Antes Que Ele Precise

Blake Pierce · Capítulo 16 de 33

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Antes Que Ele Precise

Capítulo Quinze

 

 

A música estava tocando. Era um techno-pop horrível que ele podia sentir as batidas em seu crânio como punhais. Ele estava bebendo scotch para entorpecê-lo, mas isso não estava fazendo bem para ele. Na verdade, quanto mais ele bebia, mais parecia ser capaz de tolerar a música.

 

Ele sabia que não podia beber muito mais. Ele já tinha bebido dois e sabia que cinco era o seu limite. Ele não só precisava ser capaz de dirigir de volta para casa, como também era necessário manter a mente clara. Ele sabia por que estava ali, mas ele já tinha certeza de que aquilo não iria funcionar.

Ele queria esquecer as coisas que tinha feito ao longo da última semana. Mas, além disso, ele queria virar a página. Ele queria parar. E é por isso que ele estava ali. Ele imaginou que poderia encontrar alguém. Ninguém especial, apenas alguém para passar a noite com ele. Talvez outro casal. Talvez ele seria capaz de se lembrar como tudo deveria ser.

Naturalmente, esta casa noturna de merda não era o motivo pelo qual ele estava ali. Ele estava ali porque ele sabia o que aconteceu na sala do andar de cima. Era um segredo um pouco conhecido—um segredo que ele guardava a cerca de dois anos. Ele foi duas vezes, não era o suficiente para que qualquer pessoa no clube reconhecesse o seu rosto.

 

Ele sentou-se sozinho em uma pequena mesa redonda em frente ao bar complementar do clube. Ele estava sentado lá porque aquele lugar oferecia uma vista panorâmica para a escada que levava ao andar de cima. Ele tinha visto três casais indo lá para cima na última meia hora. O evento, que ele conhecia, começava em cerca de dez minutos. Não havia ninguém de pé nas escadas para impedir as pessoas que quisessem subir. Mas ele sabia que haveria algumas pessoas no corredor em frente ao salão que impediriam a entrada de pessoas indesejadas.

Ele também sabia que não poderia subir sozinho. Você tinha que ter pelo menos uma outra pessoa com você. Era uma coisa para casais—casais de swingers. Às vezes, havia eventos de swingers onde solteiros podiam aparecer e se misturar. Às vezes, um corpo extra era necessário, e tudo bem.

Mas este não era um desses momentos.

 

À medida que o momento se aproximava, ele ficava animado. Ele não estava excitado, como de costume. Esta noite não tinha a perspectiva de sexo ou de conhecer alguém que o interessasse. Não, esta noite era completamente sobre reconexão... lembrar, primeiramente, o porquê de já ter se envolvido em uma cena como esta.

Sua esperança era de que isso ajudaria a limpá-lo. Que isso o ajudaria a se livrar da raiva, e talvez, até mesmo apagar as memórias dos assassinatos que ele havia cometido.

Ele tomou a bebida e saiu da mesa. Ele rapidamente pagou sua conta com o barman. O bar estava lotado com pessoas na faixa e vinte e poucos anos. As meninas usavam roupas muito curtas; havia provavelmente mais maquiagem em seus corpos do que roupas. Ele se perguntou quantos deles sabiam o que acontecia lá em cima... e como eles reagiriam se fossem apresentados à situação.

Ele analisou o ambiente com interesse, sem ser indiscreto. Ele contou cinco grupos separados de pessoas—grupos distintos dentro do bar. A maioria deles eram pares, mas ele viu uma mesa com três pessoas, duas mulheres e um homem, eles ficavam lançando olhares em direção às escadas.

Ele olhou para o relógio. O evento começaria em dez minutos. Se ele fosse tentar, teria que ser agora.

Ele caminhou até a mesa com três pessoas sentadas ele não usou pretextos. Ele sorriu enquanto se aproximava do trio. O homem era bonito, uma espécie de modelo Abercrombie.

Seu cabelo estava penteado para trás e você podia praticamente ver seu abdominal através de sua camisa. As mulheres não tinham mais de trinta anos e se vestiam como se tivessem apenas dezoito e tivesse saído de casa, por conta própria, pela primeira vez na em suas vidas. A mulher à direita não estava usando sutiã, isso ficou evidente pelo fato de que seu seio esquerdo estava prestes a pular para fora de sua blusa.

—Vocês irão lá para cima? Ele perguntou.

Todos os três instantaneamente ficaram tensos. A mulher à esquerda deu ao homem uma olhada do tipo hein, que porra é essa.

—Tudo bem, disse ele. Eu já estive aqui antes. Eu estive lá em cima antes. Minha namorada mudou de ideia no último minuto. Eu estou procurando alguém para fazer um casal e subir.

