Como se casar com um marquês

Julia Quinn · Capítulo 23 de 26

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Como se casar com um marquês

Capítulo 22

 

 

Quando já se aproximava da cabana de caça do falecido lorde Danbury, Elizabeth, nervosa, mordeu o lábio inferior e parou para reler a mensagem inesperada de lady Danbury.

Elizabeth,

Como deve saber, estou sendo chantageada. Acredito que você possa ter informações que irão

desmascarar o patife que me escolheu como alvo. Por favor, encontre-me na cabana de caça de

lorde Danbury às oito horas hoje à noite.

Com carinho,

Agatha, lady Danbury

Elizabeth não conseguia imaginar por que lady Danbury acreditava que ela possuiria qualquer informação pertinente, mas não tinha motivos para suspeitar da autenticidade do bilhete. Conhecia a letra de lady D. tão bem quanto a própria letra, e aquilo não fora forjado.

Ela não mostrou o bilhete aos irmãos mais novos – preferiu dizer a eles apenas que lady Danbury precisava vê-la e parou por aí. Eles não sabiam nada sobre a chantagem, e Elizabeth não quis preocupá-los, sobretudo porque lady Danbury marcara o encontro para muito tarde. Ainda estava claro às oito, mas, a menos que a condessa quisesse que a reunião durasse apenas alguns minutos, estaria escuro na hora de Elizabeth voltar para casa.

Ela parou com a mão sobre a maçaneta. Não havia nenhuma carruagem à vista, e a saúde de lady Danbury não permitia que ela caminhasse uma distância daquelas. Se a condessa ainda não havia chegado, então a porta provavelmente estaria trancada, e...

Elizabeth conseguiu girar a maçaneta.

– Que estranho... – murmurou, e entrou na cabana.

A lareira estava acesa e havia uma refeição elegante servida à mesa. Elizabeth deu mais alguns passos e girou o corpo em um círculo lento, enquanto reparava nos preparativos. Por que lady Danbury faria...

– Lady Danbury? – chamou. – A senhora está aqui?

Elizabeth sentiu uma presença na porta atrás dela e se virou.

– Não – respondeu James. – Só eu.

Elizabeth levou a mão à boca.

– O que está fazendo aqui? – perguntou em um arquejo.

Ele deu um sorriso de lado.

– O mesmo que você, imagino. Recebeu um bilhete do seu irmão?

– De Lucas? Não, da sua tia.

– Ah, então estão todos conspirando contra nós. Olhe... – James estendeu um pedaço de papel amassado. – Leia isso.

Elizabeth desamassou o bilhete e leu:

Milorde,

Antes que o senhor deixe o distrito, peço que me conceda uma audiência. Há um assunto um

tanto delicado sobre o qual eu gostaria de pedir o seu conselho. Não é algo que um homem

gostaria de discutir com as irmãs.

A menos que eu seja avisado do contrário, vou esperá-lo na cabana de caça de lorde Danbury

às oito horas de hoje à noite.

Sinceramente,

sir Lucas Hotchkiss

Elizabeth mal conteve uma risadinha chocada.

– A letra é de Lucas, mas as palavras saíram direto da boca de Susan.

James sorriu.

– Achei mesmo que soavam um pouco precoces.

– Ele é muito inteligente, é claro...

– É claro.

– ... mas não consigo imaginá-lo usando a frase “um assunto um tanto delicado”.

– Isso sem mencionar – acrescentou James – o fato de que aos 8 anos é pouco provável que ele realmente tenha algum assunto um tanto delicado.

Elizabeth assentiu.

– Ah! Estou certa de que você vai querer ler isso.

Ela entregou a ele o bilhete que recebera de lady Danbury.

James leu e comentou:

– Não estou surpreso. Cheguei alguns minutos antes de você e encontrei isso. – Ele estendeu dois envelopes, um deles marcado com as palavras Leiam agora, e outro com Leiam depois de terem se reconciliado.

Elizabeth abafou uma risada perplexa.

