Antes Que Ele Precise
Capítulo Trinta e um
Assim, Ellington foi liberado para deixar o hospital às 8:30 da manhã seguinte. Mackenzie recebeu a notícia depois de ser acordada na cadeira do quarto de hospital, quando o médico sorriu calorosamente para ela.
Ellington não mostrou sinais de infecção e embora houvesse algumas cicatrizes menores na superfície do pulmão dele, não havia nenhum furo ou dano real. Após um check-up feito uma semana depois em DC, parecia que ele teve muita sorte no encontro com Byron Decker.
Havia um silêncio confortável entre eles durante a finalização do processo. Ela o informou sobre o interrogatório de Decker na delegacia da melhor forma possível.
A última atualização que recebeu tinha chegado na noite anterior, quando Rodriguez a chamou para contar que tudo havia terminado, foi mamão com açúcar. Decker tentou negar nada do que ele tinha feito; mais do que isso, ele começou a entrar em detalhes sobre como ele tinha planejado tudo.
Quando Ellington entrou no banheiro para tirar o roupão hospitalar e colocar suas roupas de normais, Mackenzie viu a ferida onde a faca tinha entrado. Os médicos haviam feito um belo trabalho com os pontos, mas eles estavam escondidos por uma dupla camada de gaze. Ver aquilo fez Mackenzie se sentir desconfortável. Um centímetro a mais e a faca poderia ter prejudicado muito ele. Poderia até ter matado ele.
Eu tenho passado muito tempo em quartos de hospital ultimamente, ela pensou. Infelizmente, uma imagem de Bryers no quarto do hospital veio à sua mente. Não pôde deixar de sorrir, apesar de tudo. Ele estaria orgulhoso dela por gerenciar a resolver este caso, poupando os Vaughans e entregando o assassino para a justiça.
Quando ele voltou estava vestido com jeans e uma camiseta dos Washington Redskins. Os médicos tinham sugerido que ele usasse calças de moletom, malha ou qualquer outro material elástico até ficar curado. Não tendo nenhum daqueles materiais em sua mala, ele teve que se contentar com o jeans.
—Eu pensei em não abotoá-la, para ficar mais folgada no corpo, ele disse quando saiu do banheiro, batendo com as mãos em seu jeans. Mas eu não queria provocá-la. Parece que eu estou fora de operação por um tempo.
—Que pena, disse ela. Foi uma brincadeira tímida, mas ela realmente quis dizer isso.
—Sabe, disse ele, —eu não sou um fã de calças ou bermudas com strech, mas eu acho que tenho uma ideia. Você me ajudaria?
Ela lhe deu um sorriso cético brincalhão enquanto se dirigiam para a porta do quarto de hospital. Eu não sei muito como digerir essa pergunta.
—Apenas confie em mim, disse ele, pegando a mão dela como se fosse a coisa mais natural do mundo.
De mãos dadas, eles se dirigiram para fora do quarto.
Apenas confie em mim, disse ele.
Mackenzie estava um pouco surpresa por perceber que ela confiava nele —firmemente e totalmente.
***
A ideia que ele teve era infantil e um pouco irresponsável, mas Mackenzie foi junto com ele de qualquer maneira. Entre o hospital e o hotel, eles pararam em uma pequena loja de surf, onde Ellington comprou sungas com cores dolorosamente brilhantes.
Quando eles estavam de volta ao hotel, ele colocou a sunga, precisando da ajuda de Mackenzie para equilibrar-se enquanto ele descia a calça jeans e colocava a roupa de banho. Mackenzie, em seguida, carregou as malas enquanto Ellington pagava as contas de quartos.
Levou menos de dois minutos para eles chegarem na praia. Ellington tinha que andar muito lentamente pela passarela de madeira que levava à praia. Ela notou que ele gemeu quando eles desceram os degraus e foram para a areia.
Uns noventa metros ou mais à frente deles, as ondas caiam ao longo da praia. Gaivotas mergulhavam no céu, emitindo sons umas para as outras. À esquerda, algumas crianças estavam jogando um frisbee na água rasa, dançando em torno das ondas.
Era o mesmo pedaço da praia onde Mackenzie usou o seu laptop. Eles acharam o mesmo banco em que ela se sentou; estava desocupado, embora houvesse uma toalha molhada caída sobre ele, a toalha foi deixada e esquecida por um banhista.
Quando se sentaram, Ellington olhou para o oceano com o temor de uma criança. Você gosta de praia? Perguntou.
—Foi indiferente na maior parte da minha vida, disse ela. Mas alguma coisa neste caso me fez sentir atração pela praia. É um lugar calmo de uma maneira caótica.
—Parece com a base da minha vida, disse Ellington. Ele suspirou e olhou para o relógio. Tem ideia de quando sairá o próximo voo para DC? Perguntou.
—Eu nem olhei isso ainda. Eu darei uma olhada nisso em um minuto.
Ele balançou a cabeça, ainda olhando para o oceano. Mackenzie... a noite passada foi incrível. E não há uma parte de mim que não se arrepende. Mas eu sei que você... Eu conheço sua ética de trabalho. Se você acha que vai lhe atrapalhar ou interferir, então eu——
Ela interrompeu-o com um beijo. Foi um beijo lento, apaixonado e intencional. Quando parou, ela sorriu docemente para ele. Eu não estou pensando nisso, disse ela. Eu estou apenas deixando as coisas acontecerem e vivendo o agora.
Ellington pensou sobre isso por um momento, mas depois concordou.
—Desculpe-me, pela patada que eu lhe dei ontem de manhã, disse ela. Sobre o meu pai. Essa coisa toda... isso mexe comigo, mais do que eu imaginava. Mas eu estou processando
isso em mim.
—Está tudo bem. Eu entendi. É pessoal. Dói.
—Sim, é verdade. Mas... bem, tenho feito progressos. Progressos muito recentes. E eu estou cansada de internalizar tudo isso. Eu vou lhe contar tudo, se você quiser ouvir.
—Agora?
—Sim, é.
Ele parecia à vontade. Ele não estava olhando para o oceano. Ele agora estava olhando para ela, dando-lhe a mesma e entusiasmada atenção.
E então, ela contou tudo para ele. Ela começou a contar sobre quando era uma menina em Nebraska, quando foi para o quarto dos pais e encontrou seu pai morto, com um tiro na cabeça. Ela terminou com a descoberta de um cartão de visita em uma situação recente—o cartão em que está escrito o Barker Antiguidades.
Em cada palavra, Mackenzie podia sentir o peso saindo de dentro dela. Era libertador. Era como ter passado por um exorcismo, como sentir uma carga estranha e desagradável sendo expulsa de dentro dela.
Em um determinado momento, ele pegou a mão dela e fez a tarefa de contar tudo aquilo se tornar mais fácil.
Olhou para o Ellington e, em seguida, para o oceano. Algo sobre as ondas a fez se sentir como uma criança novamente. Ela sentia que cada momento de sua história que ela deixava sair era purificado pelas ondas e era sugado pelo mar, para nunca mais ser visto novamente.
Mas isso era uma esperança tola.
Ela disse para o Ellington que o seu passado tinha impregnado nela e isso era inegavelmente verdade. As marcas eram profundas e, de tempos em tempos, machucavam bastante.
Mas, quando contou a história do caso de seu pai e o progresso atual relacionado à reabertura do caso, ela sentiu como se talvez, apenas talvez, um dia ela pudesse ser capaz de remover isso dela de uma vez por todas.