que havia de problemático em seu casamento, e, portanto, ela
acabaria se envolvendo em uma guerra real e sem limites. Então, tudo que
havia de errado poderia vir à tona e teria de ser enfrentado e resolvido, de
um modo ou de outro. Por isso ela permanecia em silêncio. Mas estava
cronicamente reprimida e ressentida, e achava que havia desperdiçado a
maioria das oportunidades de sua vida.
É um erro considerar os móveis e as obras de arte pop simples objetos
materiais. Eles eram, na realidade, importantes recipientes de informação,
por assim dizer, sobre o estado do casamento, e certamente foram
experienciados como tal por minha cliente. Cada objeto de arte era a
realização concreta de uma vitória (embora pírrica) e uma derrota (ou, pelo
menos, uma negociação que não ocorreu e, portanto, uma batalha que
acabou antes de começar). E havia dezenas ou talvez centenas deles: cada
um era uma arma em uma guerra não verbalizada, destrutiva e que durava
décadas. Dadas as circunstâncias, a separação do casal — após trinta anos
de casamento — não foi uma surpresa. Acredito que o marido tenha ficado
com todos os móveis e objetos de arte.
Eis um pensamento, apavorante e desanimador, para motivá-lo a aprimorar
seu casamento — para assustá-lo e obrigá-lo a enfrentar as terríveis
dificuldades da verdadeira negociação. Cada pequeno problema que você
tem todas as manhãs, tardes ou noites com seu cônjuge se repetirá a cada
um dos 15 mil dias que constituirão um casamento de quarenta anos. Cada
desacordo trivial, mas crônico, sobre a comida, os pratos, a limpeza da casa,
a responsabilidade pelas finanças ou a frequência de contato íntimo será
repetido, indefinidamente, a menos que você o resolva em definitivo. Talvez
você pense (naquele momento, pelo menos) que é melhor evitar o confronto
e se deixar levar em uma paz aparente, mas falsa. Não se engane: seja
nadando contra a corrente, seja flutuando à deriva, você envelhece com a
mesma rapidez. Porém, não há direção quando se está à deriva, e a
probabilidade de alcançar o que se precisa e deseja é muito baixa nessa
situação. As coisas desmoronam por si mesmas, mas os pecados dos
homens aceleram essa deterioração: isso é sabedoria de séculos. Pode ser
que o medo consciente de reviver para sempre uma pequena amostra do
inferno seja exatamente o que você precisa para ser obrigado a enfrentar os
problemas em seu casamento e negociar sua solução com boa-fé e uma dose
de urgência. No entanto, o mais fácil, principalmente no curto prazo, é
ignorar o sentimento de culpa e negligenciar as pequenas derrotas, dia após
dia. Essa não é uma boa estratégia. Somente a mira cuidadosa, o esforço e o
comprometimento vigilantes podem eliminar a calamidade frequentemente
crescente da cegueira intencional, conter a maré entrópica e evitar a
catástrofe — tanto familiar quanto social.
CORRUPÇÃO: COMISSÃO E OMISSÃO
A corrupção da forma que estamos discutindo está, em minha opinião,
interligada à ilusão — à mentira, de forma mais direta — e, mais
importante, ao autoengano. Os adeptos da lógica estrita consideram o
autoengano uma impossibilidade. Eles não conseguem entender como é
possível que uma pessoa acredite, simultaneamente, em condições opostas.
Porém, os lógicos não são psicólogos — e obviamente não percebem, ou
desconsideram, o fato de que eles próprios têm familiares, por exemplo,
pelos quais, pelo menos ocasionalmente, sentem amor e ódio ao mesmo
tempo. Além disso, não é óbvio o que “acreditar” significa quando se
discute a crença humana, nem o que se entende por “simultaneamente”. Posso acreditar em uma coisa hoje e em outra amanhã, e muitas vezes não
tenho problemas com isso, pelo menos no curto prazo. E, em muitas
ocasiões, experimentei o que era uma crença quase simultânea em algo e
em seu oposto, enquanto lia trabalhos de graduação na universidade, nos
quais o autor fazia uma afirmação em um parágrafo e outra completamente
contraditória no seguinte. (Às vezes, isso acontecia no espaço de uma única
frase.)
