Antes Que Ele Precise

Blake Pierce · Capítulo 11 de 33

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Antes Que Ele Precise

Capítulo Dez

 

 

Mackenzie caminhou lentamente pela casa onde cresceu. Sua mãe estava dormindo no sofá. Ela parou e olhou para ela. Era a sua mãe do jeito como ela preferia se lembrar dela, quando ainda tinha aquela aparência e, provavelmente, ainda se agarrava a alguns dos sonhos de vida que acabariam por não se tornar realidade.

Ela passou a mão suavemente sobre o rosto da mãe. Deixou um rastro molhado e fino de sangue.

Caminhou pela pequena sala de estar, pelo corredor e foi para o quarto dos pais. Ela lentamente abriu a porta e viu seu pai. Ele estava dormindo, uma perna para fora da coberta.

Ele não se mexeu quando entrou. Ele estava profundamente adormecido.

Levantou a mão e viu que estava carregando uma pistola—uma pistola simples, a marca e o modelo não pôde determinar no sonho.

Andou na ponta dos pés até o seu pai, colocou a arma na cabeça dele.

Ela puxou o gatilho.

Mackenzie acordou às 5:22, a respirando com dificuldade.

Ela rolou e gemeu, e se obrigou a voltar a dormir, para tirar isso de sua cabeça.

Conseguiu gradualmente voltar a dormir um pouco. A próxima vez em que ela se sentiu agitada e acordou, foi por causa do alarme de seu telefone que tocou às 6:15. Ao lado dela, a cama estava vazia.

Foi uma decisão que tinham tomado um pouco antes da meia-noite. Mesmo não se arrependendo do sexo (ainda), eles perceberam que havia algo um pouco mais intimista sobre dormir na mesma cama. Foi uma decisão amigável e quando saiu da cama, Mackenzie se sentiu reanimada e surpresa ao ver que não tinha qualquer arrependimento sobre suas ações na noite passada.

 

Tomou banho novamente, ficou com um pouco de suor da noite passada. Uma pequena parte estava um pouco envergonhada do quão ousada ela tinha sido. Teve dois encontros casuais na faculdade, eles foram o resultado de excesso de bebida e uma necessidade de ser rebelde. Ela nunca tinha sido tão descarada como na noite passada... e algo sobre isso parecia quase revolucionário. Era mais do que um simples progresso—era confiança. E aquela confiança tinha muito pouco a ver com sua aparência. Era sobre como se sentia, sobre si mesma... uma sensação de controle e autoconfiança que só agora estava começando a entender.

Quando saiu do chuveiro, ouviu seu telefone tocar do outro cômodo. Pela segunda vez em menos de doze horas, ela se viu correndo para fora do banheiro enrolada em uma toalha. No visor do seu telefone, viu um número desconhecido com um código de área de Miami.

—Agente White, ela respondeu.

—Agente White, é Joey Nestler. O chefe pediu para eu ligar para você.

—Está tudo bem?

—Não, disse Nestler. Nós encontramos outro casal assassinado.

Seu coração pulou com uma batida de medo.

—Envie o endereço, disse ela.

Mackenzie desligou o telefone e se vestiu rapidamente. Quando fechou a porta, viu Ellington voltando da recepção com duas xícaras de café. Ele estava vestido para o expediente e parecia contente. Ela pensou em perguntar como ele se sentia com relação à noite passada, mas eliminou tais pensamentos rapidamente. Não podia deixar a aventura da noite passada atrapalhar o caso.

—Fico feliz em ver que você está preparado, disse Mackenzie. Eu acabei de receber um telefonema de um dos policiais envolvidos com o caso. Eles encontraram outro casal assassinado.

O bom humor em seu rosto desbotou um pouco. Ele balançou a cabeça e lhe ofereceu um dos cafés, que pegou graciosamente.

—Bem, então, vamos começar a trabalhar, disse ele.

E assim, eles estavam trabalhando juntos novamente. E ela percebeu que Ellington tinha razão sobre a noite passada. Algo sobre isso parecia natural. Eles eram de fato uma boa parceria... agora, aparentemente, em mais de uma maneira.

 

***

 

O terceiro casal não vivia muito longe da moradia dos Kurtzes. Era uma pequena casa modesta escondida atrás de uma subdivisão requintada, de propriedade de Stephen e Toni Carlson. Palmeiras plantadas ao longo das ruas em uma espécie genérica de passagem. Os gramados eram bonitos e uniformemente cortados, perfeitamente simétricos como a orla e os canteiros. Dentro da casa do casal, no entanto, as coisas não eram assim tão idílicas.

