De lagarta a borboleta: Quando o amor se transforma
Parte XII
P A R T E X I I
Bianca havia conhecido Pedro há
pouco tempo e já começavam uma relação mais séria. Estava bastante empolgada e foi até à casa de Gabi contar a novidade:
— Fico feliz por você,
Bianca...de verdade. Espero que ele te faça muito feliz, pois você merece. — abraçou a sua amiga e lhe deu um beijo no rosto.
Bianca olhou mais atentamente
para a sua amiga:
— Nossa, Gabi, você está muito
magra! Gabriela olhou-se e em seguida, disfarçou:
— Também não é tanto assim! —
Gabriela levantou a blusa. Olhando para a sua barriga e depois de ver que sua amiga tinha razão, baixou-a rapidamente.
— Está sim. E com olheiras
também. Você tem chorado muito não é mesmo?
Gabriela baixou os olhos. Em
seguida, tentou mudar de assunto:
— Bianca, não vamos falar dos
meus problemas! Você está aí, toda feliz, com seu namorado novo. Me conta...como ele é?
Bianca sorriu:
— Ah, ele é muito divertido. E atencioso também. Você vai gostar dele.
— E quando vou conhecê-lo?
— Então...hoje à noite. Tem uma
festa para irmos. Vim te convidar. — Bianca deu um sorriso malicioso — E ele vem com um amigo...
— Nem vem, Bianca, mas não
estou com ânimo para conhecer ninguém...
— Nada disso! Não vou deixar
você aqui sozinha, em pleno sábado â noite, com essa cara de velório. Gabi, você precisa reagir. — Olho-a, levantando as sobrancelhas e perguntando: — Até quando hein?
Gabriela sentou na cama e
suspirou alto. Bianca sentou-se do seu lado e começou:
— Gabi, você sabe o quanto gosto
de Malu...gosto mesmo, de verdade. E sempre apoiei vocês duas, desde o início. Mas agora...vendo você assim, magra, abatida, sofrendo desse jeito...até quando você vai aceitar essa situação?
— Sinceramente, não sei. Eu
tento ficar longe dela...me afasto por uns dias, mas ela me procura, me liga, diz que se arrependeu, chora e aí acabo cedendo. Daí aquela mulher aparece, como um fantasma e ela me deixa sozinha e... enfim...
Bianca parecia intrigada:
— Eu realmente não entendo. Nas
vezes em que conversamos ela afirma o tempo inteiro que te ama...e eu sinto que está sendo sincera. Mas porque está fazendo isso?
— Eu não sei. Não sei mais de
nada... — Gabi colocou as duas mãos sobre o rosto, esfregando-o, exasperada.
— Gabi, olha só: ninguém, além
de você, pode dar um basta nisso. Quanto tempo tem isso? cinco, seis meses...?
— Um ano — Gabriela sussurrou
de forma quase inaudível. Bianca abriu a boca, espantada:
— O quê? Um ano? — quase
gritou. — Não posso acreditar...
— Não estamos mais juntas. Da
última vez ela disse que não tinha mais nada com Laura. Que tinha acabado de vez. Nino tinha acabado de se mudar. Alugou um apartamento, aqui perto de casa.
— Gabriela começou a contar...
— quase todas as noites eu ia pra lá, fazer companhia a ele, tomar um vinho e conversarmos, até de madrugada. Sabe como Nino adora Malu, não é? Logo ela passou a frequentar a sua casa também e nos reaproximamos. Ele e sua mania de querer nos juntar... — Gabi riu ao lembrar o dia em que Nino ligou para ela, dizendo que estava passando mal e ao chegar à escada o encontrou, caído ao chão da cozinha, com os braços estirados. Gabi gritou seu nome, sacudindo-o desesperada, quando de repente, ele abre os olhos e fala teatralmente:
— Tcharam! E Malu aparece.
Gabi sentia vontade de bater nele, mas acabou achando graça da sua tentativa de unir as duas. Era um amigo leal, inteligente, criativo e tinha alma de artista. Estilo próprio, alternativo. Eram muito unidos. Gabi o amava como a um irmão.
