Antes Que Ele Precise
Capítulo Vinte e Nove
Quando Decker jogou o vaso de flores para baixo, Mackenzie levantou a perna e bateu com o máximo de força que, saiu um chute que atingiu diretamente no meio das pernas dele. Seus joelhos se dobraram e o vaso foi derrubado no pátio. Mackenzie rolou para a direita e se esquivou, sentindo ainda mais o vidro em seus antebraços e mãos expostos.
A dor não foi tão ruim, honestamente, mas parecia estar por toda parte. Estava sangrando o suficiente para que pudesse realmente sentir o cheiro do próprio sangue.
Preocupe-se com os ferimentos mais tarde, ela disse a si mesma. Por agora, tenha este idiota sob controle.
Ele já estava ficando de pé. O vidro quebrado tinha ferido ele também. Seu rosto foi cortado em quatro lugares diferentes e um corte profundo na parte de baixo de seu braço estava pingando sangue na sua mão e em seus dedos.
Ele deu um soco que ela bloqueou facilmente. Ela então pegou o braço bloqueado e torceu ele com força. Ele caiu de joelhos na hora, uivando. Como ela o empurrou para a frente e dobrou o braço mais para trás, ele usou o outro braço como um porrete.
Ele bateu com o seu cotovelo na carne da coxa dele, fazendo-a tropeçar para trás. A dor não era intensa. Não conseguia descobrir por que de primeira, mas em seguida, olhou para baixo e viu um caco de vidro pulando para fora da sua calça. A área estava pegajosa por causa sangue e de alguma forma ela ainda não tinha notado isso.
Aparentemente, percebendo que ele não iria ganhar uma luta, Decker saiu em direção aos degraus da varanda. Ele quase caiu em sua fuga, dando para Mackenzie, talvez, dois segundos completos para ela se livrar da dor na perna.
Percebendo que não seria uma corredora eficaz com a ferida na perna (o vidro ainda saindo dela), ela reuniu forças, tomou um impulso de corrida, e depois lançou-se no ar pouco antes de alcançar o primeiro degrau da escada.
Decker olhou para trás bem a tempo de vê-la cair com o todo o seu peso sobre suas costas. Ela caiu em cima dele e quando ele atingiu o chão ela pôde literalmente sentir o ar saindo dos pulmões dele com o impacto. Ele mexeu por debaixo dela, mas um cotovelo rápido entre os ombros dele pôs um fim a isso.
Sabia que o tinha sob controle, mas honestamente não conseguia se conter. Com ele preso debaixo dela, com o rosto plantado no chão, ela deu dois socos cruéis na parte superior das costas deles. Ela ouviu o suspiro quando o vento voou para fora dele e uma onda de dor correu pelo corpo dele.
Ela espremeu os joelhos dele no chão com seus próprios joelhos, pressionando apenas o suficiente para garantir que quaisquer tentativas de fuga doeriam pra caramba. Ela, então, tirou as algemas do cinto e colocou-as nele o mais rápido que pôde.
Quando percebeu que suas mãos estavam tão pegajosas com o próprio sangue que quase deixou cair as algemas, ela se perguntou se estaria mais ferida do que pensava.
Quando Decker tentou lutar com ela quando pegou o seu braço esquerdo, ela agarrou o braço dele e puxou para cima um pouco demais. Ela fez uma careta, esperando ouvir o estalo da quebra do antebraço. Mas ela tinha parado na hora certa. Ele gritou por baixo dela quando fechou as algemas.
—Mackenzie...
Ela se virou e viu Ellington cambaleando na varanda. Ele não tinha tirado a faca, provavelmente sabendo que removê-la poderia piorar a situação.
—Você está bem? Perguntou ele.
—Não sei, disse ele. Ele olhou para as escadas da varanda, parecia considerar descê-las e, em seguida, sentou-se com força. Chame por apoio, disse ele fracamente. Você está bem?
—Sim, disse ela, embora ela ainda não tivesse certeza.
Estava tremendo quando ficou de pé. Transportar o Decker seria uma façanha, mas ela conseguiu, segurando-o firmemente enquanto tentava enfrentá-la.
—Nem pense nisso, Ellington gritou fracamente da varanda. Se você tentar se afastar poucos centímetros dela, eu arranco o seu joelho direito.
Decker parou, em seguida, baixou a cabeça em derrota como uma criança sem saída.
—Até as escadas, Mackenzie disse, cutucando-o.
Ele não se moveu. Ele permaneceu no local e começou a murmurar alguma coisa.
—Eu disse para subir as escadas, disse ela.