– Essa foi exatamente a minha reação, embora eu duvide que tenha ficado tão encantador quanto você – murmurou ele.

Ela olhou na hora para o rosto dele. James a encarava com uma intensidade tranquila e ardente que a fez perder o ar. Então, sem desviar os olhos dos dela nem por um instante, perguntou:

– Vamos abri-los?

Elizabeth demorou alguns segundos para se dar conta do que ele estava falando.

– Ah, os envelopes. Sim, sim. – Ela umedeceu os lábios, que haviam ficado completamente secos. – Mas os dois?

James levantou o envelope onde se lia Leiam depois de terem se reconciliado e o balançou ligeiramente no ar.

– Posso guardar este para mais tarde, se você acha que teremos motivo para lê-lo logo.

Elizabeth engoliu em seco várias vezes e evitou fazer comentários a respeito disso, dizendo apenas:

– Por que não abrimos o outro para vermos o que diz?

– Tudo bem.

James assentiu com elegância e passou o dedo por baixo da aba do envelope. Então pegou o cartão que estava dentro e, juntos, os dois inclinaram a cabeça para ler:

Para vocês dois:

Tentem não ser completamente idiotas se puderem.

O bilhete não estava assinado, mas não havia dúvida sobre quem o escrevera. A letra longa e elegante era bem conhecida tanto por James quanto por Elizabeth, mas foram as palavras que definitivamente denunciaram lady Danbury como a autora. Ninguém mais conseguiria ser tão deliciosamente rude.

James inclinou a cabeça para o lado.

– Ah, minha adorável tia.

– Não consigo acreditar que ela me enganou dessa forma – resmungou Elizabeth.

– Não consegue? – perguntou ele, sem acreditar.

– Ora, sim, é claro que consigo acreditar nisso. Só não consigo acreditar que ela usaria a chantagem como isca. Fiquei bastante apavorada por ela.

– Ah, sim, a chantagem. – James olhou para o envelope que ainda estava fechado, o que tinha escrito Leiam depois de se reconciliarem. – Tenho a ligeira desconfiança de que vamos encontrar alguma coisa a respeito aqui.

Elizabeth arquejou.

– Acha que ela inventou a chantagem?

– Uma coisa certa é que minha tia nunca pareceu muito preocupada com a minha falta de sucesso em solucionar o crime.

– Abra esse envelope – ordenou Elizabeth. – Imediatamente. Ou mais rápido ainda.

James começou a abri-lo, então parou e balançou a cabeça.

– Não – disse em uma voz preguiçosa –, acho que vou esperar.

– Você quer esperar?

Ele abriu um sorriso sensual para ela.

– Ainda não nos reconciliamos.

– James... – disse Elizabeth, com uma voz que era parte um aviso, parte um anseio.

– Você me conhece – falou ele. – Conhece mais da minha alma do que qualquer outra pessoa neste mundo, talvez até mais do que eu mesmo. Se a princípio não sabia meu nome verdadeiro... ora, tudo o que posso dizer é que você conhece o motivo por que não revelei logo a minha identidade. Eu tinha obrigações a cumprir com a minha tia e devo mais a ela do que jamais poderei pagar.

James esperou que Elizabeth dissesse alguma coisa e, quando ela não o fez, sua voz ficou impaciente.

– Você me conhece – repetiu ele –, e acho que bem o bastante para ter certeza de que eu jamais faria qualquer coisa para magoar ou humilhar você. – As mãos de James pousaram pesadamente sobre os ombros dela e ele lutou contra a vontade de sacudi-la até que ela concordasse. – Porque se não tiver, então não há esperança para nós.

Os lábios de Elizabeth se entreabriram em uma expressão de surpresa, e James viu de relance a ponta sedutora da língua dela. Então de algum modo, ao olhar para aquele rosto que o assombrava havia semanas, ele soube exatamente o que fazer.

Antes que Elizabeth tivesse chance de reagir, James estendeu a mão e pegou a dela.

