Antes Que Ele Precise
Capítulo Vinte e Oito
Mackenzie ainda podia sentir a sensação de urgência quando saiu do carro. Ainda assim, ela se manteve calma, forçando-se a ter uma noção adequada do lugar. A casa era muito agradável, uma das mais agradáveis na vizinhança. Era um bairro muito parecido com o que o casal Springs tinha vivido, só que era quase do outro lado da cidade.
Olhou para cima e para baixo nas ruas e viu alguns carros estacionados aqui e ali. O mais próximo deles era um caminhão modelo antigo com carroceria. Dois quarteirões para baixo, um homem corria, corria na direção oposta. Mais longe, ela ouviu o zumbido de um motor de motocicleta. Fora isso, a rua estava praticamente deserta.
Uma das portas da garagem para dois carros estava aberta. Ela revelou um grande caminhão GMC. A carroceria estava aberta e uma série de sacolas plásticas vazias foram colocadas em um canto.
—Há sempre a chance de que essas pessoas trabalhem, disse Ellington. Como pessoas normais. É sexta-feira, afinal de contas.
—Possivelmente, disse Mackenzie.
No entanto, quando eles foram para mais perto da varanda da frente, Mackenzie começou a duvidar disso. Viu serragem espalhada por todo lado, como se tivesse caído acidentalmente no quintal. Provavelmente caiu desses sacos vazios na parte de trás do GMC, elapensou.
Ela então olhou para os belos canteiros de flores e viu que eles eram bonitos por uma razão. Eles tinham sido arrumados recentemente. Se a espátula e um par de luvas de jardinagem no degrau da varanda fossem uma indicação, arrumaram os canteiros muito recentemente... como se isso tivesse sido feito no último par de horas.
Mackenzie apontou para as luvas e Ellington balançou a cabeça. Há uma boa chance de alguém estar em casa, disse ela. Você viu o caminhão?
—Na garagem. Sim.
Este trabalho de jardinagem foi feito dentro das últimas horas, ela pensou. Parece que chegamos aqui antes do Decker. Espero que—
Alguém gritou de dentro da casa. Não foi um grito de dor, mas de surpresa. O grito foi seguido por uma voz que Mackenzie mal podia ouvir. Enquanto essa voz falava, ela também ouvia um leve barulho de algo batendo.
Ela correu para a porta e bateu com força. Sem esperar por uma resposta, ela gritou para quem podia ouvi-la do outro lado.
—Eu sou uma Agente do FBI, ela disse em voz alta. Sr. e Sra. Vaughan, eu estou entrando.
Ela tentou abrir a porta e estava bloqueada.
Outro grito soou de lá de dentro. Este foi mais alto e, mas não era cheio de dor, carregava um monte de medo. Ela então ouviu passos altos e algo cair, quebrando.
Então, quando deu um passo atrás para disparar a arma na maçaneta da porta trancada, outro grito veio através da porta.
—Socorro!
Mackenzie levantou a arma e disparou um tiro onde ela achava que estava o cadeado. Imediatamente após isso, Ellington deu um chute forte no mesmo lugar. A porta abriu rangendo e Ellington graciosamente chutou embaixo dela e assim conseguiram entrar rapidamente na casa.
Mackenzie seguiu-o, outra vez com sua arma levantada. Mas ela nem sequer teve tempo para assumir a posição de um atirador.
Quando Ellington arrebentou a porta, um homem veio do nada. Ele parecia ter se escondido atrás da própria porta, esperando que ela fosse derrubada. Mackenzie mal avistou o movimento rápido do homem que logo colidiu com Ellington. Os dois homens foram para a parede e quando eles se atacaram, ela ouviu Ellington soltar um suspiro de dor.
Mackenzie sabia que não conseguiria dar um tiro certeiro sem potencialmente machucar o Ellington, então ela estendeu a mão até o braço direito do homem.
Foi quando viu a faca na lateral do corpo de Ellington.