— E então — Gabi continuou —
certa noite, Laura foi até lá e fez o maior escândalo. Disse que Malu estava enganando a nós duas. Malu disse a ela, na minha frente, que me amava e que ela havia destruído a sua vida, entre outras coisas. Aquilo não me deixou feliz. Já estava cansada de tanta exposição. Deixei-as brigando e subi, sem dar uma palavra. Malu ainda insistiu para que eu conversasse sobre o que houve, mas eu pedi que me deixasse dormir e não falei mais sobre o assunto.
— Vocês voltaram de novo? —
Bianca perguntou, interessada.
— Na época, sim. Nino nos deu
muita força, cedendo a casa dele para nos encontrarmos, com todo o prazer do mundo. Tudo "quase" voltou a ser como antes. Jantávamos juntos, nós três, regados a vinho e muitas risadas. Depois ele inventava uma desculpa para sair e nos deixava sozinhas. Viajou para o carnaval e nos deu a chave. Passamos todas as noites juntas. Muito bom...
— E Laura? Não ligou, nem
perturbou vocês?
— Que eu saiba, não.
Simplesmente sumiu.
— E o que aconteceu depois?
— Depois de mais ou menos um
mês, minha paz acabou.
Os olhos verdes de Bianca
estavam atentos. Ela gostava de saber de todos os detalhes:
— Malu marcou comigo e não
apareceu. Olhei em direção à casa de Oswaldo e vi que a luz estava acesa, mas a janela fechada. Estranhei, pois naquele horário ele estaria dando aula. Você sabe como é a minha intuição não é?
— E como sei...
— Pois é. Pensei em ir até lá, mas
elas não atenderiam. Então, por coincidência, Mário, que divide o apartamento com Oswaldo, estava indo pra lá e eu pedi a chave a ele. A princípio ele não quis me dar, argumentou que não queria problemas, mas eu insisti e disse que precisava resolver isso, que não aguentava mais ser enganada. Ele, então, cedeu, mas não quis ir até lá comigo.
As lembranças daquele dia foram
se abrindo em sua mente e ela descreveu-os, como se fosse naquele momento:
— Quando Malu me viu, não
coube em si de tanto espanto.
Laura intimidou-se também, mas
logo eu comecei a falar:
— Laura, não se preocupe. Dessa
vez eu não vou te agredir. Eu vim desmascarar Malu e acabar de vez com essa palhaçada.
— Nossa! E ela?
— Totalmente desarmada.
Colocamos ela contra a parede e eu confesso que nunca vi Malu tão desesperada. Tentou sair pela tangente e colocar a culpa em nós duas, disse que a estávamos pressionando. — Gabi estreitou os olhos. — falou que nós duas havíamos nos juntado para acabar com ela. Você consegue imaginar isso?
— Meu Deus, que situação!
— Oh Bianca, você não tem
noção de como foi horrível! — Laura me dizendo as coisas que ela falava...e eram as mesmas que dizia pra mim... Em seguida, falei na sua frente tudo o que ela me dizia de Laura e mandei-a negar...Malu ficou sem chão. Nós duas gritamos muito. E choramos depois, as três, cada uma em seu canto...Gritei com todos os meus pulmões, que ela ia morrer sozinha e que ia me pagar por tudo que estava fazendo...Malu se ajoelhou pra mim na sala e depois pra ela, na cozinha... — Bianca abriu a boca, surpresa — Eu não aguentei, acabei dando um tapa na cara dela e Laura fez o mesmo. Quebramos umas taças e também o espelho...os vizinhos até quiseram chamar a polícia...
— Sério?
— Sim. Foi horrível...
— Meu Deus! — Bianca
exclamou — e depois?
— Laura saiu de lá comigo e
disse que tínhamos de nos vingar de Malu. Mas eu falei que não tinha essa intenção. Que só queria viver a minha vida em paz, longe de tudo isso. Malu apareceu e eu deixei as duas brigando e entrei pra minha casa. Me joguei na cama, chorei e dormi. Fim. — Gabi tentou ironizar, mas só conseguiu sorrir tristemente.
