De lagarta a borboleta: Quando o amor se transforma

Parte I

P A R T E I

 

30 de outubro de 1998.

 

Parecia ser uma sexta-feira como

todas as outras.

Por morar em uma cidade

pequena, que não oferecia muitas opções, Gabriela fazia, invariavelmente, os mesmos programas, mas que para ela não era entediante, já que considerava seus amigos os melhores e mais divertidos de todos.

Costumavam se reunir sempre no

mesmo barzinho e o tempo passava sem que percebessem, enquanto conversavam e riam de diversas situações, ao mesmo tempo em que ouviam voz e violão, igualmente de pessoas conhecidas do grupo.

Malu chegou e Gabi abriu um

largo sorriso, pois sua presença alegrava a todos, instantaneamente. Era muito espontânea e sua alegria, contagiante. Todos se entusiasmaram com a sua chegada, distribuindo simpatia, sabendo que a partir daquele momento tudo ficaria mais animado pelo seu senso de humor extraordinário.

A ciumenta Joane havia viajado.

Gabi gostava dela, mas identificava-se mais com Malu. Elas conversavam sempre que havia oportunidade, trocando opiniões e muitas vezes Malu lhe confidenciou seus problemas com Joane, que ela julgava autoritária e possessiva. Gabriela a repreendia pela sua infidelidade, mas ela argumentava que sua companheira a sufocava, proibindo-lhe de fazer tudo. Gabi não concordava com suas traições, mas reconhecia que, longe de Joane, Malu era inquestionavelmente outra pessoa. Simplesmente era ela mesma.

Gabi não entendia aquele amor.

Elas construíram uma relação sólida e pareciam inseparáveis. Mas brigavam em público, se agrediam verbal e fisicamente. Não havia o menor respeito e confiança. Malu mantinha outras relações ao mesmo tempo, mesmo assim não se separavam.

Naquela noite, enquanto todos

conversavam distraidamente, Gabi e Malu discutiam diversos assuntos. Tinham uma incrível afinidade. Os mesmos gostos e a mesma visão sobre a vida. Se empolgavam sempre que se viam, tendo que fazer um grande esforço para não conversarem paralelamente o tempo inteiro, freando um pouco o entusiasmo, para poder dar atenção às outras pessoas.

Elas tinham personalidades

diferentes, mas estranhamente se combinavam. Gabi não era tímida, mas incomparável ao jeito desinibido e comunicativo da sua amiga. Nem tinha toda a sua experiência de vida: a diferença de idade era de sete anos. Mas o sentimento de admiração de uma pela outra era visível.

De repente, o tempo parou. Seus

olhares se encontraram e algo estranho aconteceu. Gabriela perguntou-se intimamente como nunca tinha acontecido antes. Gabi entreabriu os lábios e fixou o olhar na boca de Malu, que mordeu os lábios nervosamente. Em seguida se olharam novamente e havia algo de diferente no ar. Instalou-se uma espécie de corrente elétrica entre as duas, que as isolavam do resto do mundo. Mas alguém chamou Malu, quebrando o encanto. Gabi tentou se recompor e Malu, mesmo parecendo natural com o resto do grupo, demonstrava certa inquietude, que só Gabi percebeu.

Não demorou muito para que

Malu voltasse a sua atenção para Gabi e novamente bastou que a mão de Malu tocasse distraidamente a perna de Gabi para que um calafrio atravessasse seus corpos e uma avassaladora atração surgisse entre as duas. Então Malu sussurrou:

— Você sentiu a mesma coisa?

Gabi balançou a cabeça que sim.

— Eu não sei o que foi isso —

disse Malu com as pupilas dilatadas — mas acho que gostaria de tentar descobrir.

E dez minutos depois estavam no

lugar marcado.

Não foi preciso dizer nada. Suas

bocas uniram-se em um beijo faminto, urgente. Suas mãos se apertavam, queriam fundir seus corpos em um só. Uma onda de excitação as invadiam, cada vez mais forte, até que assustadas com toda aquela atração, pararam e olharam-se: respirações ofegantes, corações acelerados. Malu conseguiu dizer:

— Eu nunca senti uma ligação tão

forte assim com outra pessoa. Não assim, da primeira vez.

— Nem eu...e Gabi repetiu: —

juro que nem eu.