– Está sentindo? – sussurrou ele, pousando a mão dela sobre seu coração. – Está batendo por você. E isso? – voltou a perguntar, levando a mesma mão aos lábios dele. – Sou eu respirando por você. E meus olhos... enxergam por você. Minhas pernas caminham por você. Minha voz fala por você, e meus braços...

– Pare – pediu Elizabeth com uma voz engasgada, profundamente comovida. – Pare.

– Meus braços – continuou James, a voz agora rouca de emoção. – Eles necessitam de você.

Elizabeth deu um passo à frente – apenas alguns poucos centímetros –, e James percebeu que ela estava próxima, que o coração dela estava muito perto de admitir o inevitável.

– Eu amo você – declarou ele. – Amo você. Vejo seu rosto quando acordo pela manhã e sonho com você todas as noites. Tudo o que sou e tudo o que quero ser...

Elizabeth correu para os braços dele e aninhou o rosto em seu peito.

– Você nunca tinha dito isso – observou ela, a voz quase estrangulada pelos soluços que vinha contendo havia dias. – Nunca tinha dito isso antes.

– Não sei por quê – confessou James, o rosto contra os cabelos dela. – Tive a intenção, mas estava esperando pela hora certa, que nunca chegava, e...

Ela pousou um dedo na boca dele.

– Shhh. Só me beije.

Por uma fração de segundo James ficou paralisado, seus músculos não conseguiram se mover diante do enorme alívio que sentia. Então, dominado pelo medo irracional de que ela desaparecesse de seus braços, puxou-a contra o corpo, a boca devorando a dela em um misto de amor e desejo.

– Pare – pediu James, afastando-se ligeiramente de Elizabeth. E, enquanto ela o encarava confusa, estendeu a mão para os cabelos dela e soltou um grampo. – Nunca os vi soltos. Já os vi desalinhados, mas nunca soltos, brilhando sobre os seus ombros.

Um por um, ele tirou os grampos, cada um deles soltando um longo cacho de cabelos dourados. Por fim, quando todo o cabelo cascateava livre pelos ombros dela, James a segurou a certa distância e girou-a devagar.

– Você é a mulher mais linda que eu já vi – sussurrou.

Elizabeth ruborizou.

– Não seja tolo – balbuciou. – Eu...

– A mulher mais linda – repetiu ele. Então, puxou-a de volta, segurou um cacho perfumado e deslizou-o sobre a boca. – Seda pura. Quero sentir isso quando for para a cama à noite.

Elizabeth pensara que sua pele estava quente antes, mas esse último comentário levou-a além do limite. Seu rosto queimava, e ela usaria os cabelos para esconder o rubor se James não houvesse tocado a parte de baixo de seu queixo e inclinado a cabeça dela para trás para que pudesse olhar nos olhos dela.

Ele se inclinou para a frente e beijou o canto da boca da amada.

– Logo você não vai mais ficar ruborizada. – E beijou o outro canto. – Ou talvez, se eu tiver sorte, conseguirei continuar a deixá-la ruborizada todas as noites.

– Eu amo você – deixou escapar Elizabeth, sem saber exatamente por que estava dizendo aquilo naquele momento, mas certa de que precisava falar.

O sorriso de James ficou mais largo e seus olhos arderam de orgulho. Mas em vez de dizer algo em resposta, ele segurou o rosto dela entre as mãos e a puxou para outro beijo, este mais profundo e mais íntimo do que qualquer outro.

Elizabeth se sentiu dissolver nele, e o calor de James penetrou nela, atiçando um fogo que já ameaçava escapar do controle. O corpo dela latejava de excitação e desejo, e quando James a levantou nos braços e a carregou na direção do quarto, Elizabeth não soltou sequer um murmúrio de protesto.

Segundos depois, os dois caíram sobre a cama. Elizabeth sentiu as roupas sendo retiradas, peça por peça, até estar usando apenas a camisa de baixo, de algodão fino. O único som que se ouvia era o da respiração dos dois, até James dizer em uma voz entrecortada:

– Elizabeth... Eu não vou... Eu não posso.