— Poxa, Gabi, gostaria muito de
fazer algo por você...
— Mas você pode fazer algo por
mim.
— Posso?
— Claro! Pode me ajudar a
escolher uma roupa bem bonita para irmos a essa festa hoje à noite!
Bianca abriu um sorriso e bateu
palmas:
— Muito bem! É assim que se
fala! Abriu o guarda — roupa:
— Vamos ver... o que temos aqui?
— tirou alguns cabides e colocou sobre a cama.
— Minhas calças não servem
mais em mim. Estão todas folgadas. — Gabi lamentou.
— E quem foi que falou em
calça? — Bianca tirou do cabide um vestido preto justo e colocou na frente de Gabi, afirmando:
— Você vai com este aqui.
Vestida para matar! — Bianca deu uma piscada e Gabi sorriu, balançando a cabeça.
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O novo namorado de Bianca
realmente era muito agradável e simpático. Gabi gostou dele instantaneamente. Logo, já conversavam como velhos amigos. Lhe apresentou Alexandre, que a olhou, interessado e depois de dar-lhe dois beijinhos no rosto, perguntou se ela queria algo para beber. Gabi disse que aceitava uma caipirinha e Bianca decidiu acompanha-la. Assim que os dois saíram, Bianca lhe perguntou, empolgada, um pouco alto, por causa do barulho:
— E aí, o que achou dele?
— De Pedro? — fez sinal com o
polegar. — parece ser uma ótima pessoa.
— Não né Gabi...estou falando de
Alexandre. Gabriela deu de ombros.
— Parece uma boa pessoa
também.
— Ele é um gato! Você não
achou?
— Sim, é bonito — Gabi disse,
desinteressada e Bianca revirou os olhos, batendo em seu ombro em seguida — Acorda, mulher, ele não tirou só olhos de você.
Nesse mesmo instante, os rapazes
chegaram com a bebida, ao mesmo tempo em que o show começou. Pararam um momento para assistir e ao olhar para o lado, Gabi sorriu, ao ver Bianca e Pedro que dançavam, abraçados, dizendo palavras de amor no ouvido do outro e beijando-se vez ou outra.
Alexandre olhou Gabi pelo canto
do olho e ela, também, pelo canto do olho, percebeu. Continuou olhando para o palco e sentiu Alexandre se aproximar, chamando-a para dançar. Aceitou.
Enquanto dançavam, sentiu que
Alexandre a apertava contra si e então, afastou-se discretamente, mantendo certa distância entre eles. Fingia ouvir o que ele dizia, em meio ao barulho e apenas balançava a cabeça, afirmativamente ou respondia com monossilábicos. Foi quando viu Malu.
Ela estava parada à sua frente,
olhando-a de forma tão intensa que Gabi errou o passo. Vítor estava com ela e acenou para Gabi, de forma entusiasmada com seu largo sorriso. Gabriela jogou um beijo para ele.
Alexandre há abraçou um pouco
mais e Gabi pôde ver a expressão enciumada de Malu, que a olhava, com raiva. Decidiu, então, provoca-la e passou a responder às investidas de Alexandre, sorrindo e jogando os cabelos para trás. Ele encostou os lábios no dela e antes que pudesse entender o que estava acontecendo, Malu já estava ao seu lado, apertando o seu braço fortemente e a olhando de maneira faiscante. Entre os dentes, sussurrou:
— O que você pensa que está
fazendo?
— Me solta! — Gabi falava em
tom baixo, quase sem mexer os lábios, tamanho era o seu constrangimento.
— Você vai deixar esse cara aí e
vem comigo agora!
Alexandre olhava, sem nada
entender e então, Pedro, tentando amenizar o clima que pairava ali, cumprimentou Malu de forma efusiva, abraçando — a calorosamente:
— Malu! Bom te ver! Você está
linda hein?
Ela tirou os olhos de Gabi e o
abraçou, com o mesmo entusiasmo. Por um momento, parecia que nada havia acontecido. Gabi a odiou por conseguir conquistar todos tão facilmente, enquanto que por dentro, sentia vontade de mata-la.
