Definitivamente Morto

Charlaine Harris · Capítulo 15 de 25

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Definitivamente Morto

Capítulo 14

ALGUÉM BELISCAVA MEU PÉ e dizia, — Acorde! Acorde! – Recobrei a consciência num a torrente aterrorizada, m eus olhos se abrindo para o quarto desconhecido, ilum inado pelo sol. Um a m ulher que eu não conhecia estava parada ao pé da cam a.

— Quem diabos é você? – Eu estava irritada, m as não com m edo.

Ela não parecia perigosa. Tinha m ais ou m enos a m inha idade e era m uito bronzeada. Seus cabelos castanhos eram curtos, os olhos de um azul brilhante, e usava shorts caqui com um a cam isa branca aberta sobre um a cam iseta regata coral. Ela estava apressando um pouco a estação.

— Eu sou Am elia Broadway . Sou dona do prédio.

— Por que você está aqui m e acordando?

— Ouvi Cataliades no pátio à noite passada, e im aginei que ele a trouxe para lim par o apartam ento de Hadley . Eu queria falar com você.

— E não podia esperar até eu acordar? E usou um a chave para entrar, ao invés de tocar a cam painha? Qual é o seu problem a?

Ela estava definitivam ente aturdida. Pela prim eira vez, Am elia Broadway pareceu ter percebido que podia ter m anej ado m elhor a situação.

— Bom , vej a, eu andei preocupada – disse, de m odo subm isso.

— É? Eu tam bém – respondi. – Junte-se ao clube. Estou um bocado preocupada agora m esm o. Agora saia daqui e espere por m im na sala, okay ?

— Claro – ela disse. – Posso fazer isso.

Deixei m inha pulsação voltar ao norm al antes de deslizar para fora da cam a. Então a arrum ei rapidam ente, e tirei algum as roupas da m ala.

Arrastei-m e até o banheiro, pegando um rápido vislum bre de m inha convidada inesperada no cam inho. Ela tirava o pó da sala com um tecido que parecia suspeitosam ente a cam isa de flanela de um hom em . O-kay .

Tom ei banho tão rapidam ente quanto possível, coloquei um pouco de m aquiagem e saí com os pés descalços, m as com j eans e um a cam iseta azul.

Am elia Broadway parou a lim peza e m e encarou.

— Você não se parece nem um pouco com Hadley – ela disse, e eu não consegui decidir por seu tom de voz se ela achava aquilo um a coisa boa ou ruim .

— Eu não sou nem um pouco com o Hadley, sem dúvida – respondi term inantem ente.

— Bem , isso é ótim o. Hadley era terrível – Am elia disse inesperadam ente. – Opa. Desculpe, não tenho m uito tato.

— Mesm o? – Tentei m anter a voz nivelada, m as um traço de sarcasm o deve ter escapado. – Então, se você sabe onde fica o café, pode m e apontar naquela direção? – Eu estava olhando para a área da cozinha pela prim eira vez à luz do dia. Tinha tij olos aparentes cor de bronze, um balcão de aço inoxidável e geladeira com binando, e pia com um a torneira que custava m ais caro do que m inhas roupas. Pequena, m as luxuosa, com o o resto do lugar.

Tudo isso para um a vam pira que nem precisava de um a cozinha em prim eiro lugar.

— A cafeteira de Hadley está bem ali – disse Am elia, e eu a avistei.

Era preta e m eio que com binava. Hadley sem pre foi louca por café, então im aginei que, até com o vam pira, ela m antivesse um suprim ento de sua bebida favorita. Abri o arm ário acim a da cafeteira e contem plei duas latas de Com m unity Coffee e alguns filtros. O selo prateado estava intacto no prim eiro, m as a segunda lata estava aberta e pela m etade. Inalei o m aravilhoso cheiro de café com prazer silencioso. Parecia incrivelm ente fresco.

Depois de preparar a cafeteira e apertar o botão para fazê-la funcionar, encontrei duas canecas e coloquei-as ao lado. O pote de açúcar estava bem ao lado da m áquina, m as quando abri, encontrei só resíduos endurecidos. Joguei o conteúdo na lata de lixo que estava alinhada, m as vazia. Tinha sido lim pa depois da m orte de Hadley. Talvez Hadley tivesse um pouco de crem e em pó na geladeira? No sul, pessoas que não usam constantem ente guardam ali.