Ela o fitou, fazendo todas as perguntas com o olhar.

– Se quer que eu pare – conseguiu avisar ele –, diga-me agora.

Elizabeth estendeu a mão e tocou o rosto dele.

– Tem que ser agora – insistiu ele, a voz rouca –, porque em um minuto não serei capaz de....

Ela o beijou.

– Ah, Deus – gemeu James. – Ah, Elizabeth.

Elizabeth sabia que deveria tê-lo feito parar. Deveria ter saído correndo do quarto e não ter permitido que ele chegasse a menos de 6 metros dela até que os dois estivessem diante do altar, como marido e mulher. Mas ela estava descobrindo que o amor era uma emoção poderosa, e a paixão também. E nada, nem o decoro, nem uma aliança de casamento, nem mesmo o dano eterno à reputação e ao bom nome dela, poderia impedi-la de se entregar àquele homem naquele momento e encorajá-lo a fazer com que ela fosse dele.

Elizabeth levou os dedos trêmulos aos botões da camisa dele. Ela nunca tivera um papel tão ativo na relação física deles, mas, que Deus a ajudasse, queria muito tocar a pele quente do peito dele. Queria deixar os dedos correrem pelos músculos fortes e sentir o coração dele pulsando de desejo.

As mãos dela desceram pelo abdômen de James e se demoraram ali por um momento antes de puxar delicadamente a camisa de linho para fora dos calções dele. Com um arrepio de orgulho, Elizabeth viu os músculos se contraindo e relaxando sob seu toque delicado, e percebeu que o desejo de James era grande demais para que ele conseguisse contê-lo.

O fato de aquele homem, que perseguia criminosos por toda a Europa e que, de acordo com Caroline Ravenscroft, fora perseguido por inúmeras mulheres, perder o controle sob o toque dela deixava Elizabeth muito excitada. Sentiu-se muito... muito mulher ao observar sua mão pequena traçando círculos e corações sobre os planos suaves do peito e do estômago dele. E quando James prendeu o ar e disse o nome dela em um gemido, Elizabeth se sentiu infinitamente poderosa.

Ele permitiu que ela o explorasse daquele jeito por um minuto inteiro antes de deixar escapar um grunhido rouco do fundo da garganta, e de rolar para o lado, levando Elizabeth com ele.

– Chega – pediu James em um arquejo. – Não consigo... nem mais um...

Elizabeth aceitou isso como um elogio e seus lábios se curvaram em um sorriso secreto e sensual. Mas durou pouco a empolgação dela por estar no controle. Não demorou muito e James rolou-a de lado, então posicionou-a de frente para ele e, antes que Elizabeth conseguisse respirar de novo, ele estava montado nela, olhando-a com uma expectativa muito masculina, carregada de puro desejo.

Os dedos de James encontraram os botões minúsculos que se acomodavam entre os seios dela e, com uma destreza e uma velocidade espantosa, desabotoou os cinco.

– Ah – murmurou ele, descendo a camisa de baixo pelos ombros dela –, era disso que eu precisava.

James desnudou os seios dela e deixou os dedos correrem pelo colo antes de deslizarem mais para baixo.

Elizabeth agarrou os lençóis para se impedir de se cobrir. Ele a ficou olhando com uma intensidade tão ardente que ela sentiu o calor e a umidade se acumularem entre as pernas. James ficou imóvel por quase um minuto, sem erguer um único dedo para acariciá-la, apenas mirando os seios dela e umedecendo os lábios enquanto observava os mamilos de Elizabeth se enrijecerem.

– Faça alguma coisa – pediu ela finalmente, em um arquejo.

– Isso? – perguntou James baixinho, acariciando um dos mamilos com a palma da mão.

Ela não disse nada, apenas lutou para conseguir respirar.

– Isso?

Ele moveu a mão para o outro lado e beliscou o mamilo gentilmente.

– Por favor – implorou Elizabeth.