Existem muitas condições ou circunstâncias em que o autoengano pode
ocorrer em teoria. Os psicanalistas exploraram muitas delas, e Freud foi o
pioneiro. Ele acreditava que grande parte da doença mental decorria da
repressão, que é considerada uma forma de autoengano. Para ele, as
memórias de eventos traumáticos perturbadores são banidas de maneira
involuntária para as profundezas do inconsciente, onde assombram e
causam problemas, como poltergeists em uma masmorra. Freud entendia
que a personalidade humana não é unitária. Em vez disso, ela consiste em
uma cacofonia imprecisa e fragmentada de espíritos, que nem sempre
concordam ou sequer se comunicam. A verdade dessa alegação é óbvia,
pelo menos de um ponto de vista simples: podemos cogitar diferentes
situações — simular ações ou eventos potenciais ou alternativos — sem ter
de imediatamente colocá-los em prática. A dissociação de pensamento e
ação é essencial para o pensamento abstrato. Assim, podemos claramente
pensar ou dizer uma coisa e fazer outra. Isso é bom quando é apenas um
pensamento, antes da ação, mas talvez não tão bom quando prometemos ou
afirmamos acreditar em algo e então agimos de maneira que indica que
realmente nossa crença é outra. Essa é uma forma de ilusão, uma disjunção
no caráter, uma contradição entre modos de ser. Há até um nome para isso:
alegar uma crença e, em seguida, agir (ou falar) de uma forma diferente ou
mesmo oposta constitui uma contradição performativa, de acordo com
alguns filósofos modernos1 — ao meu ver, trata-se de uma mentira
implícita. A sustentação de crenças contraditórias também se torna um
problema quando o detentor tenta colocar ambas em prática ao mesmo
tempo e descobre, muitas vezes para seu grande pesar, o paradoxo que torna
isso impossível.
Freud catalogou uma extensa lista de fenômenos similares à repressão — a
eliminação ativa, do nível da consciência, de um material psicológico que
deveria ser consciente —, que chamou de “mecanismos de defesa”. Eles incluem negação (“a verdade não é tão ruim”), formação reativa (“eu amo
mesmo minha mãe, de verdade”), deslocamento (“o chefe grita comigo, eu
grito com minha esposa, minha esposa grita com o bebê, o bebê morde o
gato”), identificação (“eu sofro bullying, então estou motivado a ser um
agressor”), racionalização (uma explicação egoísta para uma ação de baixa
qualidade), intelectualização (a favorita do irreverente e neurótico Woody
Allen quando jovem), sublimação (“sempre há a opção de pintar mulheres
nuas”) e projeção (“não sou sensível; você que é irritante”). Freud foi um
notável filósofo da ilusão. Ele não teve medo de apontar a relação entre
desonestidade e psicopatologia. No entanto, suas ideias de autoengano
padecem, em minha opinião, de dois erros principais.
Primeiro erro: Freud não percebia que os pecados por omissão
contribuíam para a doença mental tanto quanto, ou mais, que os por
comissão, listados anteriormente, responsáveis pela repressão. Essa falta de
percepção se deu por conta do pensamento típico. As pessoas geralmente
acreditam que praticar algo ruim de forma ativa (o pecado por comissão) é,
em geral, pior do que não fazer algo bom de forma passiva (o pecado por
omissão). Talvez seja porque sempre há coisas boas que não estamos
fazendo; alguns pecados por omissão são, portanto, inevitáveis. De qualquer
modo, ainda há momentos em que a cegueira intencional provoca
catástrofes mais graves — que são justificadas com mais facilidade — do
que a repressão ativa ou inconsciente de algo terrível, mas compreendido
(sendo esta última um pecado por comissão, pois é um aspecto conhecido).
O primeiro problema — a cegueira intencional — ocorre quando você
poderia vir a saber alguma coisa, mas para de explorar, a fim de não
descobrir algo que possa lhe causar um desconforto substancial. Os
assessores de imprensa chamam essa ignorância autoimposta de “negação
plausível”, uma expressão que indica a racionalização intelectualizada da
ordem mais patológica. Deve-se notar que essa cegueira é frequentemente
considerada um crime consumado. Se você é um CEO, por exemplo, e
suspeita que seu tesoureiro está praticando fraude contábil, mas não
investiga por não querer saber, poderá ser responsabilizado por sua inação
— como apropriado. Deixar de olhar embaixo da cama quando você tem
fortes suspeitas de que há um monstro à espreita não é uma estratégia
aconselhável.