Mais tarde, em sua cama,

Gabriela não conseguia parar de pensar. Ela não se lembrava de ter sentido tantas coisas em um simples beijo. O cheiro de Malu ainda estava nela: o cheiro da pele, do hálito, dos seus cabelos...parecia feitiço. Queria de novo. E de novo.

No mesmo instante, Gabriela caiu

em si: Malu não estava sozinha. Estavam juntas há quatro anos. Se amavam. Ela não tinha a menor chance.

E antes de dormir, lembrou-se da

promessa que fizeram: a de não se apaixonar.

 

***********************************

 

O sábado estava ensolarado e

Gabi animou-se. Ligou para Carol, convidando-a para ir ao clube. Deitou ao lado da sua amiga, na cadeira, para tomar sol, enquanto seu irmão Maurício conversava alegremente com Margarete, que era sua melhor amiga e com Renata e Ana, que decidiram finalmente assumir a relação.

Gabi estava com os olhos

fechados, quando ouvir Renata dizer:

— Olha só quem vem aí!

Gabriela prendeu a respiração.

Malu parecia ainda mais atraente naquela roupa de verão: vestia um minúsculo short, deixando à mostra as pernas exageradamente grossas e seu bumbum arrebitado. Tirou a blusa e seus seios ressaltaram, através do biquíni. Sua barriga lisa e malhada completava o perfeito conjunto. "Era um mulherão", pensou Gabi.

Malu passou a mão rapidamente

nos cabelos, jogando a cabeça para trás e Gabi constatou que gostava quando ela fazia isso, pois a deixava ainda mais charmosa. Seus cachos loiros eram macios e brilhantes. Com seu jeito cativante, aproximou-se da mesa, cumprimentando a todos com seu típico entusiasmo. Gabi naquele instante, comparou sua presença com o sol, que iluminava a todos ao seu redor. Ela tinha luz própria. Malu colocou os óculos escuros sobre a cabeça e olhou para Gabi e as duas deram um sorriso cúmplice.

Gabriela decidiu dar um mergulho

e quando seu rosto chegou a superfície, arregalou os olhos, ao ver Malu na sua frente, há apenas alguns centímetros do seu rosto. E então ela com um sorriso debochado, perguntou:

— Sou tão feia assim?

— Não, não é isso...é que... —

Gabriela olhou para baixo e percebeu que Malu prendia suas pernas com as suas, enquanto a olhava, de forma desafiadora. Gabriela sentiu-se embaraçada e tentou desvencilhar-se mas não conseguiu. E então, sussurrou, entre os dentes:

— Me solta, por favor! Alguém

pode perceber...

— E daí? você se importa com

isso?

— Talvez. Mas você deveria se

importar.

— Por quê?

— Você sabe.

Malu ficou séria por um segundo.

Pareceu lembrar-se de repente que tinha um compromisso com Joane. Mas não a soltou. E então encostou mais. Gabriela olhou ao redor, mas aparentemente ninguém as observava. E então Gabi reparou que Malu dilatava as pupilas, enquanto confessava:

— Eu não parei de pensar em

você desde ontem. E vendo você agora, tão linda, na minha frente, minha vontade é de te beijar aqui mesmo.

Gabi a olhava hipnotizada, mas

em seguida percebeu que Malu afrouxou as pernas e então ela fez uma concha com as mãos e jogou água no rosto de Malu, que fingiu cara de zangada, ameaçando pega-la, mas logo parou, dando uma pequena risada, deixando que ela saísse, sabendo que estava deixando-a sem graça.

E então Gabi mergulhou

rapidamente e saiu da piscina pela escada de ferro, com um sorriso vitorioso, sob o olhar encantado de Malu, que acompanhou seus movimentos, observando-a torcer os cabelos e sair andando graciosamente até o outro lado, onde estavam seus amigos. Mais tarde, enquanto Gabriela se preparava para ir embora, Malu falou disfarçadamente em seu ouvido:

— Sabe onde fica aquele

quiosque perto da minha casa? Te espero lá as vinte horas. Gabriela nada disse. Apenas mordeu o lábio inferior, desviando o olhar em seguida.

