Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 8 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 7

O DIA SEGUINTE era sexta-feira; não apenas era m eu dia de folga com o tam bém tinha um encontro, então praticam ente era um m arco. Eu m e recusei a arruiná-lo fazendo faxina. Apesar de ainda estar frio para tal coisa, fiz um a das m inhas coisas favoritas: coloquei um biquíni, passei óleo e fui deitar no sol na espreguiçadeira dobrável que com prei no Wal-Mart no fim do verão anterior. Levei um livro, o rádio e um chapéu para o quintal, onde havia poucas árvores e plantas que encoraj assem os insetos que m ordiam .

Eu li, cantei j unto com as m úsicas no rádio e pintei as unhas dos pés e das m ãos. Em bora estivesse arrepiada no com eço, m e aqueci rapidam ente com o sol, e não havia nenhum a brisa gelada para sentir frio. Sei que banho de sol é ruim e faz m al, vou m e arrepender m ais tarde, etc., etc., m as é um dos poucos prazeres grátis disponíveis para m im .

Ninguém veio para um a visita, não ouvi o telefone e, j á que o sol estava lá fora, os vam piros não apareceriam . Tive um m om ento agradável sozinha. Perto da um a da tarde, decidi ir até a cidade atrás de algum as com pras e um novo sutiã, e parei na caixa de correspondência na Rodovia Hum m ingbird para verificar se o entregador do correio j á tinha passado.

Sim . Minha conta da TV a cabo e a conta de luz estavam na caixa, o que m e botou para baixo. Mas, escondido atrás de um a propaganda da Sears, havia um convite para o chá de panela de Halleigh. Bom ... nossa.

Fiquei surpresa, m as feliz. Claro, eu m orei ao lado de Halleigh num dos apartam entos duplex de Sam por algum as sem anas, enquanto m inha casa estava sendo reconstruída após o incêndio, e nos víam os pelo m enos um a vez por dia durante aquela época. Então não era um a com pleta forçada de barra, ela m e colocar em sua lista de convidadas. Além disso, talvez ela estivesse aliviada pela situação de Cody ter sido resolvida tão rapidam ente?

Eu não recebia m uitos convites, então receber um fez bem ao coração. Três outras professoras estavam oferecendo o chá e o convite pedia presentes para cozinha. Que oportuno, j á que eu estava a cam inho do Hiperm ercado Wal-Mart em Clarice.

Após pensar m uito, com prei um a caçarola. Aquilo era sem pre prático (tam bém com prei suco de fruta, queij o cheddar, bacon, papel de presente e um belo sutiã azul com calcinhas com binando, m as não era a questão).

Depois que voltei para casa e descarreguei m inhas com pras, em brulhei a caixa com a caçarola num papel prateado e coloquei um a enorm e fita branca. Escrevi a data e o horário do chá de panela em m eu calendário e coloquei o convite em cim a do presente. Já havia resolvido a questão do chá.

Num acesso de virtude exacerbado, lim pei m inha geladeira nova por dentro e por fora, depois de fazer um lanche. Lavei um a pilha de roupas na lavadora nova, desej ando pela centésim a vez que m eus arm ários estivessem no lugar, j á que estava cansada de procurar por coisas na bagunça do chão.

Andei pela casa para m e certificar de que estava em ordem , j á que Quinn vinha m e buscar. Im pedindo-m e de pensar, troquei os lençóis e lim pei o banheiro — não que eu tivesse a intenção de cair na cam a com Quinn, m as é m elhor estar preparada do que o contrário, certo? Além disso, m e fazia sentir bem , saber que tudo estava lim po e arrum ado. Toalhas lim pas em am bos os banheiros, um a fina poeira na sala de estar e no quarto, um a rápida passada de aspirador.

Antes de entrar no chuveiro, eu até m esm o varri a varanda, apesar de saber que estaria coberta de novo com um a cam ada am arela antes de eu voltar do encontro. Deixei o sol secar m eu cabelo, provavelm ente enchendo-o de pólen tam bém . Apliquei m inha m aquiagem com cuidado; eu não usava m uito, m as era divertido usar para algo m ais interessante do que o trabalho. Um pouco de som bra nos olhos, um bocado de rím el, algum pó com pacto e batom . Então vesti m eu novo lingerie de encontro. Me senti especial ao senti-lo sobre a pele: renda azul-escura. Olhei no espelho de corpo inteiro para verificar o efeito. Me congratulei. Você tem que se alegrar por si m esm a, certo?