Segundo erro: Freud presumiu que coisas experienciadas são coisas
compreendidas. De acordo com essa suposição, ele acreditava que existia um traço de memória, em algum lugar da mente, que representava o
passado com precisão, como uma gravação em vídeo. Essas seriam
suposições razoáveis, se nossa experiência fosse apenas uma série de
eventos objetivamente reais e óbvios, transmitidos por meio de nossos
sentidos, processados e avaliados para depois agirmos de acordo. Se tudo
isso fosse verdade, a experiência traumática seria representada com
exatidão na memória, mesmo quando é afastada da consciência por
mecanismos inconscientes (ou conscientes — mas Freud presumiu o
primeiro) devido à sua natureza, que, embora seja compreendida, é
considerada terrível demais. No entanto, nem a realidade nem o nosso
processamento da realidade são tão objetivos ou articulados como Freud
pressupôs.
Imagine, por exemplo, que você foi romanticamente desprezado — além
do limite tolerável — durante vários meses por seu cônjuge. Então, você o
vê inclinado sobre a cerca, falando de maneira amigável (e talvez não mais
do que isso) com uma vizinha ou um vizinho atraente. O modo como
processamos essa experiência anômala, nova, problemática ou mesmo
traumática é raramente uma questão de percepção, seguida de compreensão
e pensamento conscientes, depois emoção ou motivação derivada desse
pensamento e, então, ação. Em vez disso, o que acontece é semelhante ao
que discutimos longamente na Regra 1 e na Regra 2: processamos o mundo
desconhecido de baixo para cima. Nós lidamos com recipientes de
informação, por assim dizer, cuja importância total não é nada evidente.
Portanto, ao testemunhar seu cônjuge conversando com o(a) vizinho(a),
você não pensa, de uma forma filosófica totalmente articulada e
desenvolvida: “Estou me sentindo solitário e privado de contato físico há
meses por meu cônjuge. Embora eu não tenha expressado esse sentimento,
isso me causa constante frustração e dor. Agora ele está fazendo tudo isso
vir à tona, ao ser tão extrovertido com um estranho enquanto tenho recebido
tão pouca atenção.” O mais provável é que a raiva, a tristeza e a solidão
tenham se acumulado dentro de você a cada rejeição, pouco a pouco, até
você chegar ao limite — e, agora, transbordar.
Esse surgimento abrupto de emoção negativa não significa
obrigatoriamente que você, mesmo agora, esteja totalmente consciente
desse acúmulo. É possível que (como no caso do meu sogro ou da minha
cliente) você experiencie um aumento gradativo da frustração, ao ponto de
perceber que está mais irritado e infeliz, mas isso não significa necessariamente que percebeu a causa. E qual é a causa? A gama de
possibilidades é muito ampla. Talvez você não esteja sendo ignorado. Pode
estar enfrentando problemas no trabalho, o que reduziu sua confiança geral.
Em consequência, tornou-se sensível a quaisquer sinais de rejeição, mesmo
imaginários, no seu casamento. Portanto, o que deve ser determinado não é
bem o motivo da desatenção do seu cônjuge, mas por que seu chefe, sua
equipe ou sua carreira está desestabilizando você. Assim, a verdadeira causa
do seu desconforto é algo bem distante dos sintomas (os sentimentos de
rejeição) que fizeram com que se sentisse irritadiço, sensível e magoado.
Nesses casos, a relação de causa e efeito não é nada óbvia. Talvez você
realmente esteja sendo desprezado, e a suspeita tenha fundamento. Talvez
isso signifique um caso iminente e o início de uma trajetória que levará ao
divórcio. Ambos, caso sejam reais, são problemas sérios. Não é de admirar
que esteja chateado. Porém, você pode permanecer relutante em aceitar que
sua carreira ou seu casamento está com problemas. E isso não é surpresa.
Mas também não ajuda.