Mas quando abri a brilhante geladeira de aço inoxidável, não encontrei nada exceto cinco garrafas de TrueBlood.

Nada m e fez ter tanta consciência do fato de que m inha prim a Hadley havia m orrido um a vam pira com o aquilo. Nunca conheci ninguém antes e depois. Era um choque. Eu tinha tantas m em órias de Hadley, algum as felizes e outras desagradáveis— m as em todas aquelas m em órias, m inha prim a estava respirando e seu coração batia. Fiquei im óvel com os lábios com prim idos, fitando as garrafas verm elhas, até que m e recuperei o suficiente para fechar a porta gentilm ente.

Após um a busca inútil nos arm ários por Crem ora, eu disse a Am elia que esperava que ela tom asse café preto.

— Sim , para m im está ótim o – Am elia disse form alm ente.

Obviam ente, estava tentando se com portar bem e eu só podia agradecer por isso. A senhoria encontrava-se em poleirada num a das poltronas de pernas finas de Hadley. O estofam ento realm ente era bonito, de tecido sedoso am arelo estam pado com flores verm elhas e azul-escuras, m as não gostei do estilo frágil da m obília. Gosto de cadeiras que pareçam poder agüentar pessoas grandes, pessoas pesadas, sem ranger ou gem er. Gosto de m óveis que não ficarão arruinados se você derram ar refrigerante em cim a, ou se seu cachorro subir e tirar um a soneca. Tentei m e acom odar no sofá do lado oposto à senhoria. Bonito, sim . Confortável, não. Suspeita confirm ada.

— Então, o que você é, Am elia?

— Perdão?

— O que você é?

— Ah, um a bruxa.

— Im aginei. – Eu não tinha sentido aquele algo sobrenatural que sentia nas criaturas cuj as m esm as células foram transform adas pela natureza de seu ser. Am elia havia adquirido sua “peculiaridade”. – Foi você quem lançou os feitiços para selar o apartam ento?

— Sim – ela respondeu orgulhosam ente. Ela m e lançou um olhar de pura avaliação. Eu soube que o apartam ento foi tratado com feitiços; soube que ela era um m em bro do outro m undo, o m undo oculto. Eu podia ser um a hum ana norm al, m as estava inform ada. Li todos esses pensam entos tão facilm ente quanto se Am elia os tivesse dito para m im . Ela era um a transm issora excepcional, tão clara e lim pa quanto seu aspecto. – Na noite em que Hadley m orreu, o advogado da rainha m e telefonou. Claro, eu estava dorm indo. Ele m e disse para trancar esse negócio e que Hadley não voltaria, m as a rainha queria que o lugar perm anecesse intacto para a herdeira. Eu subi e com ecei a lim par na m anhã seguinte bem cedo. – Ela usou luvas de borracha tam bém ; pude ver isso na im agem m ental dela m esm a na m anhã seguinte após a m orte de Hadley .

— Você esvaziou o lixo e fez a cam a?

Ela pareceu em baraçada. — Sim , eu fiz. Não percebi que “intacto”

queria dizer “intocado”. Cataliades veio aqui e m e deixou fazer. Mas estou contente por ter tirado o lixo daqui, de qualquer m odo. É estranho, porque alguém rem exeu a lata de lixo naquela noite, antes de eu colocar para recolherem .

— Im agino que você não saiba se eles levaram algum a coisa?

Ela m e lançou um olhar incrédulo. — Não é com o se eu fizesse um inventário do lixo – disse. E acrescentou relutantem ente, – Foi tratado com um feitiço, m as para quê eu não sei.

Okay, aquilo não eram boas notícias. Am elia nem m esm o adm itia para si m esm a; ela não queria pensar na casa com o um alvo para assaltos sobrenaturais. Am elia estava orgulhosa porque sua m agia funcionou, m as não pensou em tratar a lata de lixo.

— Oh, eu peguei todos os vasos de plantas dela e levei para o m eu apartam ento; ficou m ais fácil de cuidar tam bém . Então se quiser de volta para levar para o Fim do Mundo com você, fique à vontade.