O traj e que com prei no Tara’s Togs era azul roy al, feito com m alha pesada e tinha um belo caim ento. Vesti a calça e a blusa. Esta era sem m angas e j usta, envolvendo m eus peitos. Experim entei a profundidade do decote, finalm ente escolhendo um grau revelador que com certeza ficava entre a linha do sexy e barato.

Tirei m inha m anta preta do arm ário, aquela que Alcide m e deu para substituir o que Debbie Pelt destruiu. Eu precisaria dela m ais tarde naquela noite. Calcei m inhas sandálias pretas. Experim entei algum as j oias, finalm ente m e decidindo por um a sim ples corrente de ouro (foi de m inha avó) e brincos de bolinha. Hah!

Houve um a batida na porta da frente e eu olhei para o relógio, um pouco surpresa por Quinn estar quinze m inutos adiantado. Eu tam bém não tinha ouvido sua cam inhonete. Abri a porta para descobrir que não era Quinn, m as Eric, quem estava parado lá.

Tenho certeza que ele apreciou m eu ofego de surpresa.

Nunca abra a porta sem verificar. Nunca assum a que sabe quem está do outro lado. Foi por isso que arrum ei os olhos m ágicos! Estúpida. Eric devia ter flutuado, j á que não vi um carro em lugar algum .

— Posso entrar? – Eric perguntou educadam ente. Ele m e olhou de alto a baixo. Após apreciar a vista, ele se deu conta de que aquilo não foi planej ado com ele em m ente. Não estava feliz. – Im agino que estej a esperando com panhia?

— Para falar a verdade, eu estou. De fato, prefiro que você fique aí desse lado da porta – respondi. Dei um passo para trás para que ele não pudesse m e alcançar.

— Você disse a Pam que não queria vir a Shreveport – ele disse. Ah, sim , ele estava zangado. – Então, aqui estou para descobrir por que você não respondeu ao m eu cham ado. – Norm alm ente seu sotaque era bem leve, m as notei que estava m ais pronunciado esta noite.

— Eu não tinha tem po – falei. – Estou saindo esta noite.

— Foi o que eu percebi – disse, m ais baixo. – Com quem vai sair?

— Isso realm ente é da sua conta? – Encontrei seus olhos, desafiadora.

— É claro que sim – disse.

Fiquei desconcertada. — E isso seria por que...? – recuperei-m e um pouco.

— Você devia ser m inha. Eu dorm i com você, cuidei de você, eu... a aj udei financeiram ente.

— Você pagou dinheiro que m e devia, por serviços prestados – respondi. – Você pode ter dorm ido com igo, m as não recentem ente, e não m ostrou sinais de querer fazer isso novam ente. Se você está cuidando de m im , está dem onstrando de um m odo bem estranho. Eu nunca ouvi dizer que “total evasão, exceto ordens vindas de puxa-sacos” era um m odo válido de m ostrar cuidado. – Isso era um a afirm ação confusa, certo, m as eu sabia que ele tinha entendido.

— Você está cham ando Pam de puxa-saco? – Ele tinha a som bra de um sorriso nos lábios. Então voltou a ficar zangado. Pude perceber porque ele com eçou a soltar suas contrações. – Eu não tenho que andar ao seu redor para m ostrar. Eu sou o xerife. Você... você é m eu s.qüito.

Eu sabia que m inha boca estava aberta, m as não pude evitar.

“Com endo m osca”, com o m inha avó dizia, e eu senti com o se estivesse com endo um bocado delas. — Seu s.qüito? – consegui balbuciar. – Bem , dane-se você e seu s.qüito. Você não m e diz o que fazer!

— Você é obrigada a ir com igo para a conferência – Eric disse, a boca tensa e os olhos faiscantes. – Foi por isso que a cham ei para vir a Shreveport, para conversar a respeito dos horários e arranj os da viagem .

— Eu não sou obrigada a ir para lugar nenhum com você. Você foi suplantado, m eu chapa.