Além de tudo isso, temos a complexidade geral da vida, que complica a
busca pela clareza. Considere a pergunta “O que realmente aconteceu?”,
digamos, em um casamento fracassado que descambou para o divórcio e
resultou em uma batalha pela custódia dos filhos. A resposta a essa pergunta
é tão complexa que a resolução das divergências costuma exigir um
processo judicial e o envolvimento de muitos profissionais. Mesmo assim, é
improvável que um ou ambos os protagonistas acreditem que a verdade
veio à tona. Isso ocorre em parte porque os eventos em geral, e em especial
os interpessoais, não existem como fatos simples e objetivos, independentes
uns dos outros. Seu significado — a informação que de fato representa —
depende do contexto no qual está inserido, que não pode ser percebido ou
considerado, em sua totalidade, quando o evento em questão ocorre. O
significado do que um cônjuge diz ao outro em determinado momento
depende de tudo o que ambos disseram um ao outro, de tudo que fizeram
juntos e do conteúdo de suas mútuas imaginações — e isso não esgota a
complexidade. Esse significado pode depender consideravelmente da
maneira como, por exemplo, a mãe da esposa tratava o pai dela (ou a avó
tratava o avô), bem como do relacionamento entre homens e mulheres na
cultura mais ampla. É por isso que, com frequência, as discussões
domésticas fogem do controle, especialmente quando um padrão de
comunicação contínua e eficaz nunca foi estabelecido. Uma coisa leva a outra mais profunda, e esta, por sua vez, vai ainda mais fundo, até que uma
discussão que começou sobre o melhor tamanho de pratos para o almoço se
transforma em uma guerra generalizada sobre a possibilidade de acabar com
o casamento. E certamente há o medo de cair em um abismo infinito
(repito, sobretudo quando muito deixou de ser expressado) que motiva a
tendência de guardar as coisas para si mesmo quando seria melhor, embora
mais perigoso, que fossem ditas.
O QUE É A NÉVOA?
Imagine que você está com medo. E há razão para isso. Você tem medo de
si mesmo. Tem medo de outras pessoas. Tem medo do mundo. Tem
saudades da inocência do passado; do tempo em que ainda não sabia as
coisas terríveis que abalaram a confiança que predominava em sua infância.
O conhecimento que adquiriu de si mesmo, de outras pessoas e do mundo
trouxe mais amargura do que esclarecimento. Você foi traído, ferido e
decepcionado. Você desconfia até da esperança, pois suas esperanças foram
reiteradamente destruídas (e essa é a própria definição de desesperança). A
última coisa que deseja é saber mais. É melhor deixar o que é envolto em
mistério. É melhor, também, evitar pensar muito sobre (ou até ignorar) o
que poderia ser. Afinal de contas, quando a ignorância é uma bênção, é
loucura ser sábio.
Imagine que você está com tanto medo que não se permitirá nem mesmo
saber o que quer. Saber significa ter esperança, e suas esperanças foram
frustradas. Você tem suas razões para continuar ignorante. Tem medo,
talvez, de que não haja nada que valha a pena desejar; de que, se especificar
exatamente o que deseja, também descobrirá (com muita clareza) o que é o
fracasso; teme que o fracasso seja o resultado mais provável; e, por fim, tem
medo de que, caso defina o que é o fracasso e depois falhe, saberá, sem
sombra de dúvida, que foi você quem falhou e que a culpa foi sua.
Então, você não se permite saber o que deseja. Lida com o problema
recusando-se a pensar melhor. Às vezes você está feliz, satisfeito e
engajado; outras, infeliz, frustrado e niilista, mas não ousa investigar
profundamente o porquê, caso contrário saberia, e veria, mais uma vez, sua
esperança ser despedaçada e sua decepção, confirmada. Você também tem
medo, mas por razões diferentes, de permitir que outras pessoas saibam o que deseja. Primeiro porque, se descobrissem exatamente o que quer,
poderiam lhe contar e você acabaria sabendo, mesmo tendo lutado contra a
obtenção desse conhecimento. Em segundo lugar, se elas soubessem,
poderiam lhe negar aquilo que você realmente deseja, ou até necessita, e
magoá-lo com muito mais eficiência do que se seus desejos mais profundos
(e, portanto, suas vulnerabilidades) permanecessem secretos.
A névoa que esconde tudo isso é a recusa em perceber — em prestar
atenção — as emoções e os estados motivacionais à medida que surgem, e a
recusa em comunicá-los a si mesmo e às pessoas ao seu redor. Um mau
humor significa algo. Um estado de ansiedade ou tristeza significa algo, e
provavelmente algo desagradável de ser descoberto. O resultado mais
provável de articular uma emoção que se acumulou ao longo do tempo,
represada, são lágrimas — uma admissão de vulnerabilidade e dor
(sentimentos que as pessoas também não gostam de se permitir vivenciar,
especialmente quando estão receosas e com raiva). Quem quer mergulhar
nas profundezas da dor, da tristeza e da culpa até que as lágrimas
transbordem?