– Ah, deve estar se referindo a isso – disse ele com a voz rouca, as palavras se perdendo enquanto ele se inclinava e capturava o mamilo com a boca.

Elizabeth deixou escapar um gritinho. Uma de suas mãos se enrolou no lençol em uma espiral firme, enquanto a outra ficou afundada nos cabelos cheios de James.

– Ah, não era isso o que você queria? – provocou ele. – Talvez eu precise prestar mais atenção ao outro lado.

Então ele fez de novo, e Elizabeth teve certeza de que morreria se James não fizesse alguma coisa para aliviar aquela tensão absurda que crescia dentro dela.

Ele se afastou dela apenas pelo tempo suficiente para despir a camisa de baixo que ela ainda usava. Então, enquanto James se livrava do próprio cinto, Elizabeth puxou a coberta fina por cima do corpo.

– Você não vai conseguir se esconder por muito tempo – avisou ele, a voz densa de desejo.

– Eu sei. – Ela ficou ruborizada. – Mas é diferente quando você está perto de mim.

James a encarou com curiosidade enquanto voltava para a cama.

– O que quer dizer?

– Não consigo explicar. – Ela deu de ombros. – É diferente quando você pode ver tudo de mim.

– Ah – disse ele devagar –, isso quer dizer que eu posso olhar para você assim?

Com um olhar provocador, ele puxou o lençol até desnudar um dos ombros sedosos, que logo começou a beijar apaixonadamente.

Elizabeth se agitou e riu.

– Entendo – falou ele, adotando um estranho sotaque estrangeiro só por diversão. – E quanto a isso? – James abaixou a mão, levantou o lençol dos pés dela e começou a fazer cócegas em seus dedos.

– Pare! – pediu ela, entre gritinhos.

Ele se virou de volta para Elizabeth e a encarou com seu olhar mais provocante.

– Eu não tinha ideia de que você era tão sensível. – E fez um pouco mais de cócegas nos dedos dela. – Sem dúvida é algo importante a se saber.

– Ai, pare! – arquejou Elizabeth. – Por favor, pare! Não aguento mais!

James sorriu para ela com todo o amor que tinha no coração. Era muito importante para ele que a primeira vez fosse perfeita para ela. Vinha sonhando com aquele momento havia semanas, com o modo como mostraria a Elizabeth que o amor entre um homem e uma mulher podia ser muito especial. E se ele não havia se imaginado especificamente fazendo cócegas nos pés dela, havia, sim, imaginado Elizabeth com um sorriso no rosto.

Exatamente como acontecia naquele momento.

– Ah, Elizabeth – murmurou James, inclinando-se para um beijo delicado na boca da jovem –, amo tanto você... Precisa acreditar em mim.

– Acredito em você, porque vejo nos seus olhos o que sinto no meu coração – disse ela baixinho.

James sentiu os olhos marejados de lágrimas, e não teve palavras para expressar a torrente de emoção que aquela declaração tão simples desencadeou. Ele voltou a beijá-la, dessa vez traçando a linha externa dos lábios dela com a língua, enquanto deslizava a mão pela lateral do corpo dela.

James sentiu que Elizabeth enrijecia o corpo em expectativa, os músculos se agitando sob o toque dele. Mas quando a mão de James alcançou o ponto mais íntimo da feminilidade dela, Elizabeth abriu as pernas ligeiramente para recebê-lo. Ele brincou com os pelos que a cobriam ali e, quando ouviu a respiração dela ficar irregular e entrecortada, foi mais fundo. Ela já estava pronta para ele, graças a Deus, porque James não estava certo se conseguiria esperar nem mais um instante.

Ele afastou mais as pernas de Elizabeth e se posicionou entre elas.

– Isso pode doer – avisou James e notou a preocupação na própria voz. – Não há outra forma, mas depois fica melhor, eu prometo.

Elizabeth assentiu, e ele notou que o rosto dela havia ficado ligeiramente tenso ao ouvir as palavras dele. Maldição. Talvez não devesse tê-la avisado. Não tinha experiência com virgens, não tinha a menor ideia do que fazer para diminuir a dor dela. Tudo o que poderia fazer era ser delicado, ir devagar – por mais difícil que fosse diante do desejo mais intenso que já sentira – e esperar pelo melhor.