— Meu chapa? Chapa!

E teria degenerado dali por diante, se Quinn não tivesse aparecido.

Ao invés de chegar em sua cam inhonete, Quinn estava num Lincoln Continental. Senti um m om ento de puro prazer esnobe ao pensar em viaj ar nele. Eu havia escolhido as calças em parte porque achei que subiria num a picape, m as m esm o assim estava feliz por deslizar num carro luxuoso.

Quinn atravessou o gram ado e subiu a varanda num a velocidade controlada. Ele não parecia apressado, m as subitam ente estava lá, e eu sorri.

Ele estava m aravilhoso. Vestia um terno cinza escuro, cam isa lilás escura e um a gravata que m isturava as duas cores num padrão elegante. Ele estava usando um brinco, um a sim ples argola de ouro.

Eric m ostrava as presas.

— Olá, Eric – disse Quinn, calm am ente. Sua voz profunda ribom bou em m inha espinha. – Sookie, você parece boa o bastante para com er. – Ele sorriu para m im , e os trem ores ao longo de m inha espinha se espalharam para outra área com pletam ente. Eu nunca teria acreditado que poderia achar outro hom em tão atraente na presença de Eric. Eu estava errada ao pensar assim .

— Você parece ótim o tam bém – falei, tentando não sorrir com o um a idiota. Não era legal babar.

Eric disse, — O que você andou dizendo para Sookie, Quinn?

Os dois hom ens altos se encararam . Eu não acreditava ser a fonte da anim osidade. Eu era um sintom a, não a doença. Havia algo debaixo daquilo.

— Eu disse a Sookie que a rainha solicitou a presença dela na conferência com o parte de seu grupo, e que o cham ado da rainha se sobrepõe ao seu – Quinn respondeu term inantem ente.

— Desde quando a rainha dá ordens através de um m etam orfo? – Eric disse com o desprezo carregado na voz.

— Desde que este m etam orfo executou um valioso serviço para ela no ram o dos negócios – Quinn respondeu, sem hesitação. – O Sr.

Cataliades sugeriu à Sua Maj estade que eu poderia ser útil num a posição diplom ática e m eus sócios ficaram felizes em m e dar tem po extra para executar quaisquer deveres com as quais ela possa m e incum bir.

Eu não tinha certeza de que estava com preendendo, m as entendi o essencial. Eric estava inflam ado, para dar bom uso à expressão no m eu calendário com a Palavra do Dia. De fato, seus olhos estavam quase lançando faíscas, de tão furioso. — Esta m ulher foi m inha, e ela será m inha – disse, num tom tão definitivo que eu pensei em verificar m eu traseiro, procurando pela m arca de ferro quente.

Quinn transferiu seu olhar para m im . — Docinho, você é dele ou não? – perguntou.

— Não – respondi.

— Então, vam os em bora apreciar o show – Quinn disse. Ele não parecia estar com m edo, ou m esm o preocupado. Esta era sua reação verdadeira ou estava representando um a fachada? De qualquer form a, era bem im pressionante.

Eu tive que passar por Eric a cam inho do carro de Quinn. Olhei para ele porque não pude evitar. Estar perto quando ele estava assim tão zangado não era algo seguro, e eu precisava ser cautelosa. Eric raram ente era sobrepuj ado em questões sérias, e m inha anexação pela Rainha da Louisiana— sua rainha— era um a questão séria. Meu encontro com Quinn tam bém estava entalado em sua garganta. Eric sim plesm ente teria que engolir.

Então am bos estávam os no carro, os cintos de segurança presos, e Quinn m anobrou num a m archa a ré habilidosa para apontar o Lincoln na direção da Rodovia Hum m ingbird. Eu respirei, lenta e cuidadosam ente.

Levei alguns instantes para m e acalm ar novam ente. Minhas m ãos relaxaram gradualm ente. Percebi que o silêncio estava aum entando. Deim e um a sacudida m ental.

— Você vai ao teatro com tanta freqü.ncia quanto viaj a? – perguntei convencionalm ente.

Ele riu e o som profundo, rico, encheu o carro. — Sim – disse. – Eu vou ao cinem a, teatro e qualquer evento esportivo que estej a acontecendo.