Enquanto Alexandre se distrai,
Pedro enlaça o pescoço de Malu e cochicha, disfarçadamente:
— Deixa para conversarem só as
duas, depois, a sós...hum? que tal? piscou para Malu e ela fez sinal que estava tudo bem. Deu um beijo no rosto de Bianca, olhou para Gabi com raiva e saiu.
Alexandre foi o mais discreto
possível. Sequer comentou sobre o que aconteceu. Gabi, incomodada, pediu licença, avisando que ia ao banheiro.
Olhou-se no espelho e ajeitou os
cabelos. Já ia abrindo a bolsa para retocar a maquiagem, quando sentiu que alguém a arrastava pelo braço até um dos boxes fechando a porta, em seguida.
Malu estava enfurecida:
— Porque você está fazendo isso?
— Abra essa porta que eu quero
sair.
— Gabi, eu estou falando com
você. Não vai ficar com esse cara, vai?
— E se eu ficar, o que acontece?
— Gabi levantou a cabeça, desafiando-a:
— Você não faria isso...não na
minha frente.
— Então quer dizer que você
pode e eu não ...é isso? Deixe de ser ridícula! Quer pagar pra ver?
— Eu não vou aceitar. Vou agora lá dizer que você é minha namorada.
Gabi riu alto:
— Sua namorada? acho que você
está enganada. Não sou mais. Falando nisso...cadê a sua nova namorada? Não veio?
— Eu não tenho mais nada com
Laura. É você que eu quero.
Olharam-se nos olhos por alguns
segundos, em seguida, Gabi virou-se para sair.
Malu pegou em seu braço e
apertou, enquanto Gabi tentava soltar-se:
— Se não me largar, eu vou
gritar!
— Então grita!
Gabriela ameaçou gritar, abrindo
a boca, mas Malu cobriu-a com a sua própria mão. Em seguida, tentou beija-la e Gabi virou o rosto. Malu a olhou, magoada:
— Você quer ir, não é? então vá!
— abriu a porta. — eu sei que mereço.
Gabriela olhou constrangida para
as pessoas que estavam do lado de fora. Provavelmente haviam percebido o que acontecera ali. Mesmo assim, levantou a cabeça e saiu.
— Nossa, que demora! — Bianca
reclamou, discretamente.
— Depois te conto o que houve.
— Gabi falou no ouvido da amiga e em seguida forçou um sorriso para Alexandre, que lhe estendeu a mão e ela, então, aceitou novamente o seu pedido para dançar.
Depois de um tempo, reclamou:
— Estou cansada. Se importam se
eu for embora? — Gabi perguntou.
— Você não vai embora sozinha.
Iremos todos juntos — Disse Pedro. Quer ir agora? — perguntou a Bianca.
— Quero sim. Estou cansada
também. E meus pés doem.
Pedro deu a mão a Bianca e
saíram na frente. Alexandre tentou fazer o mesmo, mas Gabriela sentiu-se desconfortável. Ele, então, percebendo, apenas enlaçou a sua cintura enquanto esperavam as pessoas, que saíam, em fila.
Já lá fora, Gabi olhou para o lado
e viu, a alguns metros, Malu sentada, chorando, com o rosto escondido entre os braços, que estavam dobrados sobre a perna, enquanto Vítor a consolava.
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Assim que chegaram a sua casa,
Gabi desceu do carro e despediu-se de Pedro, estendendo-lhe a mão, que ele beijou com carinho e respeito:
— Foi um prazer conhecê-lo.
— Igualmente.
— Cuide bem da minha amiga,
senão... — Gabi fez um sinal com a palma da mão e os dois riram:
— Pode deixar. — olharam-se
apaixonados.
Enquanto os dois se despediam
dentro do carro, Alexandre desceu para acompanha-la:
— Entregue. Sã e salva.