 

Quando Gabi apontou na esquina, viu Malu, sentada, esperando. E então, seguiu, olhando para os dois lados, mas a rua estava praticamente deserta, por causa do frio. A iluminação do local era quase nenhuma, exceto pelas lâmpadas dos postes, que permitia ver as silhuetas, no entanto, sem identificar quem estava ali, se não olhasse com mais atenção.

Malu esfregou as mãos uma na

outra e em seguida as colocou no próprio rosto, certificando-se de que já estavam aquecidas, pegando em seguida Gabi pela mão e a sentando entre suas pernas, de costas para ela, com a intenção de aquecê-la. Gabi virou-se para ela e sorriu. Depois beijou seus lábios, delicadamente e Malu a abraçou mais, pela cintura, enquanto sussurrava:

— Você está tão cheirosa!

— Você também. — e reafirmou

— como sempre. Malu beijou o rosto de Gabi carinhosamente.

Gabriela usava um vestido justo,

que desenhava seu corpo, na altura um pouco acima dos joelhos, deixando à mostra suas pernas torneadas. Vestia um casaco sobre o vestido, que já passava a incomodar, pois Malu beijava seu pescoço de forma provocante e uma onda de calor tomou seu corpo, obrigando -a tira-lo.

Malu passou as mãos em suas

pernas e lhe perguntou, perto do seu ouvido:

— Você sabia que tem as pernas

mais lindas que eu já vi?

Gabi riu alto.

— Malu, já é a décima vez que

você fala isso hoje. Malu riu também:

— Está vendo que não estou

mentindo?

Gabriela sorria, quando devagar,

inverteu a posição e sentou-se de frente para Malu, olhando-a profundamente nos olhos, antes de beija-la.

Malu entrelaçou os dedos em seus

cabelos e a puxou para si intensificando o beijo, quando Gabriela parou de repente e foi desabotoando seu vestido, deixando Malu hipnotizada a olhar-lhe, sem acreditar no que ela estava fazendo. Lentamente, deitou-se no banco em que estavam e Malu balançou a cabeça, embevecida.

Gabriela vestia uma lingerie de

 

cor rosa, a sua preferida, com detalhes em renda, que davam um toque sensual e Malu gostou do que viu. Passou os dedos delicadamente pelo seu corpo e aproximou-se para beijar-lhe os seios, descendo pela barriga, enquanto alisava suas pernas. Gabriela fechou os olhos e por um momento esqueceu-se do mundo ao seu redor, mas um barulho de vozes a sobressaltou e ela sentou de repente, abotoando o vestido e abraçando Malu de forma que não a reconhecessem. Quando o casal passou, Gabi riu espontaneamente e Malu a admirou por sua coragem. Gabriela a surpreendeu pela ousadia e sensualidade. Estava cada vez mais encantada.

Gabriela se recompôs e vestiu

novamente o casaco, voltando à posição anterior e Malu a enlaçou com os braços, aspirando o cheiro do seu cabelo e assim ficaram, durante muito tempo, questionando-se onde estava escondida toda aquela química e onde aquilo ia parar.

 

********************************

 

O fim de semana acabou e a

pessoa que até aquele momento Gabi havia esquecido que existia, chegou de viagem. Malu e Gabriela estavam no Clube, como no dia anterior. Tinham acabado de sair da piscina e riam de um motivo qualquer, quando viram Joane, que se aproximava, indiferente ao clima que havia ali. O sorriso de Gabi esvaiu-se e Malu sorriu forçadamente, quando Joane a abraçou e a beijou no rosto. Olhou para Gabi e no olhar, um pedido de desculpas.

Gabriela sentiu-se pouco à

vontade e então vestiu sua roupa e despediu-se dos amigos, deixando Malu com uma expressão desapontada, sem no entanto, poder se manifestar.

No dia seguinte, era aniversário

de Gabi. Ela completaria dezoito anos.

Dalva, que trabalhava em sua

casa há muitos anos, bateu na porta do seu quarto discretamente, avisando:

— Gabi, telefone para você.

Gabriela levantou-se, mal

conseguindo abrir os olhos e passando a mão pelos cabelos despenteados, pegou o telefone que estava fora do gancho:

— Alô? — atendeu com a voz

rouca.

— Olha só, tem uma menininha

que está ficando mais velha hoje...— Gabi sorriu ao ouvir a voz brincalhona de Malu.

— "Tô" nada! — gemeu Gabi.

— Brincadeirinha, meu anjo.