Gosto de ver as pessoas fazendo coisas. Não assisto m uito à televisão.

Gosto de sair do m eu quarto de hotel ou apartam ento e ver coisas acontecerem , ou fazê-las acontecerem eu m esm o.

— Então, você dança?

Ele m e lançou um rápido olhar.

— Danço.

Eu sorri. — Eu gosto de dançar. – E era até boa dançando, não que tenha tido m uitas chances de praticar. – Não sou boa em cantar – adm iti – m as eu gosto m uito, m uito m esm o, de dançar.

— Soa prom issor.

Achei que teríam os que ver com o esta noite se desenrolaria antes de fazer quaisquer planos para dançar, m as pelo m enos sabíam os que havia algo que am bos gostavam .

— Eu gosto de film es – falei. – Mas não acho que tenha visto algum j ogo ao vivo, além dos j ogos no colegial. Mas nesses, eu vou. Futebol, basquete, beisebol... vou a todos, quando o trabalho m e perm ite.

— Você praticou algum esporte na escola? – Quinn perguntou.

Confessei que j oguei softball e ele m e contou que j ogou basquete, o que, considerando sua altura, não foi nenhum a surpresa.

Quinn era fácil de se conversar. Ele ouvia quando eu falava. Dirigia bem ; pelo m enos ele não praguej ava para os outros m otoristas com o Jason fazia. Meu irm ão tendia a ficar do lado im paciente da estrada.

Eu estava esperando que algo desse errado. Esperava por aquele m om ento — você sabe do que estou falando— o m om ento em que seu encontro de repente confessa algo que você não consegue engolir: ele se revela racista ou hom ofóbico, adm ite que nunca se casaria com alguém que não fosse batista (sulista, m orena, corredora de m aratona, o que for), conta sobre os filhos que teve com as prim eiras três esposas, descobre seu gosto por ser algem ado, ou relata suas experiências de j uventude explodindo sapos ou torturando gatos. Depois disso, não im porta o quanto tenha se divertido, você sabe que não irá a lugar algum . E eu nem precisava esperar que o suj eito m e contasse essas coisas verbalm ente; podia ler direto de sua cabeça antes m esm o que saíssem os.

Nunca popular com caras norm ais, eu. Adm itindo ou não, eles não suportariam a ideia de sair com um a garota que sabia exatam ente quantas vezes eles pularam a cerca, tiveram pensam entos libidinosos com outra m ulher ou im aginaram com o sua professora era sem roupas.

Quinn deu a volta no carro e abriu a porta para m im quando estacionam os do outro lado da rua, no Strand, e pegou m inha m ão ao atravessarm os. Eu apreciei a cortesia.

Havia um bocado de pessoas entrando no teatro, e todas pareciam estar olhando para Quinn. Claro, um suj eito careca, alto com o Quinn recebe alguns olhares. Eu tentava não pensar em sua m ão; era bem grande, m uito quente e seca.

— Estão todos olhando para você – ele disse, enquanto tirava os ingressos do bolso, e eu cerrei os lábios para não rir.

— Ah, eu acho que não – falei.

— Para que m ais estariam olhando?

— Você – respondi, espantada.

Ele riu alto, aquele riso profundo que m e fazia vibrar por dentro.

Nós tínham os lugares m uito bons, no m eio da plateia e de frente para o palco. Quinn ocupou seu assento, sem dúvida, e im aginei se as pessoas atrás dele podiam enxergar. Verifiquei m eu program a com algum a curiosidade, descobri que não reconhecia o nom e de nenhum dos atores na produção e decidi que não m e im portava. Levantei os olhos para encontrar Quinn m e encarando. Senti o rosto enrubescer. Dobrei m inha m anta preta e coloquei-a sobre os j oelhos, com um abrupto desej o de puxar m eu decote para cim a e esconder cada centím etro do colo.

— Definitivam ente olhando para você – ele disse, e sorriu. Eu inclinei a cabeça, lisonj eada, m as em baraçada.