E a recusa voluntária em perceber nossos estados emocionais não é o
único impedimento para lidar com eles. Por exemplo, se seu companheiro
(ou qualquer outra pessoa com quem está se relacionando de maneira
infeliz) diz algo que se aproxima muito da dolorosa verdade, um comentário
mordaz e insultuoso muitas vezes o fará se calar — e é, portanto, a solução
mais provável a ser adotada. Em parte, isso é um teste: a pessoa que está
sendo insultada se preocupa o suficiente com você e seu sofrimento para
superar alguns obstáculos e descobrir a amarga verdade? Também é, em
parte, e de maneira mais óbvia, uma ação defensiva: se conseguir afugentar
alguém de algo que você mesmo não quer descobrir, sua vida presente se
torna mais fácil. Infelizmente, o sucesso dessa atitude defensiva é muito
decepcionante e, em geral, vem acompanhado de uma sensação de
abandono, solidão e autotraição.
No entanto, você ainda precisa conviver com outras pessoas, e elas com
você. Ainda tem desejos, vontades e necessidades, mesmo que não
declarados e obscuros. E ainda está motivado a persegui-los, até porque é
impossível viver sem desejos, vontades e necessidades. E qual é a sua
estratégia sob tais condições? Mostrar sua decepção sempre que alguém
próximo o deixa infeliz; permitir-se o luxo e o prazer do ressentimento quando algo não é do seu agrado; certificar-se de que a pessoa que o
contrariou seja neutralizada por sua desaprovação; forçá-la a descobrir, da
maneira mais difícil possível, exatamente o que fez para decepcioná-lo; e,
por fim, deixá-la tatear às cegas na névoa que você gerou ao seu redor, até
que ela esbarre e se machuque nas pontas afiadas de suas preferências e de
seus sonhos não revelados. E talvez essas reações também sejam testes
arraigados à falta de coragem para confiar: “Se você realmente me amasse,
enfrentaria o terrível cenário que criei ao meu redor para descobrir o meu
verdadeiro eu.” E talvez haja algo mais por trás dessas alegações, por mais
implícito que seja. Um teste de comprometimento pode ter sua utilidade.
Nem tudo precisa ser oferecido de graça. E até um pouco de mistério
desnecessário pode trazer bons resultados.
Além de tudo isso, você ainda precisa conviver consigo mesmo. No curto
prazo, ao se recusar a ser mais claro, talvez consiga se proteger da
descoberta de sua insuficiência. Afinal, todo ideal é um juiz que o condena:
“Você não está manifestando seu verdadeiro potencial.” Se não tiver ideais,
não há juiz. Mas o preço a ser pago é a falta de propósito. E esse é um preço
alto. Se não houver propósito, não haverá emoção positiva, pois muito do
que nos impulsiona a seguir em frente com a esperança inabalada é a
experiência de nos aproximar de algo que necessitamos ou desejamos
ardentemente. E, ainda pior, quando não temos um propósito,
experienciamos uma ansiedade crônica e avassaladora, visto que o
propósito focado restringe o que, de outra forma, seria o caos intolerável de
possibilidades inexploradas e infinitas escolhas.
Se você deixar claro o que deseja e se comprometer com essa busca, o
fracasso é uma possibilidade. Mas, se não o fizer, é uma certeza. Não é
possível atingir um alvo que você se recusa a ver. Não é possível acertar um
alvo se não mirar. E, em ambos os casos, você não adquirirá a experiência
de mirar e errar, o que é igualmente arriscado. Não obterá os benefícios do
inevitável aprendizado resultante das ocasiões em que as coisas não
acontecem como desejado. Muitas vezes, o sucesso em um determinado
empreendimento significa tentar, falhar, recalibrar (com o novo
conhecimento gerado dolorosamente pelo fracasso) e, em seguida, tentar
novamente e falhar — repetindo o processo, ad nauseam. Às vezes, todo
esse aprendizado, que seria impossível sem o fracasso, o faz perceber que
seria melhor desviar sua ambição para uma direção diferente (não porque é
mais fácil; não porque você desistiu; não porque está fugindo — mas porque aprendeu, com as vicissitudes de sua experiência, que o que deseja
não será encontrado onde estava procurando, ou simplesmente não é
alcançável da maneira escolhida).