Feliz aniversário viu?

— Obrigada.

— Que responsabilidade hein?

agora você já é uma mulher!

— E antes eu não era?

Malu mudou o tom de voz:

— Com certeza! E que mulher! —

em seguida pigarreou e mudou de assunto:

— E então...vai fazer o quê hoje?

— Ah! nada não...!

Provavelmente minhas amigas devem vir me ver, mas eu já vou adiantar que não estou para comemorações. Talvez no fim de semana eu combine algo com elas.

— Quer almoçar comigo?

Gabriela calou-se por um

momento, depois respondeu:

— Não vai dar, Malu. Eu já

combinei de almoçar com a minha família.

— Tudo bem, então janta comigo?

Gabriela sorriu com os lábios:

— Você não vai desistir, não é

mesmo?

— Não!

— ok! Você venceu!

Combinaram então de se

encontrar em um restaurante um pouco afastado do Centro, onde não pudessem ser vistas facilmente.

Assim que Gabi chegou, Malu

levantou-se e lhe deu um abraço. Em seguida, sentaram-se e Malu segurou as duas mãos de Gabriela, pedindo-lhe desculpas:

— Gabi, eu sinto muito por

ontem. Não tinha a intenção de deixar você constrangida...

Gabriela balançou a cabeça,

enquanto dizia:

— Você não tem que se desculpar

de nada...Na verdade, eu que não deveria estar ali...a intrusa sou eu. — baixou a cabeça, sentindo-se triste de repente. Mas Malu ergueu seu queixo e havia um brilho em seus olhos quando disse:

— Gabi, não diga isso! Você não

tem culpa de nada. Eu também permiti que acontecesse e além do mais, sou eu que tenho compromisso com Joane, você não lhe deve satisfações.

— Não é bem assim, Malu! É

verdade que não somos tão íntimas, mas temos um convívio sim, e não acho correto esse tipo de atitude.

Malu rebateu:

— Gabi, todo mundo sabe que

minha relação com Joane já não é mais essas "mil maravilhas". Estamos empurrando faz tempo e além do mais — sua pupila já começava a dilatar-se você sabe que mesmo que quiséssemos, não tínhamos como impedir o que aconteceu...eu não teria forças...você teria?

Gabriela sentiu o estômago

contrair em uma sensação que não soube definir se era frio ou calor. Apenas balançou a cabeça, negativamente.

Sim, Malu estava certa. Por mais

que as teorias e princípios de Gabriela a dissessem que havia sim, uma opção de escolha, uma força maior, uma espécie de imã irresistível que as uniam, lhe contradizia. Foi realmente muito intenso e sim, incontrolável.

— Gabi saíra de casa disposta a

dizer a Malu para esquecer tudo. E voltar à amizade de antes. Mesmo sabendo que seria impossível ficarem indiferentes ao que tinha acontecido, ela queria tentar. Do contrário se envolveria mais e consequentemente, sairia machucada. Mas tudo foi sendo esquecido quando ela olhava para Malu, com seu riso fácil e seu jeito sedutor. "ela é irresistível, pensava Gabi.

O segundo motivo que a levou a

aceitar o convite de Malu foi para lhe contar o que, por falta de coragem, havia lhe omitido até aquele momento: que estava grávida!

Ao fim do jantar, Gabriela

respirou fundo e anunciou:

— Malu, preciso te contar uma

coisa...

Nesse momento foram

surpreendidas pela inesperada chegada de Izabel e seu namorado, que estavam passando e viram as duas. Então pararam para cumprimenta-las e oferecer carona. Gabi e Malu se entreolharam, sem saberem o que dizer. Decidiram aceitar, para evitar desconfianças, pois Izabel trabalhava com Joane e apesar de não gostar de fofocas e de ter conhecimento da amizade de Malu e Gabi, ela e Joane eram confidentes, então por certo comentaria que as tinham visto juntas, àquela hora.

Gabriela não conseguia dormir.

Estava inquieta. Seria desonesto esconder aquilo de Malu. Sabia que ela ficaria chocada, mas entenderia.

Num impulso, levantou-se e foi

até a sua casa, e Malu ficou surpresa quando a viu:

— Gabi, aconteceu alguma coisa?