– Shhh – sussurrou ele, passando a mão pela testa dela. James se adiantou alguns centímetros, até a ponta de seu membro estar pressionada contra o corpo dela. – Está vendo? – perguntou baixinho. – Não é nada extraordinário.

– Você é enorme – retrucou ela.

Para grande choque de James, uma risada escapou de seus lábios.

– Ah, meu amor, normalmente eu tomaria isso como o maior dos elogios.

– E agora... – provocou Elizabeth.

Os dedos de James desceram com carinho pela têmpora dela até a linha do maxilar.

– Agora tudo o que eu quero é que você não se preocupe.

Ela balançou ligeiramente a cabeça.

– Não estou preocupada. Um pouco nervosa, talvez, mas não preocupada. Sei que você tornará este momento maravilhoso. Você torna tudo maravilhoso.

– Farei isso – disse ele com fervor contra os lábios dela. – Prometo.

Elizabeth arquejou quando ele arremeteu um pouco mais, penetrando-a. A sensação foi muito estranha e, por incrível que pareça, muito correta, como se ela tivesse sido feita para aquele momento, criada para receber aquele homem em um ato de amor.

James passou as mãos ao redor do traseiro dela e a levantou ligeiramente. Elizabeth voltou a arquejar ao sentir a diferença que a nova posição fez quando ele deslizou facilmente para dentro dela até alcançar a prova de sua inocência.

– Depois deste momento – disse James, a voz ardente contra o ouvido dela –, você será minha.

Então, sem esperar, ele arremeteu mais, e capturou o “Ah!” que Elizabeth deixou escapar com um beijo profundo.

Com as mãos ainda sob o corpo dela, James começou a se mover. Elizabeth arquejava a cada arremetida, até que, sem se dar conta, começou a se mover também, acompanhando-o no ritmo ancestral.

A tensão que vinha se acumulando dentro dela ficou mais forte, mais urgente, e Elizabeth sentiu como se estivesse indo além da própria pele. Então algo mudou, e a sensação agora era de estar despencando de um penhasco, até o mundo explodir ao seu redor. Um segundo mais tarde, James emitiu um grito rouco e as mãos dele agarraram os ombros de Elizabeth com uma força enorme. Por um instante, foi como se ele estivesse morrendo, então o rosto dele assumiu uma expressão de plenitude absoluta e ele caiu por cima dela.

Algum tempo se passou e o único som que ouviam era o da respiração de ambos, que se acalmava aos poucos. James rolou para o lado, puxou Elizabeth contra o corpo e aconchegou-se contra ela, os dois ficando como duas colheres encaixadas.

– É isso – disse ele com a voz trêmula. – É isso que venho procurando por toda a minha vida.

Elizabeth assentiu contra o corpo dele e eles dormiram.

 

Horas mais tarde, Elizabeth acordou com o som dos pés de James se movendo no piso de madeira da cabana de caça. Ela não o sentira levantar da cama, mas lá estava ele, voltando para o quarto, nu como no dia em que havia nascido.

Elizabeth sentiu-se dividida entre a urgência de desviar os olhos e a tentação de observá-lo sem qualquer pudor. E terminou fazendo um pouco dos dois.

– Olhe o que esquecemos – disse James, acenando alguma coisa no ar. – Encontrei isso no chão.

– A carta de lady Danbury!

Ele ergueu as sobrancelhas e brindou-a com o sorriso mais libertino.

– Devo ter deixado cair na minha pressa de possuí-la.

Elizabeth achava que, com tudo o que acontecera, ele não seria mais capaz de fazê-la ruborizar, mas ao que parece estava errada.

– Abra logo! – resmungou.