Mackenzie entrou com Ellington, Rodriguez e Nestler. A porta da frente se abriu para uma sala que não estava bagunçada, mas estava precisando de uma limpeza. Livros estavam espalhados aqui e ali, um prato perdido permanecia na mesa de café, e dois cobertores estavam enrolados em pilhas desarrumadas no sofá.

Quando Mackenzie estudava a condição da sala, o cheiro a atingiu pela primeira vez.

Ela sentiu anteriormente esse cheiro apenas uma vez, mas sabia muito bem o que era.

Era o cheiro de algo morto. Algo que já estava morto há algum tempo.

—Jesus, Rodriguez disse, dobrando-se até a frente da sala.

—O oficial disse que o quarto principal é na parte de trás, disse Nestler. Ele nos avisou que o quarto estava macabro pra caralho. Ele disse que quase chorou.

—Como ele soube sobre os corpos, em primeiro lugar? Perguntou Mackenzie, abaixando a cabeça em uma tentativa de reduzir o mau cheiro.

—O patrão do marido chamou a polícia ontem depois que percebeu que não conseguia falar com ele nem ao telefone nem através de mensagens ou e-mail ao longo dos últimos cinco dias.

—Chefe dele? Perguntou Ellington. Que estranho.

—Ele era aparentemente um workaholic, explicou Nestler. Ele era responsável pelo desenvolvimento de negócios com esta empresa de telecomunicações financiada pela força militar. Para ele perder um dia sem de antemão fazer uma ligação era estranho o suficiente. Após o quinto dia em absoluto silêncio, o chefe ficou preocupado. Até dirigiu até aqui na última noite e bateu na porta, mas ninguém respondeu. Ele viu os dois carros na garagem e então ligou.

Isso era tudo Mackenzie precisava ouvir. Ainda com a cabeça para baixo para evitar o cheiro, ela foi adiante. Ela também notou que a casa estava bastante úmida, o que obviamente não ajudava em nada para eliminar aquele cheiro. Ela espiou o termostato na parede da sala e viu que atualmente fazia vinte e sete graus no interior. Ela diminuiu o ar para vinte e um graus e ouviu o ar condicionado funcionando em outras partes da casa.

Eles saíram da sala, caminhando por uma grande cozinha e depois foram para o único corredor da casa. Ao passarem pela cozinha, o cheiro se intensificou. Atrás dela, Nestler tossiu e soltou um pequeno gemido.

Quando eles caminharam pelo corredor em direção ao quarto, Rodriguez se afastou por um momento para permitir que Mackenzie e Ellington passassem na frente dele. Quando se aproximou da porta o cheiro ficou pior do que nunca e foi então que ela percebeu o quão abafada e parada estava a casa. Parecia que estavam andando em uma catacumba.

A porta do quarto estava fechada. Mackenzie a empurrou lentamente e a primeira coisa que viu foram os riscos marrons nas paredes.

Então, é claro, havia o casal assassinado na cama—os Carlsons.

Como os casais anteriores, eles estavam deitados de costas. Eles foram massacrados, com vários grandes cortes em seus estômagos e peitos. Stephen Carlson também teve sua garganta cortada. Toni Carlson estava vestindo uma camisola de seda, encharcada de sangue. Stephen usava uma cueca boxer.

O sangue estava seco, coagulado em alguns lugares. Estava por todo o tapete do lado de Toni. A forma de uma pegada podia ser vista.

—Uma potencial luta, disse Mackenzie, apontando para a área.

Ela ganhou movimentos de cabeça como resposta. Parecia que todo mundo estava com medo de falar, não querendo sentir o mau cheiro do lugar mais do que era necessário.

O cheiro estava denso aqui, quase como se fosse uma outra parede no interior do quarto. Já havia uma certa rigidez cadavérica instalada. A pele de ambos estava pálida, quase branca em algumas áreas.

—Eu acho que podemos dizer que os Carlsons foram mortos antes dos Sterlings ou Kurtzes, Rodriguez disse com uma voz fina e sufocada.

—Mas não muito tempo antes, disse Mackenzie. Talvez dois dias. Três no máximo. Isso significa que esse cara já matou seis pessoas no período de seis ou sete dias.

Forçando-se a ir em frente, Mackenzie se aproximou da cama. Olhou para os cortes e feridas. Estava bastante claro que uma faca tinha sido usada. Mas essa percepção foi quase secundária. Seus olhos estavam focados na mão esquerda de Toni Carlson. Estava descansando na coxa de seu marido.

