Antes Que Ele Precise

Blake Pierce · Capítulo 24 de 33

Páginas do PDF

Antes Que Ele Precise

Capítulo Vinte e Três

 

Mackenzie estava aparentemente com mais fome do que ela pensava. Depois de tomar duas xícaras de café, ela comeu dois ovos, dois pedaços de bacon, batatas fritas e uma tigela de mingau de aveia. Ellington, terminando a sua omelete recheada à moda do Sudoeste, não pôde deixar de rir.

—Como você mantém essa silhueta maravilhosa eu não faço ideia. Eu apareci tarde da noite há duas noites e você devorava uma pizza. E agora este café da manhã… Nossa.

—Uma garota tem que comer, disse ela.

—Você conseguiu descansar? Ele perguntou.

Ela encolheu os ombros. Foi o suficiente. E você? Você tem estado ligado por um bom tempo, também.

—Eu tirei um cochilo entre quatro e meia e seis e meia. Estarei bem até hoje à noite. E espero que até lá nós sejamos capazes de resolver isso. Alguma ideia?

Ela tinha algumas, mas estava hesitante porque todas pareciam frágeis. Algumas, disse ela. Eu quero investigar esta mulher que a Alexa mencionou... Tanya Rose. Se era parte do grupo em que a Alexa é responsável, talvez ela conheça pessoas do tipo imprevisível que que poderíamos observar. E você?

—Eu provavelmente vou debruçar sobre mais papeladas e arquivos na delegacia. Posso colocar alguns oficiais em busca dessa Tanya Rose para você, também. Quer se juntar a

mim?

—Não particularmente, disse ela.

—Você é o tipo de Agente que precisa sair para fazer as coisas e para se sentir produtiva, certo? Disse ele.

—Na maioria das vezes.

A mesa ficou em silêncio por um momento quando Mackenzie arrematou o seu café da manhã. Ellington sentou-se na beirada da cadeira, parecendo ansioso.

—Como vão as coisas com o caso em Nebraska? Perguntou. Com o seu pai e esta mais recente vítima?

 

—Do mesmo jeito, disse ela. Não sabia por que estava escondendo dele a nova revelação de Harrison. Por agora, aquilo parecia pessoal demais. Ela também não tinha certeza de porque não se sentia confortável com o Ellington falando sobre o caso de seu pai.

Porque não é da conta dele, ela pensou. Claro, ele só está tentando ser simpático. Ele realmente se preocupa com ela. Talvez ele cometeu o erro de pensar que porque estavam dormindo juntos, ele poderia fazer mais perguntas pessoais.

Era um pensamento doce, mas não estava pronta para ir mais a fundo com ele ainda. E não tinha nada a ver com ele. Não queria falar sobre o caso de seu pai com ninguém. Especialmente agora que havia uma potencial pista.

—Você está bem? Ele perguntou.

—Sim—, disse ela. E então, supondo que ele seria capaz de lidar com a verdade nua e crua, ela acrescentou: — o caso do meu pai não é algo que eu gostaria de falar a respeito.

—Eu entendo isso. Mas você tem que falar com alguém sobre isso, certo? Quero dizer, você tem que aquele detetive em Nebraska de olho em tudo, certo?

Ela honestamente não tinha pensado sobre Kirk Peterson por um bom tempo—não até o Harrison ter ligado esta manhã. Isso fez ela ter vontade de chamar o Peterson ali mesmo para obter mais detalhes. Mas, novamente, ela se distraiu com o quanto Ellington sabia sobre o caso de seu pai.

—Como você sabe tanto sobre o caso? Perguntou ela.

Ele encolheu os ombros, mas uma olhada desconfortável o atingiu. Ele sentiu que tinha pisado em território perigoso, mas poderia ser tarde demais para voltar atrás. Quando eu me interessei por você, eu me interessei pelo caso.

—Mas eu nunca falei com você sobre isso, disse ela.

—Eu sei. Mas eu queria... inferno, Mackenzie. Eu queria saber mais sobre você. E não foi por egoísmo. Você é uma grande Agente. Eu soube que você seria uma grande Agente desde a primeira vez que eu a vi; é por isso que eu recomendei que você tentasse ir para Quantico, em primeiro lugar. Além disso... você falou comigo sobre isso uma vez, rapidamente. Em Nebraska, quando fui enviado para lá para ajudar com o Assassino Espantalho. Lembra?

 

Ela honestamente não se lembrava de ter mencionado isso pra ele. Mas ela tinha ficado tão apaixonada e dominada pela presença dele quando retornou, que então, tudo era uma lembrança constrangedora. Ela tinha tentado colocar, com muita dificuldade, esse primeiro encontro com Ellington fora de sua mente. Tanto que aquilo era apenas uma lembrança confusa para ela agora.

—E você fez o quê? Perguntou ela, sabendo que havia um surto de raiva em sua voz, mas nem se importava. Achou que bisbilhotaria por aí e descobriria mais sobre mim e meu passado?

—Hum... não. Mas eu olhei o arquivo do caso apenas para me familiarizar com ele. Isso é tão ruim assim?

—Não, não é ruim. É que... isso é muito pessoal para mim.

Ele ergueu as mãos como uma falsa rendição e—por algum motivo, aquilo a ofendeu mais do que qualquer outra coisa. Tudo bem—, disse ele. Desculpe-me. Isso não vai acontecer de novo.

—Não é algo para ser tão irreverente a respeito, disse ela. Ela sentiu um tremor em sua voz, mas não tinha certeza se era o resultado da iminente raiva ou se era tristeza.