Então, o que você pode — e deve — fazer em vez de esconder as coisas
na névoa? Admita seus sentimentos. Essa é uma questão muito complexa (e
não significa apenas “ceder” a eles). Em primeiro lugar, é constrangedor
perceber, e mais ainda expressar, sentimentos de raiva (mesquinha) ou dor
provocada pela solidão, de ansiedade em relação a algo trivial ou de ciúme
provavelmente injustificado. A admissão de tais sentimentos é uma
revelação de ignorância, insuficiência e vulnerabilidade. Em segundo lugar,
é perturbador aceitar a possibilidade de que seus sentimentos, embora
devastadores e convincentes, sejam equivocados e, por causa de sua
ignorância, lhe apontaram a direção errada. É possível que você tenha
interpretado mal a situação toda, por razões das quais permanece
inconsciente. É por isso que a confiança é vital, desde que seja uma
confiança do tipo maduro e trágico. Alguém ingênuo confia porque acredita
que as pessoas são essencialmente ou até universalmente confiáveis. Mas
qualquer um que viveu de verdade já foi traído — ou já traiu.
Alguém experiente sabe que as pessoas são capazes e estão dispostas a
enganar. Esse conhecimento traz consigo um pessimismo até certo ponto
justificado em relação à natureza humana, individual ou não, mas também
abre a porta para outro tipo de fé na humanidade: uma baseada na coragem,
e não na ingenuidade. Confiarei em você — lhe estenderei minha mão —
apesar do risco de traição, pois é possível, por meio da confiança, fazer
aflorar o que há de melhor em você, e talvez em mim. Portanto, aceitarei
um risco substancial ao abrir a porta à cooperação e à negociação. E ainda
que você de fato me traia, de maneira que não seja tão imperdoável (se
houver, digamos, certa dose de desculpas genuínas e de arrependimento),
continuarei a lhe estender minha mão. E parte desse processo envolve lhe
contar o que estou sentindo.
Essas dolorosas revelações devem vir acompanhadas de certa humildade.
Eu não deveria — ao menos não seria ideal — dizer: “Você tem me
ignorado ultimamente”, mas, sim: “Sinto-me isolado, sozinho e magoado, e
não posso evitar o sentimento de que, nos últimos meses, você não tem sido
tão atencioso como eu gostaria ou de uma forma que seria melhor para nós
como casal. Mas não tenho certeza se estou apenas imaginando tudo isso por estar chateado ou se estou enxergando de fato o que está acontecendo.”
A segunda frase transmite a mensagem, mas evita a postura acusatória que
tantas vezes serve como primeira defesa contra uma conversa séria e
definitiva. E é muito possível que você esteja errado a respeito da causa de
seus sentimentos. Se estiver, precisa saber, pois não adianta propagar erros
que causam dor a você e aos outros e interferem em seu futuro. Melhor
descobrir a verdade — dispersar a névoa — e constatar se os objetos
cortantes que temia que estivessem à espreita são reais ou imaginários. E
sempre há o perigo de que alguns sejam reais. Mas é melhor enxergá-los do
que mantê-los ocultos pela névoa, porque, ao menos às vezes, é possível
evitar o perigo que você está disposto a ver.
EVENTOS E MEMÓRIAS
Quando um evento acontece, ele não nos informa o porquê. Ademais, nós
não nos lembramos do passado de modo a registrar objetivamente eventos e
situações delimitados, o que, aliás, seria impossível. A informação em nossa
experiência é latente, assim como o ouro no minério — caso que tratamos
na Regra 2. Antes que possa ser empregada para melhorar o presente e o
futuro, deve ser extraída e refinada com grande esforço, e muitas vezes com
a colaboração de outras pessoas. Usamos nosso passado de forma eficaz
quando ele nos ajuda a repetir experiências desejáveis — e a evitar as
indesejáveis. Queremos saber o que aconteceu, porém, mais importante,
queremos saber o porquê. O “porquê” é sabedoria. Ele nos impede de
cometer o mesmo erro reiteradas vezes e, se tivermos sorte, nos ajuda a
repetir nossos sucessos.
Extrair informações úteis da experiência é difícil. É um ato que exige a
mais pura das motivações (“as coisas deveriam ser melhoradas, não
pioradas”) para ser executado de forma adequada. Requer a disposição de
enfrentar o erro, sem rodeios, e determinar em que ponto e por que ocorreu
o desvio do caminho correto. Exige a disposição para mudar, o que quase
sempre envolve a decisão de deixar algo (ou alguém, ou alguma ideia) para
trás. Portanto, a reação mais fácil é desviar o olhar, se recusar a pensar e, ao
mesmo tempo, erguer obstáculos intransponíveis à comunicação genuína.