Assim como nas outras duas cenas de crime.

 

—Que diabos está acontecendo? Perguntou Rodriguez. Isso não pode ser apenas uma merda deinvasão de casa, certo?

—Definitivamente não, disse Mackenzie. Eu estou apostando que é como nos outros casos. Vamos dar uma olhada ao redor da casa e eu garanto que não haverá sinais de entrada forçada. Assim como os Kurtzes e Sterlings, eu aposto que o assassino apenas entrou. Provavelmente foi convidado.

—Nestler, você pode começar a procurar sinais de arrombamento? Perguntou Rodriguez.

—Com prazer, Nestler disse, caminho rapidamente para fora da sala.

Mackenzie afastou-se da cama. Olhou ao redor do quarto, muito arrumada, com exceção do sangue nas paredes e tapetes. Ela verificou a mesa de cabeceira de Stephen. Havia um par de óculos de leitura e uma biografia de John Kennedy. A de Toni tinha um copo de água e um romance cafona.

Em seguida, ela caminhou para o armário. Como o quarto, não havia bagunça. As roupas de Stephen estavam penduradas na parede da direita, as de Toni no lado esquerdo. Uma prateleira ao longo da parede de trás guardava algumas embalagens de presente. Uma pequena câmera de vídeo portátil estava entre as embalagens. Em uma prateleira sob as embalagens havia cerca de uma dúzia de pequenas fitas cassetes… Após uma inspeção mais detalhista, Mackenzie viu que eram minifitas... provavelmente gravadas com a câmera portátil. Na etiqueta frontal de cada fita havia uma data. Algumas tinham sete anos. A mais recente tinha dois anos.

Fitas em um armário do quarto, ela pensou. Quase tendo certeza do que isso significava. Pode valer a pena investigar isso em busca de pistas.

Para testar sua teoria, abriu uma das embalagens e olhou lá dentro. Viu algemas forradas com veludo, vários brinquedos sexuais, e algumas vendas.

Sim... Eu estava certa.

Um pouco envergonhada, ela fechou a embalagem e caminhou de volta para a sala. Há alguns vídeos lá, disse ela. Tenho quase certeza de que são filmes eróticos caseiros. Eles merecem ser analisados. Se eles voluntariamente convidaram alguém e eram tão sexualmente aventureiros como o armário indica, pode haver uma pista aí.

—Eu colocarei alguém para olhar isso, disse Rodriguez.

Mackenzie estava de pé no pé da cama novamente, à procura de algo que ela poderia ter perdido ali ou nas outras cenas. Mas não havia nada. Apenas um mundo de vermelhidão e o avassalador cheiro da morte.

Ela saiu da sala e Ellington a seguiu. Rodriguez saiu por último e eles caminharam para a próxima porta para o corredor. Era um tipo de sala de estudos pequena, uma sala dividida entre um escritório e uma biblioteca improvisada. Uma única mesa contra a parede mais próxima e quatro estantes de livros alinhadas na parede dos fundos.

Mackenzie olhou para alguns dos títulos ao longo das prateleiras, dando mais uma espiada na vida dos Carlsons. Erotismo nos anos de 1500, Sexo e Esclarecimentos, Segredos Tântricos, Descoberta Sexual no Casamento.

Em uma das prateleiras, viu uma pequena caixa. Ela reconheceu aquilo imediatamente como o tipo de caixa de cartões de visita. Olhou lá dentro e viu cerca de cem cartões de visita, todos decorados com o nome de Stephen Carlson e as informações de contato para o que ela supôs ser um trabalho feito em casa, chamado Carlson Contabilidade.

Ela folheou e viu que a pilha ficava diferente na parte de trás. Os últimos nove cartões de visita eram de outras empresas—negócios que o Stephen Carlson, aparentemente, recolheu ao longo dos anos. Havia um para um encanador, um para um organizador de festas, dois cartões diferentes para lojas de automóveis na região, um para um contador... e um que fez Mackenzie parar.

—Ellington, olhe para isto, disse ela, arrancando um dos últimos cartões para fora da caixa.

Ele veio e eles olharam para aquilo juntos.

DCM. Somente Convidados. Havia um endereço e, logo abaixo, Gloria: 786-555-0951.

—Esse número é diferente do que vimos no site, não é? Perguntou Ellington.

—Sim. E é também a nossa primeira pista.