— Bon Tem ps – corrigi. Am elia bufou. Ela tinha o desprezo que aqueles nascidos e criados na cidade tinham pelo interior.

— Então você é dona deste prédio e alugou o andar de cim a para Hadley quando?

— Cerca de um ano atrás. Ela j á era vam pira – disse Am elia. – E era a nam orada da rainha há um bom tem po. Então im aginei que fosse um a boa garantia, sabe? Ninguém vai atacar a queridinha da rainha, certo? E ninguém vai invadir sua m oradia tam pouco.

Eu quis perguntar com o Am elia conseguia m anter um lugar assim tão bom ela própria, m as era algo grosseiro dem ais para sair de m eus lábios.

— Então, você se sustenta com negócios de bruxaria? – perguntei em vez disso, tentando parecer apenas levem ente interessada.

Ela deu de om bros, m as pareceu satisfeita por eu perguntar. Apesar de a m ãe ter lhe deixado bastante dinheiro, Am elia estava encantada por ser autossuficiente. Ouvi tão claram ente quanto se ela tivesse dito em voz alta.

— É, eu m e sustento – disse, visando um tom m odesto e sim plesm ente falhando. Ela trabalhara duro para se tornar um a bruxa. Tinha orgulho de seu poder.

Isso era com o ler um livro.

— Se a coisa fica devagar, eu aj udo um a am iga que tem um a loj a de artigos esotéricos na Jackson Square. Leio o futuro lá – ela adm itiu. – E às vezes faço um a turnê m ágica de Nova Orleans para os turistas. Pode ser divertido e, se eles ficam assustados o bastante, eu ganho boas gorj etas.

Então, entre um a coisa e outra, eu m e viro.

— Você pratica m agia séria – falei, e ela concordou alegrem ente. – Para quem ? – indaguei. – Já que o m undo norm al não adm ite que sej a possível.

— Os sobres pagam m uito bem – ela disse, surpresa porque tive de perguntar. Na verdade, eu não precisava, m as era m ais fácil direcionar seus pensam entos para a inform ação certa, se perguntasse em voz alta. – Vam piros e Lobis, especialm ente. Quero dizer, eles não gostam de bruxas, m as vam piros em particular querem cada pequena vantagem que podem conseguir. O resto não é tão organizado. – Com um aceno de m ão, ela descartou os m ais fracos do m undo sobrenatural, os lobi-m orcegos, m etam orfos e assim por diante. Ela subestim ava o poder de outros sobres, o que era um erro.

— E quanto às fadas? – perguntei curiosa.

— Eles têm o suficiente da própria m agia – disse, dando de om bros.

– Não precisam de m im . Eu sei que, para alguém com o você, deve ser difícil aceitar que existe um talento invisível e natural, um que desafia tudo que aprendeu com sua fam ília.

Sufoquei o ofego de descrença. Com certeza ela não sabia nada a m eu respeito. Eu não sabia o que ela e Hadley andaram conversando, m as não foi sobre a fam ília de Hadley, obviam ente. Quando essa ideia cruzou m inha m ente, um alarm e soou bem lá no fundo, um que dizia que aquela linha de pensam ento devia ser explorada. Mas deixei-a de lado para pensar nela m ais tarde. Agora, eu precisava lidar com Am elia Broadway .

— Então você diria que possui um a habilidade sobrenatural forte? – perguntei. Pude senti-la reprim ir a torrente de orgulho.

— Eu tenho algum a habilidade – disse m odestam ente. – Por exem plo, j oguei um a m agia de stasis neste apartam ento quando não consegui term inar a lim peza. E apesar de estar fechado há m eses, você não sente o cheiro de nada, sente?

Aquilo explicava a falta de odor flutuando das toalhas m anchadas. — E você pratica bruxaria para sobrenaturais, lê futuros na Jackson Square, guia grupos de turnê às vezes. Não são exatam ente em pregos regulares – falei.

— Correto – Ela assentiu feliz e orgulhosa.

— Então você faz seu próprio horário – falei. Pude ouvir o alívio saltando na m ente de Am elia, alívio por não ter m ais que ir trabalhar num escritório, apesar de ter feito um bico no correio durante três anos até se tornar um a bruxa novata.