—Eu não estou sendo leviano, disse ele. Olha, sério, eu sinto muito. Eu não sabia que era algo tão importante. E eu——

—É claro que é importante, disse Mackenzie. Ela sentiu a raiva se erguendo nela como um enxame irritado de zangões e, com honestidade, não tinha nenhuma ideia real de onde aquilo estava vindo. Claro, sentiu-se um pouco traída, mas no fundo daquilo tudo, sabia que estava exagerando. Talvez ela estivesse muito cansada, ou talvez estivesse se sentindo envolvida demais neste caso.

—Jared, eu sei que você não fez por mal, mas por favor, cale a boca.

—Não conseguia se já tinha usado o primeiro nome dele antes. Parecia monumental de uma maneira estranha. Parecia íntimo.

—Cale a boca? Ele disse, claramente irritado.

—Sim. Só isso——

Ellington se levantou, nem mesmo olhando para ela. Vou pegar um táxi de volta para a delegacia e começar a trabalhar. Talvez passe por aqui e diga um —oi— quando você não estiver tão irracional.

 

Quase pediu para ele ficar, mas ela mordeu as palavras de volta, não querendo parecer muito desesperada. Ela o viu se afastar e olhou para sua caneca agora vazia, sem café.

Ótimo, ela pensou. Tudo o que eu preciso: um drama relacional no meio deste caso sem solução. Como eu cheguei neste ponto? Como isso foi acontecer?

A garçonete veio e encheu seu copo. Mackenzie tomou um gole devagar, olhando para o nada e fazendo o seu melhor analisar os nomes, eventos e cenas dos crimes em sua cabeça. Com a mente ainda querendo dormir mais, foi surpreendentemente fácil se concentrar em singulares pensamentos. Isso abrandou o seu ritmo normalmente frenético de raciocínio.

Com Samuel agora fora cena e com Gloria e o DCM, aparentemente, sendo um beco sem saída, o que resta? Para começar, fico enojada com Miami—saber que esses decadentes e pequenos clubes de sexo estão prosperando tanto. Como, em nome de Deus, eu vou encontrar uma única ligação entre todas as vítimas? Se estas coisas são tão isoladas, eles fazem isso no mar em cruzeiros, como eu posso ter certeza de alguma coisa?

Ela pensou sobre o cruzeiro, sobre ver um pedaço da filmagem. O assassino tinha entrado e, em seguida, deixado o quarto dos Springs. Tinha a certeza de que era a última coisa que eles precisam para resolver o caso. Mas não... aqui estava ela, mais perdida do que nunca.

Talvez a emoção de ver o assassino na tela deixou algumas pontas soltas, pensou. Há mais lá, detalhes sobre o cruzeiro e o evento dos swingers que estavam intocados.

Sabia que isso era o certo e se sentia irresponsável por deixar tantas coisas para trás. Derramou rapidamente a sua terceira xícara de café, abriu o aplicativo de anotações em seu telefone e puxou as informações que tinha registrado na noite passada, enquanto ela e Ellington saíram do navio de cruzeiro.

Ela anotou o número do telefone da Alexa por causa de uma promessa entusiasmada da Alexa para ajudar da maneira que pudesse. Assim como a Gloria no DCM, Alexa parecia genuinamente chocada e enojada com a ideia de que alguém com quem ela poderia ter se envolvido no âmbito profissional estava matando pessoas.

Mackenzie digitou o número e a chamada foi respondida depois de três toques.

—Olá? Disse Alexa, com sua voz áspera e cansada.

—Alexa, é Mackenzie White. Você tem um tempo para falar?

Ela esfregou suavemente o rosto no telefone. Apesar de ser mais de oito horas da manhã, ficou claro que Alexa ainda estava na cama. Fazia sentido, já que ela provavelmente acabou indo para a cama mais tarde do que Mackenzie na noite anterior.

—Sim. E aí?

—Eu espero fazer mais algumas perguntas para você sobre o evento que havia sido planejado para ontem à noite.

—Eu acho que eu poderia fazer isso, disse ela. Eu tenho certeza que o navio acabou sair esta manhã. Eu não sei quantas pessoas do evento ficaram.

—Tudo bem, disse Mackenzie. Eu tenho apenas algumas perguntas básicas para fazer.

—Ok. Você acha que poderia pedir café da manhã?

Mackenzie olhou para o prato e o copo vazios com um sorriso. Sim, eu posso fazer isso. Onde e quando você pode me encontrar?

—Preciso de uma hora, por favor, disse Alexa. Ela, então, falou para Mackenzie um lugar de encontro e as mulheres encerraram a chamada.

Quando Mackenzie foi para o carro, menos de dez minutos haviam se passado desde que o Ellington a tinha deixado. Ela pensou em chamá-lo para que ele soubesse onde estava indo. Mas se ele fosse como ela, ele provavelmente precisava de algum tempo para esfriar.

Se alguma coisa surgir desta reunião com Alexa, eu vou chamá-lo de imediato.

Ela ligou a carro e pegou o tráfego da manhã. Estava cansada, estava perdendo em termos do caso, e se ela tomasse mais café ficaria raivosa. Se não encontrasse alguma grande revelação entre agora e o início da tarde, ela teria que descansar um pouco—mais do que apenas um punhado de horas, desta vez.

Enquanto dirigia, uma bela manhã em Miami estava se revelando diante dela. Ela mal notou isso. Sua mente estava enrolada em torno deste caso com tanta força que até mesmo as recentes notícias sobre o caso de seu pai foram momentaneamente reduzidas. Ela dirigiu-se para o seu encontro com o Alexa, sentindo o lindo sol à beira-mar através do para-brisa, mas mal aproveitava a situação.