—Se eles não estão mortos, ele disse, —então tudo isso foi para nada. Os outros oito não significaram absolutamente nada se os Vaughans não estão mortos. Eu não posso——
—Eu disse, ande, disse Mackenzie.
—Ela plantou o pé diretamente em sua bunda e empurrou-o para a frente. Ele tropeçou no primeiro passo e caiu, quase batendo com o rosto nas escadas acima dele.
Espero que ele quebre sua bosta de nariz, ela pensou.
—Fique de pé e comece a subir as escadas, Mackenzie disse o mais calmamente possível.
Decker obedeceu, dando os passos lentamente, um por um. Quando chegaram ao topo, Ellington fracamente chutou a arma caída de Mackenzie para fora de seu caminho, assim Decker não pensaria em pegá-la.
Mackenzie não gostou do olhar de Ellington. Ele estava em choque. E havia mais sangue do que ela tinha visto cerca de três minutos atrás. Estava começando a se formar uma poça de sangue em seu colo. Ele estava tentando parecer firme, mas ela podia perceber que era um esforço tremendo.
Mackenzie pegou sua Glock e colocou-a em Decker. Pra dentro, ela disse duramente.
Mais uma vez, ele obedeceu. Ela tinha certeza de que ele estava choroso desta vez.
Quando o seguiu para dentro, ela se ajoelhou perto de Ellington. Ela agiu como se a única razão para agachar fosse pegar suas algemas.
Embora ela já tivesse colocado as suas em Decker, ela sentiu que poderia precisar de duas, se segurasse Decker sozinha. Mas ela também se ajoelhou a fim de ter uma visão melhor do Ellington. Ele não parecia muito mal, mas também não teve sorte.
—Eu vou dar um jeito nisso, ela disse, tentando manter a calma... Você apenas fique aí.
—Tá, Ellington disse fracamente, rolando os olhos.
Com isso, ela se dirigiu para dentro por trás de Decker para ver quanto dano ele causou antes da chegada deles.
***
Para garantir que Decker não escaparia enquanto ela investigava a casa, Mackenzie teria de imobilizá-lo. E não tinha nenhum problema com isso.
Com sua Glock ainda apontada para ele, ela apontou para o sofá dos Vaughans na sala de estar. Senta aí, disse ela.
Quando ele obedeceu ao comando, ele parecia exageradamente derrotado. Ela tinha certeza de que não teria nenhum problema com ele. Enquanto ele se sentava, Mackenzie cuidadosamente se ajoelhou a seus pés.
Ela ficou tensa, esperando bloquear quaisquer chutes ou outros ataques, que ele pudesse tentar. Mas ele estava completamente dócil quando estalou as algemas de Ellington em torno de seus tornozelos.
—Isso faz você se sentir como se tivesse conseguido alguma coisa? Perguntou ele.
—Me prender. Me bater. Você se sente bem com isso?
—Honestamente, sim, disse ela. É uma sensação maravilhosa.
Ele soltou uma pequena risada maníaca e começou a olhar para o chão. Seus olhos foram atraídos para o vidro quebrado que ele e Mackenzie tinham espalhado quando bateram e transpassaram a janela de vidro.
Havia tanta coisa que ela queria dizer a ele, mas não confiava em si mesma para tentar falar com ele civilizadamente. Então, ao invés disso, ela voltou para a sala de estar e olhou o homem que ela tinha visto rastejando em uma poça de sangue.
Ele teve todo o braço fatiado e havia uma ferida no peito. Quando ele respirava, ele fazia um som molhado que fez Mackenzie estremecer. Quando se ajoelhou ao lado dele, sabendo que a esposa estava em algum lugar da casa, ela temia Ellington e ela tivessem chegado tarde demais.
Os olhos do homem cruzaram na sua direção e viu um olhar distante lá.
Pensando o rapidamente possível, Mackenzie pegou dois panos de prato pendurados em uma das maçanetas do armário na cozinha. Ela apertou eles contra o peito do homem, cobrindo a ferida. O sangue imediatamente jorrou quente sob suas mãos, mesmo com os panos.
—Você pode pressionar isso? Ela perguntou.
Ele balançou a cabeça e pegou os panos com uma mão trêmula. Ele apertou tão forte quanto pôde e deixou escapar um gemido de dor.
—Patricia, disse ele. Ela...?
—Espere, Mackenzie disse, não querendo sair do lado dele.
Ela levantou-se e virou-se, só para ver a mulher em pé atrás dela. Seu rosto estava manchado de lágrimas e havia sangue em sua blusa branca. Pelo que Mackenzie poderia dizer, estava ilesa. Mas os olhos arregalados e a postura rígida fizeram Mackenzie achar que estava em estado de choque.
—É você a Patricia? Ela perguntou.