A maior parte disso era verdade. A única parte falsa era que ele tinha uma namorada que havia desistido. Ele não tinha uma namorada. Tudo o que ele tinha era um ex-mulher muito descontente que estava dormindo com outra pessoa por aproximadamente um ano até ele descobrir tudo.

 

—Não, cara, disse o homem. Estamos bem aqui.

Quase como se fosse uma reflexão tardia, porque se sentiram mal por ele, a mulher com o peito esquerdo quase exposto moveu a cabeça para a direita. Mas acho que aquela mesa ali está à procura de um cara.

Ele olhou naquela direção e fez um pouco de careta. Eram dois rapazes e uma moça. A menina parecia bêbada e fora de si (alguns deles precisavam disso para conseguir participar do que acontecia lá em cima, ele sabia disso por experiência) e dois homens mais velhos. Um deles tinha uns vinte anos, o cara mais velho que estava com a moça.

Não era uma situação ideal; novamente, se estava com homens mais velhos, ele duvidava que ela fosse exigente. E não seria nada como se ele estivesse tentando ficar com ela. Ele só queria conseguir subir.

Ele caminhou até a mesa. Quando ele fez isso, ele viu um movimento embaixo dela. Um dos homens tinha as mãos dentro da saia da mulher e não era muito discreto para fazer isso.

Ele quase voltou ali mesmo. Mas ele tinha que tentar. Ele tinha que fazer algum tipo de esforço para se reconectar... para fazê-lo parar com aquilo que ele vinha fazendo durante toda a semana.

—Ei, pessoal, disse ele, sendo o mais simpático possível enquanto se aproximava do lado da mesa. Ali estava mais escuro devido às luzes difusas do bar.

—Ei, disse um dos homens—aquele que estava com as mãos ocupadas por baixo da mesa.

—Olha... Eu sei que parece suspeito, mas a minha namorada acabou de me mandar uma mensagem. Disse que não conseguiria fazer isso. Então, eu estou tentando encontrar um grupo para me juntar e conseguir ir lá para cima.

Ambos os homens olharam instantaneamente chocados. Eles pareciam fugir para perto da mulher. Enquanto isso, ela começou a sorrir... um sorriso que, eventualmente, irrompeu em uma gargalhada.

—Cara, disse ela. Hum... não. Isso é assustador pra caralho. Nós não conhecemos você.

—Pois é, disse ele, tentando reprimir sua raiva. Eu entendo. Mas não sou novo nisso. Eu já estive aqui antes. Isso não——

—Não interessa, disse ela. E embora ela estivesse claramente bêbada e suas palavras saíssem sem qualquer tipo de filtro, elas ainda assim doíam. Isso é nojento. Não aja como se você nos conhecesse.

Ela continuou rindo, então, dando tapas na mesa e olhando para ele como se ele fosse um idiota.

—Ela está certa, disse o homem mais velho. Eu não tenho certeza se há uma etiqueta para coisas como esta, mas se houver, isso seria uma violação, tenho certeza. Agora, por favor... vá embora antes que isso fique realmente incômodo e estranho.

Assim como a cena na mesa, o que vocês estão prestes a fazer lá em cima é incômodo e estranho também. Ele pensou consigo mesmo.

Ele queria bater neles. Ele desejou estar com a sua faca. Ele sentiu seu sangue ferver e isso demandou todo o controle que ele tinha dentro dele para não atacá-los. Atacar especialmente a puta bêbada enquanto ela ainda estava rindo.

Ele zombou deles e virou.

Ele ficou desapontado por não conseguir ir para a sala no andar de cima. Ele também estava chateado por ter parecido tão desesperado. A mulher tinha o direito de rir dele (embora talvez nem tanto, devido à sua companhia). Ele era um constrangimento, e ele tinha que entender que as coisas nunca mais seriam da maneira que tinham sido antes.

Mais do que isso, ele tinha vergonha de si mesmo por se tornar vítima da raiva tão facilmente.

Ele realmente esperava ser capaz de exorcizar seus demônios hoje à noite— através do sexo, deixando-se levar com um estranho, sendo parte de algo que fez sentido para ele uma vez.

Mas não... agora tudo o que havia para se sentir era ódio.

Ele sabia como expulsar isso... como se livrar disso por um tempo. Ele não queria, mas ele sabia que se não o fizesse, ficaria mais forte. Ele tinha colocado isso de lado pelo máximo de tempo possível, por um tempo muito longo... e quando isso finalmente desencadeou... bem, ele tinha as imagens dos corpos ensanguentados dos Carlsons para lembrá-lo daquele sentimento.

Ele teria que fazer aquilo novamente.

Mas por quanto tempo eu consigo manter isso? Ele se perguntou.

A resposta era simples. E parecia acalmar a raiva dentro dele.

Durante o tempo que for preciso.