James pousou uma vela sobre a mesinha de cabeceira e se acomodou ao lado dela na cama. Uma vez que ele não abriu o envelope na velocidade que ela desejava, Elizabeth agarrou o papel da mão dele e o abriu. Dentro, havia outro envelope, com as seguintes palavras escritas na frente:

Vocês estão trapaceando, não estão? Realmente querem abrir isso antes de se reconciliarem?

Elizabeth levou a mão à boca e James nem se deu o trabalho de abafar as risadas que subiram por sua garganta.

– Desconfiada ela, não? – brincou ele.

– Provavelmente com razão – admitiu Elizabeth. – Quase abrimos o envelope antes de nos...

– De nos reconciliarmos? – ajudou James com um sorriso travesso.

– Sim, exatamente – murmurou ela.

Ele gesticulou para o envelope nas mãos dela.

– Vai abrir?

– Ah, sim, é claro.

Agindo com um pouco mais de decoro dessa vez, ela ergueu a aba do envelope e tirou de dentro uma folha de papel branca, cuidadosamente dobrada ao meio. Elizabeth desdobrou-a e, com uma cabeça encostada na outra, à luz da vela, os dois leram:

Meus filhos mais queridos,

Sim, é verdade. Meus filhos mais queridos. No fim, é assim que os considero. James, nunca vou esquecer do dia em que o trouxe para a Casa Danbury. Você estava muito

desconfiado, muito relutante em acreditar que eu poderia amá-lo por quem é. Todo dia eu o

abraçava, tentando mostrar o significado de ser uma família. Então, um dia, você me abraçou de

volta e disse: “Amo você, tia Agatha.” E desse momento em diante você foi como um filho para

mim. Eu daria a minha vida por você, mas desconfio que já saiba disso.

Elizabeth, você entrou na minha vida quando o último dos meus filhos havia se casado e

partido daqui. Desde o primeiro dia, você me ensinou o que significa ser corajosa, leal e fiel

àquilo em que se acredita. Ao longo desses últimos anos, tem sido um enorme prazer vê-la

desabrochar e crescer. Quando você veio pela primeira vez à Casa Danbury, era tão jovem,

imatura e suscetível... Mas em algum lugar ao longo do caminho, você desenvolveu uma

determinação e uma segurança que causaria inveja a qualquer jovem mulher. Você não me bajula e

nunca me permitiu intimidá-la; esse provavelmente é o maior presente que uma mulher como eu

pode receber. Eu daria tudo o que possuo para chamá-la de minha filha, mas também desconfio de

que já sabe disso.

Portanto, é assim tão estranho que eu tenha sonhado em juntar vocês dois, as minhas duas

pessoas favoritas? Eu sabia que não poderia seguir os meios tradicionais. James certamente

resistiria a qualquer tentativa da minha parte de fazer o papel de casamenteira. Afinal é um

homem e, portanto, estupidamente orgulhoso. E eu sabia que nunca conseguiria convencer

Elizabeth a viajar para Londres para aproveitar uma temporada social às minhas custas. Ela

nunca participaria de qualquer coisa que a deixasse longe da família por muito tempo.

E assim nasceu a minha pequena farsa. Começou com um bilhete para James. Você sempre quis

me ajudar como eu o ajudei, meu menino. Foi bem fácil imaginar uma chantagem. (Preciso divagar

por um momento para lhe assegurar que o motivo da chantagem foi totalmente inventado, e todos

os meus filhos são legítimos e foram, é claro, gerados pelo falecido lorde Danbury. Não sou o tipo

de mulher que rompe os votos do matrimônio.)

Estava quase certa de que, se eu conseguisse arrumar uma forma de vocês dois se conhecerem,

acabariam se apaixonando (raramente me engano sobre esse tipo de coisa), mas, só para plantar

ideias na cabeça de Elizabeth, deixei estrategicamente à vista minha antiga cópia de Como se

casar com um marquês. Nunca houve um livro mais tolo, mas eu não via outro modo de fazê-la

considerar a possibilidade do casamento. (No caso de estar se perguntando, Lizzie, eu a perdoo

por roubar o livro da minha biblioteca. Era minha intenção que você fizesse isso, com certeza, e

pode ficar com ele como uma lembrança do encontro amoroso de vocês.)