A mulher concordou.
—Patricia Vaughan?
Novamente, outro aceno. Ela, então, respirou profundo estremecendo quando seus olhos caíram sobre o seu marido. Seja qual for o estado de fuga em que estava, tudo desmoronou naquele momento. Quase entrou em colapso enquanto corria até ele e deixou escapar um soluço.
—Patricia, disse Mackenzie. Eu sei que é difícil, mas você precisa para ficar longe dele por agora. Nós não sabemos a gravidade dos ferimentos dele.
Patricia parou centímetros longe dele. Ela estendeu a mão e pegou a mão dele. Mackenzie sentiu uma minúscula centelha de esperança quando viu que ele tinha força suficiente para apertar a mão de sua esposa.
* **
—Patricia, eu sei que é assustador, mas eu preciso que você tente falar comigo. A polícia e uma ambulância estão a caminho e não podemos fazer muita coisa, até então. Então, você acha que você pode responder a algumas perguntas rápidas?
—Sim, sim... eu ... o que aconteceu?
—Como é que este homem entrou na sua casa? Perguntou ela, balançando a cabeça de volta para onde Decker estava algemado no sofá.
—Ele bateu na porta, respondeu Patricia. Conhecemos ele—há um tempo. Ele estava pedindo desculpas por algo que fez há alguns anos. Ele parecia genuinamente arrependido, começou a chorar. Então, nós deixamos ele entrar. E assim que a porta se fechou... ele... ele puxou a faca e atacou o Henry. Tentei ajudar, mas eu estava em estado de choque, eu acho, não conseguia me mover, não conseguia…—
O som das sirenes que se aproximavam a distraiu. O barulho parecia trazer um novo nível de ansiedade. Em vez de aliviá-la por saber que a ajuda estava a caminho, a comoção estridente de lá de fora parecia alertar Patricia ainda mais ao fato de que seu marido estava em sérios apuros.
Talvez Ellington, também, pensou. Ela queria desesperadamente correr para ele, mas por agora, os Vaughans tinham que ser a prioridade.
—Patricia... você está ferida?
—Não, disse ela. O sangue na minha blusa é do Henry... você veio e nos salvou... na hora certa. Obrigada.
E com isso, Patricia se perdeu. Ela começou a chorar. Do seu lado, Henry fez o seu melhor para confortá-la, dizendo seu nome, mas ele não foi capaz de usar sua voz—soava mais como um som distorcido de dor e sangue.
Quando Mackenzie ouviu o barulho de pneus e portas na frente, ela correu para Ellington. Mover-se naquela velocidade a fez lembrar que não estava em condições, também. A ferida em sua coxa ardia e latejava. A parte inferior de sua palma estava em carne viva, onde pequenos cacos de vidro haviam perfurado e ralado a sua pele.
Na varanda de trás, viu que Ellington tinha reunido forças para ficar em pé. Ele estava encostado ao lado da casa, parecendo que ficaria pior a qualquer momento.
—Como está? Ela perguntou.
—Dói pra caralho. Parece melhor quando eu fico de pé. Estou começando a me sentir um pouco tonta, mas eu acho que ficarei bem.
—A ajuda acabou de chegar, disse ela.
Ele balançou a cabeça e fechou os olhos. Ela poderia dizer que ele estava fazendo o seu melhor para não deixá-la saber que ele estava sentindo muita dor.
—Você fez bem, disse ele. Culpa minha. Eu não deveria ter ido tão rápido, tão agressivamente. Eu não deveria ter——
—Cale a boca, disse ela. Poupe suas forças.
Ele balançou a cabeça e soltou um gemido. Mackenzie deu mais uma olhada para a faca ainda saindo da lateral do seu corpo e percebeu o quão arriscada era a situação. Até que a faca estivesse fora e ele fosse devidamente atendido, não havia como saber quanto estrago tinha sido feito.
Ela ouviu a porta da frente aberta e ela começou a avançar quando os paramédicos e polícia vieram. Ela fez deu dois passos em direção a porta de vidro quebrado antes que Ellington a parasse.
—Ei... eu sei que você é como uma super-heroína e quer estar lá..., mas é egoísta da minha parte pedir para ficar aqui comigo?
Não pôde reprimir seu sorriso. Ele estava certo. Ela sentia a necessidade de entrar e ajudar de qualquer maneira. Mas ela também queria ficar lá com ele.
Ela caminhou até ele e pegou sua mão. Ela o sentiu tremer sob seu toque, seu corpo respondendo da única maneira que sabia já que o trauma era duradouro.
Ela ficou ao seu lado, a mão dele na dela, até que o primeiro dos paramédicos foi para a varanda dos fundos.