Malu vestia uma camiseta larga,

estampada com a imagem de um personagem infantil. Suas pernas estavam inteiramente à mostra. Gabi percebeu que ela estava apenas de calcinha e não usava sutiã. Deu um longo suspiro e pediu:

— Vista uma roupa e me encontre

no quiosque. Preciso falar com você.

Malu não entendia, mas concordou. Em poucos minutos chegou, já usando um conjunto de moletom. Havia uma expressão de preocupação no rosto, mas como sempre não podia perder a piada:

— Quem morreu? — brincou

Malu, indiferente ao rosto tenso de Gabi.

— Malu, é sério!

— O que foi? você está grávida?

Nossa, não sabia que a ciência havia evoluído tanto!

Gabi calou-se, fazendo com que o

sorriso de Malu desaparecesse do seu rosto:

— Você está grávida? é isso?

Gabi balançou a cabeça

positivamente.

Malu inclinou o rosto para frente,

abrindo a boca, cobrindo-a com a mão em seguida, num gesto de surpresa. Em seguida, balançou a cabeça, confusa e disparou:

— Mas como? de quem? Quando?

— É de Lucas. Você sabe não é,

que éramos namorados? Mas aí terminamos, depois de alguns meses voltamos e eu engravidei. Ele não quis assumir, nem minha família me apoia, por eu ser muito nova... Daí eu fiquei uns dias pensando no que fazer e foi nesse meio tempo que tudo aconteceu entre nós duas. Eu não te contei antes porque tive medo de estragar tudo, mas pensei bem e achei que você tivesse o direito de saber... E é isso.

Gabi parou de falar e olhou

constrangida para Malu, esperando sua reação. Esta suavizou a expressão de espanto no rosto e deu a volta, para sentar ao lado de Gabi, e a abraçou, carinhosamente.

— Eu sinto muito, Gabi!

preocupei-me realmente com você agora. — mas esse Lucas é um bom canalha hein? — ficou em silêncio por alguns segundos — você vai ficar bem?

— Vou sim. Vai dar tudo certo.

Mas você entende que nesse momento preciso ficar longe de você durante um tempo não é? Arrumar essa bagunça toda que está na minha cabeça...

— Claro, entendo...— Malu baixou a cabeça.

Gabi passou os dedos

carinhosamente pelo rosto de Malu e esta segurou sua mão, beijando-a. Em seguida, ficaram por muito tempo se olhando e emocionada, Gabriela se levantou para ir embora.

Malu a abraçou novamente,

dizendo que ela podia contar com a sua ajuda para o que precisasse e lhe agradecendo por ter-lhe dito a verdade. Gabi então, disse:

— Sabe do que eu mais tive

medo?

— De quê?

— De você não me desejar mais.

— Eu nunca vou deixar de te

desejar...nunca!

Gabriela virou-se para ir embora,

quando Malu a fez parar:

— Ei! Feliz aniversário...mais

uma vez! Gabi sorriu tristemente e se foi.

 

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Passaram-se duas semanas.

Depois de sair da clínica, Gabi ficara trancafiada em casa, pois sua mãe dava-lhe inúmeras recomendações e lhe impôs um rígido repouso, alegando sérias consequências de saúde se acaso não obedecesse suas ordens. Apesar de saber que a maior parte das coisas eram superstições, frutos do exagero da sua mãe, decidiu acatar, para evitar problemas.

Suas amigas a visitavam

diariamente, especialmente Helena, Bianca e Carol. Mas nenhuma delas sabia do que ela e Malu tinham vivido e ela preferiu não contar, pois seria bem provável que nunca mais acontecesse de novo.

Gabi até aquele momento, não

tinha notícia dela, mas volta e meia, flagrava-se lembrando dos seus beijos, daquele abraço que a fazia sentir-se tão segura. Da sua risada contagiante. Sentia falta dela.

Às vezes perguntava-se porque

estava pensando tanto nela, afinal, foram tão poucos encontros...! Não! Ela sabia que foi muito além disso. Elas experimentaram um envolvimento tão profundo que a quantidade de tempo não fazia a menor diferença. Suas almas se encontravam em apenas um olhar. Foi bonito demais para ser definido. E esquecido.

O barulho da campainha fez

Gabriela acordar de seus devaneios. Levantou-se da cama devagar, passou a mão nos cabelos e abriu a porta. Era Joane.