Essa é minha confissão completa. Não vou pedir perdão a vocês porque não há nada a ser

perdoado. Suponho que alguns talvez se ofendessem com meus métodos, e normalmente eu nem

sequer sonharia em orquestrar uma situação tão comprometedora, mas estava claro que vocês dois

são teimosos demais para enxergar a verdade de qualquer outra maneira. O amor é um presente

precioso, e vocês fariam bem se não o jogassem fora por causa de um orgulho tolo.

Espero que estejam aproveitando a cabana de caça; vocês vão perceber que previ cada uma de

suas necessidades. Por favor, fiquem à vontade para passar a noite – ao contrário da crença

popular, não controlo as condições climáticas mas venho negociando com o cavalheiro do andar

de cima uma violenta tempestade, do tipo que faria com que ninguém se aventurasse a sair ao ar

livre.

Vocês podem me agradecer no dia em que se casarem. Já consegui uma licença especial no

nome de vocês.

Carinhosamente,

Agatha, lady Danbury

Elizabeth estava boquiaberta.

– Não consigo acreditar nisso – disse em um sussurro. – Ela arquitetou tudo.

James revirou os olhos.

– Eu consigo.

– Não posso acreditar que ela deixou aquele maldito livrinho à mostra, porque sabia que eu o pegaria.

James assentiu.

– Posso acreditar nisso também.

Ela se virou para ele, os lábios ainda entreabertos de surpresa.

– E ela já tem até uma licença especial.

– Nisso eu não consigo acreditar – admitiu ele. – Mas só porque eu também consegui uma, e estou um pouco surpreso pelo fato de o arcebispo ter feito uma duplicata.

A carta de lady Danbury escapou da mão de Elizabeth e pousou sobre o lençol.

– Você conseguiu uma licença?

James pegou a mão de Elizabeth e levou-a aos lábios.

– Quando eu estava em Londres, procurando o chantagista fictício de Agatha.

– Você quer se casar comigo – declarou Elizabeth, ainda em um sussurro.

As palavras dela foram uma afirmação, não uma pergunta, mas soaram como se ela não conseguisse acreditar completamente naquilo.

James abriu um sorriso divertido para ela.

– Eu só tentei pedi-la em casamento uma dezena de vezes nos últimos dias.

Elizabeth balançou a cabeça, como se estivesse acordando de um sonho.

– Se tentar de novo – disse ela em tom malicioso –, talvez eu lhe dê uma resposta positiva.

– É mesmo?

Elizabeth assentiu.

– Definitivamente, sim.

Ele correu o dedo pela lateral do pescoço dela e sentiu o sangue acelerar nas veias quando viu o modo como o toque a fazia estremecer.

– E o que a fez mudar de ideia? – murmurou ele.

– Alguém pode pensar – falou ela em um arquejo quando o dedo dele deslizou mais para baixo – que tem alguma coisa a ver com o fato de estar com a minha virtude comprometida, mas se quer mesmo saber a verdade...

Ele se inclinou mais para perto dela, com um sorriso selvagem no rosto.

– Ah, com certeza quero saber a verdade.

Elizabeth permitiu que ele diminuísse a distância entre os dois para pouquíssimos centímetros antes de dizer:

– Foi o livro.

James ficou paralisado.

– O livro?

– Como se casar com um marquês. – Ela ergueu a sobrancelha. – Estou pensando em escrever uma edição revisada.

Ele ficou pálido.

– Você está brincando.

Elizabeth sorriu e remexeu o corpo sob o dele.

– Estou?

– Por favor, diga que está brincando.

Ela desceu o corpo um pouco mais na cama.

– Vou fazê-la dizer que está brincando – grunhiu James.

Elizabeth levantou os braços e passou-os ao redor dele, sem nem perceber o ribombar do trovão que sacudiu as paredes.

– Por favor, faça.

E ele fez.