— Sim .

— Então, você pode m e aj udar a lim par o apartam ento de Hadley ?

Ficarei feliz em pagar.

— Bem , claro que aj udo. Quanto m ais cedo as coisas dela forem em pacotadas, m ais cedo vou poder alugar o local. Quanto a você m e pagar, por que não esperam os para ver de quanto tem po posso dispor? Às vezes, eu tenho cham adas de em ergência. – Am elia sorriu para m im , um sorriso digno de com ercial de pasta de dente.

— A rainha não vem pagando o aluguel desde que Hadley faleceu?

— Sim , ela paga. Mas tenho sentido arrepios, pensando nas coisas de Hadley por aqui. E houve algum as tentativas de invasão. A últim a aconteceu há apenas alguns dias atrás. – Eu desisti de fingir que sorria. – No com eço, eu pensei – Am elia balbuciou – que podia ser com o quando alguém m orre e o obituário sai no j ornal, você tem invasões durante o funeral. Claro, eles não im prim em obituários para vam piros. Acho que é porque eles j á estão m ortos ou porque os outros vam piros não m andam para o j ornal... isso seria interessante, ver com o eles lidam com isso. Por que você não experim enta m andar algum as linhas sobre Hadley ? Mas você sabe com o os vam piros fofocam , então acho que algum as pessoas j á ouviram que ela está definitivam ente m orta, m orta pela segunda vez.

Especialm ente depois que Waldo desapareceu da corte. Todos sabem que ele não se im porta com Hadley. E então, vam piros não têm funerais tam bém . Portanto, acho que a invasão não estava relacionada. Nova Orleans tem um a taxa de crim inalidade bem alta.

— Ah, você conheceu Waldo – falei, para interrom per o fluxo.

Waldo, outrora o favorito da rainha— não na cam a, m as com o lacaio, eu acho— ficou ressentido ao ser suplantado por m inha prim a Hadley .

Quando Hadley continuou sob as graças da rainha por um lim ite de tem po sem precedentes, Waldo a atraiu para o Cem itério Núm ero Um de St. Louis, fingindo a desculpa de que despertaria o espírito de Marie Laveau, a notória rainha do vodu de Nova Orleans. Ao invés disso, ele m atou Hadley e culpou a Sociedade do Sol. O Sr. Cataliades m e acotovelou nessa direção até que entendi a culpa de Waldo, e a rainha m e deu a oportunidade de executar Waldo pessoalm ente— aquilo era a ideia da rainha de um grande favor. Eu declinei. Mas ele estava finalm ente, definitivam ente m orto agora, com o Hadley. Estrem eci.

— Bem , eu o conheço m elhor do que gostaria – ela disse, com a franqueza que parecia ser característica determ inante de Am elia Broadway .

– Mas ouvi você usar o verbo passado. Ouso im aginar que Waldo encontrou seu destino final?

— Você pode – respondi. – Ousar, quero dizer.

— Uau – ela disse alegrem ente. – Ora, ora, ora.

Ao m enos, ilum inei o dia de alguém . Eu conseguia ver nos pensam entos de Am elia o quanto ela desgostava do vam piro m ais velho, e não podia culpá-la. Ele foi odioso. Am elia era o tipo de m ulher com um a m ente determ inada, o que devia torná-la um a bruxa form idável. Mas agora m esm o ela devia estar pensando em outras possibilidades m e envolvendo, e não estava. Havia desvantagem em ser focada num só obj etivo.

— E você quer lim par o apartam ento de Hadley porque acha que seu prédio não será m ais um alvo? Desses ladrões que descobriram que Hadley está m orta?

— Correto – disse, dando um últim o gole em seu café. – Gosto de saber que alguém está aqui tam bém . Ter o apartam ento vazio m e dá arrepios. Pelo m enos, vam piros não podem deixar fantasm as para trás.

— Eu não sabia disso – falei. E nunca pensei a respeito, tam pouco.

— Nada de fantasm as vam piros – Am elia disse, alegrem ente. – Nenhum . Tem de ser hum ano para deixar um fantasm a para trás. Ei, você quer que eu lhe faça um a leitura? Eu sei, eu sei, é m eio assustador, m as eu prom eto, sou boa nisso!