Infelizmente, em longo prazo, essa cegueira deliberada deixa a vida
sombria e nebulosa — vazia, despercebida, sem forma, confusa — e o deixa desnorteado e atônito.2 Tudo isso é uma estranha concatenação do
psicológico e do real, do subjetivo e do objetivo. Isso é assustador ou estou
com medo? Isso é belo ou estou impondo essa ideia de beleza? Quando fico
com raiva de alguém, é por algo que ele fez ou por minha falta de controle?
Essas perguntas definem o estado de confusão para o qual você é levado
constantemente quando seu mundo perde o chão. Esse estado pode ter um
elemento objetivo, pois essa queda muitas vezes é causada por algo real,
como uma morte, uma doença grave ou o desemprego; mas também é
subjetivo, associado a um estado de dor, dúvida, confusão e à incapacidade
de escolher — ou mesmo perceber — um caminho a seguir.
Antes que a percepção esteja clara, antes que o mundo esteja articulado, o
território do Ser é simultaneamente sujeito e objeto — é, ao mesmo tempo,
motivação, emoção e matéria. O companheiro permanece incompreendido.
O contexto de sua fala permanece inexplorado, por medo do que essa
exploração possa revelar. A situação não pode ser descrita, pois a palavra é
deixada vaga e sem forma. Nossas motivações pessoais começam ocultas e
permanecem assim, pois não queremos saber o que estamos fazendo. O joio
não é separado do trigo. O ouro permanece nas garras do dragão, assim
como a virgem. A pedra filosofal permanece uma incógnita; e as fascinantes
informações escondidas na esfera do caos permanecem inexploradas. Essa
omissão é a rejeição voluntária à consciência expandida. Afinal, o caminho
para o Santo Graal começa na parte mais escura da floresta, e o que você
precisa está escondido onde menos deseja procurar.
Se você acumular lixo suficiente em seu armário, um dia, quando estiver
menos preparado, a porta se abrirá, e tudo o que foi colocado lá dentro,
crescendo na escuridão de maneira implacável, irá soterrá-lo — e talvez
você não tenha tempo ou energia restante em sua vida para enfrentar e
ordenar o conteúdo, guardando o que precisa e descartando o resto. Isso é o
que significa ser esmagado pelo excesso de bagagem. Esse é o retorno de
Tiamat, a grande Deusa mesopotâmica do Caos, destruidora daqueles que
agem errado.
O mundo está cheio de perigos e obstáculos — bem como de
oportunidades — ocultos. Deixar tudo escondido na névoa devido ao medo
do perigo que pode encontrar não ajudará muito quando o destino o forçar a
correr desenfreado na direção do que se recusou a ver. Após se ferir em
galhos afiados, tropeçar em pedregulhos e ignorar locais de refúgio, você se recusará a admitir que poderia ter dissipado a névoa com o brilho da sua
consciência, se não tivesse escondido a sua luz sob um vaso. Então você
amaldiçoará o homem, a realidade e o próprio Deus por produzir um
labirinto tão impenetrável de impedimentos e barreiras. A corrupção o
tentará, também guiada, cada vez mais, pelas motivações não examinadas e
obscuras — geradas pelo fracasso e intensificadas pela frustração —,
culminando cruelmente na crença ressentida de que aqueles que o
contrariaram estão recebendo de você exatamente o que merecem. Essa
atitude e as ações e omissões que ela inevitavelmente acarreta
empobrecerão sua vida, sua comunidade, sua nação e o mundo. Isso, por
sua vez, empobrecerá o próprio Ser (e é exatamente o que suas motivações
mais obscuras e não examinadas desejam).
Com uma busca cuidadosa, com atenção diligente, você pode pender a
balança para as oportunidades e afastá-la dos obstáculos de modo que a vida
valha a pena ser vivida, apesar de sua fragilidade e seu sofrimento. Se
realmente quiser, talvez receba, caso peça. Se realmente buscar, talvez
encontre o que procura. Se bater, com verdadeira disposição para entrar,
talvez a porta se abra. Mas haverá momentos na vida em que precisará de
tudo que tem para enfrentar o que está diante de você, em vez de se
esconder de uma verdade tão terrível que a única coisa pior é a falsidade
com a qual pretende substituí-la.
Não esconda na névoa o que é indesejável.