— E com sono. — Gabi
completou. E estendeu-lhe a mão para despedir-se, mas ele se aproximou e ela não se mexeu. Tocou seus lábios com os seus e Gabi continuou imóvel. Beijou-a mais profundamente, mas Gabi mantinha os olhos abertos. De repente, enxergou o rosto de Malu na sua frente. Piscou várias vezes e afastou-se.
— O que houve?
— Não, nada. Acho que estou um
pouco tonta. Deve ter sido a bebida.
— Sim, claro. Entre então.
Preciso ir também. Vou dirigir e estou com sono.
— Tudo bem. Então até qualquer
dia. — Gabi acenou com a mão e entrou, depois de entregar a chave para Bianca. “Devo mesmo estar ficando louca", pensou.
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Na semana seguinte Malu convenceu Gabi a ir morar com Nino até que ela conseguisse comprar os móveis e então elas alugariam sua própria casa para morarem juntas. Encontrou nessa decisão, uma maneira de reconquistar a confiança de Gabi e arrancar Laura definitivamente da sua vida.
Gabriela se preparava para ir
embora, enquanto ouvia Dona Verônica dizer:
M i n h a f i l h a , o u ç a o que
estou dizendo: Você
vai se arrepender!
Ignorando o conselho da sua mãe,
Gabriela colocou a mochila nas costas e saiu de casa.
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Malu ia ver Gabi todos os dias.
Ajudava-a no que precisasse e procurava ser o mais atenciosa possível. Depois de um tempo, alugaram uma pequena casa, de apenas dois cômodos, mas apenas para se encontrarem. Malu não havia ainda saído da casa da sua mãe, sob a alegação de que precisava organizar primeiro as suas finanças.
Recebiam visitas dos amigos
quase todos os dias, principalmente aos fins de semana. Malu se mostrava generosa e bastante companheira. Gabi percebeu que ela estava se esforçando para não ceder às investidas de Laura, apesar de a mesma visitar a sua cidade frequentemente com a intenção de desestruturar a relação das duas que parecia finalmente se encaminhar para um recomeço.
Gabriela visitava os seus pais e
dizia sempre estar tudo bem. Percebiam que estavam tristes e ficara sabendo, por suas amigas, que os dois sentiam muito a sua ausência, perguntando se ela estava fazendo as suas refeições corretamente, se estava dormindo de forma confortável e lamentando que ela tivesse trocado a sua casa, onde tudo tinha, para viver de forma aventureira.
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Gabriela decidiu passar o fim de
semana na casa de Ernesto. Malu não apareceu, como havia prometido. Seu comportamento havia mudado. Estava mais uma vez, se distanciando. Gabi sabia, no seu íntimo, que o pesadelo iria recomeçar. Bruno pediu que Gabi ficasse mais um pouco com ele e ela acabou ficando uma semana.
Ao chegar à sua cidade, decidiu ir
à casa alugada para ver como estava e organiza-la. Colocou a chave na porta e a abriu.
Não pôde acreditar no que viu.
No quarto, uma cama de casal e lençóis novos, que ela não conhecia. Um urso de pelúcia servia de enfeite. A cama
estava desfeita.
No chão, roupas espalhadas, juntamente com peças íntimas, que não eram suas. Não precisou ver aquela foto de Laura no porta retrato para saber.
Gabriela então, sentiu seus
batimentos acelerarem e deu um passo para trás, sentindo-se tonta. Estava sem ar. Se esbarrou em uma cadeira, que caiu. Saiu de lá, cega pelas lágrimas.
Ao sair, esbarrou-se com Viviane,
que morava ao lado, com Gisele. Ao perceber a expressão de Gabi, sua amiga lhe puxou levemente pelo braço, fazendo-a entrar e lhe deu um copo com água. Gabriela mal conseguia segurar o copo. Suas mãos não paravam de tremer. Sua voz estava entrecortada pelo choro:
— Estava tudo lá... as coisas de
Laura...no lugar que era nosso...como ela pôde? — chorou mais alto.
— Chore... — Viviane afagava os
seus ombros— pode chorar. Vai te fazer bem.
— Gabi, você sabia que isso
poderia acontecer...
