Antes Que Ele Precise

Blake Pierce · Capítulo 27 de 33

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Antes Que Ele Precise

Capítulo Vinte e Seis

 

 

Byron Decker observou o casal de trás do volante de sua picape pequena. Ele estava os observando por um tempo. Três meses, na verdade.

Droga, ele pensou. Três meses já?

Este casal era o último. Este seria o fim de seu trabalho. Finalmente, ele seria capaz de viver sua vida livre do ridículo e da dor que o assombravam nos últimos dois anos.

Ele tinha observado eles por três meses, mas Decker ainda não sabia com certeza qual era o trabalho deles. Sempre que o homem saía de casa, vestia um bom terno completo com gravata, ou short de malha e uma camiseta, para as corridas matutinas e vespertinas (dependendo do dia da semana). E quando a mulher saía de casa ela, normalmente, vestia uma roupa casual.

Nenhum deles saía com regularidade, fazendo Decker pensar que ambos trabalhavam em casa ou o homem fazia serviços bancários ou algum tipo de comércio esquisito—algo que o fazia se vestir bem de vez em quando, mas também lhe dava a liberdade de ir e vir quando quisesse, quando fosse conveniente.

Este casal foi complicado de analisar. Os outros casais tinham pelo menos alguma regularidade em seus horários. Depois de algumas semanas, ele era capaz de atacar com confiança. Mas este casal... eles eram como moscas. Zumbindo por aí sempre que quisessem. No mês passado, eles ficaram fora durante nove dias seguidos, aparentemente era algum tipo de férias, as malas que levaram eram uma indicação disso.

Ambos saíram juntos hoje cedo. Eles saíram em um carro caro e, em seguida, voltaram para casa três horas depois. Agora, pouco antes do meio-dia, eles estavam vagando pelo jardim, aparando as plantas. Era uma tarefa bem doméstica, —exibicionista e bonita, tudo ao mesmo tempo. O marido estava carregando sacos de adubo, enquanto a mulher estava tirando as ervas daninhas dos grandes canteiros de flores. Estava vestida de tal forma que o fez pensar que ela quer não tinha ideia de como se vestir para trabalhar no quintal ou simplesmente não se importava em ver suas roupinhas justas sujas.

Ele os tinha visto antes, é claro. Ele os tinha visto nus, bem vulneráveis. E vê-los agora, perfeitamente felizes e aparando o estúpido gramado, o enfureceu.

 Eu poderia matá-los agora, ele pensou. Eu poderia andar por lá como qualquer pedestre ou andarilho. E finalizaria tudo.

 

Por mais tentador que fosse, ele sabia que tinha que manter a calma. Ele estava esperando pelo fim disso por quase dois anos—primeiro criando coragem e, em seguida, passando esta última semana na busca de cada um dos casais para matá-los. Arruinar tudo agora significaria tornar inútil todo o esforço anterior... não faz sentido.

Além disso... esta era a última casa, o último casal. Ele estacionou a duas quadras, observando-os. Nos últimos meses, ele dividiu o seu tempo entre as cinco diferentes casas, observando o vai e vem dos casais. Aprendeu sobre os seus horários e, em alguns casos, até sabia onde a chave reserva estava escondida.

No final, ele contava com a bondade humana para entrar. Ele bateu nas portas em que não foi capaz de pegar as chaves. Todos reconheceram o seu rosto. Os Kurtzes e os Carlsons quase bateram à porta na cara dele.

Mas seus apelos para simplesmente poder falar, poder ser ouvido, conseguiu convencê-los. Ele se desculpou, falsamente, por seu comportamento há dois anos no hotel. O único obstáculo no plano tinha sido o casal Springs.

Ele quase não foi capaz de estar a bordo no navio e acabou gastando dois mil dólares para conseguir um bilhete—que foram reembolsados quando fingiu estar doente e afirmou não ser capaz de fazer a viagem.

Ele imaginou que poderia acabar tendo problemas—um sinal de alerta infalível para os policiais em um futuro muito próximo. Mas até lá, ele planejava estar no México. Um antigo amor dele vivia em Juarez e tinha uma casinha legal onde ele poderia ficar bêbado todos os dias com cerveja mexicana.

Mas, primeiro, este casal. Os Vaughans.

Ele agiria esta noite. Já que eram o último casal, ele não teria que ser tão cuidadoso. Claro, ele posicionaria eles assim como os outros. Mas se ele fosse um pouco mais desorganizado do que o habitual, tudo bem. No momento em que ele os matasse, ele iria embora. No momento em que a polícia descobrisse o que tinha acontecido, ele estaria cruzando a fronteira.

Isso fez ele querer agir imediatamente. Com os outros, ele esperou até que tivesse certeza de que estavam quase na cama. Ou, no caso dos Sterlings, um pouco depois de saber que tinham apagado as luzes e ido para a cama.

Mas com os Vaughans, ele não tinha certeza se poderia esperar até lá. O bairro era tranquilo. Se ele agisse rapidamente, ninguém sequer o veria. Ele sumiria no interior do bairro. Não havia nada de suspeito sobre ele, nem nada sobre sua aparência que se destacasse.

Faça isso, ele pensou. Basta fazer isso agora e pronto.

Deus, foi tentador.

Mas ele tinha que pelo menos esperar até que estivessem lá dentro. Ele não podia matá-los como desejava no pátio, em plena luz do dia.

Tudo bem, pensou ele. Esperei quase dois anos. Até perdi uma esposa por esta pequena cruzada. Posso aguardar mais algumas horas.

Então foi o que ele fez.

Byron Decker sentou-se na sua pickup, apertando o volante em suas mãos, aguardando o momento certo para atacar e acabar com a farra de matança.