Muitas pessoas j á viram The Producers. Não preciso descrever o enredo, exceto para dizer que é sobre pessoas crédulas e m alandros adoráveis, e é m uito engraçado. Eu adorei cada m inuto. Era m aravilhoso assistir pessoas atuando bem na m inha frente com tal nível profissional. A estrela convidada, que algum as pessoas m ais velhas na plateia pareceram reconhecer, atuou no papel principal com incrível confiança.

Quinn riu tam bém e, após o intervalo, pegou m inha m ão de novo.

Meus dedos se fecharam ao redor dos dele com naturalidade, e não m e senti em baraçada com o contato.

De repente, um a hora se passou e a peça term inou. Levantam o-nos j unto com todo m undo, apesar de que levaria um tem po para o teatro esvaziar. Quinn pegou m eu m anto e segurou-o para m im , e eu m e enrolei nele. Ele estava pesaroso por eu m e cobrir— descobri isso diretam ente de seu cérebro.

— Obrigada – falei, cutucando sua m anga para ter certeza de que ele estava m e olhando. Eu queria que soubesse o quanto aquilo significou. – Foi sim plesm ente m aravilhoso.

— Eu gostei tam bém . Você quer ir com er algum a coisa?

— Okay – respondi, após um m om ento.

— Você teve que pensar a respeito?

Na verdade, tive um a espécie de flash sobre vários itens diferentes.

Se os enum erasse, eu teria dito algo com o, Ele deve estar se divertindo ou não ia sugerir que prolongássem os a noite. Eu tenho que levantar para trabalhar am anhã, m as não quero perder essa oportunidade. Se form os j antar, tenho que ser cuidadosa para não derrubar nada na m inha roupa nova. Tudo bem gastar m ais dinheiro dele, j á que os ingressos custaram tanto?

— Ah, eu estava considerando as calorias – respondi, dando um tapinha no traseiro.

— Não há nada de errado com você, na frente ou atrás – Quinn disse, e a calidez em seus olhos m e fez sentir calor.

Eu sabia que tinha m ais curvas do que o ideal. Certa vez, ouvi Holly com entando com Danielle que qualquer núm ero acim a de m anequim oito era sim plesm ente noj ento. Já que um dia na qual conseguia entrar num m anequim oito era um dia feliz, m e senti bem infeliz por três m inutos. Eu teria relatado essa conversa para Quinn se não tivesse certeza de que soaria com o se eu estivesse buscando um elogio.

— Deixe o restaurante por m inha conta – eu disse.

— Com todo o respeito por seu orgulho, não, não deixo. – Quinn m e olhou direto nos olhos para ter certeza de que eu sabia que falava a sério.

Havíam os chegado à calçada, então. Surpresa com sua veem ência, eu não soube com o reagir. Por um lado, eu estava aliviada, j á que tinha que ser cautelosa com m eu dinheiro. Por outro, sabia que era certo oferecer e teria m e sentido bem se ele tivesse dito que tudo bem .

— Você sabe que eu não estou tentando insultá-lo, certo? – falei.

— Sei que está sendo igualitária.

Olhei-o em dúvida, m as ele estava sério.

Quinn disse, — Eu acredito em absoluto que você é tão boa quanto eu em todos os sentidos. Mas eu a convidei, e estou fornecendo o apoio financeiro para nosso encontro.

— E se eu o convidasse para sair?

Ele pareceu infeliz. — Então eu teria que m e sentar e deixá-la cuidar da noite – disse. Ele respondeu relutantem ente, m as o fez. Eu desviei o olhar e sorri.

Os carros deixavam o estacionam ento em ritm o constante. Já que estávam os deixando o teatro devagar, o carro de Quinn parecia solitário na segunda fileira.

De repente, m eu alarm e m ental soou. Em algum lugar por perto, havia um bocado de hostilidade e intenção m aldosa. Havíam os deixado a calçada para atravessar a rua até o estacionam ento. Agarrei o braço de Quinn e então soltei para que pudéssem os ficar de prontidão.

— Algo está errado – falei.

Sem questionar, Quinn com eçou a perscrutar a área. Ele desabotoou o casaco com a m ão esquerda para que pudesse se m ovim entar sem im pedim ento. Seus dedos se curvaram em punhos. Já que era um hom em com um poderoso instinto protetor, ele se posicionou na m inha frente.

Então, obviam ente, fom os atacados por trás.