Gabriela soluçava:
— Mas eu tinha esperanças que as
coisas mudassem...que ela percebesse que tudo isso era uma loucura...e a gente voltasse a ser felizes como antes...antes dessa mulher aparecer... que pesadelo, meu Deus! —pôs a cabeça entre as mãos, enquanto observava as lágrimas caindo no tapete da sala.
— Eu entendo que é difícil... Eu,
no seu lugar não suportaria nem a metade. Mas tenta se acalmar. Só você pode tomar essa decisão. Não espere que Malu mude ou que ela faça uma escolha. Isso não vai acontecer. Ela não termina as suas relações. As relações é que acabam pelo limite do que é suportável para o outro.
—Como ela pode ser tão mau
caráter, Viviane? Como pode magoar tanto as pessoas dessa forma?
— Não pense assim, minha
amiga. Sei que é difícil, pois você está muito machucada. Mas não vejo dessa forma, apesar de te entender e não querer estar no seu lugar. Malu é uma pessoa fantástica, Gabi, mas não sabe lidar com o que o que sente sem poupar o sentimento do outro. Não sabe administrar as suas vontades. Mas tenho certeza que um dia ela aprenderá, que o amor não tolera divisão. E que ela precisará escolher, entre o seu querer e as consequências que o seu querer gera no outro.
— Eu n ã o t e n h o mais
forças...Me sinto
cansada...muito cansada. Juro que não aguento mais...sinto vontade de morrer...— Gabi desabara no choro novamente.
— Ei! Psiu! — Viviane ergueu
seu queixo e falou com autoridade — Pare com isso! Pare de falar bobagem! Olhe pra você...— suavizou o tom de voz—uma menina bonita, inteligente...rodeada de pessoas que te adora. Olhe ao seu redor...quanta coisa pra viver, quantas coisas boas te esperando! Você é muito mais que isso. E é mais forte do que imagina. Levante a cabeça! Ninguém merece a sua vida, ninguém merece tanto sacrifício. Onde está o seu amor-próprio?
Gabriela a olhava, fixamente.
Respirando fundo e enxugando o rosto, decidiu parar de chorar.
— Você tem razão —levantou-se
de um salto— preciso acabar logo com isso. E é exatamente o que vou fazer. —deu um abraço em sua amiga e agradeceu pelas palavras.
— Está se sentindo melhor?
Gabriela balançou a cabeça que sim.
— Quer que eu te deixe em casa?
— Não. Não quero que ninguém
me veja assim. Vou até a casa de Nino. De lá, ligarei para Malu e pedirei para que ela vá até lá para conversarmos. Preciso resolver isso ainda hoje.
— Tudo bem. Vou te deixar lá
então.
— Obrigada.
— Quer pegar algo seu aí antes
de irmos? — Viviane apontou para a casa ao lado.
— Não, não quero nunca mais
entrar nesse lugar.
— Ok. Vou pegar meu carro então para te levar.
Ao chegar à casa de Nino,
Gabriela agradeceu a Viviane e em seguida, ligou para Malu, pedindo que ela estivesse lá em vinte minutos.
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Finalmente, depois de um ano e
seis meses vivendo naquela situação, Gabi havia chegado ao seu limite. Não cedeu aos argumentos batidos de Malu, nem aos seus apelos. Muito menos às suas promessas de mudança. Naquela mesma noite, rompeu com ela, definitivamente.
Quando chegou a casa, sentia-se aliviada, mas muito longe de estar feliz. Seu peito doía. Encontrou a sua mãe, que estava sentada no sofá, vendo televisão e demonstrou surpresa, ao vê-la.
Antes que pudesse ser dito
qualquer coisa, Gabriela jogou a mochila no chão e deitou no colo da sua mãe, chorando compulsivamente. Dona Verônica não perguntou o que houve. Instintivamente já sabia. Então, levantou a mão para afagar os cabelos de Gabi. Parou no ar. Respirou fundo e então a acarinhou, dizendo:
— Tanto que te avisei, minha
filha! Mas você nunca quis me ouvir...não fique assim não...tenha fé em Deus que Ele sabe de todas as coisas.