Isso foi distração suficiente para ela se tornar indefesa por uma fração de segundo. Assim, viu a mão direita do homem vir até ela para lhe acertar com um soco e ela foi capaz de usar a sua própria mão para bloqueá-lo, ele ainda assim acertou ela. Sua mão direita a acertou na mandíbula e ela cambaleou para trás, com estrelas negras que floresciam em sua visão.
Ele foi até ela, suas mãos foram em direção à sua garganta, mas Mackenzie começou a levantar sua arma. Ele deu um tapa nela, aproveitando seu torpor temporário, e ele fez isso com tanta força que a lançou girando até bater na parede.
Ela esperou que ele atacasse novamente, erguendo-se e fazendo o seu melhor para afastar aquela visão turva causada pela pancada certeira em sua mandíbula.
Em vez disso, ela ouviu os passos dele. Ela também ouviu Ellington respirando de forma pesada, agora caído no chão à sua direita.
De outro lugar nas proximidades, ela ouviu uma mulher chorando.
Sra. Vaughan, ela pensou.
Mackenzie quis ficar de pé. Olhou para Ellington e viu que ele não tinha perdido muito sangue, mas ele parecia fora de si. A faca ao seu lado cravada cerca de quatro polegadas. Não era especialista em anatomia, mas sabia que no ângulo em que a lâmina estava e no local em que estava, ou as coisas estariam muito ruins para Ellington ou ele poderia potencialmente sair quase ileso.
Ela então se perguntou, quase morbidamente, se a faca saindo dele era a mesma faca que tinha sido usada para matar os quatro casais vistos nos últimos dias.
Ela ficou de pé, jogando para longe a última névoa do soco. Viu o homem que os tinha atacado a caminho de uma grande sala à frente deles. Ele estava indo para a sala, onde Mackenzie viu o corpo pela primeira vez.
Era um homem, deitado de bruços. Ele estava rastejando para a frente, deixando manchas de sangue no tapete azul claro. O agressor estava indo na direção do homem—tendo, aparentemente, atacado ele uma vez.
Mackenzie correu em direção a ele. Ele a viu com o canto do olho e se virou para encontrá-la. Ele recuou o punho quando levantou a arma. Ele atacou ela, agachado. Ela baixou a arma e disparou um tiro. Em seguida, ela sentiu que ele conseguiu golpeá-la na clavícula. Não foi um soco forte, mas deu uma sensação de alfinetadas e agulhadas percorrendo por seu braço. Chocada, o braço ficou mole e ela deixou cair a arma.
O agressor—o homem que ela agora tinha certeza de que era Byron Decker—em seguida, ele agarrou-a pelos ombros e tentou bater com um joelho em seu estômago. Em vez disso, Mackenzie bloqueou o joelho e agarrou sua perna. Ela tentou jogá-lo no chão com um golpe fireman’s carry, mas seu braço direito ainda estava formigando. Então, ao invés, ambos foram tropeçando para trás embolados de uma forma estranha.
Decker soltou ele e quando o fez, ela saltou nele.
Ela percebeu o seu erro tarde demais.
Ela bateu nele com força e eles caíram para trás novamente, tropeçando cegamente.
Viu a porta de vidro atrás deles um momento antes de colidirem com ela.
Ela sentiu o vidro cortando a pele dela uma fração de segundo depois de ouvir o barulho dos estilhaços.
De repente, estava deitada de costas na varanda dos Vaughans. Estava olhando para o céu azul impecável e já podia sentir a viscosidade do seu próprio sangue, já que ele derramava de seu antebraço e da parte de trás do seu pescoço.
Em algum lugar ao seu lado estava o assassino. E sua arma. Ela tinha deixado cair a maldita arma quando bateu na madeira da varanda.
Ela rolou para localizar Decker. Sua mão esquerda deslizou no vidro. Parecia que dezenas de insetos a picavam enquanto minúsculos fragmentos e estilhaços perfuravam sua pele.
E então, lá estava ele—Byron Decker, de pé sobre ela com um grande vaso de flores suspenso sobre sua cabeça como uma pedra enorme, intenção era jogá-lo para baixo para esmagar o crânio de Mackenzie.