De lagarta a borboleta: Quando o amor se transforma

Epílogo

E P Í L O G O

 

Gabriela levou Daniel para ver a

praça, enfeitada com as luzes e decorações de Natal.

Respondia alegremente ao aceno

do seu filho, que vez ou outra lhe chamava para que prestasse atenção nele, enquanto brincava no parque de diversões. Decidiu sentar para comer alguma coisa e pediu ao seu sobrinho Davi que cuidasse de Daniel até que ela voltasse.

Bebia um suco, distraída, quando

sentiu alguém em pé do seu lado. Olhou para cima e viu Malu, sorrindo para ela. Levantou-se da cadeira, retribuindo o sorriso e a abraçou:

— Malu! Que bom te ver! Como

você está? Malu a abraçou forte e respondeu:

— Estou bem, e você? — posso

sentar?

— Estou ótima. Sim, claro, senta.

— apontou para a cadeira ao lado.

— E Daniel, não está com você?

— Está sim. — apontou para o

parque. — Deixei Davi com ele para que eu pudesse sentar e descansar um pouco. Aquela criança tem muita energia. — riu.

— Isso é bom. Demonstra que é

saudável. Com que idade ele está mesmo? Quatro...não é isso?

— Isso mesmo!

— Nossa, o tempo passa rápido.

Parece que foi ontem que você estava grávida.

— Verdade. Está um homenzinho

já. E modéstia à parte, muito inteligente também.

— Puxou a mãe... — Malu

elogiou e Gabi sorriu timidamente.

— Gabi? — Malu ficou séria de

repente — posso te fazer uma pergunta?

— Sim, claro.

— Eu te fiz muito mal? Gabi

piscou duas vezes:

— Como?

— Eu preciso saber. Você foi

muito infeliz comigo?

—Porque isso agora? Já se

passaram tantos anos...que diferença isso faz? Vamos esquecer isso.

— Responda. Por favor.

— Malu, eu...não saberia

explicar. Você me fez sofrer sim...muito. — Malu baixou a cabeça — mas me fez feliz também. Você foi o meu bem e o meu mal. Com você eu experimentei os sentimentos mais contraditórios...e os mais intensos, sem dúvida.

— E ao seu lado vivi os melhores

momentos da minha vida, acredite. — Malu engoliu em seco.

— Eu acredito — Gabi sorriu com os lábios.

— E você também acredita que eu

te amei de verdade, não é?

— Malu...eu não preciso acreditar

em nada, desde que você esteja sendo sincera com você mesma. Se você diz que me amou, então não precisa me provar mais nada. Não mais.

— Mas é que eu me culpo tanto,

Gabi, do que eu fiz no passado, principalmente com você...não sei como eu pude...você não merecia. — Malu balançou a cabeça, com uma expressão angustiada.

— Ei! Isso é passado. — Gabi

procurou os olhos de Malu e ao encontra-los, percebeu que havia algo entre elas que o tempo não mudaria: era uma espécie de eterna ligação pelo que viveram. Uma história que só a elas pertencia. Agora sem dor, nem sofrimento. E essa ligação era tão forte ao ponto de compreender o imenso abismo que as separavam, uma ponte construída pelo tempo, pelas feridas, pelas circunstâncias, pela vida. De compreender acima de tudo, que o amor se transforma. E que essa consciência as permitem discernir o passado do presente e respeitar os caminhos que ambas seguiram. Sem culpa e sem mágoas.

 

Malu demonstrou dividir o

mesmo pensamento, quando se justificou:

— Você sabe que eu gostaria de

ter acompanhado sua gravidez mais de perto, não é? E de falar com você com mais frequência...Mas as pessoas nunca entenderiam. Débora morre de ciúmes de você... — revirou os olhos — mas é compreensível. Fomos referência. E isso marca, não há como evitar.

— Malu! — Gabriela inclinou um

pouco a cabeça para frente — é claro que eu entendo. Qualquer contato maior que tivermos, as pessoas vão sempre achar que existe algo além de amizade. Eu entendo e respeito esse limite. E sei que ele vai precisar ser usado, sempre, por nós duas. — Gabi sustentava o seu olhar de forma segura, quando disse:

— Quanto ao seu remorso, peço

que tire ele das suas costas. Eu aprendi que o amor não é perfeito, assim como nós também não somos. Aquele mundo cor-de-rosa que eu vivia desabou. E foi bom. Sabe por quê? Porque assim eu pude construir um mundo novo. E real. Onde as pessoas são imperfeitas e não estão livres de me magoar e onde eu posso magoar também e nem sempre devemos ser julgados a vida inteira por isso. Afinal, cada um sofre as consequências dos seus atos. Não sou eu que tenho que te punir, mas a vida. Não que eu queira isso, sinceramente.

— Então você me perdoa? —

Malu a olhou, comovida.

— Eu não tenho nada para

perdoar. Tudo foi como deveria ter sido. Se tivesse que ser diferente, simplesmente seria. Temos que aceitar as coisas, Malu, porque assim tudo fica mais fácil. O rancor só me tornaria uma pessoa pior.

— Eu realmente não merecia

você... — Malu sorriu — é por isso que te admiro tanto!

— Fica tranquila. Estamos bem,

afinal de contas. Seguindo nossas vidas e olhando para frente, isso que importa.

— Quero que saiba que desejo

que você seja muito feliz... — Malu disse, de forma sincera.

— Eu sou. — Gabi virou-se ao

ver Daniel, que se aproximava, correndo para abraça-la. Em seguida, puxou a sua mão: — mamãe, mamãe, vamos para o parque. Quero que você me veja no cavalinho.

— Nós vamos sim. Espera só um minuto, tá? enquanto eu pago a conta.

Malu abriu os braços para ele,

falando de forma empolgada:

— Daniel meu lindão, lembra de

mim? Vem aqui me dar um abraço!

Ele foi ao seu encontro e Malu

deu vários beijos em seu rosto — Nossa, como ele "tá" grandão, Gabi — Malu exclamou, surpresa.

 

Gabi sorriu e disse:

— Malu, preciso ir.

— Eu também deixei algumas

pessoas me esperando e acabei me distraindo — abriu os braços para abraça-la: — foi muito bom revê-la. Até um dia.

— Até um dia. — Gabi repetiu,

enquanto a abraçava.

Pegou na mão de Daniel e depois

de andar um pouco, pediu:

— Se despeça de tia Malu, filho.

Ele balançou a mãozinha e Malu

retribuiu, alegremente, ao seu aceno, E sorriu, de forma carinhosa, enquanto os dois se afastavam, até sumir no meio da multidão.

 

F I M !

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A. S. Lima

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