Ela estava pensando que seria divertido m e dar o susto dado aos turistas, j á que eu não ficaria em Nova Orleans por m uito tem po; tam bém acreditava que quanto m ais legal fosse com igo, m ais rápido eu lim paria o apartam ento de Hadley para que ela pudesse tê-lo de volta.

— Claro – respondi lentam ente. – Você pode fazer um a leitura agora m esm o, se quiser. – Essa poderia ser um a boa m edida para avaliar o quanto Am elia era um a bruxa talentosa.

Ela certam ente não tinha qualquer sem elhança com o estereótipo de bruxa. Am elia parecia lim pa, radiante e saudável, com o um a feliz dona de casa suburbana com um a Ford Explorer e um setter irlandês. Mas num piscar de olhos, Am elia tirou um m aço de cartas de tarô do bolso da calça e inclinou-se sobre a m esa de café para usá-las. Ela fez isso de um m odo rápido e profissional que não fez nenhum sentido para m im .

Depois de exam inar as figuras por um m inuto, seu olhar parou de vagar sobre as cartas e fixou-se na m esa. Seu rosto enrubesceu e ela fechou os olhos com o se estivesse se sentindo m ortificada. É claro que estava.

— Okay – disse finalm ente, a voz calm a e nivelada. – O que você é?

— Telepata.

— Eu sem pre estou fazendo suposições! Por que nunca aprendo?

— Ninguém m e acha assustadora – falei, tentando soar gentil, e ela estrem eceu.

— Bom , não vou com eter esse erro novam ente – ela disse. – Você parece ser m ais inform ada a respeito dos sobres do que um a pessoa com um .

— E aprendendo m ais a cada dia. – Minha voz soava horrível até para m im .

— Agora vou ter que contar à m inha conselheira que falhei – disse a senhoria. Ela parecia tão som bria quanto era possível parecer. Não m uito.

— Você tem um a... m estra?

— É, um a bruxa m ais velha que tipo m onitora nosso progresso durante os três prim eiros anos com o profissional.

— Com o você sabe quando se torna um a profissional?

— Oh, você tem que passar no teste – Am elia explicou, levantandose e indo até a pia. Num instante, ela lavou a cafeteira e o filtro, colocou-os alinhados na secadora e lim pou a pia.

— Então com eçam os a em pacotar as coisas am anhã? – perguntei.

— O que há de errado com agora m esm o?

— Prim eiro, eu gostaria de olhar as coisas de Hadley sozinha – respondi, tentando não soar irritada.

— Ah. Bom , claro que deve. – Ela tentou soar com o se j á tivesse pensado nisso. – E im agino que você tenha que visitar a rainha esta noite, não?

— Eu não sei.

— Oh, aposto que eles estão esperando. Havia um vam piro alto, m oreno e bonitão com você ontem à noite? Com certeza ele pareceu fam iliar.— Bill Com pton – falei. – Sim , ele m orou na Louisiana durante anos e fez alguns trabalhos para a rainha.

Ela olhou para m im , os olhos azuis-claros surpresos. — Oh, achei que ele conhecia sua prim a.

— Não – respondi. – Obrigada por m e acordar para poder com eçar o trabalho, e obrigada por estar disposta a m e aj udar.

Ela estava satisfeita por estar partindo, porque eu não fui o que esperava, queria m editar a m eu respeito e dar alguns telefonem as para as irm ãs do clã na área de Bon Tem ps.

— Holly Cleary – falei. – Ela é quem eu conheço m elhor.

Am elia ofegou e disse um trêm ulo adeus. Ela se foi tão inesperadam ente quanto chegara. Eu m e senti velha de repente. Estava apenas m e exibindo e reduzi um a confiante e alegre j ovem bruxa num a m ulher ansiosa, no espaço de um a hora.

Mas assim que arranj ei um bloco de notas e um lápis— bem onde deviam estar, na gaveta perto do telefone— para decidir m eu plano de ação, consolei-m e com o pensam ento de que Am elia precisava desesperadam ente do tapa m ental no rosto. Se não viesse de m im , podia vir de alguém que realm ente lhe faria m al.